Agora Lula adotou o chapéu como parte de sua vestimenta. Depois de ter passado por procedimentos para retirar uma lesão cancerígena do couro cabeludo, por recomendação médica, o presidente incluiu o chapéu entre os seus acessórios. Especialmente o modelo Panamá. E não é que o homem ficou estiloso!
Esta semana, o chefe do Executivo caprichou na escolha de alguns modelos. Afinal, precisou arrumar as malas para visitar seu amigo Macron, na França.Embora não faça parte do G7, Lula foi convidado pelo presidente francês para participar da reunião ampliada do grupo. Mas, diante do problema iminente que o Brasil deverá enfrentar com o tarifaço prestes a ser imposto pelos Estados Unidos, a impressão é a de que aproveitou a boa relação com o colega europeu para arrumar um jeito de esbarrar em Trump.
Conversa de pé de escada
Vai que aconteça um novo clima entre os dois. Não precisaria muito. Uma rápida conversa de corredor ou um cochicho de pé de escada já poderia ser suficiente como artifício para o agendamento de uma reunião entre a diplomacia e técnicos americanos e brasileiros. Quem sabe, cedendo aqui e ali, tomando uma cerveja ou uma caixa delas, segundo a técnica de negociação sugerida pelo próprio Lula, tudo pudesse ser resolvido ou atenuado.
O problema é que essa questão já se arrasta por um bom tempo. Em várias oportunidades, Lula peitou Trump a respeito desse tema. Como, aparentemente, obteve ganhos políticos e conquistou preciosos pontos nas pesquisas, viu nessa atitude um meio de obter vantagens eleitorais. Mas, para abrir um processo de negociação, alguém precisaria levar a culpa pelas ações dos Estados Unidos.
Terceirizando a culpa
Usando a velha tática de terceirizar a responsabilidade, mesmo sem provas, virou a metralhadora verbal, sem citar nomes, na direção de Eduardo e Flávio Bolsonaro. Às vésperas das eleições, talvez funcionasse como argumento poderoso de campanha. Disse o presidente:
“Pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou levar vantagem é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer que, em qualquer outro país do mundo, em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria”.
Discurso amplo e dentro do contexto
Lula foi cauteloso no seu discurso desta terça, 16, na cúpula do G7. Como tem repetido dia sim, dia também, cobrou respeito à soberania dos países sobre o combate internacional ao crime organizado. Politicamente, foi uma jogadaesperta. Como corre o risco de ser acusado de “defensor de bandidos”, não ficaria sozinho nessa luta indigesta e antipática. Aproveitou também, mais uma vez sem citar o novo tarifaço ou o nome de Trump, para criticar o unilateralismo.
Assim, dentro dos objetivos estabelecidos para a reunião do G7, Lula poderia dar o recado à comunidade internacional sem sair do contexto do encontro e sem transformar Trump em alvo direto. Criticar o presidente americano nesse momento seria o mesmo que cutucar a fera com vara curta. Quem sabe dessa forma, com o apoio de aliados, algum resultado pudesse ser obtido.
Se colar, colou
Se Lula esperava uma troca de olhares com Trump, na expectativa de sensibilizá-lo, parece que não deu certo. Segundo relatos de quem estava lá e pelas imagens de vídeos que correm pelas redes sociais, o mandatário americano passou reto, sem dar importância à presença do brasileiro.
Muitos têm criticado Lula por essa conduta constrangedora, mas a iniciativa também pode ser vista como ato de ousadia e coragem. É preciso ter topete para aceitar o convite e aparecer como uma espécie de “penetra” político num evento dessa natureza, com aquele sentimento de “se colar, colou”.Desta vez, não pintou a química
Se, no passado, Lula permaneceu protegido dentro de suas fronteiras, sem se expor ao risco de ir à Casa Branca e não ser recebido, outros chefes de Estado fizeram o caminho inverso. Foram a Washington, sentaram-se humildemente na sala de espera e esperaram por alguns minutos de prosa para negociar com Trump. Lula, naquela oportunidade, preferiu esperar a bola quicar na área para visitar Washington sem sustos. Desta vez, foi diferente.Alguma coisa precisava ser feita. Se daria certo ou não, só os acontecimentos poderiam dizer. Não deu, mas tentou. Há duas correntes analisando os fatos. Os oposicionistas dizem que Lula foi humilhado, pois nem sequer foi notado por Trump. Os apoiadores e governistas aplaudiram, já que, com ou sem resultado, foi lá defender os interesses do país.
Perdeu a chance
Infelizmente, parece ser tarde demais. O que deveria ter sido tentado há meses só agora foi experimentado. Em vez de afrontar Trump com bravatas que não levariam a nenhum lugar, a não ser este em que nos encontramos agora, poderia ter arrumado uma cadeira ao lado dos outros líderes, que foram lá com o pires na mão tentar soluções.
Quem sabe, a partir desse aprendizado, em outra oportunidade, o responsável pelo bem-estar do país trabalhe incansavelmente para conseguir resultados diplomáticos e econômicos. No momento, porém, tudo indica que se tratamenos de preocupação com esses resultados do que com pesquisas, narrativas e eleições. Siga pelo Instagram: @polito
Fonte: Jovem Pan