Se Liga Cacoal – Header
.

Sem tarifa dos EUA, exportação de carne bovina tem na China seu maior desafio, diz ABIEC

A carne bovina brasileira ficou de fora das tarifas impostas pelos Estados Unidos, mas o setor enfrenta um cenário de pressão no seu principal mercado, a China. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (16) pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, durante o lançamento da 11ª edição do Beef Report, em Brasília.

Sobre o mercado americano, segundo maior destino da carne brasileira em 2025, Perosa afirmou que não há impacto direto sobre o produto e que a entidade acompanha as negociações entre os dois governos. “O fato é que nós não recebemos a tarifa. Estamos acompanhando o desenrolar das ações para avaliar quando tiver impacto. Hoje ainda não tem”, disse.

A preocupação do setor está concentrada nas salvaguardas impostas pela China, que terão vigência de três anos. Perosa explicou que a medida é unilateral e que não cabe à indústria brasileira resolvê-la. “O governo brasileiro tentou negociar durante um período, mas não está na mão da indústria brasileira uma solução. Nós temos que passar por esse período”, afirmou.

O efeito já chega ao dia a dia dos frigoríficos. Como a exportação é determinante para a formação de preços e margens em toda a cadeia, cada empresa deve adotar sua própria estratégia para atravessar o período. “Alguns darão férias coletivas, outros utilizarão layoffs. Pode ser que haja novos movimentos de aquisição de grupos menores por grupos maiores”, disse o dirigente. “Não há uma receita pronta. Para pacientes diferentes, não existe a mesma medicação.”

Perosa reconheceu que a preocupação é generalizada e que a produção pode ser reduzida para evitar oferta a preços não rentáveis. “Em alguns momentos a gente tem notícias de que já houve demissões em empresas”, afirmou. “Quem está mais capitalizado consegue segurar um tempo maior. Quem está menos capitalizado tem que vender mais barato para outros mercados.”

Na busca por diversificação, o presidente da ABIEC citou Japão e Coreia do Sul, mercados maduros e de alto consumo que o Brasil ainda tenta acessar, com boas chances de abertura “num futuro próximo”. Mencionou também o Vietnã, recém-aberto, mas ainda em construção. As vendas ao país devem fechar o ano entre 15 mil e 20 mil toneladas, volume pequeno diante dos 3,5 milhões de toneladas exportados em 2025. “Não tem nenhum outro mercado que absorverá essa demanda. Isso vai ser dividido entre alguns mercados, mas não há uma grande solução única”, concluiu.

O momento de incerteza comercial contrasta com os resultados de 2025, considerado um ano histórico pelo Beef Report, elaborado em parceria com a consultoria Athenagro. O Brasil se tornou, pela primeira vez, o maior produtor mundial de carne bovina, com 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), abate de 47,79 milhões de bovinos e faturamento recorde de US$ 18 bilhões nas exportações, enviadas a 177 países. A cadeia movimentou R$ 1,159 trilhão, cerca de 9% do PIB.

Para os próximos dez anos, a entidade projeta produção de 15,18 milhões de TEC e exportações de 7,09 milhões de TEC até 2035, alta de 56,5% sobre 2025, sustentada pelos ganhos de produtividade e pela abertura de novos mercados.“Os números comprovam que é possível produzir mais, com mais eficiência, sustentabilidade e competitividade”, afirmou Perosa.


Fonte: Jovem Pan

Destaques