O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) publicou nesta terça-feira (30) um memorando interno determinando que todos os procuradores federais e a Divisão Criminal passem a tratar como prioridade a investigação e a persecução penal dos chamados esquemas de “birth tourism” (turismo de nascimento).
O documento, assinado pelo Deputy Attorney General Colin M. McDonald, afirma que organizações especializadas vêm explorando o sistema imigratório americano ao orientar estrangeiras grávidas a entrar nos Estados Unidos ocultando o verdadeiro motivo da viagem para que seus filhos adquiram automaticamente a cidadania americana ao nascer.
Embora muitos casos sejam enquadrados como fraude de visto, os promotores passam a ser orientados a analisar também outros possíveis crimes federais, incluindo:
fraude eletrônica (Wire Fraud);
conspiração para fraude eletrônica;
lavagem de dinheiro;
conspiração para lavagem de dinheiro;
uso ilegal de documentos de identificação;
furto qualificado de identidade;
conspiração para fraude na área da saúde;
além da possibilidade de confisco criminal de bens relacionados aos crimes.
O que é o “birth tourism”?
O turismo de nascimento ocorre quando uma estrangeira viaja aos Estados Unidos com o objetivo principal de dar à luz no país, garantindo ao bebê a cidadania americana pelo princípio do jus soli.
Embora dar à luz nos Estados Unidos não seja ilegal por si só, o DOJ enfatiza que os crimes surgem quando há:
mentiras no pedido de visto;
falsas declarações às autoridades de imigração;
ocultação da gravidez;
empresas que organizam e comercializam esse tipo de serviço mediante fraude.
Segundo o memorando, milhares de estrangeiros exploram anualmente esse sistema utilizando falsas informações para entrar no país.
Casos recentes
Em 2024, Michael Wei Yueh Liu e Jing Dong foram condenados a 41 meses de prisão por operar a empresa USA Happy Baby Inc.
Segundo o DOJ, eles:
cobravam dezenas de milhares de dólares de clientes chineses;
ajudavam na obtenção fraudulenta de vistos;
forneciam moradia e transporte nos EUA;
orientavam as clientes a esconder a gravidez das autoridades de imigração.
Outro caso citado ocorreu em 2022, quando Ibrahim Aksakal recebeu pena de 27 meses de prisão por conspiração para cometer fraude eletrônica (wire fraud) e fraude na área da saúde. De acordo com o memorando, ele promovia serviços de turismo de nascimento em redes sociais em língua turca e instruía mulheres a ocultar a gravidez ao entrar nos Estados Unidos.
Além da prisão, foi condenado a pagar:
US$ 1.039.723,63 em restituição;
US$ 397.500 em confisco de bens.
O DOJ também relembra um caso de 2020 envolvendo Chao “Edwin” Chen, condenado a 37 meses de prisão. Segundo o governo americano, Chen operava a empresa You Win USA, que possuía equipes na China e nos Estados Unidos e teria atendido mais de 500 clientes chineses.
Cada cliente pagava entre US$ 40 mil e US$ 80 mil, enquanto a empresa teria recebido cerca de US$ 3 milhões em transferências internacionais em apenas dois anos.
Fonte: Jovem Pan