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Nigel Farage vence ‘Cara de Lata de Lixo’ e volta ao Parlamento britânico

O político britânico Nigel Farage, um dos principais nomes da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia, venceu a eleição suplementar de Clacton, no leste da Inglaterra, e voltou ao Parlamento britânico. O líder do Reform UK obteve 63% dos votos na votação realizada na quinta-feira (13), segundo o resultado divulgado nesta sexta (14).

Farage havia deixado a cadeira que ocupava desde 2024 após renunciar ao mandato em 7 de julho. A decisão ocorreu em meio a uma investigação sobre suas finanças. Com a vitória, ele recupera o assento pelo distrito eleitoral que apoiou de forma expressiva o Brexit no referendo de 2016.

“É uma vitória convincente e avassaladora, com mais votos do que obtivemos na eleição geral de 2024”, afirmou Farage em comunicado. Segundo ele, os eleitores de Clacton deram “uma resposta de desafio a todo o establishment político”.

A disputa também chamou atenção pela participação do candidato satírico Count Binface, personagem criado pelo comediante Jon Harvey. Conhecido por fazer campanha usando uma lixeira na cabeça, Binface recebeu 9.455 votos, o equivalente a 27% do total, e ficou em segundo lugar.

O resultado superou as expectativas dos analistas, que previam a vitória de Farage, mas não esperavam uma votação tão expressiva para o candidato satírico. Binface se apresenta como um “guerreiro espacial intergaláctico” do planeta Sigma IX.

“A vitória moral já é minha”, disse Binface à AFP no local da apuração. Ele afirmou ainda que, diante da ausência dos principais partidos, considerava ser seu “dever” atuar como oposição.

Candidato satírico Count Binface, personagem criado pelo comediante Jon Harvey

Principais partidos não disputaram eleição

A eleição suplementar foi marcada pela ausência dos principais partidos britânicos, incluindo o Partido Trabalhista, atualmente no governo. A decisão foi atribuída à avaliação de que o pleito fazia parte de uma estratégia de Farage para evitar o escrutínio sobre suas transações financeiras.

A investigação parlamentar foi reaberta nesta sexta-feira, de acordo com informações divulgadas pelo site da Câmara dos Comuns.

O órgão responsável pela fiscalização da conduta ética dos parlamentares analisa alegações de que Farage e Richard Tice, vice-líder do Reform UK, não teriam declarado presentes financeiros. Os dois negam qualquer irregularidade.

A apuração envolve uma doação de 5 milhões de libras, cerca de US$ 6,7 milhões, feita a Farage pelo bilionário do setor de criptomoedas Christopher Harborne.

A Polícia Metropolitana de Londres também confirmou no ano passado a abertura de uma investigação sobre doações feitas ao Reform UK antes da eleição geral de 2024.

Segundo Stuart Fox, professor de política da Universidade de Exeter, Farage poderia ser obrigado a disputar outra eleição suplementar caso a investigação parlamentar resulte em sua saída do cargo.

Farage não foi à divulgação do resultado

Farage não compareceu à divulgação dos resultados. Segundo ele, a Polícia de Essex havia alertado sobre uma “campanha organizada para perturbar e deslegitimar o resultado”. A força policial, no entanto, relatou que não houve “incidentes ou problemas” relacionados à votação.

A participação eleitoral foi de aproximadamente 44%, abaixo dos 59% registrados em Clacton na eleição geral de 2024. O índice, porém, está dentro do padrão observado em eleições suplementares no Reino Unido.

Ao todo, 34 candidatos disputaram a cadeira, um recorde para o distrito. A maioria era formada por candidatos independentes ou ligados a partidos menores.

A grande quantidade de concorrentes também produziu algumas das cédulas mais extensas já vistas no Reino Unido. A apuração ocorreu no Clacton Leisure Centre.

Retorno ao Parlamento

Farage havia sido eleito pela primeira vez para a Câmara dos Comuns em 2024, depois de várias tentativas anteriores. Naquele ano, conquistou a cadeira de Clacton pelo Reform UK.

O político ganhou projeção internacional principalmente por sua atuação na campanha pelo Brexit, que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia. A consulta popular ocorreu em 2016, quando 52% dos eleitores votaram pela saída do bloco.

Em 7 de julho, Farage anunciou sua renúncia ao mandato e apresentou a nova eleição como uma disputa entre “o povo de Clacton e o establishment”. Ele também afirmou que havia uma tentativa de utilizar questões relacionadas às suas finanças para prejudicá-lo politicamente.

A eleição, entretanto, teve impacto limitado sobre o cenário político nacional, segundo analistas ouvidos pela AFP.

“Farage conseguiu mobilizar apoiadores em um distrito onde é popular. Mas o resultado não reflete o apoio ao Reform em todo o país”Stijn van Kessel, professor de política da Queen Mary University of London

*Com informações da AFP


Fonte: Jovem Pan

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