O título dessa crônica é só pra conseguir um tempinho da sua atenção, já que eu não faço ideia de como otimizar meu tempo, que dirá o seu.
Hoje tive uma reunião com uma amiga que é mentora de carreira. Minha reclamação atual é simples e objetiva: tenho uma cacetada de coisas pra fazer e estou com a sensação de que não estou conseguindo fazer porra nenhuma. Desculpe a erudição.
Você deve se identificar: além de uma agenda com os compromissos marcados, tenho uma listinha de afazeres profissionais e pessoais. Tem gente que usa a agenda digital e tem gente que usa a de papel. Meu esquema é híbrido, o que nem sempre facilita, dado que “passar na costureira depois do almoço com o cliente” pode estar escrito na agenda que ficou em casa.
Em relação às listas: todo dia de manhã dou uma espiada e, durante o dia, vou dando um tapa nelas. Riscar alguma tarefa feita ou uma reunião que acabou é um prazer parecido com comer um chocolate no meio da tarde. Só tem um probleminha: essa lista é dinâmica. Quanto mais você risca, mais ela aumenta. Não é tipo banheiro de teatro, que entra um, sai um. É tipo o monstro da mitologia grega que, quando você corta uma cabeça, nascem duas no lugar. O prazer de riscar uma reunião é contraditório, pois, depois de uma dessas, você sai com uma série de to’s do’s (tudo no plural mesmo), o que multiplica a sua lista.
Aí todo mundo fala: você tem que priorizar. Tá legal, me ajuda aqui:
Fazer roteiro pra um podcast que tinha que ter sido feito ontem, dado que a entrevista é amanhã.
Escrever esta coluna, o que estou fazendo agora e, por sinal, é muito divertido. O lance é que, em 15 minutos, tenho que lembrar que falo inglês para entrar em uma reunião.
Meu filho está reclamando de dor de garganta.
Acabou o papel higiênico (e o lencinho umedecido). Sim, posso até comprar no aplicativo, mas com que mão?
Passar esta lista a limpo, organizando por prioridade(!!!)
Aí você me pergunta: por que você não fez algumas dessas coisas ontem? Porque ontem estava pior do que hoje.
Voltando à mentora: ela me perguntou quantas horas por dia eu dormia e falou pra eu fatiar o dia em horas, sem esquecer de marcar compromissos importantes, o lanche da tarde e o tempo pra lavar o cabelo.
Eu juro que tentei seguir o plano. Só que eu esqueci de incluir o tempo de ter ideias, ligar para alguém que me deu saudades, inventar uma viagem ou resolver tomar um café com uma amiga que encontrei, por acaso, na rua.
É claro que é importante se organizar, mas sem esquecer de organizar a sua espontaneidade de viver.
Fonte: Jovem Pan