Operação da PF pede afastamento do presidente do PCO
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (11), uma operação para investigar suspeitas de desvios de recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, é alvo de um pedido de afastamento do cargo e de mandados de buscas. No último fim de semana, a legenda lançou o político como candidato à Presidência da República.
🔎Em maio, a PF indiciou Costa Pimenta por falsidade ideológica eleitoral (inserção de documentos falsos) e apropriação indébita eleitoral (se apropriar de dinheiro público) por conta de problemas nas contas de 2020.
Em uma transmissão na internet, Rui Costa Pimenta afirmou que a operação da PF foi uma “ilegalidade”.
“No inquérito, você chama as pessoas para depor, você pode pedir que as pessoas entreguem, sei lá, determinado tipo de documentos. E aí por aí vai. Agora, arrombar a porta da sua casa seis horas da manhã não é uma coisa, evidentemente, que faça parte do Estado de Direito”, afirmou.
Rui Costa Pimenta, candidato do PCO à Presidência da República em 2026
Beatriz Alcântara/TV Globo
Segundo as investigações, o dinheiro público que deveria ser usado para atividades políticas e eleitorais teria sido repassado a empresas e pessoas que não teriam estrutura para prestar os serviços correspondentes aos valores recebidos.
O que aponta possíveis irregularidades e desvio de verbas federais.
As investigações começaram após a análise de prestações de contas eleitorais e de partidos enviadas à Justiça Eleitoral, e relatórios de inteligência financeira, além do cumprimento de mandados pela PF.
Em nota, a Executiva Nacional do PCO afirmou que “a única coisa descoberta pela PF é que o serviço foi prestado e que o Partido realiza campanhas extremamente espartanas”.
“Nas campanhas eleitorais de 2018, 2020 e 2022, o Partido lançou um total de 442 candidatos de acordo com a plataforma Divulgacand, do TSE. R$ 1,8 milhão resulta em meros R$ 4.072 por candidato”, diz a nota.
🔎Os dois fundos citados nas investigações são duas fontes de dinheiro público usadas para financiar partidos e campanhas eleitorais, mas com finalidades diferentes:
Fundo Partidário: é dinheiro público repassado aos partidos para manter suas atividades. Pode bancar, por exemplo, despesas de funcionamento das legendas, manutenção de sedes, contratação de serviços e outras atividades partidárias previstas em lei. Uma parte também pode ser usada em campanhas.
Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC): é o chamado “Fundo Eleitoral”. É dinheiro público destinado exclusivamente ao financiamento das campanhas eleitorais. Os partidos distribuem os recursos entre seus candidatos seguindo as regras eleitorais.
A operação cumpre mandados de busca e apreensão e outras medidas determinadas pela Justiça Eleitoral.
Entre elas estão o bloqueio de contas bancárias e investimentos, o bloqueio de bens e o afastamento de investigados de cargos de direção e administração em entidades relacionadas ao caso.
Os investigadores também apuram possíveis vínculos, diretos ou indiretos, entre os beneficiários dos recursos — no caso, os donos de empresas e pessoas físicas suspeitas — e integrantes dos partidos investigados.
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