Republicanos comunica ao PL neutralidade nas eleições presidenciais
O Partido Republicanos anunciou, nesta terça-feira (4), que vai adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República nas eleições deste ano.
A decisão foi formalizada na convenção do partido em Brasília e, segundo o presidente da legenda, é um entendimento firmado após a diretoria nacional ouvir a posição de escritórios da legenda em todo o país.
Na noite dessa segunda-feira (3), a decisão já havia sido avisada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O partido vinha tentando conquistar apoio da legenda para fortalecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto (leia mais abaixo).
A decisão do Republicanos segue o mesmo posicionamento da federação União Brasil-Progressistas, e frustra tentativas de aproximação da campanha de Flávio, que segue sem um nome para vice na chapa.
Em nota, o partido afirmou que a deliberação foi construída de forma coletiva e levou em consideração o crescimento da legenda nos estados, além das diferentes realidades políticas e alianças regionais formadas ao longo dos últimos anos.
“A posição de independência na disputa presidencial não representa ausência de princípios nem de posicionamento político”, afirmou o Republicanos. Segundo a sigla, a decisão busca preservar a autonomia das lideranças estaduais e a unidade partidária.
O deputado federal Marcos Pereira, em entrevista ao Estúdio i.
Reprodução/GloboNews
Aviso ao PL
Nos bastidores, a neutralidade era discutida havia semanas. Segundo apuração do g1 e da GloboNews, o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), comunicou à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que a maioria dos diretórios estaduais era favorável à independência na eleição presidencial.
De acordo com Pereira, 17 dos 27 diretórios estaduais defenderam a neutralidade. Outros nove se posicionaram a favor do apoio a Flávio Bolsonaro e um manifestou preferência pela candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão representa um revés para a estratégia do PL de ampliar sua coligação nacional.
Após a federação União Progressista também optar por não declarar apoio formal a nenhum candidato ao Palácio do Planalto, o Republicanos era considerado uma das principais apostas da campanha de Flávio Bolsonaro para ampliar o arco de alianças.
Apesar da posição nacional, a neutralidade permite que diretórios estaduais e lideranças regionais construam seus próprios arranjos locais.
Impacto dos palanques estaduais
Em São Paulo, por exemplo, dirigentes do Republicanos manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, mesmo sem uma aliança nacional formal entre os partidos.
A discussão interna refletia as diferentes posições dentro da legenda. Lideranças do Sul e do Sudeste defendiam uma aproximação com o PL, enquanto dirigentes do Nordeste e integrantes influentes do partido trabalhavam pela manutenção da independência.
Entre os nomes apontados nos bastidores como defensores da neutralidade estavam o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
O argumento era preservar a unidade da legenda e evitar impactos sobre alianças estaduais já consolidadas.
Na nota divulgada nesta terça, o Republicanos também afirmou que continuará defendendo bandeiras como responsabilidade fiscal, fortalecimento das instituições, segurança jurídica e desenvolvimento econômico.
A legenda destacou ainda que sua prioridade será ampliar a representação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal a partir das eleições deste ano.
Veja a nota na íntegra:
“O Republicanos informa que, após amplo processo de consultas às executivas estaduais de todo o País, decidiu, por deliberação majoritária, adotar uma posição de independência institucional na eleição para Presidente da República.
A decisão reflete o respeito à construção democrática interna do partido e reconhece a realidade de um Republicanos que cresceu, consolidou sua presença nacional e passou a representar diferentes regiões, contextos e alianças políticas.
Hoje, o Republicanos está presente de forma expressiva em todas as unidades da Federação. Essa capilaridade impõe o dever de considerar as particularidades de cada estado na tomada de decisão, respeitando as estratégias políticas locais e as diferentes composições construídas ao longo dos últimos anos.
A posição de independência na disputa presidencial não representa ausência de princípios nem de posicionamento político. Ao contrário, demonstra maturidade institucional, respeito ao pacto federativo e compromisso com a unidade partidária, preservando a autonomia das lideranças estaduais dentro das diretrizes estabelecidas pelo partido.
O Republicanos permanece fiel aos valores que sempre nortearam sua atuação: defesa da democracia, da liberdade, da responsabilidade fiscal, do fortalecimento das instituições, da família, da segurança jurídica e do desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Ao mesmo tempo, o partido reafirma seu compromisso com o fortalecimento de sua representação no Congresso Nacional. Ampliar as bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal significa ampliar a capacidade de defender esses princípios, participar da construção das grandes decisões nacionais e contribuir para a estabilidade institucional e a governabilidade do País.
A decisão anunciada é resultado de um processo coletivo, transparente e democrático, que respeita a diversidade de um partido de dimensão nacional sem abrir mão de sua unidade e de sua responsabilidade com o futuro do Brasil”.
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