Se Liga Cacoal – Header
.

Miami passa Nova York e se torna cidade mais cara para viver nos EUA

Durante décadas, a lógica parecia simples: deixar Nova York e trocar o inverno, os altos impostos e o custo elevado de vida pelo clima da Flórida significava economizar dinheiro. Hoje, essa conta mudou. Pela primeira vez desde que o governo americano passou a medir as diferenças regionais de preços, a região metropolitana de Miami – que inclui Miami, Fort Lauderdale e West Palm Beach – tornou-se mais cara para viver do que a Grande Nova York.

O dado faz parte do levantamento Regional Price Parities (RPP), do Bureau of Economic Analysis (BEA), analisado pela Bloomberg. O índice de Miami chegou a 114,2, acima dos 112,6 registrados para a região metropolitana de Nova York. Apenas a área da Baía de San Francisco apresenta custo de vida superior.

O movimento é resultado de uma transformação acelerada iniciada durante a pandemia. Entre 2020 e 2022, centenas de milhares de pessoas migraram para a Flórida, principalmente de estados como Nova York e Califórnia. A combinação de trabalho remoto, ausência de imposto estadual sobre a renda e clima favorável impulsionou uma corrida por imóveis em Miami, elevando rapidamente os preços.

Os números ajudam a explicar esse fenômeno. Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), os preços ao consumidor na região de Miami acumularam alta de 36% desde 2019 — a segunda maior inflação entre as grandes áreas metropolitanas dos Estados Unidos, atrás apenas de Tampa.

O mercado imobiliário foi um dos principais responsáveis por essa disparada. Dados do índice S&P CoreLogic Case-Shiller mostram que os preços das casas na região aumentaram 79% desde o início da pandemia. Embora o preço por metro quadrado ainda seja inferior ao de Manhattan, o custo total para manter um imóvel em Miami passou a ser aproximadamente 5% maior do que na região metropolitana de Nova York. E não é apenas o valor da casa que pesa no orçamento.

Os impostos sobre propriedades na região de Miami cresceram 62% desde 2019, segundo a empresa de análise imobiliária ATTOM. Ao mesmo tempo, os proprietários enfrentam os maiores custos de seguro residencial dos Estados Unidos, pressionados por furacões, enchentes e pelo endurecimento das exigências de segurança após o desabamento do condomínio Champlain Towers South, em Surfside, em 2021.

A alta dos preços também chegou ao consumo diário. Dados da OpenTable citados pela Bloomberg mostram que a conta média em restaurantes alcançou US$ 94 em Miami, contra US$ 79 em Nova York. Ou seja, sair para jantar em Miami, em média, tornou-se mais caro do que na maior cidade americana.

O problema é que a renda da população não acompanhou esse ritmo. A Bloomberg destaca que os trabalhadores da região de Miami recebem, em média, cerca de US$ 1 mil por ano a menos do que a renda mediana nacional dos Estados Unidos. Além disso, os salários de profissionais do setor corporativo continuam inferiores aos pagos em Nova York, reduzindo o poder de compra dos moradores locais.

Mesmo assim, a cidade continua atraindo empresas e grandes fortunas. Executivos do mercado financeiro, investidores e empresários seguem migrando para o sul da Flórida, impulsionando o mercado de imóveis de luxo e mantendo a demanda elevada.

O resultado é um paradoxo. Miami continua sendo um dos destinos mais desejados dos Estados Unidos para viver e investir. Mas a cidade que construiu sua fama como alternativa mais barata a Nova York agora enfrenta um novo desafio: manter sua competitividade sem deixar para trás os moradores que ajudaram a construir esse crescimento.


Fonte: Jovem Pan

Destaques