Foto: Marcelo Camargo/ABr
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que os Estados Unidos vêm demonstrando pouca disposição para flexibilizar sua posição nas negociações comerciais envolvendo o Brasil. A preocupação gira em torno da proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que prevê a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A definição sobre o tema deve ocorrer até 15 de julho.
Antes disso, o USTR realizará uma audiência pública em Washington, marcada para 6 de julho, como parte do processo de discussão da medida. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se inscreveu para participar do evento e terá cinco minutos para se manifestar. Já o governo brasileiro optou por manter as tratativas pelos canais diplomáticos e institucionais já existentes.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é que a discussão comercial corre o risco de ganhar contornos eleitorais. Auxiliares do presidente afirmam que a estratégia oficial continuará centrada em negociações feitas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A preocupação aumentou após o presidente americano Donald Trump compartilhar, nesta semana, um artigo que classificava a situação brasileira como um possível teste para o avanço de movimentos conservadores na América Latina.
Integrantes do governo Lula interpretam a participação de Flávio Bolsonaro na audiência como uma tentativa de ocupar espaço político no debate. A avaliação é que o senador busca se posicionar sobre um tema que ganhou repercussão depois de ter elogiado, em 2025, a decisão de Trump de impor sobretaxas a produtos brasileiros. Na ocasião, Flávio chegou a afirmar que os chamados “patriotas de verdade” deveriam agradecer ao republicano pela tarifa.
Apesar disso, o parlamentar informou ao USTR que defenderá uma solução negociada para o impasse comercial. No documento de inscrição para a audiência, Flávio também se posiciona contra a adoção de tarifas sobre produtos brasileiros e contra eventuais restrições ao Pix.
O governo federal, por sua vez, não enviará representantes ao encontro. A justificativa é que essa etapa da investigação foi estruturada para ouvir empresas, entidades privadas e representantes da sociedade civil, e não governos.
Mesmo com as conversas em andamento entre Brasília e Washington, integrantes da equipe de Lula reconhecem que as chances de reverter integralmente a proposta diminuíram nas últimas semanas. A percepção é que os argumentos apresentados pelo governo brasileiro ainda não foram suficientes para alterar as conclusões preliminares da investigação conduzida pelos Estados Unidos.
Entre os pontos que mais geram atrito estão os questionamentos americanos relacionados ao sistema de pagamentos Pix e às políticas ambientais brasileiras. Ainda assim, a orientação dentro do governo é manter as negociações abertas até o fim, na expectativa de reduzir ou evitar os impactos das medidas comerciais.
No texto enviado ao USTR, Flávio Bolsonaro também afirma que uma eventual mudança de governo no Brasil poderia aproximar os dois países em temas estratégicos para Washington. O documento menciona áreas como comércio digital, combate à corrupção, propriedade intelectual, produção de etanol e preservação ambiental como possíveis pontos de convergência para futuras negociações a partir de 2027.
Fonte: Conexão Política