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Motoristas de Uber e Lyft fazem história e criam primeiro sindicato do setor nos EUA

Uma categoria que ajudou a transformar a forma como milhões de americanos se locomovem acaba de conquistar um espaço inédito no mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Motoristas que trabalham para os aplicativos Uber e Lyft em Massachusetts se tornaram os primeiros condutores de transporte por aplicativo do país a obter reconhecimento oficial para formar um sindicato e negociar coletivamente com as empresas.
A decisão foi anunciada pelo Departamento de Relações Trabalhistas de Massachusetts e reconhece oficialmente a criação do grupo chamado App Drivers Union, que passa a representar aproximadamente 70 mil motoristas em todo o estado.
Na prática, isso significa uma mudança importante no funcionamento da chamada economia dos aplicativos.
Até hoje, motoristas de Uber e Lyft normalmente eram classificados como trabalhadores independentes – e não como funcionários tradicionais. Isso garantia flexibilidade de horário, mas também limitava instrumentos clássicos de negociação usados por trabalhadores organizados.
Agora, em Massachusetts, os condutores passam a ter direito de sentar formalmente à mesa com as plataformas para discutir condições de trabalho.
Entre os principais temas que devem entrar nas negociações estão: remuneração mínima, transparência sobre tarifas cobradas dos passageiros, critérios para bloqueio e suspensão de contas, além de possíveis benefícios e mecanismos de proteção para os motoristas.
A conquista não aconteceu de uma hora para outra.
O movimento começou a ganhar força após anos de reclamações de motoristas sobre redução da parcela recebida pelas corridas, aumento dos custos operacionais – especialmente combustível e manutenção – e falta de previsibilidade nos ganhos.
Em novembro de 2024, eleitores de Massachusetts aprovaram uma medida nas urnas criando um caminho legal para que trabalhadores de aplicativos pudessem se sindicalizar mesmo permanecendo como contratados independentes.
Quase 18 meses depois, veio a certificação oficial.
A governadora de Massachusetts, Maura Healey, classificou o momento como histórico e disse que a medida pode significar salários melhores e mais estabilidade para milhares de famílias.
Uber e Lyft afirmaram que pretendem participar das negociações e disseram que o objetivo é preservar a flexibilidade que atrai motoristas ao modelo atual, mantendo também segurança e preços acessíveis para passageiros.
Especialistas avaliam que o caso pode ter impacto nacional.
Estados como a Califórnia já avançaram em regras semelhantes para permitir organização coletiva de motoristas, mas Massachusetts foi o primeiro a concluir oficialmente o processo de certificação sindical.
Agora, começa uma etapa ainda mais difícil: transformar uma vitória simbólica em mudanças concretas para quem passa horas por dia atrás do volante.


Fonte: Jovem Pan

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