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Lula conversa com Xi Jinping e reforça aproximação do Brasil com a China após tarifas dos EUA

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, cumprimentam-se cerimônia no Palácio do Povo, em Pequim, no dia 13 de maio de 2025
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na noite deste domingo (26), e defenderam o aprofundamento da cooperação bilateral entre os dois países.
Durante a conversa, também falaram sobre acelerar as negociações de um acordo entre o Mercosul e a China. Segundo comunicado divulgado na noite deste domingo pelo Palácio do Planalto, a conversa durou mais de uma hora.
De acordo com a nota, os líderes trataram da implementação de projetos de desenvolvimento dos dois países e reiteraram o interesse em ampliar parcerias em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
A expectativa era que os líderes discutissem as duas tarifas anunciadas pelo governo Donald Trump contra o Brasil e outros parceiros comerciais nas últimas semanas. A nota do Planalto não cita o tarifaço entre os temas da conversa.
🔎O Brasil foi sancionado pelo governo norte-americano com duas tarifas nas últimas semanas. As sobretaxas podem chegar a 37,5%, considerando uma taxa inicial de 25% por supostas práticas comerciais desleais e um adicional de 12,5% referente a uma investigação sobre trabalho forçado.
Agora no g1
Durante o telefonema, Lula afirmou que o governo brasileiro segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais.
Os dois presidentes também concordaram sobre a importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China que contemple as flexibilidades consideradas necessárias pelas partes.
Rejeição a interferência externa
O presidente da China disse que apoia o Brasil na “rejeição da interferência externa” e que o país está pronto para fortalecer a coordenação estratégica bilateral e multilateral, de acordo com a agência de notícias estatal Xinhua.
Xi Jinping enfatizou que, diante das novas circunstâncias e desafios, a China e o Brasil, como membros importantes do Sul Global, devem se posicionar firmemente ao lado da justiça histórica e do progresso da civilização, desempenhando um papel construtivo ainda maior na reforma e no aprimoramento do sistema de governança global e na defesa da equidade e da justiça internacionais.
Lula e Xi destacaram ainda os resultados do comércio bilateral e os efeitos das jornadas culturais promovidas pelos dois países ao longo deste ano.
Outros temas
Segundo a nota, eles também ressaltaram o impacto do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, medida que deve ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócios.
Ao abordar temas internacionais, os presidentes manifestaram preocupação com a multiplicação de conflitos ao redor do mundo e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global. Os dois também lamentaram as perdas humanas e materiais decorrentes dessas crises.
Sobre o Oriente Médio, Lula e Xi afirmaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm impactos negativos para a economia mundial. Eles também expressaram preocupação com a continuidade da crise humanitária em Gaza.
Os líderes concordaram ainda que o Grupo de Amigos da Paz pode ter papel relevante na retomada de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.
A iniciativa diplomática foi lançada por Brasil e China em setembro de 2024, na Organização das Nações Unidas (ONU), e reúne países do Sul Global em defesa de uma solução política para o conflito.
Segundo o comunicado, Lula e Xi criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder adequadamente às crises internacionais. Eles também avaliaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará um cenário global particularmente desafiador.
Ao final da conversa, os presidentes reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter coordenação próxima sobre temas da agenda internacional em fóruns como a ONU e os Brics.
A conversa ocorre no momento em que Lula tem reforçado a defesa da diversificação das relações comerciais do Brasil.
Neste domingo, em artigo publicado no jornal americano The Washington Post, o presidente classificou como um “erro estratégico” as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que o país buscará alternativas para ampliar investimentos e parcerias econômicas.


Fonte:

g1 > Política

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