O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu a derrota nas eleições parlamentares do país. Em ligação ao seu opositor Péter Magyar, o premiê disse que o resultado é “doloroso, mas inequívoco”.
Por volta das 17h30 deste domingo (12), com 87% dos votos apurados, o partido Tisza, de Magyar, havia conquistado 138 assentos no Parlamento húngaro. A sigla de Orbán, Fidesz, havia ganhado 54 cadeiras.
Com o resultado, Orbán deixará o poder na Hungria após 16 anos. No pleito deste domingo, os eleitores foram às urnas para eleger 199 parlamentares. No país, o sistema funciona da seguinte forma: 106 assentos são decididos pelo candidato mais votado em cada região e as 93 cadeiras restantes são divididas entre os partidos de acordo com a porcentagem total de votos que cada um recebeu no país.
O cargo de primeiro-ministro será ocupado por quem os novos parlamentares elegerem internamente. Por a maioria eleita ser pertencente à legenda de Péter Magyar, ele deve ser o próximo premiê húngaro.
Fim do governo Orbán
Considerado um líder perspicaz, o primeiro-ministro Viktor Orbán governou o sistema político da Hungria por 16 anos consecutivos como uma figura dominante e polarizadora.
No entanto, o ultranacionalista de 62 anos — aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da China e da Rússia, e crítico da União Europeia — viu seu controle sobre o poder enfraquecer; um domínio que perdeu nas eleições legislativas deste domingo.
Apesar de liderar um pequeno país de 9,5 milhões de habitantes, Orbán ficou conhecido internacionalmente como um ferrenho opositor da imigração, dos direitos LGBTQIA+ e do contínuo apoio ocidental à Ucrânia contra a invasão russa.
Orbán tornou-se conhecido no declínio do comunismo húngaro, em 1989, com uma retórica inflamada que exigia democracia e a volta das tropas soviéticas para casa. Foi uma das estrelas em ascensão da “nova” Europa e assumiu o cargo de deputado no Parlamento na Hungria recém-democratizada e otimista de 1990.
No entanto, logo se desfez de sua imagem de liberal radical e começou a remodelar o Fidesz — o partido que cofundou — transformando-o em uma nova força de centro-direita, defensora dos valores familiares e cristãos. A aposta rendeu frutos: conquistou a classe trabalhadora e elegeu-se primeiro-ministro em 1998, aos 35 anos.
Quem é Péter Magyar
Há alguns anos, Péter Magyar aplaudia os discursos do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, antes de se tornar o rival mais sério do líder nacionalista em 2010. Nascido em uma família de conservadores de destaque, Magyar foi atraído pela política desde muito jovem.
Em seus anos universitários, fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça no governo do atual premiê.
Após servir como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos para a educação e foi parte da diretoria de outras entidades sociais.
Magyar e Varga, que têm três filhos, se divorciaram em 2023.
A figura do opositor ganhou destaque quando um escândalo pelo perdão de um caso de abuso infantil abalou o governo de Orbán no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga como ministra da Justiça. Magyar denunciou a corrupção do atual primeiro-ministro e renunciou a seus cargos públicos.
*Com informações de AFP
Fonte: Jovem Pan