Início Site

Irã ataca navio dos EUA em Ormuz, diz agência estatal; governo Trump nega

A mídia iraniana afirmou nesta segunda-feira (4) que um navio da Marinha dos Estados Unidos foi alvo de dois mísseis no Estreito de Ormuz, após o presidente Donald Trump anunciar que forças americanas passariam a guiar embarcações pela região.
Segundo a agência de notícias semiestatal Fars, o navio navegava próximo ao porto de Jask e teria desrespeitado regras de navegação e segurança marítima.
Ainda de acordo com a publicação, o ataque ocorreu após a embarcação ignorar um aviso emitido pela Marinha iraniana.
Trump declarou que os Estados Unidos iniciariam nesta segunda-feira a escolta de navios pelo estreito estratégico, que antes da guerra no Oriente Médio era uma das principais rotas de transporte de petróleo, gás e fertilizantes. A região permanece sob forte tensão após o bloqueio imposto pelo Irã.

Estados Unidos nega ataque
Pouco depois, o Comando Central dos EUA negou qualquer ataque e afirmou que nenhuma embarcação americana foi atingida. Segundo o órgão, as forças do país seguem apoiando o “Projeto Liberdade” e mantendo o bloqueio naval aos portos iranianos.

🚫 CLAIM: Iranian state media claims that Iran’s Islamic Revolutionary Guard Corps hit a U.S. warship with two missiles.
✅ TRUTH: No U.S. Navy ships have been struck. U.S. forces are supporting Project Freedom and enforcing the naval blockade on Iranian ports. pic.twitter.com/VFxovxLU6G
— U.S. Central Command (@CENTCOM) May 4, 2026

Até o momento, não há registro de danos ou vítimas.
Irã usou drones, dizem os Emirados Árabes
Após a ação, os Emirados Árabes Unidos afirmaram nesta segunda-feira que o Irã disparou dois drones contra um petroleiro ligado à estatal ADNOC no Estreito de Ormuz e condenaram o ataque.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou a ação como um ato de “pirataria” por parte da Guarda Revolucionária iraniana, ao acusar Teerã de usar a rota marítima como instrumento de coerção econômica. Segundo as autoridades, não houve registro de feridos.
Escolta de navios
Trump anunciou um plano para que as forças de seu país escoltem navios no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira, mas o comando militar do Irã advertiu que atacará as tropas americanas se a operação for levada adiante.
O Irã fechou quase por completo a passagem pelo Estreito de Ormuz, crucial para o tráfego mundial de combustíveis, desde que Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o país em 28 de fevereiro. Em represália, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.
Trump anunciou no domingo a nova operação marítima em Ormuz, batizada de “Projeto Liberdade”, e a descreveu como um gesto “humanitário” para ajudar os marinheiros bloqueados na passagem marítima, que, segundo o presidente americano, poderiam estar ficando sem alimentos e outros suprimentos essenciais.
A partir da manhã de segunda-feira, no horário local, a Marinha americana escoltará, através do Estreito de Ormuz, navios de países “que não têm nada a ver com o conflito no Oriente Médio”, anunciou Trump no domingo.
Resposta do Irã
O Irã respondeu com ameaças às forças americanas. “Alertamos que qualquer força armada estrangeira – especialmente as agressivas forças militares americanas – será alvo de ataques se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz”, declarou o general Ali Abdollahi, do comando central do Exército iraniano.
O presidente da comissão do Parlamento iraniano responsável pela segurança nacional, Ebrahim Azizi, afirmou que qualquer “interferência” dos Estados Unidos em Ormuz seria uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.
Segundo a empresa especializada em monitoramento marítimo AXSMarine, até 29 de abril havia 913 navios comerciais de todo tipo no Golfo.
“Muitos navios sofrem com a escassez de alimentos e de tudo que é necessário para que as tripulações possam permanecer a bordo em condições adequadas”, destacou Trump.
*Com informações da AFP


Fonte: Jovem Pan

Zema diz que ministros do STF “se autoaniquilariam” no Japão

O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou nesta segunda-feira (4) que, se alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atuassem no Japão, já teriam cometido “autoaniquilamento”. O tribunal não quis comentar a fala.
“Eu estou vendo que lá no Supremo dois ou três ministros estão em uma situação insustentável. O brasileiro acorda cedo todos os dias para trabalhar e está levando um tapa na cara ao ver esses ministros continuarem lá. Em um país sério, eles já teriam caído. Eu digo que se fosse no Japão eles teriam cometido autoaniquilamento porque lá há um código de honra muito forte. Aqui no Brasil, nada acontece”, afirmou o ex-governador de Minas Gerais.
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais e candidato à reeleição
Gil Leonardi/Imprensa MG
A declaração foi dada durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan. Zema foi questionado sobre o risco de ficar inelegível em razão das críticas que tem feito publicamente à Corte. O ex-governador respondeu que está tranquilo e que não costuma se preocupar com aquilo que não pode controlar.
Zema comentava uma notícia publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, segundo a qual o ministro Gilmar Mendes teria pressionado, nos bastidores, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a aceitar a notícia-crime apresentada contra ele no inquérito das fake news,
A tensão entre o ex-governador e o ministro aconteceu após a divulgação de um vídeo satírico publicado por Zema nas redes sociais, no qual o magistrado é retratado como fantoche.
A entrevista de Zema na Jovem Pan teve duração de mais de uma hora. Durante o programa, o ex-governador também comentou seu posicionamento sobre o trabalho infantil.O tema foi abordado depois que uma fala do ex-governador repercutir, na semana passada.
“Que fique muito claro: criança tem que estudar. Eu contei uma história em um podcast e todo mundo tirou conclusões do que eu nunca falei. O Brasil hoje tem programas que estão muito aquém. […] Há muitas empresas que não conseguem contratar, principalmente jovens aprendizes, porque eles estão em falta e o governo é burocrático”, afirmou.
Vídeos em alta no g1
Na sexta-feira (1), o pré-candidato afirmou que, se eleito, pretendia mudar o fato de, no Brasil, crianças não poderem trabalhar. A legislação brasileira proíbe o trabalho infantil, ou seja, de menores de 16 anos. A partir dos 14 anos, é permitido atuar como aprendiz, em atividade com regras específicas.
“Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe não sei quantos centavos por cada exemplar entregue, no tempo que tem. Aqui é proibido, né? Você está escravizando criança. Então é lamentável. Mas tenho certeza de que nós vamos mudar.”
A fala foi feita ao podcast Inteligência Ltda, transmitido ao vivo na sexta-feira, Dia do Trabalhador.


Fonte:

g1 > Política

Vídeo: Senado promove audiência com presidente do Banco Central nesta terça

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) promove nesta terça-feira (5), a partir das 10h, audiência pública com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Um dos principais assuntos a serem discutidos é o escândalo do Banco Master.


Fonte: Senado Federal

Márcio França afirma que aceitaria ser suplente de Marina em disputa pelo Senado

O ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) afirmou que aceitaria ser suplente das ex-ministras Simone Tebet (PSB) ou Marina Silva (Rede) em uma eventual disputa ao Senado, em outubro.
A declaração foi dada ao g1 após Marina negar a possibilidade de concorrer como suplente de França. A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo.
“Eu aceitaria ser suplente da Marina ou da Simone. Toparia qualquer uma das posições pelo objetivo maior, que é a reeleição do presidente Lula (PT), e tenho a expectativa de que elas fariam o mesmo”, disse França.
Simone Tebet (PSB), Márcio França (PSB) e Guilherme Derrite (PP) e Marina Silva (Rede) lideram cenários para o Senado em São Paulo, segundo a pesquisa Quaest.
Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais e Agência Brasil
Em 2026, todos os estados e o Distrito Federal elegerão dois senadores. Em São Paulo, há indefinição sobre as chapas tanto no lado governista quanto na oposição.
No campo da direita, Guilherme Derrite (PP) já está confirmado para uma das vagas, mas a segunda aparece em aberto. Na esquerda, Simone Tebet trocou o MDB pelo PSB para ser candidata. A segunda vaga deve ficar entre Marina e Márcio França.
O ex-ministro afirmou que as pesquisas eleitorais devem ter peso decisivo para o presidente Lula. “São Paulo é tão importante que fica igual Copa do Mundo. Lula é como o Ancelotti [treinador da Seleção Brasileira de futebol]. Todos os nomes são bons, saíram dos cargos oficiais em abril para poder concorrer. Mas a escalação é por conta do presidente”, disse.
Vídeos em alta no g1
Pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostra uma disputa acirrada pelas vagas do Senado em São Paulo, com Simone Tebet, Márcio França, Marina Silva e Guilherme Derrite tecnicamente empatados em cenários diferentes.
França também comentou a possibilidade de compor a chapa para o governo do estado ao lado do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), pré. Ele admitiu conversas sobre o tema, mas afirmou que o cenário ainda está indefinido e que não há decisão tomada.


Fonte:

g1 > Política

Desenrola 2.0 amplia limites, carência e prazos para micro e pequenas empresas

Lançamento do novo Desenrola Brasil
O governo propôs nesta segunda-feira (4), por meio do “Novo Desenrola” — também chamado de “Desenrola 2.0″— programa de renegociação de dívidas, novas regras para linhas de crédito específicas para micro e pequenas empresas, que contam com juros subsidiados.
➡️Houve ampliação dos limites, prazos e da carência.
Para as microempresas que faturam até R$ 360 mil por ano, o Procred, linha que pode ser buscada nos bancos, terá essas mudanças:
A carência irá de máximos 12 para 24 meses. É mais fôlego ao microempreendedor que precisou de crédito;
O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no caixa do microempreendedor;
A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias;
Aumento do valor total do crédito de 30% do faturamento (com teto de R$ 150 mil) para 50% (com novo teto em R$ 180 mil).
Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe de 50% do faturamento para 60% (com novo teto em R$ 180 mil).
Já para as micro e pequenas empresas com faturamento anual até R$ 4,8 milhões por ano, o Pronampe, linha que pode ser buscada nos bancos, terá essas mudanças:
A carência sairá de até 12 para até 24 meses, dando fôlego ao quem precisou de crédito;
O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no caixa da empresa;
A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias;
Aumento do valor total do crédito de R$ 250 mil para R$ 500 mil.


Fonte:

g1 > Política

‘Débora do Batom’, presa no 8 de Janeiro, pede redução da pena após derrubada do veto da dosimetria

Congresso derruba veto de Lula ao projeto de lei da Dosimetria
A defesa da cabelereira Débora Rodrigues dos Santos acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (1º) pedindo a readequação da pena já considerando a derrubada do veto do PL da dosimetria, feito pelo Congresso Nacional na quinta-feira (30).
Ela foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado; deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Segundo a PF, foi Débora quem pichou a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, que fica em frente ao edifício da Corte. A pichação ocorreu durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 — quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.
Débora Rodrigues dos Santos é ré no STF por crimes como associação criminosa armada e golpe de Estado
Reprodução
Os advogados argumentam que a lei penal mais benéfica retroage para alcançar fatos anteriores, devendo ser aplicada na fase de execução penal. “Ainda que pendente de vigência formal, sua aprovação já revela orientação normativa inequívoca, que deverá impactar diretamente o cálculo da pena da apenada”.
Desde março do ano passado, Débora está cumprindo prisão domiciliar. À época, ela estava presa preventivamente, por ainda não ter sido julgada pelo Supremo. Em setembro, após condenação em definitivo, o ministro Alexandre de Moraes manteve o direito a prisão domiciliar da mulher.
PL da dosimetria
Na quinta-feira (30), a Câmara dos Deputados e o Senado Federal rejeitaram o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que permite a redução de penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.
O projeto pode beneficiar ao menos 190 pessoas condenadas por atos antidemocráticos, segundo o último balanço feito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Isso inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na Câmara, foram 318 votos favoráveis à derrubada e 144 contrários. No Senado, foram 49 votos para a derrubada do veto e 24 votos contra.
Para que o veto fosse derrubado, eram necessários ao menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
Saiba como dosimetria pode alterar futuro de Bolsonaro
O texto será encaminhado para promulgação. O presidente Lula terá até 48 horas para promulgar a lei.
Caso isso não ocorra, a tarefa caberá ao presidente do Senado e, posteriormente, ao vice-presidente da Casa. Após a promulgação e publicação oficial, a nova regra passa a valer.
Mesmo após entrar em vigor, a lei poderá ser questionada no STF, que poderá decidir sobre a validade das mudanças.


Fonte:

g1 > Política

Debatedores defendem redução da jornada de trabalho em sessão no Plenário

A redução da jornada de trabalho, o avanço da precarização e os desafios impostos pelas novas formas de contratação ficaram no centro do debate em sessão do Senado, nesta segunda-feira (4), em homenagem ao Dia do Trabalhador. Presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), autor do requerimento para realização da sessão, a reunião reuniu autoridades, especialistas e representantes sindicais que discutiram caminhos para garantir proteção social, qualidade de vida e desenvolvimento econômico com inclusão.
Referência na defesa dos direitos do trabalhador, Paim afirmou que a cerimônia marca sua última participação à frente desse tipo de solenidade após décadas de atuação na pauta trabalhista no Congresso. Ele destacou a importância histórica da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que completa 83 anos, como um “símbolo de luta, escudo e caminho da dignidade”. 
Paim também defendeu a redução da jornada de trabalho como prioridade no Legislativo. Segundo Paim, há propostas em tramitação que prevêem o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem diminuição do salário, com perspectiva de avanço gradual para 36 horas. Atualmente, a Câmara dos Deputados discute o tema em comissão especial com a perspectiva de votação ainda em maio. 
Autor da PEC 148/2015, que trata do tema e aguarda votação no Plenário do Senado, Paim afirmou que a medida deve ser vista como uma política humanitária. Para ele, a redução da jornada contribui para melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.
— O mais importante não é a mais velha, a mais nova ou a autoria. O mais importante é a aprovação e fazer justiça aos nossos queridos trabalhadores e trabalhadoras tão sofridos neste país. 
Paim também criticou a manutenção da escala 6×1, que, segundo ele, impõe desgaste excessivo à população trabalhadora. Ele reforçou que os trabalhadores vivem exaustos, sem tempo para descansar, estudar ou conviver com a família, enfrentando jornadas invisíveis no transporte e nas responsabilidades domésticas.
Representantes de sindicatos dos trabalhadores homenagearam Paim com uma cartilha contextualizando a história política e em defesa da causa trabalhista do parlamentar
O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Alberto Bastos Balazeiro destacou que os direitos trabalhistas são resultado de mobilização social e precisam ser garantidos por normas e instituições fortes. Ele defendeu o papel da Justiça do Trabalho e o fortalecimento dos sindicatos na proteção dos trabalhadores, especialmente os mais vulneráveis. 
— Proteger o vínculo de emprego não significa impedir à atividade econômica, significa assegurar que o desenvolvimento econômico caminha junto com a justiça social. Significa reconhecer que não há prosperidade duradoura fundada na supressão de direitos. 
Precarização
O presidente da Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Valter Souza Pugliesi, destacou a importância do fortalecimento da Justiça do Trabalho no combate às desigualdades e à precarização das relações laborais. Segundo ele, as transformações provocadas pela automação e pela economia digital têm ampliado formas de trabalho informal e fragilizado vínculos tradicionais. 
Pugliesi afirmou que esse cenário exige a atualização dos conceitos jurídicos para garantir proteção aos trabalhadores da chamada economia de plataformas. Ele também alertou para o aumento da desigualdade e defendeu que o uso da tecnologia esteja alinhado à promoção da dignidade do trabalhador e ao equilíbrio entre desenvolvimento econômico e justiça social.
— O trabalho começa a metamorfosear-se, tornando-se informal, autônomo e precarizado. Fala-se em cooperação, parcerias, empreendedorismo, e não mais na subordinação clássica ou dependência econômica do trabalhador. Torna-se, assim, necessário ao Judiciário especializado ampliar ou remodelar o conceito de subordinação, na busca de solução adequada para a inclusão dos novos trabalhadores da era digital, eletrônica e plataformizada, no alcance da tutela jurisdicional adequada aos valores e princípios que forjaram o nascimento do direito do trabalho, de forma a garantir condições mínimas de trabalho, resguardando-se a dignidade do trabalhador.  
‘Pejotização’ 
Representantes sindicais também manifestaram preocupação com mudanças nas relações de trabalho em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em relação à pejotização — prática de contratar um trabalhador como pessoa jurídica (PJ), em vez de registrá-lo como empregado com carteira assinada. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, alertou para os riscos de ampliação desse modelo sem regulação.
Segundo ele, a medida pode aprofundar a precarização e comprometer o sistema de proteção social. “Se vier sem nenhum controle, será muito mais nociva para a classe trabalhadora do que a terceirização”, afirmou. Nobre também defendeu a regulamentação do trabalho por aplicativo e o fortalecimento da negociação coletiva, destacando a necessidade de inclusão desses trabalhadores no sistema de direitos e na Previdência.
— Muito nos preocupa a possibilidade da pejotização ilimitada que está no STF. Aliás, não deveria nem estar lá, não deveria, porque lá não é o espaço de debate dessas coisas. Agora, se ela vier do jeito que estão dizendo que vem, sem nenhum controle, vai ser muito mais nocivo para a classe trabalhadora do que foi a terceirização, mas muito mais nocivo. Inclusive, nós estamos dizendo que é o fim da Previdência, porque o que sustenta a Previdência é a carteira de trabalho assinada. 
A pejotização pode limitar o acesso a direitos trabalhistas e previdenciários. O tema está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute a validade desse tipo de contratação em casos nos quais há indícios de vínculo empregatício. A decisão da Corte poderá definir limites para o uso do modelo no país e seus impactos sobre a proteção social e o mercado de trabalho.
Juros, dívidas e ajuste fiscal
O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, criticou o nível elevado da taxa de juros e seus efeitos sobre o emprego e a produção. Segundo ele, os juros altos desestimulam investimentos e dificultam a geração de empregos de qualidade. Ele defendeu maior investimento público e fortalecimento da política industrial, afirmando que restrições fiscais podem limitar o crescimento econômico. 
— Nós precisamos reduzir drasticamente essa taxa de juros, investir na produção, no desenvolvimento e tal. Não venha me querer, de novo, botar um ajuste fiscal em cima de nós, que prejudica quem tem Bolsa Família, que prejudica o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que reduz o aumento do salário mínimo. 
Impacto na saúde e Previdência 
A vice-procuradora-geral do Trabalho, Teresa Cristina D’Almeida Basteiro, afirmou que a redução da jornada contribui para a promoção do trabalho digno e melhores condições de vida. Ela citou relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que aponta os impactos da digitalização, do trabalho remoto e das novas formas de contratação sobre o ambiente psicossocial, destacando que 35% dos trabalhadores no mundo atuam por mais de 48 horas semanais. 
Segundo a procuradora, o Ministério Público do Trabalho defende o fim da escala 6×1, sem redução salarial, como forma de melhorar a qualidade de vida e reduzir riscos à saúde dos trabalhadores. Ela citou estudos da área da saúde que indicam como a organização do trabalho está associada a afastamentos que impactam a Previdência, os sistemas de saúde e a produtividade das empresas.
Para Teresa, o excesso de jornada e o descanso insuficiente estão associados ao aumento de acidentes e doenças ocupacionais, além de problemas como estresse, ansiedade e síndrome de burnout. Esses fatores, acrescentou, contribuem para afastamentos que impactam a Previdência, os sistemas de saúde e a produtividade.
Trabalho do cuidado
A procuradora ressaltou ainda que as transformações no mercado de trabalho, com maior participação de mulheres e de grupos historicamente vulneráveis, exigem a revisão de modelos que não consideram a sobrecarga do trabalho doméstico e do cuidado. 
— A entrada de outros atores no mercado de trabalho, como mulheres, deficientes, pessoas LGBTQI+, população indígena e quilombola, entre outros grupos minoritários, demanda uma revisão dos patamares antes estabelecidos por uma legislação voltada apenas para a presença da força masculina no mercado de trabalho e que não valoriza a atividade do cuidado e da jornada dupla com trabalhos domésticos. 
Secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Caroline Dias dos Reis também reforçou a necessidade de uma legislação que reconheça e valorize o trabalho de cuidado que, acrescentou, faz parte da base que sustenta o país.
— Quando falamos de trabalho, estamos falando do trabalho formal, do trabalho informal e também do trabalho invisível, o trabalho do cuidado. O trabalho de cuidar de casa, dos filhos, das pessoas idosas, das pessoas com deficiência é um trabalho essencial, que sustenta a vida em sociedade, mas, muitas vezes, não é reconhecido, não é remunerado e não é valorizado como deveria. 
Desigualdade 
A presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Servo, ressaltou estudos sobre os impactos da redução da jornada. Os dados do Ipea indicam que os trabalhos com mais de 40 horas semanais se concentram nas piores indicações do mercado, com pessoas recebendo salários menores, com mais rotatividade, funções de menor escolaridade e remunerações que chegam a ser 40% mais baixas do que para os que trabalham 40 horas. 
Ainda conforme estudos do Ipea, mais de 70% das mulheres no mercado de trabalho assumem jornada de mais de 40 horas, assim como cerca de 80% das pessoas negras estão nesse mesmo cenário. Luciana Servo afirmou ainda com base nos estudos do Ipea que a redução da jornada é viável, tem baixo custo e pode contribuir para diminuir desigualdades e aumentar a produtividade, especialmente em um cenário de baixo desemprego.
— Estudo do Ipea mostrou que é, sim, viável fazer a redução da jornada de trabalho no país. O custo dessa redução é baixo e, além disso, nós temos uma questão muito central nesse processo: nós estamos num momento muito propício para fazê-lo, com a taxa de desemprego muito baixa. E este é o momento de fazer essa mudança da redução da jornada de trabalho. E eu diria mais ainda: é o momento de avançarmos para um modelo de país onde as pessoas, como foi dito aqui antes, não se exauram, porque as 44 horas não são a jornada total. 
Qualificação 
O diretor regional do Senai-DF, Marco Antonio Areias Secco, destacou o papel integrado do Senai e do Sesi na formação e no bem-estar dos trabalhadores. Segundo ele, enquanto o Senai atua na qualificação profissional, o Sesi investe em saúde, educação e qualidade de vida.
Secco afirmou que o desenvolvimento do país depende da valorização de quem trabalha e defendeu a integração entre formação, cidadania e bem-estar como base para o crescimento econômico e social.
Participaram da sessão trabalhadores e representantes dos sindicatos que defendem o direitos trabalhistas. Entre elas, a União Geral dos Trabalhadores, Nova Central Sindical de Trabalhadores, Fórum Sindical dos Trabalhadores, Fórum das Centrais Sindicais e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade. 
Também estiveram presentes representantes da Confederação Nacional das Carreiras e Atividades Típicas de Estado, Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Educação e Cultura, Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) e da Força Sindical.


Fonte: Senado Federal

Cinco pontos sobre o Novo Desenrola, pacote de medidas para reduzir o endividamento lançado pelo governo

Em março, o Brasil atingiu 82,8 milhões de endividados, o maior número de inadimplentes em toda a série histórica da avaliadora de crédito Serasa
Getty Images via BBC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira (4/5) a Medida Provisória do Novo Desenrola Brasil, pacote de medidas para a renegociação de dívidas, também chamado de Desenrola 2.0.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Em março, o Brasil atingiu 82,8 milhões de endividados, o maior número de inadimplentes em toda a série histórica da avaliadora de crédito Serasa.
“Estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente”, disse Lula, no lançamento do programa, mencionando que parte da população se endividou durante a pandemia de covid-19 e ainda não conseguiu se livrar da dívida.
Uma das medidas será liberar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas.
Vídeos em alta no g1
O público-alvo do programa são aqueles ganham até cinco salários-mínimos mensais, ou seja, R$ 8.105.
Podem entrar na renegociação dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
1. FGTS para quitar dívida
A primeira etapa do Desenrola Brasil começou em julho de 2023 para quem tinha débitos com bancos e renda mensal bruta de até R$ 20 mil.
Agora, além da mudança de faixa salarial do público-alvo, uma das novidades será a possibilidade de usar parte do FGTS para quitar a dívida.
Pelas regras, o trabalhador poderá usar 20% do saldo da conta para pagar parcial ou integralmente dívidas.
Os valores resgatados poderão alcançar o limite global de R$ 8,2 bilhões, segundo o governo.
Para garantir que os recursos serão mesmo destinados à quitação das dívidas, a Caixa Econômica Federal deverá fazer a transferência do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.
2. Bloqueio em casas de apostas
Os descontos para a renegociação das dívidas vão de 30 a 90%, de acordo com a linha de crédito e o prazo. A taxa de juro máxima é de 1,99% ao mês e haverá até 48 meses de prazo para pagar.
O limite da nova dívida (após descontos) é, no máximo, R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira. E cabe aos bancos aderirem ou não ao programa.
O programa também prevê contrapartidas: o endividado terá o CPF bloqueado em casas de apostas por 12 meses.
3. Fundo com ‘dinheiro esquecido’
Para oferecer garantias às instituições financeiras que participarem do programa, o governo prevê utilizar recursos do Fundo de Garantia de Operações (FGO)
Para isso, o governo deve fazer um aporte de R$ 5 bilhões, que serão somados aos R$ 2 bilhões que já estão disponíveis no fundo. Além disso, serão utilizados entre R$ 5 e R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos.
Esses recursos esquecidos — ou não resgatados — estão atualmente disponíveis na tesouraria das instituições financeiras, como devolução de tarifas cobradas indevidamente e não resgatadas, contas pré- ou pós-pagas encerradas com saldo, entre outras.
O Ministério da Fazenda vai publicar um edital para que interessados possam reclamar os recursos no período de 30 dias. Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO.
Na primeira edição do Desenrola, anunciado em 2023 e que durou até maio de 2024, foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas.
4. Dívida estudantil
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esta edição do Desenrola foi dividida em quatro categorias voltadas para famílias, estudantes — por meio do Financiamento Estudantil (FIES) — empresas e agricultores rurais.
No caso do FIES, as dívidas foram classificadas conforme o tempo que foram contraídas:
Dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias: se o pagamento for à vista, desconto de 12% da dívida, além de desconto da totalidade dos juros e multas.
Para pagamentos parcelados, é possível dividir em até 150 vezes e obter desconto da totalidade dos juros e multas.
Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes fora do CadÚnico: desconto de até 77% do valor total da dívida, dos juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.
Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes do CadÚnico: desconto de até 99% do valor total da dívida, dos juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.
Com isso, o governo prevê beneficiar mais de um 1 milhão de estudantes.
5. Tempo para as empresas
Para as microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, o programa concederá carência para o início do pagamento das parcelas de até 24 meses. Anteriormente, esse prazo era de 1 ano.
O prazo máximo da quitação da dívida subiu de 72 para 96 meses e a tolerância no atraso para concessão de novos créditos, de 14 para 90 dias.
Haverá também o aumento do valor total do crédito, de 30% do faturamento (com teto de R$ 150 mil) para 50% (com novo teto em R$ 180 mil).
Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe de 50% do faturamento para 60% (com novo teto em R$ 180 mil).
Para atender micro e pequenas empresas, ou seja, empresas com faturamento anual até R$ 4,8 milhões por ano, as alterações são as mesmas, com a diferença do aumento do valor total do crédito, de R$ 250 mil para R$ 500 mil.


Fonte:

g1 > Política

Desenrola 2.0: programa prevê desconto de dezenas de bilhões de reais para devedores do Fies

O governo divulgou nesta segunda-feira (4) que por meio do Desenrola 2.0, novo programa de renegociação de dívidas, pretende dar um desconto bilionário a estudantes com dívidas vencidas há mais de um ano no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Pela proposta, serão concedidos descontos de 77% para dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes fora do Cadastro Único, e de 99% para estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
As regras estão em uma medida provisória que foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira.
Assim que publicadas, medidas provisórias entram em vigor, mas posteriormente precisam ser ratificadas pelo Congresso Nacional.
Segundo a equipe econômica, mais de um milhão de estudantes serão beneficiados com a renegociação de suas dívidas.
De acordo com dados do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhada em abril ao Congresso Nacional, a dívida do Fies somou R$ 90 bilhões no fim do ano passado.
Desse valor total, R$ 61 bilhões estão com o débito vencido há mais de um ano, situação na qual, pelo programa de renegociação de dívidas divulgado nesta segunda-feira, haverá um desconto de 77% a 99%.
O desconto proposto, portanto, será superior a R$ 46 bilhões.
O próprio governo avalia, no projeto da LDO, que os valores devidos pelos estudantes é de difícil recuperação.
“De acordo com os critérios estabelecidos para a classificação de cada operação de crédito em função dos dias de atraso desconsiderando o impacto de eventuais instrumentos mitigadores de risco, o valor do ajuste para perdas estimadas no âmbito do Fies, para fins contábeis, alcançou cerca de R$ 56 bilhões para os contratos celebrados até 2017”, diz o governo.


Fonte:

g1 > Política

Áudio: Diminuição da jornada de trabalho está em pauta no Congresso

O Congresso analisa diferentes propostas de redução da jornada semanal de trabalho. Entre elas, o projeto de lei do Executivo (PL 1.838/2026), enviado pelo governo Lula em abril e com pedido de urgência para votação, que acaba com a escala 6×1. E uma proposta de emenda à Constituição (PEC 148/2015), do senador Paulo Paim (PT-RS), já pronta para votação no Plenário, que também reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, de forma gradual em quatro anos.


Fonte: Senado Federal