Conforme esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco central (Bacen) cortou a Selic em 0,25 p.p. Com a decisão a taxa básica de juros passou de 14,25% a.a. para 14% a.a.
Apesar do corte, a Selic continua em patamar bastante restritivo. O motivo para cautela do Banco Central na condução da política monetária decorre de uma série de riscos inflacionários.
O primeiro é a questão geopolítica. Qualquer escalada na guerra entre EUA e Irã poderá elevar novamente o preço do petróleo para acima de US$100,00 com impactos inflacionários para gêneros agrícolas e bens industriais.
O segundo risco tem relação com as expectativas inflacionárias. Apesar da inflação corrente ter desacelerado, as projeções de inflação, captadas pelo Boletim Focus, estão próximas de 5%, acima do teto da meta de 4,5%.
O terceiro, e não menos importante, é a política fiscal expansionista do governo federal que traz estímulos à expansão da demanda agregada (consumo das famílias e investimentos das empresas), acima da capacidade de oferta (produção) da economia brasileira.
Com todos essa incerteza inflacionária, o Copom não “contratou” um novo corte da Selic para a próxima reunião. As próximas divulgações de inflação e dos índices de atividade econômica, bem como o desenrolar de um acordo de paz no Oriente Médio, serão fundamentais para determinar se a taxa básica de juros vai permanecer em 14% a.a ou haverá uma nova redução. De qualquer modo, dificilmente a Selic deverá ultrapassar 13,5% a.a. em 2026.
Continuamos com uma das maiores taxas de juros do planeta, e a culpa não é do Banco Central.
Fonte: Jovem Pan