O líder supremo do Irã, o clérigo Mojtaba Khamenei, anunciou nesta quinta-feira (9) que o gerenciamento do Estreito de Ormuz entrará “em nova fase”. A declaração se deu em meio ao acordo firmado com os Estados Unidos de cessar-fogo por duas semanas e de desbloqueio da passagem.
Por meio de uma série de publicações no X (ex-Twitter), Khamenei comunicou a situação em Ormuz e falou sobre o conflito travado por Washington e Tel-Aviv contra Teerã. O líder supremo iraniano afirmou que não “permitirá que os agressores criminosos” que atacaram o país persa “fiquem impunes”. “Certamente exigiremos reparações integrais por todos os danos causados e indenização pelos feridos de guerra”, escreveu.
Khamenei disse também que o Irã “manterá” a “firme determinação de vingar” a morte do líder supremo anterior, o aiatolá Ali Khamenei, e das altas autoridades iranianas. “Temos esperança nas súplicas especiais do Imam Mahdi por uma vitória decisiva sobre o inimigo, tanto nas negociações quanto no campo de batalha”, declarou.
Tráfego abaixo de 10%
O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal nesta quinta-feira. Teerã reafirmou o seu controle e alertou os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais. Apenas sete embarcações atravessaram a passagem nas últimas 24 horas, em comparação com os cerca de 140 habituais, segundo dados de rastreamento.
Centenas de petroleiros e outros navios estão presos no Golfo Pérsico desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o que resultou na redução de 20% do fornecimento global de petróleo. Esta é a maior interrupção de abastecimento da história.
Na quarta-feira (8), a agência de notícias iraniana ISNA divulgou o mapa apresentado pela Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica com duas rotas alternativas de navegação no Estreito de Ormuz para evitar minas navais. Dados de rastreamento de navios mostram que algumas embarcações já utilizam o percurso sugerido ao redor da Ilha de Larak.
Notícias veiculadas pela mídia internacional indicam ainda que o Irã quer cobrar um pedágio dos navios que passam pela região, com alguns estimando o valor em US$ 2 milhões. Segundo disse Hamid Hosseini, o porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, ao Financial Times, Teerã passará a exigir o pagamento em criptomoedas para manter o controle sobre o Estreito de Ormuz.
Após a veiculação da informação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se por meio de publicação na rede Truth Social. “Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz — é melhor que isso não aconteça e, se acontecer, é melhor que pare agora!”, escreveu o republicano.
O que é o Estreito de Ormuz?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre o Golfo Pérsico e de Omã, operando como a fronteira natural entre o Irã e a Península Arábica. No jargão geopolítico e financeiro, a região é classificada como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam por suas águas diariamente. O volume que equivale a cerca de 20% do consumo global do insumo.
*Com informações de Reuters e AFP
Fonte: Jovem Pan
