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Brasileiro quer penas mais duras, mas rejeita ‘bandido bom é bandido morto’; o que pensam Flávio e Lula

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Sou da Paz no último dia 18 dá uma dica aos pré-candidatos ao Planalto para angariar apoio dos indecisos: a frase “bandido bom é bandido morto”, que ficou famosa na discussão sobre segurança pública no país, só é aceita por 20% dos entrevistados. Isso não significa, no entanto, que a insegurança não é um ponto crítico. Segundo o mesmo estudo, 69% acredita que a “polícia prende e a Justiça solta”, enquanto 39% responderam que o “Brasil precisa aumentar as penas contra os crimes”. 
Flávio tem voltado a subir de tom contra o crime após adotar uma estratégia de vender um perfil moderado no início da pré-campanha para se distanciar da imagem escrachada do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em março, disse que “se enfrentar a polícia, vai ser ‘neutralizado’, sim”, se referindo aos criminosos. De acordo com a pesquisa, a estratégia inicial do “Bolsonaro moderado”, que é duro contra o crime, mas não apoia violência, seria a mais viável para o principal candidato da oposição.
Já Lula tem o problema contrário: o petista precisa deixar claro que não “passa pano” para bandido, ao mesmo tempo em que não incentiva a violência contra eles. Em discurso neste mês, o atual presidente afirmou que as cidades pertencem ao povo, não ao crime organizado.
No último dia 7, após se encontrar com o presidente Donald Trump, o petista disse que propôs ao homólogo norte-americano que Brasil e EUA criem um grupo de trabalho para discutir o combate ao crime organizado. Até então, uma sinalização positiva, se levarmos em conta a pesquisa e se a campanha do presidente souber explorar isso publicamente.
Outros dados da pesquisa:

Câmeras corporais atrapalham a atuação da polícia – 12%
Câmeras corporais são tecnologias que protegem os bons policiais e produzem provas contra criminosos – 82%
Armas legais não chegam ao crime – 14%
Armas legais são compradas, roubadas e viram violência nas mãos dos bandidos – 77%
Bandido bom é bandido morto – 20%
Nenhum bandido é bom, todos devem ser julgados, punidos e presos – 73%
Armar a população aumenta a segurança – 21%
Com mais armas vai ter mais mortes, mais violência – 73%
Precisamos de mais polícia nas ruas – 32%
Não precisamos de mais da polícia: é preciso uma polícia melhor e mais preparada – 65%
O Brasil precisa aumentar as penas contra os crimes – 39%
O Brasil precisa garantir e aplicar as penas que já existem a todos os criminosos – 55%
A polícia prende e a justiça solta – 69%
A polícia prende mal e por isso a justiça tem que soltar – 25%

“Os dados mostram que as frases de efeito antigamente mais famosas na segurança pública já não ressoam mais na população. A sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas. Há uma maioria silenciosa que busca resultados e eficácia, por isso apoia novas ideias sobre a segurança pública”, explica Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, em comunicado divulgado pela organização.


Fonte: Jovem Pan

Do asfalto quente ao gelo olímpico: a revolução dos “Blue Birds”

Imagine o som ensurdecedor de lâminas cortando o gelo a 140 km/h. O ar rarefeito congela os pulmões, e a força G esmaga o corpo contra a fibra de carbono. Agora, imagine que os homens dentro dessa cápsula de velocidade nasceram onde o sol queima a pele e a neve é apenas um conceito distante. No topo da pista de Yanqing, nas Olimpíadas de Inverno de 2022, o quarteto brasileiro não estava lá apenas para participar; eles estavam lá para fazer história. O silêncio sepulcral antes da largada foi quebrado pelo grito de guerra em português, um som vibrante que ecoou pelas montanhas da China, anunciando que o Brasil não só aprendeu a deslizar no gelo, mas veio para desafiar os gigantes do inverno.
A largada que desafia a física
No bobsled, tudo se decide nos primeiros 50 metros. É uma explosão de violência controlada. Para o time brasileiro, esse momento é a síntese de uma batalha contra a própria geografia. Diferente dos alemães ou suíços, que crescem deslizando, os brasileiros transformaram a desvantagem em uma arma letal: a explosão do atletismo puro.
A descida histórica que colocou o Brasil na final olímpica em Pequim não foi sorte; foi biomecânica aplicada ao extremo. A sincronia do “push” — o momento em que quatro homens de 100 kg correm em uníssono e saltam para dentro de um trenó em movimento — foi executada com uma precisão cirúrgica. Naquela curva 13, conhecida como “o dragão”, onde muitos trenós viraram sucata, o piloto Edson Bindilatti manteve a linha com a frieza de um veterano, guiando o trenó como se estivesse em trilhos invisíveis. Foi a prova definitiva de que a técnica havia superado a falta de tradição.
Sangue quente em veias congeladas
A história do time brasileiro de bobsled é um roteiro de cinema que deixa a ficção para trás. Esqueça as comparações cômicas com “Jamaica Abaixo de Zero”. O que vemos hoje é a evolução de atletas de elite que precisaram reinventar o treinamento de alto rendimento. Sem acesso a pistas de gelo em casa, a equipe precisou de uma criatividade tipicamente brasileira para simular o caos da descida.
É fascinante observar como eles treinam num país tropical. Em vez do frio alpino, o cenário é uma pista fixa de empurrar sobre trilhos em São Paulo, sob um calor de 30 graus. Eles substituíram o gelo pelo asfalto e trilhos de metal, focando obsessivamente na fase de largada, a única variável que podiam controlar sem sair do país.

A liderança: Edson Bindilatti, ex-decatleta, tornou-se a alma do projeto, participando de cinco edições olímpicas e transformando um time amador em uma máquina de competição.
A adaptação: O uso de motocicletas para treinar reflexos visuais e a musculação focada em explosão compensaram a falta de horas de voo no gelo real.

Os “Blue Birds”, como ficaram conhecidos devido aos capacetes azuis vibrantes, deixaram de ser os “exóticos” para se tornarem respeitados rivais. A resiliência de treinar no calor para competir no frio extremo forjou uma mentalidade blindada, onde cada descida no gelo real é valorizada como se fosse a última.
Muito mais que um milagre tropical
Chegar à final olímpica e figurar entre os 20 melhores do mundo não é apenas um recorde estatístico; é uma mudança de paradigma. O Brasil provou que o talento atlético é universal e transferível. A evolução no bobsled simboliza a profissionalização dos esportes de inverno no país.
Não somos mais os turistas acidentais. O trenó brasileiro, desenhado com aerodinâmica de ponta e impulsionado por atletas que dedicam a vida a um esporte que seus vizinhos sequer compreendem, carrega o peso de uma nação que aprendeu a amar o inverno. Cada centésimo de segundo baixado é uma vitória contra o ceticismo, contra a falta de neve e contra a lógica.
O bobsled brasileiro é a prova viva de que a paixão não tem clima. Quando o trenó cruza a linha de chegada e os freios levantam a cortina de neve, não vemos apenas atletas exaustos; vemos a chama do esporte queimando intensamente no lugar mais improvável do mundo. O Brasil não apenas chegou ao gelo; o Brasil incendiou a pista.


Fonte: Jovem Pan

A Dinastia Andretti e o Legado de Mario na História da Fórmula Indy

O nome Andretti transcendeu o status de apenas um sobrenome para se tornar um sinônimo global de velocidade e automobilismo de alta performance. O legado de Mario Andretti e sua família na história da Fórmula Indy representa uma das narrativas mais completas do esporte a motor, combinando talento bruto, longevidade técnica e uma capacidade única de adaptação a diferentes eras da engenharia automotiva. Embora Mario seja a figura central, a dinastia se estende por filhos, sobrinhos e netos, consolidando uma marca que influenciou o desenvolvimento da IndyCar (e suas antecessoras USAC e CART) ao longo de mais de cinco décadas.
Origem e cronologia da família
A história da dinastia começa longe dos ovais norte-americanos, na cidade de Montona, Istria (então parte da Itália, hoje Croácia). Mario e seu irmão gêmeo, Aldo Andretti, nasceram em 1940 e passaram os primeiros anos de vida em um campo de refugiados após a Segunda Guerra Mundial, antes de a família imigrar para os Estados Unidos em 1955, estabelecendo-se em Nazareth, na Pensilvânia.
A linha do tempo da família no automobilismo pode ser dividida em eras distintas:

A era de fundação (Anos 50 e 60):
Mario e Aldo começam a correr com um Hudson Hornet 1948 em pistas de terra (dirt tracks) em 1959.
Aldo sofre um acidente grave que limita sua carreira, enquanto Mario ascende rapidamente nas categorias de base (sprints e midgets).
Mario estreia na USAC Championship Car (precursora da Indy) em 1964.
A consolidação (Anos 70 e 80):
Mario conquista a vitória na Indy 500 em 1969 e transita entre a Fórmula 1 e a Fórmula Indy.
Michael Andretti, filho de Mario, inicia sua carreira profissional no início dos anos 80, criando uma rivalidade interna e saudável.
Jeff Andretti (filho mais novo de Mario) e John Andretti (sobrinho, filho de Aldo) ingressam nas competições nacionais.
A era moderna e expansão (Anos 90 até hoje):
Michael se torna um dos maiores vencedores da história da CART nos anos 90.
Marco Andretti (neto de Mario, filho de Michael) estreia na IndyCar em 2006.
A família transita de apenas pilotos para proprietários de equipe com a Andretti Global (anteriormente Andretti Autosport), mantendo a relevância técnica e política na categoria.

Fundamentos e dinâmica da Fórmula Indy na era Andretti
Para compreender o legado de Mario Andretti e sua família na história da Fórmula Indy, é necessário analisar as regras e o funcionamento técnico das competições que eles dominaram. A “Fórmula Indy” não é uma categoria estática; ela passou por diversas mudanças de regulamento e sanção (USAC, CART, IRL, IndyCar), e os Andretti tiveram que se adaptar a todas elas.
Os pilares técnicos e desportivos que marcaram a atuação da família incluem:

Versatilidade de traçados:
Diferente da Fórmula 1, a IndyCar exige domínio em quatro tipos de pista: ovais curtos (short ovals), superovais (speedways como Indianápolis), circuitos mistos permanentes e circuitos de rua.
A família Andretti notabilizou-se pela capacidade de configurar os carros (setup) para lidar com a aerodinâmica específica de cada traçado, alterando downforce e relações de marcha drasticamente semana a semana.
Evolução da engenharia:
Mario Andretti pilotou desde os Roadsters com motor dianteiro até os carros de efeito solo e motores turboalimentados com mais de 900 cavalos de potência.
A família foi pioneira no uso de telemetria avançada nos anos 80 e 90, trabalhando com engenheiros para refinar o consumo de combustível e o desgaste de pneus, fatores cruciais nas regras de pit stop da categoria.
O sistema de pontuação e qualificação:
O sucesso dos Andretti baseou-se na consistência. As regras da Indy historicamente premiam não apenas a vitória, mas a regularidade e a liderança de voltas.
Michael Andretti, especificamente, era conhecido por sua agressividade estratégica, explorando as regras de bandeira amarela para ganhar posições, um fundamento tático essencial nas corridas norte-americanas.

Títulos e recordes
A contabilidade das conquistas da família Andretti é extensa e abrange múltiplas categorias, mas o foco na Fórmula Indy (incluindo as sanções da USAC e CART) revela a magnitude de seu domínio.
Mario Andretti:

Títulos da IndyCar (USAC/CART): 4 campeonatos (1965, 1966, 1969, 1984).
Vitórias na IndyCar: 52 vitórias (2º maior vencedor da história).
Poles na IndyCar: 67 pole positions (recorde histórico).
Indy 500: Vencedor em 1969.

Michael Andretti:

Títulos da IndyCar (CART): 1 campeonato (1991).
Vitórias na IndyCar: 42 vitórias (um dos maiores vencedores da era moderna).
Liderança de voltas: Liderou mais voltas em corridas da IndyCar do que qualquer outro piloto que não tenha vencido 4 títulos.

Outros destaques:

Marco Andretti: Vencedor de corridas na IndyCar e Rookie do Ano nas 500 Milhas de Indianápolis de 2006.
John Andretti: Vencedor na CART e o primeiro piloto a tentar a “Double Duty” (correr a Indy 500 e a Coca-Cola 600 da NASCAR no mesmo dia).
Andretti Global (Equipe): Como proprietário, Michael Andretti conquistou múltiplas vitórias na Indy 500 (com pilotos como Dan Wheldon, Dario Franchitti, Ryan Hunter-Reay e Alexander Rossi) e títulos da temporada.

Curiosidades históricas
A trajetória dos Andretti é cercada por fatos inusitados e estatísticas que desafiam a probabilidade, criando uma mística em torno do sobrenome.

A “Maldição Andretti”:
Apesar do sucesso estrondoso, a família sofre com um jejum de vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis desde a vitória de Mario em 1969. Michael Andretti liderou 431 voltas na história da prova (mais do que muitos vencedores somados), mas nunca venceu. Marco Andretti perdeu a vitória em 2006 na linha de chegada por apenas 0,0635 segundos.
Pódio familiar:
Em junho de 1986, no GP de Portland, Mario venceu a corrida e Michael chegou em segundo lugar, marcando a primeira “dobradinha” de pai e filho.
Em 1991, na etapa de Milwaukee Mile, o pódio foi composto inteiramente pela família: Michael em 1º, John em 2º e Mario em 3º.
Piloto do Século:
Mario Andretti foi nomeado “Piloto do Século” pela Associated Press em 1999, sendo o único piloto a vencer a Indy 500, a Daytona 500 (NASCAR) e o Campeonato Mundial de Fórmula 1.
Longevidade competitiva:
Mario venceu sua última corrida na IndyCar em Phoenix, em 1993, aos 53 anos de idade, tornando-se o vencedor mais velho da história da categoria em um evento sancionado pela CART.

O impacto da família Andretti no automobilismo vai muito além das estatísticas frias. Eles foram fundamentais para a popularização das corridas de monopostos nos Estados Unidos, servindo como uma ponte entre a cultura automobilística europeia e a norte-americana. O legado de Mario Andretti e sua família na história da Fórmula Indy permanece vivo não apenas através dos recordes estabelecidos, mas pela estrutura profissional da equipe Andretti Global, que continua a moldar o futuro da categoria e a formar novos talentos para o esporte.


Fonte: Jovem Pan

A trindade da IndyCar: o desafio técnico de ovais, mistos e circuitos de rua

A NTT IndyCar Series distingue-se no cenário global do automobilismo por uma característica fundamental: a diversidade radical de seu calendário. Enquanto a Fórmula 1 prioriza autódromos e circuitos de rua, e a NASCAR tem sua base histórica nos ovais, a IndyCar exige que equipes e pilotos operem no limite máximo de performance em três tipos de traçados completamente diferentes: ovais (curtos e superspeedways), circuitos mistos permanentes e circuitos de rua temporários. Essa exigência define o conceito do piloto “completo”, obrigando uma adaptação técnica e física sem paralelo no esporte a motor contemporâneo.
História e evolução da diversidade de pistas
A trajetória da categoria de monopostos norte-americana nem sempre foi marcada por esse equilíbrio. Nas primeiras décadas do século XX, sob a sanção da AAA (American Automobile Association) e posteriormente da USAC (United States Auto Club), o calendário era predominantemente composto por ovais, variando entre pistas de terra, madeira (board tracks) e pavimentadas, como o Indianapolis Motor Speedway.
A introdução sistemática de circuitos mistos e de rua ganhou força significativa a partir da década de 1960 e consolidou-se nos anos 1980 com a CART (Championship Auto Racing Teams). A CART buscou internacionalizar a categoria e atrair pilotos da Fórmula 1, inserindo traçados como Long Beach, Cleveland (um aeroporto) e pistas permanentes clássicas como Road America e Laguna Seca.
O período de ruptura em 1996, com a criação da IRL (Indy Racing League), trouxe um retorno temporário à filosofia exclusiva de ovais. No entanto, após a reunificação em 2008, a categoria consolidou a identidade atual: um campeonato que premia a versatilidade, mantendo uma distribuição que testa todas as habilidades de pilotagem.
A dinâmica técnica e o desafio de pilotagem
Entender como é o desafio de pilotar na IndyCar com três tipos diferentes de circuitos no calendário exige uma análise profunda da engenharia do carro e da fisiologia do piloto. O chassi Dallara DW12 é modular, mas a configuração aerodinâmica e mecânica altera-se drasticamente dependendo do local da prova.
Ovais: precisão e coragem
Nos ovais, a pilotagem é menos sobre frenagem e retomada e mais sobre a gestão de momento e sensibilidade aerodinâmica. Eles se subdividem em duas categorias:

Superspeedways: Em pistas como Indianápolis, os carros utilizam um pacote aerodinâmico de baixíssimo arrasto (low downforce). As asas são quase planas para atingir velocidades superiores a 370 km/h. O desafio é mental e de precisão milimétrica; qualquer movimento brusco no volante resulta em perda de velocidade ou acidente.
Ovais curtos (Short Ovals): Em traçados como Iowa ou Gateway, a configuração exige alta carga aerodinâmica (high downforce). A força G lateral é constante e brutal, exigindo um condicionamento físico específico do pescoço e tronco do piloto, já que não há direção assistida na categoria.

Circuitos mistos: o estilo europeu
Os circuitos mistos permanentes, como Barber ou Mid-Ohio, assemelham-se ao desafio encontrado na Europa.

A configuração foca em equilíbrio. É necessário downforce para curvas de alta velocidade, mas também tração mecânica para curvas lentas.
O asfalto é geralmente mais liso e abrasivo, permitindo aos pilotos explorar os limites de aderência dos pneus Firestone com maior agressividade nas zebras.
As áreas de escape permitem erros que, em outras pistas da Indy, seriam terminais.

Circuitos de rua: o caos controlado
As pistas de rua, como St. Petersburg, Long Beach e Toronto, apresentam o ambiente mais hostil para o maquinário.

A superfície é irregular, com “bumps” (ondulações), mudanças de tipo de asfalto (concreto para asfalto) e faixas de pedestres pintadas que alteram a aderência.
A suspensão precisa ser mais macia (compliant) para absorver as irregularidades sem perder contato com o solo.
Não há margem para erro: os muros de concreto estão no limite da pista. A pilotagem exige reflexos rápidos e uma capacidade de improvisação constante.

Mestres da versatilidade: estatísticas e domínio
A história da IndyCar demonstra que os maiores campeões são aqueles capazes de vencer em qualquer terreno. O sistema de pontuação não privilegia um tipo de pista, forçando a consistência.

Scott Dixon: O neozelandês é o exemplo máximo da adaptação. Com seis títulos, Dixon possui vitórias em todos os tipos de traçados, sendo historicamente dominante tanto em ovais quanto em mistos.
Mario Andretti: Único piloto a vencer a Daytona 500 (NASCAR), Indy 500 e o Campeonato Mundial de F1, Andretti foi pioneiro em dominar a transição entre os ovais de terra e os circuitos de rua pavimentados.
Will Power: Conhecido inicialmente como um especialista em circuitos mistos e de rua (devido à sua origem europeia), Power precisou evoluir sua técnica em ovais para conquistar seu título na IndyCar e a vitória na Indy 500, provando a tese de que a especialização única não garante campeonatos na era moderna.
A.J. Foyt: Maior vencedor da história da categoria, dominou em uma era onde a diversidade incluía até mesmo pistas de terra batida com carros de motor dianteiro, demonstrando um controle de carro (car control) inigualável.

Curiosidades e particularidades técnicas
A operação das equipes muda drasticamente conforme o fim de semana de corrida, gerando fatos peculiares sobre a logística e a engenharia da categoria.

O “Spotter”: Nos ovais, a figura do spotter (observador que fica no topo da arquibancada) é vital para a segurança, guiando o piloto no tráfego cego. Nos circuitos mistos e de rua, sua função é secundária, focada mais em estratégia e tráfego distante.
Assimetria do carro: Apenas nos ovais, os carros são configurados assimetricamente. A suspensão direita é ajustada diferente da esquerda (cambagem, caster e peso cruzado – cross weight) para fazer o carro virar “naturalmente” para a esquerda. Em mistos e rua, o carro deve ser simétrico para virar para ambos os lados.
Kits Aerodinâmicos: Visualmente, um leigo pode distinguir a pista pelo carro. Em ovais grandes, as asas traseiras são minúsculas linhas horizontais. Em circuitos de rua e mistos, as asas são complexas, com múltiplos elementos e “gurneys” para gerar o máximo de pressão contra o solo.
Troféus distintos: Antigamente, a IndyCar premiava separadamente o campeão de ovais (A.J. Foyt Trophy) e o campeão de mistos/rua (Mario Andretti Trophy), reconhecendo a dificuldade específica de cada disciplina.

A capacidade de transitar entre a brutalidade física de um circuito de rua esburacado e a precisão cirúrgica de um superspeedway a 380 km/h é o que confere à IndyCar seu status de desafio supremo. Para os engenheiros, é um pesadelo logístico e de acerto; para os pilotos, é a prova definitiva de talento. O campeão da categoria não é necessariamente o mais rápido em uma volta lançada, mas aquele que consegue decifrar e dominar a física variável de três mundos distintos.


Fonte: Jovem Pan

Fim de semana será de temporal no Sudeste; veja previsão para todo o país

O fim de semana deverá ser marcado por muita chuva em grande parte do país. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), para sábado (23) e domingo (24), a previsão é de temporais nas regiões Sul e Sudeste e de precipitação intensa em parte dos estados do Norte e do Nordeste.
Para este sábado, segundo previsão do Inmet, a expectativa é que as condições para pancadas de chuva com trovoadas se intensifiquem no Sudeste e no Sul, com acumulados mais significativos para o estado de São Paulo e litoral de Santa Catarina, onde a chuva deve ser persistente. Também deve chover forte no Nordeste e no Norte, com acumulados mais expressivos no sul da Bahia.
No domingo, pancadas de chuva estão previstas em todo o litoral paulista e região de Itapetininga, no interior de São Paulo. Além do norte maranhense e leste baiano. O sul mineiro, por sua vez, terá chuvas isoladas. No Centro-Oeste, a chuva vai se restringir ao extremo sul de Mato Grosso do Sul.
No Norte do país, de acordo com o Inmet, o tempo será instável, com pancadas de chuvas acompanhadas por trovoadas em todos os estados, com exceção do Acre, de Rondônia e do Tocantins. Já os estados do Paraná e de Santa Catarina seguirão chuvosos, enquanto o Rio Grande do Sul continuará com tempo estável.

Ciclone
Para segunda-feira (25), o Inmet prevê temporais em todo o Sul do país por causa da formação de um ciclone.
No Sudeste, pancadas estão previstas para o sul e oeste paulista, além de pancadas isoladas no Vale do Paraíba, no leste mineiro e nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A chuva também vai atingir o centro-sul de Mato Grosso do Sul e o noroeste de Mato Grosso.
Além disso, chuvas fracas e isoladas estão previstas para todo o litoral nordestino, com mais intensidade no Maranhão e no Recôncavo Baiano. No Norte, as chuvas se espalham por todo o Amazonas e persistem no Pará, em Roraima e no Amapá.
Alerta em SP
A Defesa Civil do estado de São Paulo emitiu um alerta para risco de chuva forte e ventos intensos em diversas regiões do estado paulista neste fim de semana.
Para o sábado, há previsão de chuva forte e persistente em alguns períodos do dia para grande parte do território paulista.
Os maiores acumulados são esperados nas regiões próximas à divisa com o Paraná, além das regiões de Bauru, São Paulo, Campinas, Sorocaba, da Baixada Santista e São José dos Campos.
Para domingo, o sistema deve perder intensidade e se afastar gradualmente do estado. Apesar disso, a circulação de umidade vinda do oceano continuará favorecendo a manutenção do tempo instável, principalmente no litoral, faixa leste e região central do estado.


Fonte: Jovem Pan

Explosão em mina de carvão na China deixa ao menos oito mortos

Uma explosão em uma mina de carvão na China nesta sexta-feira (22) deixou, ao menos, oito pessoas mortas. Outras 38 vítimas ficaram presas no subsolo da jazida.
Segundo informou a agência oficial de notícias Xinhua, a explosão ocorreu por volta das 8h29 (de Brasília) em uma mina de Liushenyu, na província de Shanxi. Um total de 247 trabalhadores estava no local no momento do incidente, dos quais 201 foram resgatados com vida.
As operações de resgate continuam e “a causa do acidente está sendo investigada”, informou a Xinhua.
Anteriormente, a agência havia informado que os níveis de monóxido de carbono, um gás altamente tóxico e inodoro, haviam “superado os limites” permitidos na mina.
Alguns dos presos no subsolo estavam em “estado crítico”, segundo o informe anterior.
Shanxi, uma das províncias mais pobres da China, é considerada a região mineradora do país.
A segurança nas jazidas no gigante asiático melhorou nas últimas décadas, mas os incidentes continuam frequentes em um setor no qual os protocolos de segurança costumam ser flexíveis.
A China é a principal consumidora de carvão do mundo e a maior emissora de gases de efeito estufa, apesar de instalar capacidade de energia renovável em ritmo recorde.


Fonte: Jovem Pan

Brasil tem quase 20 ‘presidentes da República’ ou vice com registro em carteira de trabalho

Brasil registrou dezenas de vínculos trabalhistas como presidente e vice-presidente
O município de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, tem, ao menos, três presidentes da República em exercício desde 2002. O primeiro caso divulgado pelo g1 foi o da técnica de enfermagem Aldenize Ferreira, de 46 anos.
Na semana passada, ao procurar emprego na Agência do Trabalhador da região, a técnica de enfermagem descobriu que o nome dela consta, há 24 anos e 2 meses, como ocupante do cargo de presidente da República.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Além de Aldenize Ferreira, outras duas mulheres da mesma cidade descobriram ser, pelo menos na carteira de trabalho, chefes de Estado. E esses casos não são os únicos.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram a existência de 19 vínculos empregatícios ativos, no fim de 2024, registrados para os cargos de presidente e vice-presidente da República.
As informações constam em bases oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e envolvem funções públicas eletivas que, em tese, não se enquadram no modelo tradicional de emprego formal regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
No entanto, os dados mostram “Presidentes da República” contratados por indústrias de móveis, restaurantes, lavanderias e empresas de transporte rodoviário de carga.
Em Apucarana (PR), por exemplo, uma mulher de 57 anos aparecia registrada como presidente da República, mesmo trabalhando no comércio varejista de vestuário e recebendo entre 1 e 2 salários mínimos.
Ou no município de Abaetetuba, no Pará, que em maio de 2024 registrou a admissão de uma mulher de 28 anos com a ocupação de presidente da República. O vínculo, ativo no final daquele ano, mostrava um salário de aproximadamente R$ 1,5 mil em uma empresa do setor de serviços hoteleiros.
Em dezembro de 2024, o dado mais recente disponível da RAIS, a base indicava a existência de 13 vínculos ativos como presidente da República e 6 vices.
🔎 Na RAIS, “vínculo” é o registro de uma relação formal de trabalho entre uma pessoa e um empregador. Se uma pessoa trabalhou em duas empresas diferentes no mesmo ano, ela terá dois vínculos (cada contrato ou relação de trabalho registrada). Se mudou de emprego durante o ano, pode aparecer mais de uma vez na base de dados.
Além dos vínculos ativos, outros 40 vínculos de presidência e 2 de vice foram registrados em 2024, mas ficaram inativos ao término daquele ano.
Muitos desses registros inativos estão concentrados em prefeituras municipais, onde o cargo de “Presidente da República” é frequentemente confundido com cargos de gestão local ou contratos temporários.
Os vínculos estão distribuídos nos municípios:
Canto do Buriti (PI): 28 vínculos (todos inativos em dezembro de 2024)
Jacareacanga (PA): 7 vínculos (todos inativos em dezembro de 2024)
Tasso Fragoso (MA): 2 (sendo 1 ativo em dezembro de 2024)
Apucarana (PR): 2 (ambos ativos em dezembro de 2024)
Santos (SP): 2 (ambos ativos em dezembro de 2024)
Amapá (AP): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Barra do Mendes (BA): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Riachão do Jacuípe (BA): 1 (inativo)
Aiuaba (CE): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Canindé (CE): 1 (inativo)
Brasília (DF): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Colinas (MA): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Gonzaga (MG): 1 (inativo)
São Sebastião do Paraíso (MG): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Abaetetuba (PA): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Campina Grande (PB): 1 (inativo)
Arapongas (PR): 1 (inativo)
Muliterno (RS): 1 (inativo)
Santiago (RS): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Uruguaiana (RS): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Navegantes (SC): 1 (ativo em dezembro de 2024)
São Paulo (SP): 1 (ativo em dezembro de 2024)
Dados da RAIS mostram 58 vínculos de presidente da República e vice em 2024.
Alberto Correa – Arte/g1
Os vínculos de presidentes e vice presentes na RAIS correspondem à empresas com as atividades abaixo:
Administração pública em geral
Telecomunicações
Atividades de organizações sindicais
Seguridade social
Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios
Atividades de assessoria em gestão empresarial
Fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e estuque
Estabelecimentos hoteleiros
Ensino fundamental
Comércio varejista de artigos do vestuário e complementos
Técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva foi registrada em carteira de trabalho digital como presidente da República
Reprodução/WhatsApp
Outros sistemas mostram vínculos de presidentes
Além da RAIS, outro sistema do Ministério do Trabalho mostra contratações e demissões de presidentes da República e vices com informações incompatíveis com a realidade: o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O Caged registra 62 movimentações entre 2009 e 2025 envolvendo admissões e desligamentos de presidentes da República e vice-presidentes. No período, o Brasil teve cinco movimentações na Presidência da República.
Dados do CAGED entre 2009 e 2025 mostram admissões e desligamentos incompatíveis com as funções de presidente da República e vice.
Alberto Correa – Arte/g1
Entre esses casos, destacam-se uma admissão para o cargo de Presidente da República em uma empresa de fabricação de móveis em Arapongas (PR) em 2021, com salário de R$ 1.766,88, e desligamentos em empresas de transporte de carga em São Paulo.
🔎 O Caged é um sistema voltado ao acompanhamento das admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada. Criado para monitorar a evolução do emprego formal no Brasil, o cadastro passou a ser integrado ao eSocial e hoje é utilizado para gerar os indicadores mensais de criação e fechamento de vagas formais no país.
Procurada pelo g1, a assessoria do Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que o preenchimento dos dados da RAIS é de responsabilidade dos empregadores, e ao identificar inconsistências, notifica os estabelecimentos para correção. (veja nota completa abaixo)
Pelo menos 3 pessoas percebem registro de presidente da república na carteira de trabalho
Quais impactos para o trabalhador?
Segundo a advogada trabalhista Isabel Cristina, do escritório Ferraz dos Passos, erros desse tipo se tornaram mais comuns após a digitalização dos sistemas trabalhistas e previdenciários do governo federal.
A especialista explica que, desde a implementação do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital, um único lançamento incorreto pode ser replicado automaticamente para diferentes bases do governo, como INSS, Receita Federal e a própria carteira digital do trabalhador.
“O erro acontece em um sistema só, mas se replica em efeito cascata para todos os outros”, afirma.
De acordo com a advogada, na maioria dos casos não há fraude, mas sim falhas operacionais, como o uso incorreto da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) ou lançamentos equivocados feitos por equipes de recursos humanos (RH).
Ainda segundo Isabel, a alta rotatividade em prefeituras e a falta de treinamento técnico em setores administrativos ajudam a explicar esse tipo de erro. “O Brasil tem mais de 5,5 mil municípios e a realidade estrutural deles é muito desigual. Nem todas as prefeituras possuem um RH consolidado, com servidores concursados e permanentes”, explica.
“Muitas vezes, essa função é exercida por servidores comissionados ou empresas terceirizadas. Com a troca de governo a cada quatro anos, há uma rotatividade natural de pessoal e, infelizmente, perda de dados e histórico”, completa a advogada.
Segundo Isabel, o eSocial é uma ferramenta complexa e passa por atualizações constantes. Sem treinamento técnico adequado, especialmente em trocas de gestão, erros podem ocorrer nos registros trabalhistas.
Os problemas, no entanto, podem trazer consequências imediatas para o empregado. Um vínculo em aberto pode indicar ao sistema que a pessoa ainda está empregada, o que pode levar ao bloqueio do seguro-desemprego, à negativa de benefícios previdenciários e até a constrangimentos em processos seletivos.
A principal consequência é o constrangimento profissional: ao buscar um novo emprego, o histórico digital do trabalhador vai mostrar dois contratos simultâneos.
“O novo empregador certamente vai pedir esclarecimentos para saber se a pessoa realmente acumulava duas funções ou se a carteira de trabalho está com informações incorretas, o que pode gerar constrangimento desnecessário ou até perda da vaga.”
Outro ponto é que o registro também pode afetar benefícios sociais, como o Bolsa Família, porque o vínculo – ainda que incorreto – indica que aquela pessoa estaria empregada e recebendo renda mensal.
Nesses casos, a responsabilidade pela correção das informações é exclusivamente do empregador, que tem acesso ao sistema para retificação dos dados. Caso o empregado identifique essa situação, a primeira medida é procurar diretamente o setor de Recursos Humanos da empresa, prefeitura ou órgão que consta como empregador.
“Se o cidadão trabalhou lá, mas o contrato não foi fechado, o pedido deve ser para inserir a data de encerramento. Agora, se a pessoa nunca trabalhou naquele local e o vínculo é totalmente fictício, o pedido deve ser de exclusão imediata dos dados”, explica a advogada.
Ela ainda destaca que, na prática, o problema só costuma ser resolvido quando o trabalhador identifica a inconsistência e cobra providências. Caso não haja solução administrativa, pode ser necessário recorrer à Justiça. Nesses casos, a advogada alerta que existem dois caminhos.
“A depender de como o município organiza suas leis trabalhistas, a ação terá que correr na Justiça Comum ou na Justiça do Trabalho. Por isso, o auxílio de um advogado ou da Defensoria Pública é fundamental para direcionar o processo para o tribunal correto”, afirma.
Por isso, a recomendação é que o próprio trabalhador acompanhe regularmente suas informações nos aplicativos oficiais, como Carteira de Trabalho Digital, Meu INSS e FGTS. “Hoje, mais do que nunca, é fundamental que o cidadão fiscalize seus próprios dados. A prevenção digital se tornou uma ferramenta essencial de proteção de direitos”, conclui.
Apesar dos transtornos, Isabel Cristina ressalta que registros fictícios não geram automaticamente direitos trabalhistas, como salários, FGTS ou verbas rescisórias, quando não houve prestação de serviço. Segundo ela, no Direito do Trabalho, o que vale é a realidade dos fatos: se não houve trabalho, não há direito a essas verbas.
Além disso, registros incorretos podem inflar o número de funcionários da empresa. Isso pode obrigá-la a contratar mais jovens aprendizes ou pessoas com deficiência (PCDs) para cumprir metas legais que talvez não precisasse atingir, sob pena de multas do Ministério do Trabalho.
Por outro lado, dependendo do prejuízo causado, o trabalhador pode pedir indenização na Justiça por danos morais. “Nesse caso, a pessoa precisa comprovar que sofreu um prejuízo real com a anotação incorreta. Por exemplo: perdeu o Bolsa Família, o seguro-desemprego ou uma nova vaga de emprego por causa disso”, completa.
Carolina Lima descobriu que está registrada como ‘presidente da República’ na carteira de trabalho digital
Reprodução/TV Globo
O que diz o Ministério do Trabalho?
Em nota enviada ao g1, o Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que, entre 2002 e 2019, algumas empresas registraram de forma equivocada a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) de trabalhadores em sistemas previdenciários, incluindo, em alguns casos, o código referente ao cargo de Presidente da República.
Segundo a pasta, as informações exibidas atualmente na Carteira de Trabalho Digital foram importadas automaticamente da base do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O ministério destacou ainda que, com a implantação do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital, esse tipo de inconsistência foi reduzido, já que passou a ser exibido o cargo informado diretamente pela empresa.
O MTE informou também que erros cadastrais podem ser corrigidos pelo trabalhador junto ao INSS, por meio do serviço “Atualização de Vínculos e Remunerações”, disponível pelo telefone 135 e pelo portal Meu INSS.
Ainda segundo o ministério, esse tipo d’e inconsistência não impede a concessão da aposentadoria e não há risco de o trabalhador perder o direito ao benefício por causa do erro cadastral.
Veja nota da pasta na íntegra:
“O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) esclarece que, entre 2002 até 2019, os empregadores informavam ao INSS os vínculos empregatícios de seus trabalhadores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP). Nesse período, algumas empresas registraram a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), incluindo, em determinados casos, o código referente ao cargo de Presidente da República.
Com a implantação da Carteira de Trabalho Digital, em setembro de 2019, as informações passaram a ser importadas da base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo INSS. Dessa forma, registros enviados pelos empregadores foram automaticamente reproduzidos na carteira digital, que fica na aba outros vínculos.
Para os vínculos já da Carteira de Trabalho Digital, não há mais apresentação da descrição da CBO e sim do cargo informado pela empresa na descrição do campo “cargo” do eSocial, o que evita esse tipo de erro.
O MTE ressalta que as informações relativas aos vínculos empregatícios, inclusive os códigos da CBO, são de responsabilidade do empregador, cabendo às empresas o correto envio dos dados ao eSocial e a devida regularização das informações quando identificada qualquer inconsistência cadastral.
Os trabalhadores podem também fazer essa correção ligando para a Central 135 ou pelo portal MEU INSS. O atendimento telefônico é fundamental para abrir o protocolo, segundo o INSS. O trabalhador deve solicitar ‘Atualização de Vínculos e Remunerações’. Depois, envia um documento pelo site do Meu INSS ou pelo aplicativo”.
Carteira de trabalho digital
Marcelo Camargo/Agência Brasil


Fonte:

g1 > Política

Tulsi Gabbard renuncia ao cargo de Diretora de Inteligência Nacional dos EUA

A Diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos (DNI), Tulsi Gabbard, anunciou sua renúncia nesta sexta-feira (22), alegando motivos pessoais. Em carta endereçada ao presidente dos EUA, Donald Trump, e publicada na rede social X, Gabbard informou que deixará o cargo oficialmente em 30 de junho para acompanhar o tratamento de saúde do marido, recentemente diagnosticado com câncer ósseo.

I am deeply grateful for the trust President Trump placed in me and for the opportunity to lead @ODNIgov for the last year and a half.
Unfortunately, I must submit my resignation, effective June 30, 2026. My husband, Abraham, has recently been diagnosed with an extremely rare… pic.twitter.com/PS0Dxp5zpd
— Tulsi Gabbard 🌺 (@TulsiGabbard) May 22, 2026

 
Gabbard liderava a DNI — órgão responsável por coordenar todas as agências de inteligência do país — desde o início do segundo mandato de Donald Trump. O presidente elogiou publicamente o desempenho da diretora, afirmando que ela realizou um “trabalho incrível” e que sua presença fará falta ao governo. Para o seu lugar, foi anunciado o nome de Aaron Lukas, atual vice-diretor, que assumirá a chefia da Inteligência de forma interina.
A saída de Gabbard representa o quarto desfalque feminino no alto escalão do governo Trump em apenas três meses, seguindo as renúncias da Procuradora-Geral Pam Bondi, da Secretária de Segurança Interna Kristi Noem e da Secretária do Trabalho Lori Chavez-DeRemer.
Apesar da saída por razões de saúde familiar, a gestão de Gabbard foi marcada por episódios de discordância com a Casa Branca. A mídia americana destacou que a diretora divergiu de Trump em pontos sensíveis da política externa. Em março, durante audiência no Congresso, ela se recusou a corroborar a tese republicana de que o Irã representava uma “ameaça iminente” antes dos ataques que deflagraram o atual conflito no Oriente Médio.
A trajetória de Tulsi Gabbard é cercada de contornos pouco usuais em Washington. Ex-oficial militar de 45 anos, natural do Havaí, ela ganhou projeção nacional ao romper com o Partido Democrata. Suas posições críticas ao intervencionismo militar dos EUA e sua postura em relação à guerra na Ucrânia, frequentemente descrita como pró-Rússia, geraram intensos debates e controvérsias entre os órgãos de inteligência e o establishment político americano.


Fonte: Jovem Pan

Pressão por CPI do Master vira guerra de narrativas no Congresso; sete iniciativas aguardam análise

A defesa da instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar o Banco Master está no centro da disputa política e de narrativa no Congresso entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a oposição bolsonarista.
Apesar da pressão, a cúpula do Congresso é contra a instalação de um colegiado para investigar o escândalo do banco de Daniel Vorcaro e, diante desse cenário, governistas e oposicionistas utilizam o tema de olho nas eleições deste ano.
O assunto, que parecia enterrado após uma articulação envolvendo Centrão, governo e oposição, voltou a ganhar força com as revelações sobre as ligações entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Alcolumbre barra novamente abertura de CPI do Master
Ao todo, o Congresso conta com sete iniciativas diferentes para criar comissões destinadas a investigar o Banco Master.
🔎 Para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito seja criada, é necessário o apoio mínimo de um terço dos integrantes da respectiva Casa Legislativa. Para a Comissão ser instalada, é preciso que o requerimento seja lido em uma sessão. Além do número mínimo de assinaturas, o requerimento precisa indicar um fato determinado a ser investigado e estabelecer prazo certo para funcionamento da comissão.
🔎 Na Câmara dos Deputados, uma CPI depende da assinatura de ao menos 171 deputados. No Senado, são necessárias 27 assinaturas de senadores. Já uma CPMI — comissão mista formada por deputados e senadores — exige simultaneamente os dois quóruns: 171 deputados e 27 senadores.
Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) recolheu mais de 200 assinaturas e protocolou um requerimento para a criação de uma CPI do Master na Casa.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que dará “tratamento regimental” a análise do pedido de CPI do Master. Na prática, isso significa que o requerimento entra na fila dos pedidos de instalação de CPIs na Casa.
Ou seja, é preciso esperar a decisão — para instalar ou arquivar — referente a outros 15 pedidos de CPIs que foram apresentados antes do Banco Master.
Os outros seis requerimentos dependem do aval do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).
Cabe a Alcolumbre decidir sobre três pedidos para CPIs no Senado, que foram apresentados pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Carlos Viana (PSD-MG) e Rogério Carvalho (PT-SE).
Além disso, Alcolumbre decide se fará ou não a leitura dos requerimentos para instalação de duas CPMIs protocoladas no Congresso. Um deles é de autoria do deputado oposicionista, Carlos Jordy (PL-RJ), enquanto o outro partiu das deputadas governistas, Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS).
Master: TCU anuncia que Banco Central concordou com inspeção sobre o caso
Reprodução/TV Globo
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também é autor de um requerimento que está em fase de coleta de assinaturas.
Na última sessão do Congresso, Alcolumbre foi pressionado por governistas e oposicionistas, se recusou a fazer a leitura e fez questão de lembrar que a decisão é dele.
“Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário [uma escolha] da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou.
Durante a sessão, o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi um dos que cobrou a instalação da CPMI do Master e disse que a base governista não assinou o requerimento de autoria de Carlos Jordy.
“É necessária a instalação da CPMI do Master. Faço um desafio: quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados no banco da CPMI, explicando qual era a relação deles com Flávio Bolsonaro, Lula e Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, nada a esconder. Estou desafiando a esquerda brasileira. Vocês têm medo dessa CPMI”, afirmou.
Flávio passou a defender o colegiado após as revelações de que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para custear um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, e chegou a visitar o banqueiro enquanto ele usava tornozeleira eletrônica.
Apesar de cobrar governistas e dizer que “assinou todas”, Flávio Bolsonaro assinou apenas a CPMI de iniciativa de Carlos Jordy, seu correligionário, e da CPI no Senado de autoria de Carlos Viana.
O senador não aderiu ao requerimento de CPMI das deputadas Fernanda Melchionna e Heloísa Helena. Além disso, não apoiou a iniciativa de Rogério Carvalho e Eduardo Girão — seu colega de oposição — no Senado.
A fala foi rebatida pelo deputado Lindbergh que negou as acusações do senador e afirmou que Flávio deve explicações sobre suas conexões com Vorcaro.
“Nós defendemos CPI, é mentira que a gente não assinou CPI. Assinamos a do Rollemberg, assinamos da Heloísa, da Fernanda Melchionna. Nosso deputado, senador Rogério, tem um pedido de CPI, eu tenho outro pedido de CPI. Nós queremos CPI. Mas eu tenho um pedido: me explique como sai dinheiro do Brasil, dinheiro vai para os EUA e o filme é rodado aqui? Cadê a explicação?”, disse.
Motivos para CPI
Cada espectro político teve seus motivos para embarcar e desembarcar da defesa de uma CPI para investigar o Banco Master, mas foi justamente a revelação dos áudios de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro que recolocaram o tema na boca dos parlamentares.
No caso da oposição, o movimento ganhou força após as revelações de possíveis ligações entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o Master.
Toffoli admitiu ser sócio de uma empresa que vendeu uma participação em um resort de luxo no Paraná a um fundo ligado a Daniel Vorcaro. À época ele era relator do caso Master no Supremo e pediu para deixar o posto em meio as revelações.
A pauta contra o Supremo, defendendo, por exemplo, o impeachment de ministros, é a grande aposta da oposição nas eleições para o Senado em 2026.
Apesar do movimento, uma articulação liderada por Alcolumbre fez o Centrão apoiar em peso a derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria — que prevê a redução de penas dos condenados no 8 de janeiro, incluindo Jair Bolsonaro — em troca da oposição parar de cobrar a instalação da CPMI.
Já no caso governista, o tema nunca foi de interesse do Palácio do Planalto, que viu um desgaste muito grande na CPMI que investigou os descontos indevidos no INSS.
Uma CPI do Master, no entanto, começou a ser defendido pela bancada após a rejeição no Senado do indicado do presidente Lula ao Supremo, Jorge Messias, e a derrubada do veto do PL da Dosimetria.
Na sessão que derrubou o veto de Lula, no dia seguinte a rejeição de Messias, governistas foram à tribuna defender a instalação de uma CPMI do Master como uma resposta à dobradinha entre Centrão e oposição.
Mas foi a partir das revelações da conexão entre Flávio e Vorcaro que a CPI do Master virou munição para a base do governo atacar e o escudo para o bolsonarismo se defender com o argumento de que “não temem uma investigação”.
Autor do primeiro requerimento de CPMI do Master, o deputado Carlos Jordy afirmou que a base governista apresentou um pedido de CPMI apenas por questão de narrativa, já que o requerimento dele é mais antigo.
“A delas [Fernanda Melchionna e Heloísa Helena] foi para a narrativa. Elas fizeram isso para que a esquerda pudesse assinar, já que eles estavam perdendo a narrativa. Com isso, ainda que haja qualquer pedido de mandado de segurança, como eu já fiz, para fazer a CPMI, a CPMI que será instalada, se for instalada, é a minha, porque foi protocolizada antes da delas”, afirmou.
A deputada Fernanda Melchionna disse que a coleta de assinaturas começou em novembro de 2025. A Melchionna reconhece que foi difícil atingir o número exigido pelo regimento do Congresso, mas diz que chegou aos signatários necessários antes do escândalo envolvendo Flávio e Vorcaro.
“Foi difícil chegar as 171 assinaturas da Câmara e as assinaturas necessárias do Senado. Nós mandamos para todo mundo, mas chegamos. E a gente chega justamente antes ainda do escândalo do Flávio com o Vorcaro. Foi na semana da votação da anistia [dosimetria]”, disse Melchionna.
Ações no Supremo
Com a negativa de Alcolumbre e Motta em instalar as CPIs, quatro parlamentares recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) cobrando a leitura de seus requerimentos para a criação dos colegiados.
Uma decisão do STF poderia obrigar o Congresso a instalar a comissão — como ocorreu com a CPI da Covid, em 2021.
Ao recorrer ao Supremo, Rollemberg argumentou ao STF que Motta estava adiando sem justificativa a instalação de uma CPI para investigar as fraudes ocorridas na relação entre o Banco Master e o BRB.
Ao negar o pedido, o ministro Cristiano Zanin apontou falhas processuais no pedido. Entre elas, destacou que não foram enviados ao Supremo elementos que comprovem comportamento omissivo e injurídico do presidente da Câmara.
O ministro entendeu que o fato de o requerimento pedindo a instalação da CPI ter sido apresentado e não ter sido lido depois de um mês, não configurou prova para justificar uma interferência do Supremo.
O deputado Carlos Jordy foi ao Supremo em duas oportunidades. Em março, o deputado entrou com um mandado de segurança pedindo uma decisão liminar determinando a instalação.
Nesta sexta-feira (22), Jordy fez um novo movimento no STF alegando que houve um fato novo com a omissão de Alcolumbre na última sessão do Congresso.
Na ação, o argumento é que a instalação da comissão não depende de deliberação do plenário nem de decisão político-jurídica do presidente do Congresso, sendo automática quando preenchidos os requisitos previstos na Constituição.
Do lado governista, Lindbergh Farias e Heloísa Helena também recorreram ao Supremo para que a Corte obrigue Alcolumbre a instalar uma CPMI para investigar o Master. As ações foram sorteadas para o ministro André Mendonça, que é relator das investigações do Master no STF.
O senador Eduardo Girão também foi ao Supremo cobrando a instalação da CPI no Senado. O processo está com o ministro Kássio Nunes Marques.
Não há prazo para que os ministros se manifestem.


Fonte:

g1 > Política

Orçamento 2026: governo bloqueia R$ 22,1 bilhões após projetar gasto maior com BPC e benefícios previdenciários

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento anunciaram nesta sexta-feira (22) um bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no orçamento deste ano.
Esse valor se soma a uma outra retenção de R$ 1,6 bilhão anunciada em em março.
Com isso, a limitação em 2026 totaliza R$ 23,7 bilhões.
🔎 Um bloqueio no orçamento é como um “freio de emergência” temporário nas finanças do governo. Ele acontece quando os gastos obrigatórios, como pagamento de aposentadorias, sobem mais do que o esperado. Quando isso acontece, o governo precisa reter parte do dinheiro de gastos não essenciais, como obras, para não ultrapassar o limite de gastos permitido.
💰 A previsão de gasto do governo subiu puxada principalmente pela projeção de gastar R$ 14,1 bilhões a mais com oBenefício de Prestação Continuada (BPC) e R$11,5 bilhões a mais com benefícios previdenciários.
🔎 O BPC é um benefício de assistência social pago pelo INSS a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de qualquer idade que tenham renda familiar de até 25% do salário mínimo por pessoa.
A limitação de despesas será feita nos gastos livres dos ministérios, ou seja, aqueles que não são obrigatórios. O detalhamento de quais pastas serão atingidas será divulgado por meio do decreto de programação orçamentária e financeira, que precisa ser publicado até o final do mês.
💵 Ao mesmo tempo, o governo também revisou para cima sua projeção para o déficit primário em suas contas neste ano: que avançou de R$ 59,8 bilhões, estimativa de quando o orçamento foi aprovado, para R$ 60,3 bilhões.
📊 Com isso, o déficit estimado para 2026 ficará próximo do limite fixado pelo arcabouço fiscal, com o abatimento de precatórios (veja mais abaixo nessa reportagem).
Essas despesas envolvem investimentos e custeio da máquina pública. Entre os gastos livres, estão:
despesas administrativas;
investimentos;
verbas para universidades federais;
agências reguladoras;
defesa agropecuária;
bolsas do CNPq e da Capes;
emissão de passaportes;
fiscalização ambiental e do trabalho escravo, entre outros.
➡️ Desde o começo de 2026, economistas já viam um espaço apertado para investimentos do governo Lula em um ano eleitoral.
💰 Já os gastos obrigatórios, que não podem ser bloqueados, envolvem, por exemplo, despesas com benefícios previdenciários, pensões, salário dos servidores públicos, abono e seguro-desemprego, entre outros.
“Nós estamos aqui ajustando as projeções do BPC nesse patamar psra garantir que a dotação do BPC seja compativel com essas projeções. Igualmente os beneficios previdenciarios. Há uma projeção de aumento de R$ 11 bilhões e meio nos seus valores, é um valor até na margem quando a gente considera o volume total de despesa previdenciária, que é em torno de um R$ 1 trilhão falando em números redondos. Mas apesar de ser na margem para a previdência, tem um impacto relevante aqui pras nossas despesas”, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
Agora no g1
Por que os gastos foram bloqueados
O bloqueio acontece por conta do limite de gastos do arcabouço fiscal, a regra para as conta públicas aprovada em 2023. Pela norma:
a regra básica é que o crescimento dos gastos não pode superar 2,5% ao ano em termos reais, ou seja, acima da inflação do ano anterior;
o governo também não pode ampliar as despesas acima de 70% do crescimento projetado pela arrecadação;
o objetivo do arcabouço fiscal é evitar, no futuro, uma disparada da dívida pública e uma piora nos juros cobrados dos investidores na emissão de títulos públicos.
Para calcular a necessidade de bloqueio no orçamento, o governo fez uma nova estimativa das receitas e despesas que serão feitas até o fim deste ano.
Esplanada dos Ministérios
Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília
Meta fiscal em 2026
Além do limite para gastos da regra fiscal, o governo também tem de atingir a meta para as suas contas aprovada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,4 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
➡️Com isso, o déficit estimado de R$ 60,3 bilhões em 2026 está bem próximo do limite fixado pela regra fiscal (com abatimento de precatórios).


Fonte:

g1 > Política