A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou na segunda-feira (27) um pedido de Romeu Zema (Novo) para investigar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por homofobia contra o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência.
O pedido fazia referência à uma entrevista de Gilmar ao portal Metrópoles na semana passada, na qual o magistrado criticava uma publicação de Zema sobre a série “Os Intocáveis”, quando perguntou se seria ofensivo fazer bonecos do ex-governador de MG como homossexual.
“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? É correto brincar com isso?”, disse Gilmar Mendes.
Na decisão, o chefe de gabinete do procurador-geral da República, Ubiratan Cazetta, negou a ideia de homofobia alegada no pedido para abertura de uma ação civil pública.
“Sendo assim, não se identificando na presente representação elementos mínimos que indiquem violação relevante e atual a direitos transindividuais, ilícito penal, bem como a necessidade de atuação institucional, arquive-se, dando-se ciência ao representante”, diz a decisão.
Reação de Zema
Zema reagiu à fala de Gilmar e, também nas redes sociais, afirmou que o ministro do STF mostrou “todo o seu preconceito para o Brasil”.
Inacreditável. Gilmar Mendes equipara a nossa sátira dos intocáveis com uma possível sátira do STF me representando como homossexual e ladrão.
Nem tenho mais palavras pra definir o que está acontecendo. Esse sujeito extrapola cada vez mais os limites. Se comporta como um… pic.twitter.com/BnmRndx5wR
— Romeu Zema (@RomeuZema) April 23, 2026
Gilmar Mendes também disse que Zema fala um dialeto “próximo do português” ao se referir ao sotaque mineiro, já que muitas vezes não entende o que o ex-governador quer dizer.
Romeu Zema respondeu ao ministro e disse que Gilmar não entende seu “linguajar de brasileiro simples” diferente do “português esnobe dos intocáveis de Brasília”.
Após a repercussão, Gilmar Mendes pediu desculpas por sugerir que “homossexual” seja ofensa. Em publicação nas redes sociais, o ministro disse que não tem “receio em reconhecer o erro”, mas ponderou que existe “uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo”.
Entenda o conflito entre Gilmar e Zema
Gilmar Mendes e Romeu Zema estão em conflito desde que Zema publicou um vídeo de sátira, no dia 1º de março, que retrata o magistrado pedindo uma troca de favores ao ministro Dias Toffoli em meio ao escândalo do Banco Master.
Após as postagens do mineiro, Gilmar Mendes enviou uma representação ao ministro Alexandre de Moraes no último dia 20 pedindo a investigação do pré-candidato à Presidência. O ministro apontou a suspeita de indícios de crime na publicação.
Moraes pediu uma manifestação da PGR antes de decidir sobre a inclusão de Zema no inquérito das fake news.
O vídeo publicado por Zema retratava uma conversa entre dois bonecos, caracterizados por desenhos de fantoches, que representariam Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Na publicação, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI do Crime Organizado do Senado.
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Também no dia 20, parlamentares da oposição na Câmara dos Deputados anunciaram que vão ingressar com um pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes. A iniciativa é liderada pelo deputado federal Gilberto Silva (PL-PA), após o magistrado solicitar inclusão do ex-governador no inquérito das fake news.
Comparação de ministros à coroa portuguesa
Um dia após o envio da representação de Gilmar Mendes, no dia da Inconfidência Mineira, Zema fez mais uma publicação criticando o STF. O ex-governador comparou os ministros e o presidente Lula (PT) à coroa portuguesa.
“Você acha que nós somos livres de verdade? Eu acho que não. No lugar da Coroa Portuguesa, se sentaram os intocáveis de Brasília. Os políticos vendidos, os empresários ladrões e os juízes que se acham acima do bem e do mal”, diz em um trecho da publicação.
A representação que faz alusão à Inconfidência Mineira traz imagens de inteligência artificial com o rosto dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de Lula e do banqueiro Daniel Vorcaro.
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No mesmo dia, Zema também compartilhou na rede social X um vídeo de esquete do canal “Porta dos Fundos”, de 2018. O vídeo satiriza Gilmar Mendes e o retrata como alguém na Corte a quem recorrer sobre todos os tipos de problemas jurídicos. “Como eu disse, se quiserem prender todos que criticarem os intocáveis, pode comprar mais caneta que vão precisar prender o Brasil inteiro”, escreveu Zema ao compartilhar a publicação.
Vídeo de 2018 do @portadosfundos . Como eu disse, se quiserem prender todos que criticarem os intocáveis, pode comprar mais caneta que vão precisar prender o Brasil inteiro. pic.twitter.com/BtPrJrU4h1
— Romeu Zema (@RomeuZema) April 21, 2026
Fonte: Jovem Pan