Relatórios produzidos pela equipe de saúde responsável por acompanhar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de prisão revelam uma deterioração rápida do estado clínico nas horas que antecederam sua internação hospitalar. Os documentos, obtidos pela CNN, indicam que o quadro de saúde mudou de forma significativa entre a quarta-feira (11) e a madrugada de sexta-feira, quando a transferência para um hospital foi considerada necessária.
De acordo com os registros médicos, o primeiro relatório analisado foi elaborado na manhã de quarta-feira. Na ocasião, Bolsonaro foi descrito pelos profissionais de saúde como estando em bom estado geral. Segundo o documento, ele chegou a realizar uma caminhada de aproximadamente 4,2 quilômetros, sem apresentar queixas relevantes.
Ainda na noite daquele mesmo dia, a avaliação clínica continuava indicando estabilidade. Os profissionais anotaram ausência de crises de soluço e sinais vitais dentro dos parâmetros considerados normais. No entanto, um detalhe chamou atenção da equipe: durante a caminhada, foram observados pequenos episódios de desequilíbrio, o que levou os responsáveis pelo acompanhamento a registrar a necessidade de monitorar o risco de quedas.
Na quinta-feira (12), novas avaliações foram realizadas durante a manhã e também no período da tarde. Nos dois atendimentos, os registros apontaram novamente estado geral satisfatório, com níveis de oxigenação considerados adequados e poucas ocorrências de soluço.
O último atendimento rotineiro do dia foi registrado às 20h45. Nesse momento, a enfermeira responsável descreveu o ex-presidente como lúcido, orientado e em estado geral regular. O relatório também informa que Bolsonaro havia caminhado cerca de 5 quilômetros ao longo do dia.
Apesar da aparente estabilidade, um indicador começou a preocupar a equipe médica. A saturação de oxigênio, que mede a quantidade de oxigênio no sangue, apresentou uma leve queda em comparação com medições anteriores, registrando 93%.
A situação mudou de forma mais evidente durante a madrugada. A anotação seguinte no relatório aparece classificada como “registro de intercorrência”, indicando um evento inesperado no acompanhamento clínico.
Segundo o documento, por volta das 6h45 da manhã, a equipe médica da unidade prisional conhecida como Papudinha foi acionada por agentes penitenciários. O motivo foi o surgimento de calafrios apresentados pelo ex-presidente.
Durante o atendimento, Bolsonaro relatou aos profissionais que havia se sentido mal por volta das 2h da madrugada, quando apresentou náuseas e tremores. Ele negou episódios de vômito ou qualquer sintoma respiratório naquele momento.
Ao ser examinado, porém, o quadro já demonstrava sinais de agravamento. Os profissionais constataram que Bolsonaro estava com febre e que sua saturação de oxigênio havia caído para 82%, índice considerado bastante baixo e que exige atenção imediata.
Diante do cenário, a equipe médica iniciou o atendimento emergencial e administrou medicação na tentativa de estabilizar o quadro. No entanto, mesmo após a intervenção inicial, a febre persistiu e os níveis de oxigenação continuaram baixos.
Com a ausência de melhora clínica, os profissionais decidiram pela transferência imediata para um hospital. Para realizar o deslocamento, foi acionada uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O médico particular do ex-presidente, Brasil Caiado, também foi comunicado sobre a situação.
De acordo com os registros, todo o processo, desde o chamado da equipe médica do presídio até a chegada ao hospital particular, levou cerca de duas horas.
Durante todo o procedimento, os profissionais de saúde que atuam na unidade prisional acompanharam Bolsonaro até a internação hospitalar. Eles retornaram ao batalhão apenas por volta do meio-dia de sexta-feira.
Já no hospital, exames realizados pela equipe médica apontaram que o ex-presidente estava com pneumonia bacteriana. O diagnóstico indicou um quadro considerado grave, embora ainda classificado como estável pelos médicos.
Bolsonaro permanece internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sob monitoramento contínuo. O boletim médico mais recente, divulgado no sábado, informa que houve piora da função renal e também aumento dos marcadores inflamatórios, indicadores que costumam sinalizar agravamento de processos infecciosos no organismo.
A equipe médica segue acompanhando o caso e avaliando a evolução do tratamento.
Com informações: CNN
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Fonte: News Rondônia

