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Rosto de Bolsonaro gravado a laser: a história por trás da última arma apreendida pela PF

Uma espingarda com a imagem a laser de Jair Bolsonaro gravada no carregador. Foi esse o presente que uma empresa de armamentos do Rio Grande do Sul ofereceu ao ex-presidente ainda em 2021, e que acabou virando, cinco anos depois, a peça final de uma operação da Polícia Federal. A Jovem Pan apurou os detalhes exclusivos de como essa arma percorreu um caminho que passou por uma feira do setor, por um trâmite de registro nunca concluído e por uma condenação que impediu Bolsonaro de sequer retirar o equipamento das mãos de quem o doou.

A PF apreendeu nesta quinta-feira (9) a última arma que ainda constava em nome do ex-presidente, encerrando a ação deflagrada na quarta-feira (8) para busca e apreensão de itens ligados a Bolsonaro. Tratava-se de uma espingarda semiautomática calibre 12, modelo Maestro Arms Company, em plataforma AR, mantida sob guarda de uma empresa de armamentos gaúcha. A defesa já havia informado ao Supremo Tribunal Federal que a arma estava com a empresa, mas não apresentou a localização exata nem a documentação que comprovasse a informação. Coube à Polícia Federal reconstituir o percurso do item, e o que se descobriu surpreende pela origem.

Segundo apurou a Jovem Pan, a proposta de doação nasceu em 21 de agosto de 2021, durante uma feira do setor armamentista. Foi Eduardo Bolsonaro quem recebeu, em nome do pai, o interesse da empresa em presentear o então presidente com o equipamento, na época ainda liberado para uso civil. A restrição ao modelo só viria em 2023. No mesmo encontro, os detalhes da doação foram alinhados, incluindo o trâmite para o registro em nome de Jair Bolsonaro. Fontes ligadas à investigação relatam que o equipamento chegou a ser preparado para uma apresentação formal, ainda em fase de checagem sobre a viabilidade jurídica da doação.

O problema veio depois. Concluído o registro, Bolsonaro já enfrentava impedimentos jurídicos que o impediam de retirar pessoalmente a arma. Sem a guia de trânsito necessária para transportar o equipamento, ele nunca chegou a buscar o presente. A espingarda ficou esquecida no Rio Grande do Sul.

Com a manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão de todas as armas registradas em nome do ex-presidente, e a espingarda gaúcha passou a ser tratada como item perdido. Nesta quarta-feira (8), já com a operação em andamento, um representante da empresa doadora procurou a PF por conta própria, avisando que estava com o equipamento mas sem a guia de transporte para levá-lo à delegacia. A Jovem Pan apurou que um delegado foi até o endereço, em Cachoeirinha (RS), buscar a arma pessoalmente, sem necessidade de varredura no local.


Fonte: Jovem Pan

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