O presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quinta-feira (28) a criação da primeira Universidade Federal Indígena (Unind), em evento realizado no Palácio do Planalto. O projeto chega à fase de implementação após meses de articulação política, debates ideológicos e votação no Congresso Nacional.
Segundo o presidente, o investimento com universidade é baixo comparado com o gasto com as pessoas no sistema prisional. “Fica mais barato a gente gastar um pouco para investir na educação do que a gente achar que custa muito não fazer, e o barato vai sair muito mais caro, porque nós não saberemos o destino que damos ao jovem que não conseguiu continuar numa universidade, que não conseguiu estudar.”
Lula ainda citou que a instituição será pensada buscando a permanência e formação dos estudantes, com moradia e alimentação. “Temos que levar em conta que uma universidade indígena terá que levar muito em questão a moradia e o refeitório dos estudantes (…) muitos alunos desistem do Prouni por causa de dificuldades financeiras.”
A instituição
Iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a instituição será voltada para a formação de indígenas, nos níveis de graduação e pós-graduação. Seu modelo é embasado em integrar o fortalecimento de identidades e saberes tradicionais em diálogo com o conhecimento acadêmico não indígena.
De acordo com a deputada federal Sonia Guajajara, em fala para o repórter da Jovem Pan Misael Mainetti, a criação da instituição auxilia principalmente na permanência e conclusão de cursos superiores por indígenas, além de promover a troca de conhecimento entre os povos originários e o desenvolvido na academia tradicional.
“Muitos indígenas chegam às universidades, mas nem sempre conseguem concluir o curso, e a universidade indígena, além de promover ainda mais esse acesso para além das cotas e das bolsas que já existem, vai também absorver, receber estudantes não indígenas para que haja de fato essa troca”, explicou a deputada.
Funcionamento
A Unind deve ter sua primeira sede em Brasília, na antiga universidade dos correios, com início previsto para o próximo mês. O plano é atender cerca de 2.800 alunos em até 4 anos de operação, com 366 docentes, reitoria e administração da instituição com gestão majoritariamente indígena. O foco inicial será em 10 cursos de graduação voltados à formação de professores, educação escolar indígena, saúde coletiva/indígena e gestão territorial e ambiental.
Durante anúncio da criação da universidade, em visita à Aldeia Vista Alegre de Capixauã, em Santarém (PA) em novembro de 2025, o presidente Lula adiantou que, apesar de a sede da Unind ficar localizada na capital do país, a ideia é que todos os estados tenham extensões da universidade conforme a necessidade das comunidades. “Para a meninada fazer o curso próximo de onde mora e não precisar ir para Brasília”, explicou
Segundo o MEC, os pilares da Unind são:
Autonomia dos povos indígenas, com a promoção de ensino, pesquisa e extensão sob uma perspectiva intercultural;
Valorização de saberes, línguas e tradições indígenas;
Produção de conhecimento científico em diálogo com práticas ancestrais;
Fortalecimento da sustentabilidade socioambiental;
Formação de quadros técnicos capazes de atuar em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas.
Fonte: Jovem Pan