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Saúde

‘Labirintite’ ou enxaqueca vestibular? O diagnóstico que o Brasil mais confunde

2 minutos de leitura

Poucos sintomas geram tanta confusão quanto a tontura. Diante de episódios repetidos, é comum o paciente receber o rótulo de “labirintite crônica” e passar anos tratando uma condição que, na verdade, pode ser outra.
Esse erro de diagnóstico não é raro – e tem impacto direto na qualidade de vida, porque leva a tratamentos inadequados e pouca melhora dos sintomas.

O mito da labirintite crônica A labirintite, no sentido médico estrito, é uma inflamação do labirinto, geralmente de origem infecciosa, que costuma ser aguda e autolimitada. Ou seja, não é uma condição que se arrasta por meses ou anos. Mesmo assim, o termo virou um “guarda-chuva” para descrever praticamente qualquer tipo de tontura.

O resultado é que muitas pessoas convivem com crises recorrentes sem diagnóstico correto.

Na maioria dos casos de tontura persistente, a causa não está no ouvido interno.

A verdadeira causa por trás da tontura

Entre as causas mais comuns de tontura recorrente está a enxaqueca vestibular, uma condição neurológica relacionada à enxaqueca tradicional.

Ela pode se manifestar com vertigem, sensação de desequilíbrio, instabilidade ou cabeça “leve”, muitas vezes sem dor de cabeça associada. Isso é o que mais confunde – tanto pacientes quanto profissionais. Crises podem durar minutos, horas ou até dias e podem ser desencadeadas por estresse, alterações do sono, estímulos visuais ou alimentares.

Por não apresentar o quadro clássico de dor, a enxaqueca vestibular frequentemente passa despercebida.

Diagnóstico certo muda tudo Diferenciar uma doença do labirinto de uma condição neurológica é fundamental. O tratamento é completamente diferente.

Enquanto problemas do ouvido podem exigir medicamentos específicos ou reabilitação vestibular, a enxaqueca vestibular responde melhor a estratégias neurológicas, incluindo controle de gatilhos, ajuste de hábitos e, em alguns casos, medicação preventiva.

Quando o diagnóstico é correto, o paciente costuma apresentar melhora significativa – muitas vezes após anos de tentativa frustrada com tratamentos inadequados.

Tontura não é tudo igual. E chamar tudo de “labirintite” pode atrasar o cuidado certo.

Entender a causa real é o primeiro passo para recuperar o equilíbrio – no corpo e na vida.

Prof. Dr. Marcelo Zalli CRM/SC 17.333 | RQE 13.326 Neurologista Professor Titular de Neurologia na Universidade do Vale do Itajaí Membro da Brazil Health


Fonte: Jovem Pan