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Novos governadores do Centro-Oeste transformam segurança pública no maior cabo eleitoral de 2026

A Jovem Pan mapeou as principais ações anunciadas pelos novos governadores do Centro-Oeste e do Distrito Federal desde que assumiram o poder. O levantamento mostra um padrão comum: segurança pública na vitrine, discurso duro e operações policiais celebradas em vídeos e declarações de impacto nas redes sociais. A coincidência não é acidental — todos têm outubro no horizonte.
Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) assumiu o Palácio das Esmeraldas em 31 de março, após Ronaldo Caiado (PSD) deixar o cargo para disputar a Presidência, e não perdeu tempo. Dez dias após a posse, lançou a Operação Tiradentes — de 10 a 30 de abril, com mil policiais extras por dia nas ruas — e entregou R$ 44,8 milhões em equipamentos e viaturas. Na sequência, a Polícia Civil deflagrou a 4ª fase da Operação Destroyer, com 61 mandados de prisão e bloqueio de R$ 10,5 milhões em quatro estados simultaneamente.
Vilela celebrou pessoalmente nas redes com a frase que já virou marca: “Em Goiás, faccionado não manda em um centímetro de terra.” E completou: “Não se trata de sensação de segurança, não é isso que fazemos aqui em Goiás. Nós garantimos a segurança para os goianos. Goiás nunca viveu um momento de integração institucional como vive hoje.” Pré-candidato à reeleição, herdou índices invejáveis — 74% de aprovação na área de segurança, melhor resultado entre oito estados avaliados em pesquisa Genial/Quaest — e aposta que manter o tom de Caiado é o atalho mais curto para a vitória em outubro.
Em Mato Grosso, o roteiro se repete com variações. Otaviano Pivetta (Republicanos) tomou posse no mesmo dia que Vilela, após a renúncia de Mauro Mendes, que trocou o Palácio Paiaguás pela disputa ao Senado. No dia 6 de abril, fez uma escolha que gerou barulho: nomeou a coronel da reserva Susane Tamanho para comandar a Secretaria de Segurança Pública, tornando-a a primeira mulher e a primeira pessoa LGBTQIA+ a ocupar o cargo na história do estado.
O currículo pesa — Susane foi a primeira mulher no Brasil a se formar no curso de especialização do Batalhão de Choque e Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), da PM de São Paulo. No campo legislativo, sancionou lei que proíbe visitas íntimas a condenados por feminicídio, estupro e pedofilia, afirmando que a medida “reafirma o compromisso do Estado com o enfrentamento firme à violência.” Nas redes, adotou o tom que o momento político pede. No discurso de posse, já havia dado a tônica: “A tolerância zero vai ser menos um.”
No Distrito Federal, quem assumiu foi Celina Leão (PP), vice de Ibaneis Rocha (MDB), que deixou o Palácio do Buriti para disputar o Senado. A nova governadora, pré-candidata à reeleição, estreou com operações e equipamentos exibidos nas redes com declarações de efeito. Lançou a Operação Brasília Mais Segura, mobilizando mais de 1.200 policiais militares em policiamento ostensivo em todas as regiões administrativas. No mesmo período, entregou 13 novas viaturas e drones à PMDF com foco no enfrentamento à violência doméstica.
Ao anunciar os equipamentos, foi direta: “Quando você troca o equipamento da polícia, dá mais agilidade e protege mais o cidadão.” E completou: “De cada três homens que estão na rua, dois foram nomeados e contratados pelo nosso governo. Temos muito orgulho em conduzir esse trabalho.”
Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) não enfrenta sucessão — é candidato à reeleição e lidera as pesquisas com folga. Levantamento do Instituto Resultado de março aponta 47,83% das intenções de voto, mais que o triplo do segundo colocado. Riedel aposta na particularidade geográfica do estado — quase 1.520 km de fronteira com Paraguai e Bolívia — para justificar a prioridade na área. “Aqui em Mato Grosso do Sul nós não vamos permitir desordem. A garantia de direito de propriedade é sagrada. Nós não vamos perder essa batalha pro crime organizado”, afirmou. Para 2026, assinou contrato de gestão com foco em maior vigilância na fronteira e ações para reduzir índices de criminalidade.
O movimento é regional, mas o cálculo é o mesmo nos quatro palácios. Vídeos de operações, parabenizações públicas a policiais e frases de efeito postadas logo após cada ação tornaram-se o ritual padrão de uma gestão que governa com um olho no crime e outro nas urnas. O que ficou evidente com a temporada de grandes operações é que ações de impacto midiático são o caminho mais efetivo para atrair a simpatia do eleitor interessado no tema — e com outubro no horizonte, a escalada não tem sinal de arrefecimento.


Fonte: Jovem Pan

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