Uma operação realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) desarticulou um esquema criminoso de fraude de créditos que teria causado prejuízos milionários a empresas em São Paulo e no Paraná. Segundo as investigações, os criminosos levantavam informações estratégicas sobre empresas vítimas antes de iniciar a abordagem fraudulenta.
De acordo com os investigadores, um integrante do grupo, considerado homem de confiança da organização, procurava representantes das empresas oferecendo supostos créditos com descontos atrativos. A proposta induzia as vítimas ao erro e, após a concretização da fraude, as empresas passavam a realizar depósitos mensais elevados em uma companhia utilizada como “cofre” do esquema criminoso.
Na sequência, os valores eram pulverizados entre diversos integrantes da organização em uma estratégia para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. A polícia informou que uma única empresa sofreu prejuízo estimado em R$ 30 milhões. Os investigadores não descartam a existência de outras vítimas do esquema.
As apurações identificaram uma estrutura criminosa dividida em etapas. Na primeira fase, chamada de “engenharia social”, a principal articuladora da fraude, com auxílio de um homem de confiança, convencia empresas por meio de ofertas de créditos fictícios. Depois disso, os valores eram direcionados para uma empresa cofre e posteriormente distribuídos entre integrantes de uma família apontada como responsável pela lavagem do dinheiro.
Segundo a polícia, os suspeitos utilizavam técnicas conhecidas como “smurfing”, caracterizadas pelo fracionamento de recursos para dificultar o rastreamento da origem ilícita do dinheiro.
A operação, denominada “Respiro da Baleia”, apura crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato e eventuais crimes financeiros e tributários.
Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Londrina, no Paraná. A investigação é conduzida por policiais do Deic e também da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Cerca de 50 agentes participam da ação.
Os mandados também foram cumpridos em condomínios de luxo na região de Alphaville. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens que somam R$ 362 milhões, incluindo seis imóveis.
Fonte: Jovem Pan