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Lula acerta ao adotar reciprocidade contra EUA, mas caso Ramagem não mobiliza como tarifaço a favor do petista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acertou política e diplomaticamente ao adotar o princípio da reciprocidade contra os Estados Unidos ao cassar as credenciais de um militar americano e convidá-lo a deixar o Brasil.
Os dividendos políticos, porém, não são tão fortes como no ano passado. O fato é que o caso envolvendo Alexandre Ramagem não mobiliza tanto como o tarifaço a favor do presidente da República.
A avaliação é de interlocutores do próprio Lula e também de um estudo da Ativaweb DataLab sobre as menções nas redes sociais durante o período do tarifaço, em 2025, e, agora, com a polêmica em torno da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, expulsão de um delegado brasileiro pelos Estados Unidos e o governo brasileiro devolvendo na mesma moeda.
O governo adotou a reciprocidade porque, primeiro, a posição do presidente Lula tem sido sempre a de não aceitar medidas americanas contra o Brasil.
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O que faz de forma correta. E, também, pelos dividendos políticos que isso gera, afinal Donald Trump é muito mal avaliado no país. Mas a repercussão não é a mesma do tarifaço.
O diretor da Ativaweb DataLab, Alek Maracajá, afirma que a pesquisa de seu instituto “identificou uma mudança clara no comportamento digital em torno do discurso do presidente Lula contra os Estados Unidos”.
Segundo ele, o episódio do tarifaço gerou mobilização nacional e furou bolhas ideológicas, já o caso Ramagem não teve o mesmo impacto nas redes.
Lula durante 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O estudo da Ativaweb aponta:
Em julho de 2025, o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump gerou mais de 5,9 milhões de menções, com 58% das postagens criticando a medida inclusive dentro da base conservadora, criando um raro momento de unidade nacional.
Já em abril de 2026, a Ativaweb monitorou mais de 3,1 milhões de menções sobre o discurso atual de Lula contra os EUA, com um resultado oposto:
77% de menções negativas, apenas 11% positivas e 12% neutras.
Isso ocorre porque o tarifaço atingia concretamente a economia brasileira, tanto empresários como trabalhadores, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional e colocando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro como vilão.
Agora, em abril de 2026, trata-se mais de um discurso, segundo Alek Maracajá, “político e institucional”, sem impacto econômico direto e que não conseguiu furar a bolha ideológica dos dois lados.


Fonte:

g1 > Política

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