Até que enfim Lula encontrou a bala de prata que tanto procurava para brecar o crescimento de Flávio Bolsonaro. A divulgação da conversa do candidato do PL com Daniel Vorcaro foi uma ducha de água fria na oposição e um alento comemorado pelos governistas.
E se não bastasse o áudio, Flávio admitiu que encontrou o ex-banqueiro depois de ele ter sido preso em 2025. Esse é um batom na cueca difícil de explicar. Disse que o objetivo da visita foi o de colocar um ponto final no contrato de financiamento do filme Dark Horse.
Quem acredita?
Pode ser? Pode. Mas convencer o eleitor de que essa história é verdadeira é que são elas. Será que essa visita era necessária para dizer que tudo estava terminado entre eles? Um telefonema não teria sido suficiente? Diante das circunstâncias em que se encontrava o dono do Master, não teria sido mais conveniente enviar um advogado ou qualquer outra pessoa de confiança para dizer tchau?
As pesquisas já apontaram o tamanho do estrago. A Atlas/Bloomberg indica uma queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio. A Vox Brasil mostra números semelhantes. Segundo este instituto de pesquisa, a queda foi de 5,7 pontos. Flávio, que chegara a ultrapassar Lula em números absolutos em um possível segundo turno, agora está bem atrás. O presidente tem 46,8% e seu adversário 38,1%.
Fora da agenda
Lula também tem telhado de vidro nessa questão do Master. Embora a imprensa não tenha divulgado com muito alarde, o fato de ter recebido Vorcaro no Palácio do Planalto, fora da agenda, parece ser até mais grave que as conversas de Flávio com o ex-banqueiro. Segundo o Poder 360, o encontro foi em 4 de dezembro de 2024. Este foi o diálogo:
“O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1,00. Eu não quero confusão. Devo vender e seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”.
Conselho presidencial
Depois de usar palavrões para se referir ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que deixaria o cargo em poucos dias, Lula aconselhou Vorcaro a continuar com o Banco Master e recusar a proposta de venda para André Esteves. E não estavam sozinhos. Participou da reunião Gabriel Galípolo, que substituiria Campos Neto no cargo.
Embora haja munição dos dois lados para a guerra política, até aqui o governo tem levado vantagem. Flávio tem aceitado todos os convites de entrevista para se explicar. Enquanto apresenta sua versão dos fatos, tenta aproveitar esses momentos para mencionar a reunião de Lula com Vorcaro. Alguns entrevistadores, entretanto, não se mostram muito interessados em ouvir essas acusações. Preferem falar do áudio vazado e da reunião entre ele e o banqueiro.
Está prestigiado
As palavras de Valdemar Costa Neto lembram as garantias dadas pelos presidentes de clubes pouco antes de demitir os técnicos. O presidente do PL negou que tenha dado prazo de 15 dias para Flávio se recuperar nas pesquisas: “Em nenhum momento se tentou testar a resistência de Flávio Bolsonaro”. Çei.
Tanto Lula quanto Flávio dependerão da habilidade para se comunicar com o eleitorado e, assim, determinar o rumo da campanha. O primeiro passo foi dado por Flávio. O publicitário Marcello Lopes, marqueteiro do candidato, foi substituído por Eduardo Fisher, profissional bastante premiado e com larga experiência nessa atividade.
Reações emocionais
Os adversários veem nessa troca uma demonstração de fraqueza de Flávio. Seus aliados, entretanto, tomaram a iniciativa como uma mudança rápida e oportuna em uma frente que poderá fazer a diferença na sequência da campanha. Como essa mudança não havia sido planejada com antecedência, somente as próximas pesquisas poderão mostrar se a atitude foi ou não acertada.
Há que se considerar ainda que as opiniões se baseiam mais em aspectos emocionais de momento. Falta muito tempo para as eleições. Os candidatos estão apenas em pré-campanha. Em política tudo pode mudar de uma hora para outra. Ninguém consegue garantir se os “escândalos” terminam nesses episódios.
Nada de programa
Os discursos dos candidatos para atingir os objetivos pretendidos deverão ser “cirúrgicos” no sentido de desqualificar os adversários e proteger a própria imagem. Para isso, não bastará que falem apenas por falar. Deverão se apoiar em pesquisas qualitativas para calibrar o discurso e ir ao encontro dos anseios e expectativas dos eleitores.
Mas e o programa e as propostas de governo? Tudo indica que ainda não será desta vez. Pelo que vimos até aqui, os planos continuarão eleitoreiros e prevalecerão os ataques de ambas as partes. Siga pelo Instagram: @polito
Fonte: Jovem Pan