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PF aponta que Eduardo Cunha operava emendas sem mandato com ‘pleno aval’ da Presidência da Câmara

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, do Republicanos de Minas Gerais, em decisão datada de 6 de julho e tornada pública neste domingo (12).
A medida é parte do desdobramento da Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, e está fundamentada em relatório da Polícia Federal que aponta que Cunha operava como 0agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício”, direcionando emendas parlamentares sem exercer mandato e com o que a PF classifica como ‘pleno aval’ da Presidência da Câmara.
Foto: Wilson Dias/ABr
Suposto esquema
A investigação identificou que Cunha utilizava a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e assessora da Presidência da Câmara, para operacionalizar o direcionamento das emendas conforme seus interesses políticos em Minas Gerais, estado pelo qual é pré-candidato a deputado federal.
“Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, afirma trecho do relatório da PF citado por Dino na decisão.
A PF apurou ao menos 29 emendas direcionadas por Cunha sem mandato, num total que os investigadores afirmam ter causado prejuízo de mais de R$ 6,1 milhões ao erário.
Mensagens trocadas
Conversas em aplicativos de mensagens entre Cunha e Tuca, parcialmente apagadas pela servidora, são peça central da investigação. Em um dos diálogos, de setembro de 2025, Cunha relata estar ‘com um problema’ em uma emenda destinada ao município de Manhuaçu, em Minas, e menciona conversas com ‘Arthur’ e ‘Hugo’, referências interpretadas pelos investigadores como Arthur Lira, ex-presidente da Câmara, e Hugo Motta, atual presidente.
Em outro trecho, Cunha orienta Tuca sobre a substituição de municípios beneficiados e o realocamento de recursos, numa dinâmica que a PF descreve como ‘cota informal’ administrada pelo ex-deputado. Tuca atuou na função sob as gestões de Lira e permaneceu no cargo durante a presidência de Motta.
Outro lado
Em nota, a defesa de Eduardo Cunha afirmou que ele “não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas”, argumentando que a “legítima interlocução política” não pode ser equiparada ao “exercício clandestino de mandato parlamentar”.
A nota acrescenta que os R$ 6,1 milhões correspondem ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios, e que a decisão não imputa recebimento de qualquer vantagem direta a Cunha.
A Presidência da Câmara não havia se manifestado até o fechamento desta edição. Hugo Motta foi intimado por Dino a apresentar em dez dias todos os documentos de tramitação interna das emendas identificadas pela PF, de forma individualizada e organizada por emenda.


Fonte: Conexão Política

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