Senado confirma que recebeu indicação presidencial de Messias para vaga no STF
A mensagem presidencial com a indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) foi recebida na tarde desta quarta-feira (1) pelo Senado. O documento já disponível no sistema do Senado.
Nesta terça-feira (31), o Palácio do Planalto chegou a anunciar que a mensagem seria enviada naquele dia, o que não ocorreu. Interlocutores do Planalto afirmam que o atraso se deu a questões burocráticas.
A Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República também confirmou nesta tarde que entregou a documentação ao Senado.
A chegada da mensagem presidencial ao Senado destrava oficialmente a indicação de Jorge Messias ao STF, dando início a um novo e decisivo capítulo de um processo marcado por mais de quatro meses de espera e atritos políticos — entre a indicação feita por Lula e o recebimento da mensagem.
Segundo interlocutores de Alcolumbre, o presidente do Senado esperava uma última conversa com Lula antes do recebimento da mensagem, o que não teria ocorrido.
Essas mesmas fontes afirmaram que Alcolumbre ficou sabendo pela imprensa sobre a data do envio, e classificou esse movimento como “nova trapalhada” do governo.
Elas também acreditam que o atraso se deu porque o governo, percebendo o incômodo por parte de Alcolumbre, tentou fazer contato com o senador, sem sucesso.
🔎A chegada do “papel” ao Senado não significa que a aprovação de Messias é iminente. Na prática, a bola agora está com Davi Alcolumbre, que controla o calendário.
Foto de arquivo: o advogado-geral da União, Jorge Messias, faz pronunciamento à imprensa em Brasília em 01/07/2025
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
Indicação destravada
O envio do documento pelo presidente Lula encerra um longo hiato que expôs a fragilidade na articulação entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.
Com a formalização, o documento seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Caberá à comissão designar um relator e, principalmente, definir a data da sabatina — a sessão onde Messias deverá responder a perguntas dos parlamentares.
Na sequência, o indicado precisa ter o nome aprovado pelo plenário principal da Casa. Somente após a aprovação no Poder Legislativo, o novo magistrado pode tomar posse na Corte — no lugar do Luís Roberto Barroso, que pediu aposentadoria.
É nesse poder de agendamento que reside a principal tensão, já que não há um acordo entre o governo e o presidente do Senado sobre um cronograma.
O impasse começou logo após o anúncio do nome de Messias, em novembro de 2025, que contrariou a preferência de Alcolumbre pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A demora do governo em enviar a mensagem oficial levou o presidente do Senado a criticar publicamente o que chamou de “perplexidade” e a cancelar uma sabatina que ele mesmo havia marcado para dezembro, por falta do documento.
Enquanto o governo hesitava, o próprio Jorge Messias intensificou sua articulação, reunindo-se com cerca de 70 senadores para garantir os 41 votos necessários para a aprovação em plenário.
A decisão de finalmente enviar a mensagem teria partido de um pedido do próprio indicado a Lula, confiante de que já possui o apoio necessário para ser confirmado como o novo ministro do STF.
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Perfil de Jorge Messias
Atual AGU, Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos e é natural de Pernambuco. Está no governo desde o início da terceira gestão Lula, em 2023.
Saiba os principais pontos da trajetória de Jorge Messias:
Tomou posse na AGU em 2023, no início do governo Lula. Antes mesmo da nova gestão começar, já integrava a equipe de transição;
Servidor público desde 2007, com atuação em diversos órgãos do Executivo, como o Banco Central e o BNDES;
É considerado um nome de confiança de Lula, com apoio de ministros do PT e da ala palaciana;
Mantém relação próxima e leal com o presidente, desde os tempos do governo Dilma Rousseff.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), é mestre pela Universidade de Brasília (UnB). Ingressou na Advocacia-Geral da União como procurador da Fazenda Nacional, função voltada à cobrança de dívidas fiscais de contribuintes inadimplentes com a União.
Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos estratégicos no Executivo: foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior no Ministério da Educação e consultor jurídico nos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Também atuou como procurador do Banco Central e do BNDES.
Em 2022, integrou a equipe de transição do presidente eleito Lula. Foi anunciado para o comando da AGU em dezembro daquele ano e tomou posse em janeiro de 2023.
A instituição tem papel central na assessoria jurídica da Presidência e na representação da União junto ao STF.
Durante o governo Dilma Rousseff, Messias ocupou o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ).
Ficou conhecido nacionalmente após ter seu nome citado em uma conversa entre Dilma e Lula, interceptada pela Operação Lava Jato. Na gravação, seu nome foi ouvido como “Bessias”, por conta da qualidade do áudio.
Senado confirma recebimento de mensagem presidencial com indicação de Messias para vaga no STF
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