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PF sugere que nomeação de presidente do INSS era de ‘importância’ para Pacheco

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicou que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) teria se encontrado com o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, em 2023. Segundo a corporação, a reunião teria sido realizada para discutir a nomeação do próximo titular da autarquia.

Em nota, o senador negou ter se encontrado com o presidente da Conafer e discutido a indicação para a chefia do INSS. “Parece estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito”, disse Pacheco. Leia a íntegra abaixo.

Relatório da PF mostrou troca de mensagens entre Carlos Lopes e sua esposa, Bruna Braz. Na conversa, de 1º de fevereiro de 2023, a mulher pergunta qual seria o dia da posse do ex-deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG). O presidente da Conafer responde ser “hoje”. Ele complementa dizendo que, na data, houve as eleições da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e do Senado e “o Pacheco foi eleito”.

Em nota, Pettersen disse não ter “qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto”. O ex-deputado também declarou que nunca fez indicação para cargos no INSS. Leia a íntegra abaixo.

Também na conversa, Carlos Lopes disse à esposa que estava “indo se encontrar com eles” para decidir sobre a presidência do INSS. No dia seguinte, em 2 de fevereiro de 2023, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a nomeação de Glauco André Fonseca Wamburg para a chefia da autarquia.

“Essa nomeação de cargos-chave (Presidente, Diretor de Benefícios e Procurador-Geral) era fundamental para garantir a boa fluidez do esquema e a blindagem contra as auditorias, permitindo que a fraude em massa continuasse a gerar a receita ilícita”, afirmou a PF em relatório.

Também no documento, a corporação afirmou ser “provável” que “o Pacheco” mencionado seja o senador. “Estes fatos ressaltam a importância que a nomeação do presidente do INSS tinha na agenda de Euclydes e ‘Pacheco’, já que trataram do assunto no primeiríssimo dia do exercício dos mandatos”, disse a PF.

Relatório da PF

A corporação concluiu um dos inquéritos sobre os descontos indevidos e indiciou o ex-presidente do INSS Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e mais 45 investigados por suspeita de corrupção e outros crimes envolvendo desvios nos benefícios.

No primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, a PF focou em supostos desvios da Conafer. A corporação continuará a investigar fatos envolvendo outras associações e outros personagens relacionados ao esquema dos descontos do INSS.

Leia a íntegra da nota de Rodrigo Pacheco

“Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me reuni para tratar de indicação da pessoa de Glauco André Fonseca Wamburg que, aliás, eu sequer sabia que havia sido presidente do INSS. Também nunca fiz indicação alguma para o INSS e não conheço seus diretores e ex-diretores. Parece estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito. A referência a ir se ‘encontrar com eles’ por certo não me inclui”.

Leia a íntegra da nota de Euclydes Pettersen

“Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS”.

“O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa. Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento”.

“Minha defesa se manifestará nos autos, onde a versão da investigação será confrontada com documentos. Sigo trabalhando no exercício do mandato”.


Fonte: Jovem Pan

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