Um evento realizado nesta segunda-feira (13), na capital paulista, tem acirrado os ânimos entre governo federal e de São Paulo às vésperas do período eleitoral.
No domingo (12), a gestão Lula (PT) convocou uma cerimônia de assinatura de empréstimo do Banco do Brasil para construção do túnel Santos-Guarujá, com o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), como convidado principal. Aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) têm falado em evento “montado a toque de caixa” e afirmado que o governo federal “não pagou a metade dele para a construção do túnel, conforme previsto no modelo do projeto”.
Segundo membros da gestão Tarcísio, o governo estadual foi convidado apenas na sexta-feira (10). O entendimento interno é que a cerimônia, que deveria ser burocrático, se transformou em palanque para o governo federal na disputa pela paternidade por obras em São Paulo.
O evento acontecerá às 14h desta segunda-feira (13), na sede do Banco do Brasil, na Avenida Paulista. O governo de São Paulo será representado pelo secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita. Já o governo federal, além de Alckmin, terá o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.
Segundo auxiliares, essa não seria a primeira vez que o governo federal usa do mesmo artifício contra Tarcísio de Freitas na disputa pela paternidade de obras em São Paulo. A coluna antecipou que a realização de obras será um tema sensível da campanha no Estado, de Tarcísio contra o pré-candidato Fernando Haddad (PT). O ex-ministro já tem divulgado peças publicitárias ao lado de Lula questionando os responsáveis por obras no Estado.
A cerimônia foi convocada após fala de Tarcísio, no fim da semana, em que reforçou que São Paulo poderia tocar a obra do túnel sem a participação federal. Enquanto isso, o governo federal argumenta que o evento foi organizado normalmente e que simboliza a cooperação entre ambos e relembra que, em março, o TCU (Tribunal de Contas da União) determinou a suspensão temporária dos repasses federais que seriam realizados pela APS (Autoridade Portuária de Santos) para a obra – o que se espera que seja alavancado agora com a assinatura.
O movimento tem sido comparado à cerimônia na qual Lula assinou, em março, um financiamento de R$ 6 bilhões para construção do trem Intercidades (TIC), que vai ligar Campinas a São Paulo. Na ocasião, Lula e presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticaram Tarcísio — que não foi à cerimônia, que aconteceu em Araraquara, no interior. O governo de São Paulo, na época, também destacou que Tarcísio também foi convidado de última hora.
DISPUTAS ANTERIORES
Em outubro do ano passado, Lula decidiu não vir à São Paulo para o então leilão do túnel. Na época, ele também enviou Geraldo Alckmin para participar ao lado de Tarcísio. Apesar de evitarem dividir a foto, os dois acabaram batendo o martelo juntos na Bolsa de Valores, em momento intermediado pelo então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
No início de 2024, antes do acirramento do período eleitoral, o cenário era outro: o anúncio inicial da construção foi feito na presença de Lula e Tarcísio, lado a lado. Os dois chegaram a almoçar juntos em Brasília depois para definir de qual governo sairia o edital e chegaram a tirar fotos de mãos dadas e dividir o mesmo palanque.
O túnel Santos-Guarujá é o TIC não são , no entanto, as primeiras divergências entre as gestões federal e de São Paulo. Relembre aqui algumas discussões.
O TÚNEL
O investimento total previsto para a construção do túnel Santos-Guaruja é de R$ 6,8 bilhões, dos quais R$ 5,2 bilhões serão bancados pelo setor público – metade pela União e metade pelo governo estadual. O depósito realizado por São Paulo, feito em março, corresponde à sua parcela no financiamento.
Considerada uma das obras mais aguardadas do litoral sul de São Paulo, a ligação submersa entre as cidades de Santos e Guarujá deve reduzir o tempo de deslocamento entre as cidade, que hoje acontece de balsa e pode durar cerca de uma hora, para aproximadamente cinco minutos. A previsão oficial é de início das obras em janeiro de 2027, com a entrada em operação em 2031.
Fonte: Jovem Pan