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Em meio à tensão nos Três Poderes, Lula e Alcolumbre se reencontram e sentam lado a lado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se encontraram nesta terça-feira (12) na cerimônia de posse do ministro Nunes Marques, novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Em meio à tensão entre os Três Poderes, sentaram-se lado a lado.
Esse foi o primeiro encontro entre os dois desde as últimas derrotas do governo Lula, que teve o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, rejeitado para o cargo de minieto do Supremo Tribunal Federal (STF), e a aprovação da Dosimetria, que favoreceá o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe em 8 de Janeiro de 2022.
Além de Davi Alcolumbre, essa também foi a primeira vez que Lula esteve no mesmo ambiente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desde que os dois anunciaram a pré-candidatura à presidência. Antes do evento começar, questionando de cumprimentaria o mandatário brasileiro, o filho do ex-presidente responder: “Se passar perto, não tem problema nenhum’, disse ele sobre cumprimentar o mandatário. 
Posse de Nunes Marques
O ministro Kassio Nunes Marques assumiu nesta terça-feira (12) a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) │Alejandro Zambrana/Secom/TSE
O ministro Kassio Nunes Marques foi empossado nesta terça-feira (12) como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sob o comando do magistrado, a Corte conduzirá as eleições gerais de 2026 em meio a desafios, como o enfrentamento à desinformação, a preservação da confiança pública no sistema eleitoral e regulação do uso de inteligência artificial nas campanhas.
Além de Nunes Marques, o ministro André Mendonça foi empossado como vice-presidente do TSE. Também integram a nova composição do tribunal: Dias Toffoli (vaga do STF); Antonio Carlos Ferreira (corregedor-geral da Justiça Eleitoral); Ricardo Villas Bôas Cueva (vaga do STJ); Floriano de Azevedo Marques (jurista); e, Estrela Aranha (jurista).


Fonte: Jovem Pan

Quem é Kassio Nunes Marques, o novo presidente do TSE

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, assume a presidência do TSE na noite desta terça-feira (12).
Nunes Marques foi indicado para o STF pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2020 e passou a ser membro do TSE em 2023. Kassio foi vice-presidente da Corte desde maio de 2024, atuando junto de Cármen Lúcia, que ocupou a presidência no último biênio. Agora ele deve comandar os trâmites das eleições de 2026 em outubro.
O ministro, de 53 anos, nasceu em Teresina, no Piauí. Ele se formou em direito pela Univerisdade Federal do Piauí (UFPI), e concluiu sua especialização em processo e direito tributário pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Nunes Marques também tem mestrado em direito constitucional pela Universidade Autônoma de Lisboa (Portugal) e doutorado em direito pela Universidade de Salamanca (Espanha).
Atuou como advogado entre os anos de 1996 até 2011 nas áreas cível, trabalhista e tributária. Entre 2007 e 2009, foi conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Piauí, e de 2010 a 2011 foi suplente do Conselho Federal da OAB.
Em 2011, foi nomeado pela então presidente Dilma Rousseff para ser desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, onde ficou até 2018.
O ministro é filho de professores da rede pública e cresceu na periferia de Teresina. Ele foi o primeiro de sua família a se formar em um curso de ensino superior.


Fonte: Jovem Pan

Nunes Marques toma posse como presidente do TSE em cerimônia com Lula e Flávio Bolsonaro

O ministro Kassio Nunes Marques foi empossado nesta terça-feira (12) como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sob o comando do magistrado, a Corte conduzirá as eleições gerais de 2026 em meio a desafios, como o enfrentamento à desinformação, a preservação da confiança pública no sistema eleitoral e regulação do uso de inteligência artificial nas campanhas.
Além de Nunes Marques, o ministro André Mendonça foi empossado como vice-presidente do TSE. Também integram a nova composição do tribunal: Dias Toffoli (vaga do STF); Antonio Carlos Ferreira (corregedor-geral da Justiça Eleitoral); Ricardo Villas Bôas Cueva (vaga do STJ); Floriano de Azevedo Marques (jurista); e, Estrela Aranha (jurista).

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Fonte: Jovem Pan

Flávio chama PT de ‘câncer’ e acusa TSE de ‘desequilíbrio eleitoral’ em 2022

Flavio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência pelo PL, acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ser imparcial nas eleições presidenciais de 2022, causando desequilíbrio na disputa presidencial, o que levou à revolta da população. Deu a declaração durante a chegada à cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques, que assume a presidência do TSE
“O que todo mundo espera, o papel do TSE: ser imparcial. Diferente de 22, nós não vimos imparcialidade nenhuma; vimos um desequilíbrio na disputa presidencial, e isso foi, inclusive, uma das razões pra revolta da sociedade, grande parte dela, de questionar essa neutralidade e a justiça no resultado da eleição”, disse Flávio ao ser questionado sobre sua expectativa sobre Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

Posse de Nunes Marques
O ministro Nunes Marques assumiu nesta terça-feira (12) o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável pela organização das eleições presidenciais de outubro.
A cerimônia de posse está marcada para as 19h. Diversas autoridades foram convidadas, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Marques entrará na vaga da ministra Cármen Lúcia, que completa mandato de dois anos à frente do tribunal.
A escolha do presidente do TSE ocorre por antiguidade entre os ministros que também compõem o Supremo Tribunal Federal (STF). O vice-presidente será o ministro André Mendonça.
Após a posse, será realizado um coquetel restrito a convidados. O evento ocorrerá em uma casa de festas de Brasília e será custeado por uma associação de juízes federais. O ingresso foi vendido por R$ 800.


Fonte: Jovem Pan

MP-SC diz que cão Orelha não foi morto por adolescentes e arquiva caso

Após análise de quase 2 mil arquivos, vídeos e laudos técnicos, o Ministério Público de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha não foi morto após ser agredido por um grupo de adolescentes, mas sim devido a uma “condição grave e preexistente”. O órgão divulgou nesta terça (12) sua decisão e pediu à Justiça o arquivamento do caso.
A morte do animal, que aconteceu em janeiro deste ano, teve grande repercussão nacional. As investigações da Polícia Civil de Santa Catarina revelaram na época que Orelha, um cachorro comunitário, havia morrido após ser agredido cruelmente, por volta das 5h da manhã na praia onde morava, por um grupo de adolescentes.
As autoridades pediram a internação de um dos jovens que teria atacado o cão.
Segundo a análise feita pela promotoria, os adolescentes e Orelha “não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão”. O órgão afirma que a morte do bicho – que foi submetido à eutanásia – aconteceu devido a uma “condição grave e preexistente, e não à agressão”.
A promotoria protocolou sua manifestação, que tem 170 páginas, no Juízo de Direito da Vara da Infância e Juventude da Comarca da Capital na última sexta-feira (8). O órgão afirma que o documento analisou quase dois mil arquivos digitais como vídeos, mensagens de celular e fotos.
Reconstituição
A reconstituição da cronologia dos fatos feita pelo MP foi decisiva para a mudança do veredito, segundo informa o órgão. Na versão da Polícia Civil, o adolescente que seria o principal agressor teria permanecido na praia junto com o animal durante cerca de 40 minutos. Após a análise do material, a promotoria concluiu que há “inconsistências temporais que modificaram substancialmente a narrativa”.
O órgão afirma que após a análise minuciosa dos vídeos foi identificada uma “defasagem de aproximadamente 30 minutos entre os horários registrados. As câmeras do condomínio registram horário adiantado em cerca de 30 minutos em relação aos horários registrados nas câmeras do sistema [de câmeras privadas]. Essa diferença de horário é nitidamente perceptível pelas condições da luminosidade solar”.
A análise da promotoria diz ainda que não existe nenhum registro da presença de Orelha na orla da Praia Brava, local onde teria sofrido a agressão. Testemunhas ouvidas na investigação confirmaram que o animal não foi visto na praia no início da manhã em que teria sido atacado.
Além disso, as análises do MP indicam que enquanto o jovem estava na praia, o animal estava “a cerca de 600 metros de distância”. “Dessa forma, não se sustenta a tese de que ambos tenham compartilhado o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como afirmado nos relatórios policiais”.
O órgão vai além e afirma que, pelas imagens analisadas, há a constatação “que o cão mantinha plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal quase uma hora após o horário em que a investigação presume a ocorrência do ato da suposta agressão, afastando a tese de que ele teria retornado da praia já debilitado por ‘agressões’ recentes”.
Exumação
Laudos periciais e depoimento do médico-veterinário que atendeu o animal também foram decisivos para a conclusão do Ministério Público.
Através desses elementos, afastou-se a hipótese de maus-tratos a Orelha. Segundo análise pericial feita após a exumação do cachorro, comprovou-se que não havia fraturas ou lesões compatíveis com ação humana.
O que se comprovou é que o cão tinha “sinais de osteomielite na região maxilar esquerda – uma infecção óssea grave e crônica – possivelmente relacionada a doenças periodontais avançadas, evidenciadas pelo acúmulo de cálculos dentários”.
Imagens do crânio de Orelha revelaram ainda “uma lesão profunda e antiga, com perda de pelos, descamação e inflamação compatíveis com infecção de evolução prolongada. A localização da ferida, abaixo do olho esquerdo, é compatível com o edema observado pelo médico veterinário que atendeu o animal”.
O cão tinha apenas “um inchaço acentuado na região esquerda da cabeça e ocular”.
O MP diz ainda que o exame de imagem não mostrou nenhum outro sinal de violência.
Arquivamento
Além de solicitar à Justiça o arquivamento do caso principal, também foi arquivado o inquérito que investigava coação dos familiares dos adolescentes a supostas testemunhas da agressão.
O MP de Santa Catarina solicitou ainda o envio de cópia dos autos à Corregedoria da Polícia Civil de Santa Catarina para análise de possíveis irregularidades na investigação.
Também pediu à 9ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital a “apuração de possível infração administrativa relacionada à divulgação de informações sigilosas à imprensa, com referência nominal a adolescente investigado”.
Polícia Civil
A Polícia Civil de Santa Catarina informa que concluiu as investigações relacionadas ao caso e realizou, oportunamente, a divulgação oficial das medidas adotadas no âmbito do inquérito policial.
Após a conclusão do procedimento, os autos foram encaminhados ao Ministério Público de Santa Catarina, órgão constitucionalmente responsável por eventual oferecimento de denúncia ou arquivamento.
A Polícia Civil de Santa Catarina e o Ministério Público de Santa Catarina atuam de forma independente, dentro das atribuições previstas na legislação. Assim, eventuais manifestações sobre a decisão de arquivamento do caso competem exclusivamente ao Ministério Público.


Fonte: Jovem Pan

Comissão da Câmara aprova uso do FGTS para compra de armas

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (12) projeto de lei (PL) que propõe autorização de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de arma de fogo. O texto agora será apreciado no colegiado de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça (CCJ).
A proposta do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) tramita na Casa Baixa em regime conclusivo pelos colegiados. Dessa forma, o PL pode ser encaminhado ao Senado sem passar pelo Plenário da Câmara dos Deputados.
Na proposta, Pollon argumentou que a medida é necessária em razão do “alto custo de aquisição de uma arma de fogo legalizada”. Segundo o deputado, o preço e as exigências para a compra do armamento “impedem que grande parte dos trabalhadores de baixa renda exerça seu direito de defesa”.
Para o parlamentar, por o FGTS ser destinado a “proteger o trabalhador”, não deveria haver impedimento para ampliar “as hipóteses de saque”. “A segurança pessoal do trabalhador e de sua família é valor fundamental que se insere perfeitamente no escopo protetivo que fundamenta a criação do [fundo de garantia]”, afirmou.

O que diz o projeto de lei
O texto propõe que o trabalhador só saque o valor necessário para a compra da arma de fogo, de munição e de acessórios essenciais. É sugerido também que o acesso ao FGTS para a aquisição seja permitido uma vez por ano, na data de aniversário ou no dia útil subsequente.
Para a compra do armamento, o projeto de lei define que seja obrigatória a apresentação de documento que comprove regularidade no Sistema Nacional de Armas (Sinarm) ou no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma).
A proposta ainda estabelece que o Conselho Curador do FGTS edite normas complementares para a operacionalização. Caso o PL seja aprovado, segundo o texto, o órgão tem até 90 dias a contar da data em que o texto entra em vigor para cumprir com a atribuição.


Fonte: Jovem Pan

Dona das redes Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial por dívida de R$ 1,1 bi

O Grupo Toky, dono das varejistas de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, entrou com um pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (12), no Foro Central Cível da Comarca de São Paulo. A empresa informou que a dívida é de cerca de R$ 1,11 bilhão.
No documento, a companhia afirma que a medida tem como objetivo reestruturar o passivo da empresa e evitar a paralisação das atividades.
“…buscando evitar o total colapso de suas atividades, […] as requerentes apresentam o presente Pedido de Recuperação Judicial para viabilizar sua reestruturação e soerguimento, viabilizando a superação da crise econômico-financeira”, diz o processo.
O grupo explica que a decisão de entrar com o pedido de recuperação judicial se deve a “fatores macroeconômicos”, como a manutenção das taxas de juros em patamares elevados, a inflação e o endividamento das famílias brasileiras. A empresa também cita impactos da pandemia de Covid-19 no fechamento de lojas físicas e na elevação de custos de matérias-primas.
A solicitação à Justiça ocorre após outras tentativas de solução de dívidas. Em agosto de 2024, a Mobly S.A. e a Estok Comércio e Representações S.A. (Tok&Stok) anunciaram uma combinação de negócios, formando o Grupo Toky.
No mesmo ano, a companhia passou por um processo de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas bancárias. A empresa relata na decisão desta terça-feira que, nos meses seguintes à operação, os resultados de vendas e de geração de receitas ficaram abaixo das projeções.
A recuperação judicial é um mecanismo legal acionado por empresas em crise financeira que buscam evitar a decretação de falência. Sob a supervisão da Justiça, a companhia ganha um prazo para apresentar e negociar um plano de reestruturação de suas dívidas junto aos credores.
O principal objetivo desse recurso é garantir que o negócio continue operando normalmente, o que preserva os postos de trabalho e a geração de renda. Na prática, trata-se de um fôlego concedido pela lei para que a empresa consiga reorganizar suas contas, quitar seu passivo e voltar a crescer de forma sustentável.

Pedido de tutela de urgência
Junto ao pedido de recuperação judicial, o Grupo Toky protocolou um requerimento de tutela de urgência. A companhia solicita o desbloqueio de R$ 77 milhões referentes a recebíveis de cartões de crédito. A empresa relata que os valores estão sofrendo bloqueios contínuos por parte da instituição financeira SRM Bank. Segundo a varejista, a liberação dos recursos é a principal fonte de capital de giro para o pagamento da folha de funcionários, fornecedores de produtos e operações logísticas.
A tutela de urgência é um mecanismo jurídico acionado para antecipar ou assegurar um direito que não pode esperar até o fim de um processo. Na prática, trata-se de um pedido feito ao juiz em situações onde a demora por uma decisão final pode causar danos irreparáveis ou esvaziar o sentido da própria ação.
O grupo pede também que a Justiça impeça o corte de serviços de prestadores e a rescisão antecipada de contratos. O pedido abrange fornecedores de energia elétrica e de água, além de transportadoras responsáveis pela logística de mercadorias e prestadoras de serviços de tecnologia (sistemas de gestão, processamento de pagamentos, hospedagem de sites e nuvem, operados por empresas como Google e Amazon).
De acordo com o processo, as empresas que compõem o Grupo Toky somam 63 lojas físicas e mantêm 2.278 funcionários contratados de forma direta. A decisão sobre a recuperação judicial está sob responsabilidade da Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Estado de São Paulo.
Pontos chamam atenção
Para o advogado Rodrigo Spinelli, especialista em recuperação e reestruturação de empresas, o pedido chama atenção por alguns aspectos. “Primeiro, porque não se trata apenas da Tok&Stok, mas também da Mobly, empresas que, inclusive, já haviam recorrido anteriormente à recuperação extrajudicial, com plano homologado em 2024. Isso demonstra que o grupo já vinha tentando mecanismos de reestruturação antes de optar agora pelo caminho da recuperação judicial”, explica.
“Outro ponto importante é que o pedido foi formulado com consolidação processual, e não com consolidação substancial. A consolidação processual apenas permite que as empresas do grupo ingressem conjuntamente no polo ativo da recuperação judicial, mantendo, em regra, separação patrimonial e individualização das dívidas. Já a consolidação substancial pressupõe uma verdadeira unificação patrimonial e financeira das empresas, tratando o grupo como se fosse uma única estrutura econômica para fins de reestruturação”, acrescenta o especialista.


Fonte: Jovem Pan

Ações sobre Lei da Dosimetria serão votadas no final de maio; STF deve manter redução de penas

Moraes suspende a aplicação da Lei da Dosimetria
O relator do projeto que criou a Lei da Dosimetria na Câmara dos Deputados, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ouviu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que vai liberar as ações que questionam o lei para votação no final de maio.
Paulinho da Força se encontrou com Alexandre de Moraes nesta terça-feira (12). O deputado havia prometido à oposição que conversaria com o ministro sobre o tema.
A tendência é que o STF mantenha a constitucionalidade da Lei, que passaria a ser aplicada para reduzir as penas dos condenados na ação penal do golpe, como Bolsonaro, e dos que participaram dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Paulinho da Força e Alexandre de Moraes reunidos no STF
Reprodução
A aplicação da Lei da Dosimetria está suspensa desde o sábado (9), quando Moraes decidiu que é preciso aguardar o STF decidir sobre o tema. O ministro citou duas ações que questionam o constitucionalidade da lei, que devem ser julgadas pelo plenário da Suprema Corte.
Na prática, os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 terão que aguardar os ministros decidirem se a lei respeita as regras da Constituição Federal para obterem os benefícios da redução da pena.
O ministro está aplicando este entendimento a casos de condenados que já acionaram o STF pedindo a revisão da pena com base na Lei da Dosimetria. Até a última atualização desta reportagem, Moraes já havia decidido neste sentido em pelo menos dez execuções penais.
A suspensão da aplicação atinge diretamente quem já pediu a revisão e indiretamente os demais condenados, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que deverão obter a mesma decisão caso apresentem um pedido a partir de agora.
Na sexta-feira (9), a defesa de Bolsonaro pediu ao STF a revisão criminal no processo em que o ex-presidente foi condenado. Este pedido não está relacionado à Lei da Dosimetria. A medida não representa um novo julgamento e é considerada excepcional.
Aprovada em 2025, a Lei da Dosimetria permite a redução de penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo a pena de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento da trama golpista, e aliados dele.
“A superveniência de interposição de ação direta de inconstitucionalidade e, consequentemente a pendência de julgamento em controle concentrado de constitucionalidade, configura fato processual novo e relevante, que poderá influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela Defesa, recomendando a suspensão da aplicação da lei, por segurança jurídica, até definição da controvérsia pelo Supremo Tribunal Federal, com prosseguimento regular da presente execução penal em seus exatos termos, conforme transitado em julgado”, escreveu Moraes na decisão.
Em nota, o líder da oposição no Senado Federal, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou a decisão de Moraes. Ele afirmou que a decisão de Moraes “não suspendeu apenas uma lei. Suspendeu a vontade popular”.
“Cabe à Câmara reagir com firmeza e aprovar, com urgência, a PEC contra decisões monocráticas que suspendam leis aprovadas pelo Congresso. E cabe ao povo eleger representantes corajosos para promover uma verdadeira e saneadora reforma do Judiciário em 2027”, disse.


Fonte:

g1 > Política

Áudio: Restrição da venda de ultraprocessados em escolas é defendida em debate

A venda de alimentos ultraprocessados nas escolas foi tema do debate promovido nesta terça (12) pela Comissão de Educação e Cultura do Senado (CE). Os participantes do encontro defenderam restrições à venda desses produtos nas cantinas escolares.


Fonte: Senado Federal

Especialistas defendem restrição a alimentos ultraprocessados em escolas

A escola é um espaço estratégico para a promoção de uma alimentação saudável, capaz de evitar produtos ultraprocessados e prevenir contra a obesidade infantil — que é uma epidemia global. Essa foi uma das conclusões da audiência pública que aconteceu no Senado nesta terça-feira (12).
A audiência foi promovida pela Comissão de Educação e Cultura do Senado (CE) para discutir o PL 4.501/2020, projeto de lei que proíbe a venda de alimentos ultraprocessados, frituras e produtos com gordura hidrogenada em cantinas escolares. O autor da proposta é o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Alimentos ultraprocessados, em geral, são produtos industriais prontos para consumo, ricos em aditivos químicos (que aumentam a durabilidade e dão mais sabor à comida), que contêm pouco ou nenhum alimento de verdade. O salgadinho de pacote, o biscoito recheado e o refresco em pó são exemplos desse tipo de alimento.
O projeto de Jaques Wagner determina que as escolas devem oferecer diariamente ao menos três opções de lanches saudáveis — com prioridade para alimentos in natura, orgânicos, frutas, verduras e produtos regionais.
O debate desta terça foi conduzido pela senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL).
Influência da escola
Representante do Pacto Contra a Fome, Camila Mantovani argumentou que crianças e adolescentes devem ser prioridade absoluta nas políticas de alimentação saudável, pois a nutrição tem impactos diretos sobre o desenvolvimento infantil. Nesse contexto, destacou ela, a escola exerce papel fundamental na formação de hábitos (ao reunir conhecimento, prática e acesso a alimentos saudáveis).
O Pacto Contra a Fome é um movimento suprapartidário e multissetorial. Camila atua como coordenadora de políticas públicas do grupo.
Ela citou uma pesquisa, realizada pelo Pacto Contra a Fome e pelo Instituto Pensi, que aponta três aspectos principais do papel das escolas nessa questão:

a confiança que mães e pais têm na escola (como espaço de promoção da alimentação saudável);
a preocupação mais acentuada, entre famílias com filhos em escolas particulares, com o consumo de alimentos ultraprocessados;
a influência positiva das crianças sobre os hábitos alimentares da própria família, ampliando os efeitos das ações educativas para além do ambiente escolar.

— Quando as crianças aprendem sobre alimentação saudável e são estimuladas nas escolas, as famílias também tendem a comer de maneira mais adequada. (…). Isso só reforça a oportunidade que nós temos para fazer algo histórico, que é garantir o impacto direto não só nas crianças, mas nas famílias brasileiras — afirmou Camila.
Saúde bucal
Edson Hilan Gomes de Lucena, representante do Ministério da Saúde, fez um alerta: o consumo excessivo de açúcar e de alimentos ultraprocessados aumenta significativamente o risco de cáries em crianças — independentemente da renda familiar, da escolaridade das mães ou da frequência de escovação.
Edson é coordenador-geral de Saúde Bucal da Secretaria de Atenção Primária à Saúde desse ministério.
Ele explicou que os ultraprocessados se transformam em diferentes tipos de açúcar no organismo e estimulam hábitos de consumo excessivo, contribuindo não apenas para problemas bucais, mas também para a obesidade e doenças cardiovasculares.
— Para que possamos promover saúde bucal, é importante fazer com que as escolhas saudáveis sejam mais fáceis — disse Edson ao enfatizar a necessidade de acesso à alimentação saudável.
Regulação do mercado
Representante da organização não governamental ACT Promoção da Saúde, Marília Albiero ressaltou que não há mais dúvidas científicas sobre os prejuízos causados pelo consumo de alimentos ultraprocessados. Ao defender a proposta de Jaques Wagner, ela alegou que cerca de 46 milhões de estudantes brasileiros podem ser beneficiados pela iniciativa.
Marília, que é gerente de inovação e estratégia da ACT, rebateu as críticas ao projeto, como a de que a alimentação seria responsabilidade exclusiva das famílias. Segundo ela, fatores como preço, acesso e publicidade influenciam diretamente as escolhas alimentares, o que exige a atuação do poder público para ampliar a oferta de itens saudáveis.
A especialista também contestou os argumentos de que a regulação prejudicaria a liberdade econômica ou a lucratividade das cantinas escolares — segundo ela, cantinas “saudáveis” podem ser financeiramente sustentáveis. Além disso, argumentou, a regulação tende a dinamizar a economia ao ampliar o número de produtores e descentralizar o mercado.
Para Marília, o debate sobre o tema envolve uma tríade formada por saúde, economia e meio ambiente.
— Nos últimos anos, a concentração da indústria de alimentos foi muito baseada na indústria de ultraprocessados. Ao regular e dar mais acesso à alimentação saudável, (…) amplifica-se o número de produtores, descentraliza-se, valoriza-se a cultura local. A situação, então, se torna muito mais positiva com a regulação.
Restrição de ultraprocessados
Bruna Pitasi Arguelhes, representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, defendeu a adoção de impostos seletivos sobre os alimentos ultraprocessados e a limitação das ações de marketing relacionadas a esses produtos.
Em sua avaliação, a regulação atual é frágil e facilita o acesso de crianças e adolescentes aos ultraprocessados, especialmente no ambiente escolar.
Bruna é analista técnica de políticas sociais da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional desse ministério. De acordo com os dados apresentados por ela, as cantinas estão presentes em mais de 90% das escolas privadas e em cerca de 22% das públicas.
Segundo ela, a regulamentação da venda de alimentos nas escolas teria o potencial de evitar mais de 300 mil casos de obesidade em dez anos. Estudos citados por ela apontariam que, onde há leis que restringem a venda de alimentos não saudáveis em cantinas, os adolescentes têm 11% menos chance de desenvolver obesidade.
Obesidade 
Representante do Conselho Federal de Nutrição, Fernando Marcello Nunes defendeu a proposta de Jaques Wagner e alertou para o avanço da obesidade infantil — que, conforme observou, é uma epidemia global.
Ele frisou que, além dos impactos econômicos, a obesidade afeta sistemas públicos de saúde em todo o mundo.
— Temos um crescimento exponencial tanto do sobrepeso quanto da obesidade, com mais de 6 milhões de crianças (…) convivendo com esses diagnósticos. E nós já temos um Sistema Único de Saúde [SUS] subfinanciado. Em âmbito mundial, a obesidade compromete cerca de 2% do PIB de todos os países — ressaltou.
Por isso, argumenta Fernando, o ambiente escolar tem papel estratégico no enfrentamento desse problema de saúde pública, especialmente em um cenário de aumento da demanda sobre o SUS.
Ele acrescentou que o projeto de lei está alinhado às políticas e diretrizes já adotadas pelo Brasil na área de alimentação e nutrição.
— Restringir os ultraprocessados não é limitar direitos; é expandir a proteção e garantir que o ambiente escolar seja verdadeiramente um território de vida. — declarou.

Lídia Pantoja, oficial de saúde do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), alertou para o caso brasileiro, em que coexistem obesidade e desnutrição, muitas vezes na mesma família.
Segundo ela, o problema é sistêmico e não pode ser tratado apenas como resultado de escolhas individuais.
— Informar não é suficiente para mudar o comportamento. Não estamos tratando apenas de força de vontade, mas de todo um sistema que favorece escolhas não saudáveis — explicou Lídia.

Base legal do projeto
Bruna dos Santos Nunes, do Ministério da Saúde, lembrou que a promoção da alimentação saudável é uma prioridade do SUS e está alinhada ao Decreto 11.821, de 2023 (que trata da alimentação adequada e saudável no ambiente escolar).
Para ela, o projeto de lei em discussão no Senado está de acordo com políticas públicas já adotadas pelo país, como a Política Nacional de Alimentação e Nutrição, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança e os guias alimentares do ministério.
Mas a representante do Ministério da Saúde fez uma ressalva ao substitutivo (texto alternativo) proposto para o projeto, que restringe as medidas ao ensino infantil e fundamental — a proposta original de Jaques Wagner se referia à educação básica, que é mais abrangente e também inclui o ensino médio.
Bruna dos Santos avalia que é necessário incluir os adolescentes entre os beneficiados pela iniciativa, já que, segundo ela, 31% desse segmento apresentam excesso de peso.
Novo debate
A Comissão de Educação e Cultura do Senado (CE) fará uma nova audiência pública sobre o tema nesta quinta-feira (14), a partir das 10h.
Foram convidados representantes de ministérios (Saúde e Educação) e também das seguintes entidades:

Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia para Redução de Danos (SBred);
Instituto Livre Mercado (ILM);
Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital);
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE);
Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia);
Sociedade Brasileira de Nutrição e Alimentação (Sban).


Fonte: Senado Federal