Milhões de americanos foram às urnas nesta terça-feira (2) em uma das mais importantes rodadas de eleições primárias de 2026. Os estados da Califórnia, Iowa, Nova Jersey, Novo México, Montana e Dakota do Sul realizaram disputas para governos estaduais, Congresso e cargos locais, oferecendo um primeiro retrato das forças políticas que estarão em jogo nas eleições de novembro.
Embora os resultados ainda não representem uma mudança drástica no cenário político nacional, eles trouxeram sinais importantes sobre a influência do presidente Donald Trump dentro do Partido Republicano, o posicionamento dos democratas em estados estratégicos e as principais preocupações do eleitorado americano.
Califórnia concentra os holofotes
O principal foco da noite foi a Califórnia, estado mais populoso do país e responsável por cerca de 12% da economia americana. A corrida para suceder o governador Gavin Newsom começou a ganhar contornos mais definidos. Os resultados preliminares indicam vantagem para o democrata Xavier Becerra, ex-secretário de Saúde dos Estados Unidos, e para o republicano Steve Hilton, empresário e ex-comentarista da Fox News.
Como a Califórnia adota o sistema conhecido como “top two”, independentemente do partido, os dois candidatos mais votados avançam para a eleição geral de novembro.
A disputa é acompanhada de perto por analistas porque o estado frequentemente serve como laboratório para temas que depois ganham dimensão nacional, como imigração, moradia, meio ambiente, criminalidade e políticas sociais.
Na cidade de Los Angeles, a prefeita democrata Karen Bass garantiu vaga para a próxima fase da eleição municipal. A definição do segundo nome que disputará a prefeitura ainda dependia da contagem dos votos nas primeiras horas após o fechamento das urnas.
Derrota de aliado de Trump
Em Iowa, um dos resultados mais observados da noite representou um revés para Donald Trump. O deputado federal Randy Feenstra, que contava com o apoio público do presidente para disputar o governo estadual, acabou derrotado nas primárias republicanas.
A derrota foi interpretada por analistas como um lembrete de que, embora Trump continue sendo a principal liderança do Partido Republicano, seu apoio não garante automaticamente a vitória de todos os candidatos que endossa. Ainda em Iowa, o deputado estadual Josh Turek venceu a indicação democrata para o Senado e enfrentará a republicana Ashley Hinson na eleição geral de novembro.
Novo México
No Novo México, a ex-secretária do Interior Deb Haaland consolidou sua posição entre os democratas e segue como uma das principais candidatas ao governo estadual. Caso seja eleita em novembro, Haaland poderá se tornar a primeira mulher indígena a governar um estado americano.
A ex-integrante do governo Biden já havia feito história ao se tornar a primeira indígena a comandar um departamento ministerial nos Estados Unidos.
Nova Jersey
Em Nova Jersey, diversas corridas chamaram a atenção nacional por envolverem distritos considerados decisivos para o controle da Câmara dos Representantes. Uma das disputas mais observadas ocorreu no 7º Distrito Congressional, onde a democrata Rebecca Bennett conquistou a indicação de seu partido e enfrentará o republicano Tom Kean Jr. em novembro.
O distrito é considerado um dos mais competitivos do país e poderá desempenhar papel importante na definição da maioria da Câmara.
Montana e Dakota do Sul completam o quadro
Montana e Dakota do Sul tiveram menos atenção da imprensa nacional, mas também realizaram eleições importantes para cargos estaduais e federais. Nos dois estados, as primárias ajudaram a definir os candidatos que disputarão vagas no Congresso, governos estaduais e outras funções locais nas eleições gerais.
Embora tradicionalmente tenham perfil mais conservador, ambos os estados continuam sendo observados por estrategistas políticos devido à influência que podem exercer em disputas nacionais mais equilibradas.
O que os resultados mostram
Para especialistas, as eleições desta terça-feira revelaram três tendências principais. A primeira é que Donald Trump continua exercendo forte influência sobre o Partido Republicano, mas enfrenta sinais de resistência em algumas disputas específicas.
A segunda é que os democratas seguem concentrando esforços em estados e distritos competitivos, especialmente na Califórnia e em Nova Jersey, na tentativa de ampliar sua representação no Congresso.
A terceira envolve os temas que dominaram praticamente todas as campanhas: economia, inflação, custo de vida, imigração, habitação e segurança pública. Essas questões devem continuar no centro do debate político americano nos próximos meses e provavelmente serão decisivas para definir os vencedores das eleições de novembro.
Com as primárias avançando em diferentes estados ao longo do ano, os resultados desta semana oferecem apenas uma primeira fotografia de uma disputa que promete ser intensa e que poderá influenciar diretamente o equilíbrio de poder em Washington nos próximos anos.
Fonte: Jovem Pan