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Lula defende soberania após decisão dos EUA sobre facções: ‘Não aceitamos ser tratados como moleques’

Lula condena decisão dos EUA sobre facções: ‘Não aceitamos ser tratados como moleques’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (29), que o governo brasileiro pretende combater internamente o crime organizado e que não vai aceitar intervenções internacionais, após o anúncio dos Estados Unidos de classificar facções criminosas como organizações terroristas estrangeiras.
Nessa quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas.
Esta foi a primeira vez que Lula comentou o tema. Em discurso durante um evento em Sergipe, o petista defendeu a soberania do país. Ele disse: “Não aceitamos ser tratados como moleques”, ou como uma “republiqueta”.
Minutos antes da fala, o Planalto divulgou uma nota em que reforça as ações do governo no combate ao crime organizado.
O texto afirma que é “deplorável” que “mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, como já fizeram com o tarifaço (leia mais abaixo).
Lula durante evento em Manaus
Ricardo Stuckert / PR
O presidente está em Sergipe nesta sexta para anúncios de investimentos na Petrobras e visitas a hospitais. Durante seu discurso, ele tocou no assunto afirmando que estava muito “decepcionado” por conta do anúncio norte-americano.
“Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, afirmou o petista.
Segundo Lula, o CV e o PCC são, de fato, terroristas para cidadãos que moram em regiões de periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. Por isso, serão combatidos internamente.
“Nós aprovamos uma Lei Antifacção, e aprovamos a lei para combater o crime organizado, e vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer, o Trump quer o Osama Bin Laden… e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá”, prosseguiu.
“Porque as armas importadas que estão contrabandeadas pro Brasil vêm dos Estados Unidos. A Polícia Federal entregou um documento para o Trump. O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado, e vamos começar pelo seu estado de Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiros.”
🔎A fala de Delaware tem a ver com um monitoramento feito pelo governo sobre lavagem de dinheiro e fraudes tributárias. Segundo a PF, a Receita e o Ministério da Fazenda, criminosos usam o estado americano como paraíso fiscal para tirar ilegalmente dinheiro do país, sem a devida declaração, e depois trazê-lo de volta “lavado”.
Em seguida, Lula citou o caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, foragido após ser condenado, junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tramar um golpe de Estado no país. Ele mora em território americano enquanto aguarda um pedido de asilo.
Foto de arquivo de 17/07/2024. Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da ABIN, chega para prestar depoimento na sede da Polí­cia Federal, no Rio de Janeiro.
PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO
Ramagem chegou a ser preso em abril e liberado dois dias depois. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA disse à PF que ele poderá aguardar em liberdade nos EUA a conclusão de um processo de pedido de asilo.
“Vamos começar entregando o Ramagem, que está escondido lá. Começar entregando o maior contrabandista de combustíveis do país, o Ricardo Magro [dono da Refit], a PF e a Receita apreenderam R$ 250 milhões de combustível que eles estão contrabandeando e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”.
O advogado e empresário Ricardo Magro, que comanda o Grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi alvo de operação da PF e está foragido. O grupo é considerado um dos maiores devedores de impostos do país.
Lula então afirmou: “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, destacou.
Viagem de Flávio aos EUA
Lula também citou a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, para os Estados Unidos para um encontro com Donald Trump.
Trump e Flávio se encontraram nesta terça-feira (26) em Washington. Os dois posaram para foto após a reunião na Casa Branca. No dia seguinte, ele foi recebido por Marco Rubio.
Na quinta, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que classificou as duas facções como organizações terroristas.
“Eu tive três horas com o presidente Trump, entreguei quatro documentos a ele. O sr. Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado a ajudar um filho de bolsonarista que é candidato à eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou.
EUA classificam CV e PCC como organizações terroristas
Defesa da soberania
Lula, então, falou que o Brasil não é “um país qualquer”. Ele defendeu a soberania afirmando a preocupação com o interesse norte-americano na reserva de minerais críticos e terras raras localizadas em território brasileiro.
🔎 O Brasil abriga a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. São insumos fundamentais para a indústria de ciência e tecnologia, e para a produção de produtos como smartphones, computadores e outros dispositivos.
“Eu tenho preocupação, porque temos muitos minerais críticos, terras raras, muitos minérios e ainda temos muito ouro, ainda temos muito ouro, ainda temos miuto diamante, temos a maior floresta tropical do mundo”, afirmou.
“Daqui a pouco vão dizer: a Amazônia é nossa. Não”, prosseguiu.
O petista então disse: “Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito e preciso ter respeito para respeitá-los. Então, não brinquem, não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia e não duvidem das coisas que nós fazemos aqui nesse país”.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026
REUTERS/Elizabeth Frantz
Nota do Planalto
A declaração de Lula seguiu a mesma linha de uma nota publicada pelo Palácio do Planalto momentos antes das declarações.
No texto, o governo afirma que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”.
Além disso, “podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros”.
“Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país”, prossegue o texto.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, conclui.


Fonte:

g1 > Política

Por que o Brasil não considera PCC e CV terroristas? Entenda diferença em relação aos EUA

EUA decidem classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
O governo dos Estados Unidos anunciou, ontem (28), que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. No Brasil, porém, grupos criminosos só recebem essa designação em situações específicas previstas na legislação.
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Na legislação brasileira, terrorismo é definido pela prática de atos violentos “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos para provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio ou a paz pública”.
Em maio do ano passado, após ser questionado por uma comitiva americana sobre o assunto em uma reunião no Ministério da Justiça, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sabburro, explicou a diferenciação brasileira.
“Estas organizações criminosas [brasileiras] não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema. Muito pelo contrário, elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro”, afirmou o secretário.
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Governo brasileiro teme interferência dos EUA no Brasil; entenda
Ou seja, a motivação é o que diferencia um grupo terrorista de uma facção criminosa no Brasil. Terroristas costumam buscar fins ideológicos ou políticos, enquanto facções como o PCC ou o CV visam o lucro, especialmente por meio do tráfico de drogas, armas e crimes financeiros.
Thiago Bottino, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas do Rio, explicou ao g1 em entrevista realizada em março deste ano, que a busca pela desestabilização do Estado é outro fator para diferenciar facções criminosas de grupos terroristas.
“Um ato terrorista quer desestabilizar o governo. Já organizações criminosas como as nossas não querem desestabilizar governo nenhum, muito pelo contrário. Quanto mais estável for a situação, melhor para atividades criminosas deles”, diz.
Já nos EUA, a decisão segue critérios definidos em lei e passa por diferentes etapas dentro do governo.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, três condições precisam ser atendidas para que uma organização receba a designação:
ser estrangeira;
estar envolvida em atividade terrorista ou ter capacidade e intenção de realizá-la;
representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA.
A classificação é baseada em um dossiê com informações de fontes abertas e sigilosas que comprovem o cumprimento dos critérios legais.
A decisão cabe ao secretário de Estado, em consulta com o Departamento de Justiça e o Tesouro. Depois, a medida é comunicada ao Congresso, que tem sete dias para analisar a ordem.
PCC e CV se juntam a Al-Qaeda e Hamas em lista de terroristas
Conhecidas nos Estados Unidos pela sigla FTO (Foreign Terrorist Organizations), essas organizações são grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas ou que tenham capacidade ou intenção de realizar atos desse tipo.
Além disso, segundo a legislação americana, essas organizações representam uma ameaça à segurança dos EUA.
A lista foi criada em 1996, durante o governo de Bill Clinton.
Na época, o Congresso americano aprovou a Lei Antiterrorismo e de Pena de Morte Efetiva (Antiterrorism and Effective Death Penalty Act) para reforçar o combate ao terrorismo.
Em outubro de 1997, os Estados Unidos fizeram as primeiras designações e incluíram uma série de organizações na lista. Entre elas estavam Hamas, Hezbollah e a Frente de Libertação da Palestina.
Veja alguns dos grupos classificados como terroristas pelos EUA:
Hamas — Palestina (1997)
Hezbollah — Líbano (1997)
Sendero Luminoso — Peru (1997)
Al-Qaeda — Afeganistão/Paquistão (1999)
Estado Islâmico — Iraque/Síria (2004)
Al-Shabaab — Somália (2008)
Boko Haram — Nigéria (2013)
Cartel de Sinaloa — México (2025)
Tren de Aragua — Venezuela (2025)
Mara Salvatrucha — El Salvador (2025)
LEIA A MATÉRIA COMPLETA: Com designação dos EUA, PCC e CV se juntam a Estado Islâmico, Al-Qaeda e Hamas em lista de terroristas
Presos fazem rebelião na Penitenciária de Junqueirópolis, em São Paulo, em 14 de maio de 2006. O motim começou às 7 da manhã, quando familiares entravam para a visita. Os rebelados subiram no telhado e prenderam faixas na caixa d´água com os dizeres: ‘PCC, paz, justiça e liberdade’ e ‘Contra a Opressão’
Alex Silva/Estadão Conteúdo/Arquivo


Fonte:

g1 > Política

Gangorra eleitoral: Lula e Flávio têm altos e baixos na semana com fim da escala 6×1 e decisão dos EUA sobre facções

A semana da política brasileira foi marcada por oscilações na agenda e na força dos pré-candidatos que figuram nas primeiras posições das pesquisas sobre as eleições presidenciais de 2026.
O senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve tentar a reeleição, registraram reveses e avanços no debate público.
Flávio Bolsonaro iniciou a semana ainda tendo de lidar com o desgaste público gerado pela divulgação de conversas e de uma reunião que teve com o dono do Banco Master.
Em mensagens reveladas pelo portal Intercept Brasil, o senador apareceu cobrando de Vorcaro recursos para o financiamento de uma cinebiografia sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ouça áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro em que ele chama banqueiro de ‘irmão’
Também foi revelada uma visita de Flávio a Vorcaro, quando o ex-banqueiro estava usando tornozeleira eletrônica após ser preso pela primeira vez por fraudes financeiras. Flávio nega irregularidades na relação com o dono do Master.
Ainda sob o desgaste causado por essas revelações, o senador viajou no domingo (24) aos Estados Unidos em busca de fatos novos e na esperança de uma agenda com o presidente Donald Trump.
O encontro aconteceu na terça-feira (26), na Casa Branca, em Washington. Após a reunião, Flávio publicou uma foto com presidente norte-americano e disse à imprensa que, entre outros temas, solicitou ao norte-americano a classificação das facções criminosas Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Flávio também se encontrou com auxiliares de Trump, entre eles o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Foi Rubio quem, na quinta-feira (28) à noite, afirmou que PCC e CV são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e anunciou a classificação, pelo governo dos EUA, dessas duas facções como terroristas.
Flávio e aliados correram para as redes sociais e para os microfones para atribuir a decisão dos EUA à articulação que o parlamentar do PL fez junto às autoridades norte-americanas. A medida, contudo, já estava em análise antes desse encontro do senador do PL com Trump.
Lula teve vitória em votação na Câmara
Em paralelo, o governo federal comemorou o avanço na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada e possibilita o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil.
Na segunda-feira (25), enquanto Flávio buscava um encontro com Trump nos EUA, Lula se reunia com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e negociava a aprovação da PEC. No mesmo dia, o relator, Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer favorável à proposta.
Na quarta-feira (27), o texto foi aprovado pela Comissão Especial, por 34 votos a 4, e seguiu para o plenário principal da Câmara, onde foi apoiado por esmagadora maioria dos deputados em dois turnos: 472 votos a 22, no primeiro; e 461 a 19, no segundo turno.
Onze políticos do PL, de Flávio, votaram contra a PEC no primeiro turno. E 9 foram contra o texto na segunda votação.
Fim da escala 6×1: Câmara aprova duas folgas semanais e jornada de 40 horas
Minutos após a aprovação, Lula foi às redes sociais dizer que a PEC – de iniciativa de parlamentares de esquerda – era uma “conquista civilizatória”, agradecer a Motta e afirmar que trabalharia pela votação no Senado.
Mas o governo teve pouco tempo para comemorar. No dia seguinte, os Estados Unidos anunciaram a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
Esse movimento do governo americano era algo que Lula vinha tentando evitar por avaliar que a medida pode dar margem a interferências norte-americanas no Brasil e, consequentemente, ser um risco à soberania brasileira.
Soberania que o petista disse ter defendido na reunião de cerca de três horas que teve com Donald Trump na Casa Branca no dia 7 de maio.
EUA classificam PCC e CV como terroristas
Na sexta (29), Lula reagiu ao anúncio dos EUA, dizendo que os brasileiros não aceitam serem tratados como “moleques”. E atacou Flávio Bolsonaro, afirmando que o político do PL “não tem vergonha de trair a pátria e pedir intervenção” no Brasil.
Adversários de Lula, os outros nomes que se apresentam como pré-candidatos para o pleito de 2026 – Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) – celebraram a decisão dos EUA.
A semana dinâmica na política brasileira pode ter sido uma amostra de como será a campanha eleitoral de 2026, com candidaturas experimentando altos e baixos em um curtíssimo espaço de tempo, como se os políticos estivessem em uma gangorra ou em uma montanha-russa.
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação


Fonte:

g1 > Política

Decisão EUA: veja os possíveis impactos econômicos da classificação do PCC e do CV como grupos terroristas

PCC e CV são organizações mafiosas, e não terroristas, diz o promotor Lincoln Gakiya
Os impactos da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, pelos Estados Unidos, ainda não são completamente conhecidos, mas o Brasil pode ser prejudicado economicamente pela medida.
O motivo, segundo pesquisadores e investigadores ouvidos pelo g1, é que as facções têm utilizado o sistema financeiro nacional para lavar dinheiro — assim como também vem sendo observado em outros países com suas organizações criminosas.
A Carbono Oculto, uma operação da Polícia Federal deflagrada em 2025 e com desdobramentos recentes em 2026, por exemplo, investiga a infiltração do PCC no mercado financeiro e na economia formal (veja detalhes abaixo).
“Como se sabe pelas operações policiais já feitas, a penetração de dinheiro ilegal é muito grande na economia legal. Imagina, por exemplo, um operador de agronegócio que faça negócios com uma transportadora de soja que seja usada para lavar dinheiro do PCC. Esse agroempresário pode ser julgado nos EUA”, diz Thiago Rodrigues, professor de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Facções criminosas do Brasil no foco dos EUA
Os EUA anunciaram a inclusão do PCC e do CV em duas listas: a de Terroristas Globais Especialmente Designados (“Specially Designated Global Terrorists”, ou SDGTs) e a de Organizações Terroristas Estrangeiras (“Foreign Terrorist Organizations”, ou FTOs).
Rodrigues explica que, no caso da inclusão das facções na primeira lista, que já está em vigor, o foco de eventuais ações do governo americano está no combate a operações financeiras realizadas dentro dos EUA.
Já a inclusão das facções na segunda lista traz consequências muito mais amplas, segundo Rodrigues, porque ela “projeta a capacidade de os Estados Unidos processarem pessoas de países terceiros que tenham relações com grupos que são listados como terroristas”.
Em outras palavras, “a atividade financeira de um grupo no Brasil pode ser processada nos EUA”, tanto na esfera cível quanto na criminal.
“Isso impacta diretamente na economia de um país. Qualquer pessoa, cidadã de outro país, pode ser processada no sistema jurídico-penal dos EUA: um político, uma personalidade pública, um empresário, um banqueiro — mesmo que não esteja fazendo negócio nos EUA, mas esteja fazendo negócio no seu próprio país”, afirma Rodrigues.
O exemplo da Carbono Oculto
– A Polí­cia Federal realiza Operação Carbono Oculto, no prédio localizado no número 3732 da Avenida Faria Lima, principal centro financeiro do País, na zona oeste de São Paulo, na manhã desta quinta-feira, 28 de agosto de 2025.
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
O promotor Lincoln Gakiya, que atua no combate ao PCC há 21 anos e é um dos investigadores da Operação Carbono Oculto, também aponta que a nova medida dos EUA pode fazer o país sofrer “sanções econômicas de natureza gravíssima”.
A operação da PF identificou que fintechs, que prestam serviços digitais semelhantes aos de bancos, misturavam dinheiro limpo e dinheiro proveniente do crime em “contas-bolsões” abertas em grandes instituições financeiras.
As investigações revelaram também que o esquema também utilizava o setor de combustíveis para a prática de lavagem de dinheiro, dificultando o rastreamento dos recursos ilícitos.
“Veja este exemplo: postos de combustíveis pertencentes a pessoas ligadas ao PCC praticaram transações com outros grupos, como Copape [empresa que mistura gasolina], e por sua vez o dinheiro auferido dessas transações foi parar no mercado financeiro, num fundo da gestora Reag [investigada pela PF]”, disse Gakiya em entrevista à jornalista Natuza Nery no podcast O Assunto desta sexta-feira (29).
“A Reag aplica uma parte de seus recursos, por exemplo, no Banco Master, que por seu turno faz transações de títulos com vários bancos grandes do país e que têm também operações financeiras com bancos americanos. Se a gente for levar ao pé da letra a interpretação que se dá a essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar esses bancos brasileiros — que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC”, explicou o promotor.
As sanções, de acordo com Gakiya, podem incluir o congelamento de ativos e a proibição de transacionar com qualquer instituição americana — o que seria especialmente problemático para bancos, que estão interligados ao sistema financeiro dos EUA.
“[A nova classificação] Pode afetar desde o sistema bancário até o turismo no Rio de Janeiro, passando pelo agro, pelas empresas de tecnologia, pela Bolsa de Valores. O Brasil não é uma economia pouco integrada na economia global, é a sétima economia do mundo. Não é a Venezuela, que é um país exportador de petróleo cru. O Brasil é um sistema econômico complexo e muito integrado”, diz Thiago Rodrigues.
Um representante de um grande banco brasileiro ouvido pela reportagem minimizou, no entanto, os possíveis impactos da medida anunciada pelos Estados Unidos.
Para o profissional, as instituições financeiras brasileiras já atuam com programas robustos de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro. “As fintechs que não seguem tais medidas é que devem ser impactadas”, disse reservadamente.
De olho nos tentáculos do crime organizado no sistema financeiro, o Banco Central tem adotado regras para aprimorar os mecanismos de identificação da origem e de rastreio de recursos.
Histórico nos EUA
Segundo o professor de Relações Internacionais Thiago Rodrigues, já havia grupos similares ao CV e ao PCC nas listas de terroristas dos EUA desde o ano passado.
Assim que assumiu o atual mandato, em 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para que o Departamento de Estado americano incluísse o crime organizado nessas listas. Na ocasião, Trump citou nominalmente o cartel de Sinaloa, do México, o Trem de Arágua, da Venezuela, e o Mara Salvatrucha, de El Salvador.
Ainda de acordo com Rodrigues, desde 2021 a facção PCC já estava em uma terceira lista do governo americano, classificada pelo Departamento do Tesouro como organização criminosa internacional. Essa lista prevê especificamente confiscos de bens e prisão de pessoas envolvidas em negócios com o PCC dentro dos EUA.
Essa classificação, no entanto, teve poucos resultados nos últimos cinco anos, segundo Rodrigues.
“O que a gente acredita é que a presença [de pessoas] do PCC nos Estados Unidos é irrisória, não é substancial. Não há uma iniciativa, até onde os pesquisadores saibam, de o PCC entrar nos Estados Unidos”, explica.
“Agora, essa nova lista [de grupos terroristas] é muito mais política do que técnica, porque coloca esses grupos em uma outra narrativa — da guerra contra o terrorismo, de um inimigo muito perigoso que justifica interferências nos sistemas políticos de outros países”, afirma.


Fonte:

g1 > Política

‘100 Dias’: filme sobre Amyr Klink ganha making of e data de estreia

Durante a Rio2C, foi divulgado o making of de 100 DIAS, longa-metragem inspirado na histórica travessia de Amyr Klink pelo Oceano Atlântico Sul. Estrelado por Filipe Bragança no papel do navegador e dirigido por Carlos Saldanha, o filme acompanha a jornada que transformou Amyr na primeira pessoa a cruzar o Atlântico Sul sozinho em um barco a remo, em 1984.
A revelação aconteceu durante um painel especial no evento, onde o ator Filipe Bragança subiu ao palco para anunciar oficialmente a data de estreia do longa: 29 de outubro, nos cinemas brasileiros.
As imagens inéditas dos bastidores destacam a grandiosidade da produção, trazendo um olhar mais próximo dos desafios técnicos e emocionais envolvidos na adaptação da história real. O making of evidencia a imensidão do oceano, o isolamento vivido pelo protagonista e os obstáculos físicos e psicológicos enfrentados durante a expedição. Com uma proposta cinematográfica imersiva, 100 DIAS promete transformar a travessia em uma narrativa intensa sobre resistência, identidade e superação.
Segundo a sinopse oficial, o filme acompanha Amyr Klink sozinho em um pequeno barco projetado por ele mesmo, enquanto desafia o Atlântico Sul a remo e escreve uma página inédita da navegação mundial. Durante a jornada entre a África e o Brasil, o navegador enfrenta não apenas o mar e seus perigos, mas também seus próprios medos, memórias, conflitos familiares e dilemas internos. Mais do que atravessar um oceano, Amyr embarca em uma profunda travessia emocional e existencial.
Além de Filipe Bragança no papel principal, o elenco conta com a atriz francesa Philippine Leroy-Beaulieu, conhecida por Emily in Paris, interpretando Asa Klink, mãe do navegador. Felipe Camargo vive Jamil Klink, enquanto João Vitor Silva interpreta Tymur Klink, pai e irmão de Amyr, respectivamente.
Com direção de Carlos Saldanha e roteiro assinado por Elena Soarez e Thais Tavares, 100 DIAS chega aos cinemas apostando em emoção, tensão e uma história real de coragem que marcou a navegação mundial.


Fonte: Jovem Pan

Trump só assinará acordo com Irã se for ‘bom para os EUA’ e respeitar linhas vermelhas

O presidente dos Estados Unidos só assinará um acordo de paz com o Irã que respeitar suas condições, disse à AFP um funcionário da Casa Branca, após uma reunião entre Donald Trump e seus assessores para discutir um possível compromisso. “O presidente Trump só fará um acordo que for bom para os Estados Unidos e respeitar suas linhas vermelhas”, afirmou o funcionário. “O Irã não pode possuir uma arma nuclear.”
Um relatório da agência de notícias iraniana Fars rebateu mais cedo elementos-chave da descrição do acordo feita por Trump. A agência citou fontes que descreveram as declarações do americano como uma “mistura de verdade e mentira”. As partes negociam há semanas para encerrar o conflito, que envolveu o Oriente Médio e sacode a economia mundial.
As esperanças de um acordo aumentaram na quinta-feira depois que autoridades Americanas se mostraram otimistas quanto ao rumo da diplomacia, e o vice-presidente JD Vance disse a jornalistas que “muitos avanços” haviam sido alcançados. O otimismo impulsionou nesta sexta-feira as bolsas dos Estados Unidos e da Ásia, enquanto os preços do petróleo recuaram levemente.
Em um publicação, Trump disse que Teerã retiraria as minas no Estreito de Ormuz e acabaria com seu bloqueio à via marítima “sem pedágios”, enquanto os Estados Unidos suspenderiam seu bloqueio paralelo aos portos iranianos, e os dois países coordenariam a retirada e destruição do urânio enriquecido do Irã. Ele também afirmou que “nenhum dinheiro será trocado, até novo aviso”.
A Fars, porém, citou fontes iranianas segundo as quais Teerã exige “a liberação imediata de 12 bilhões de dólares em ativos congelados” e diz que “até que esse pagamento seja efetuado, o Irã não passará à fase seguinte das negociações”. Em relação à reabertura sem pedágios de Ormuz, disseram que “não existe tal cláusula no texto do acordo”, enquanto o comentário sobre a destruição do material nuclear iraniano “carece de fundamento”.
A publicação de Trump ocorreu enquanto o principal diplomata iraniano sugeria que os Estados Unidos estavam bloqueando um acordo.


Fonte: Jovem Pan

Retomada da Magnitsky contra Moraes só aguarda aval de Trump, dizem aliados de Flávio

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificaram nos últimos dias as articulações junto ao governo dos Estados Unidos para retomar as sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky. Segundo fontes ouvidas pela Jovem Pan, do ponto de vista burocrático, tudo está absolutamente pronto para volta da Magnitsky contra Moraes, só precisa de uma ordem verbal, uma liberação verbal do Donald Trump.
O tema ganhou novo impulso esta semana durante reuniões realizadas em Washington por integrantes do núcleo bolsonarista com autoridades americanas. De acordo com fontes ligadas a Flávio e Eduardo Bolsonaro, o assunto foi tratado de forma direta nas agendas paralelas mantidas pelo grupo conservador brasileiro na capital americana.
Fontes próximas ao senador Flávio Bolsonaro afirmam que as conversas com o governo americano seguem em curso e envolvem Eduardo Bolsonaro e outros interlocutores conservadores. Flávio tem sido mantido a par de todos os desdobramentos, embora adote uma postura mais reservada publicamente sobre o tema.

Histórico das sanções
As sanções contra Alexandre de Moraes via Lei Magnitsky foram aplicadas pela primeira vez em julho de 2025, ainda no início do segundo mandato de Donald Trump.
Na ocasião, o Departamento de Estado e o Tesouro americano justificaram a medida citando “graves violações a direitos humanos e liberdades fundamentais”, incluindo censura sistemática a jornalistas, influenciadores e opositores políticos, além de decisões judiciais que teriam desrespeitado garantias constitucionais.
As punições incluíam:
• Bloqueio de eventuais bens e contas nos Estados Unidos;
• Proibição de entrada no país;
• Restrições a transações financeiras internacionais.
A medida gerou forte repercussão internacional e foi celebrada pelo campo conservador brasileiro como um marco de pressão contra o que chamam de “ativismo judicial” e “ditadura do Judiciário”. Por outro lado, o governo Lula e o próprio STF reagiram com veemência, classificando a sanção como uma “ingerência inaceitável” na soberania nacional.
Em dezembro de 2025, as sanções foram suspensas pelo governo Trump em um gesto interpretado como tentativa de distensão nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. A suspensão ocorreu após intensas negociações diplomáticas e pressão do Itamaraty.
Entenda a Lei Magnitsky
A Global Magnitsky Human Rights Accountability Act é uma ferramenta legal americana que permite ao governo dos EUA sancionar indivíduos estrangeiros envolvidos em graves violações de direitos humanos, corrupção ou abuso de poder. As penalidades vão desde congelamento de ativos até proibição de vistos. No caso de Moraes, os bolsonaristas o acusam de:
• Práticas reiteradas de censura prévia a conteúdos nas redes sociais;
• Decisões que teriam extrapolado os limites da Constituição Federal;
• Uso seletivo do poder judiciário contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.


Fonte: Jovem Pan

PCC e CV atuam em 12 estados dos EUA, diz porta-voz

A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Robertson, disse nesta sexta-feira (29) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e  Comando Vermelho (CV) atuam em, pelo menos, 12 estados do país. A integrante do governo norte-americano deu declaração durante entrevista exclusiva ao jornal 3 em 1, da Jovem Pan.
Robertson explicou que a classificação das facções brasileiras como terroristas resulta no bloqueio de bens dos grupos, na proibição de integrantes em entrarem no país e considera crime qualquer tipo de apoio às organizações criminosas. A porta-voz afirmou que a medida norte-americana visa “frear e eliminar” a atuação do PCC e do CV nos Estados Unidos, no Brasil e no mundo.
Perguntada se haveria possibilidade de intervenção norte-americana no Brasil, Robertson negou. A integrante do governo dos Estados Unidos disse que o enquadramento do PCC e do CV não contempla nenhum tipo de atividade militar.

Assista à íntegra da entrevista


Fonte: Jovem Pan

Flávio rebate crítica de Lula à decisão dos EUA sobre PCC e CV: ‘Soberania do povo’

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rebateu nesta sexta-feira (29) crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à decisão dos Estados Unidos em classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Por meio de vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o parlamentar defendeu a “soberania do povo brasileiro”.
“É a soberania das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio desses narcoterroristas. Um governo paralelo, impondo violência, covardia, medo. O povo brasileiro não aguenta mais viver com medo por causa desse tipo de gente”, disse Flávio.
O parlamentar ainda criticou o fato de Lula ter se referido ao PCC e ao CV como “nossos criminosos”. Mais cedo, o chefe do Executivo se manifestou sobre a medida dos Estados Unidos contra as facções brasileiras durante evento em Laranjeiras, em Sergipe.
“Estou muito triste com a notícia de que o secretário [de Estado] dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que os nossos criminosos são terroristas e que os norte-americanos podem fazer intervenção. Sabe por que estou triste? Porque o Comando Vermelho e o PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades”, declarou Lula.
O petista também afirmou que o enfrentamento às facções será feito internamente e citou as leis Antifacção e de Combate ao Crime Organizado. Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui (o Brasil) não é um país qualquer. É um país muito grande”, afirmou o chefe do Executivo.
Antes da fala de Lula, o governo federal emitiu uma nota sobre a medida norte-americana. No comunicado, o Executivo também criticou ações da família Bolsonaro no exterior.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, disse a nota.
O texto também chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de “falsos patriotas” que “tentam” manipular politicamente conceitos de segurança pública.

PCC e CV na mira
Na quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que o PCC e o CV passam a ser classificados como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês). O órgão também comunicou que pretende enquadrar ambas as facções brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês).
Segundo a nota do governo norte-americano, o CV e o PCC são duas das organizações criminosas “mais violentas” do Brasil. “Juntas, comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras, por toda a nossa região e por todo o país”, disse o documento.
A decisão dos Estados Unidos sobre as facções brasileiras se deu depois do encontro de Flávio com o presidente norte-americano, Donald Trump, e com Marco Rubio. Durante a reunião com o republicano, o senador pediu que o PCC e o CV fossem classificados como terroristas.


Fonte: Jovem Pan

PSDB busca apoio para aliança com Missão em SP e tem sinal verde do Solidariedade

A possível chapa entre PSDB e Missão ganhou um sinal verde de mais um partido para o projeto que busca ampliar o alcance no maior colégio eleitoral do país, em São Paulo. Segundo o presidente estadual do PSDB e ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, colocou-se à disposição para ser um dos candidatos ao Senado em uma possível “frente partidária”, que, segundo ele, deve começar na segunda quinzena de junho.
“A ideia é ir para questões pragmáticas, mais práticas de composição mesmo, para ver se esses diálogos evoluem”, disse Serra, que sinalizou já ter conversado também com representantes do Democracia Cristã (DC), Avante e Podemos. “Tenho muita clareza de que tem espaço, sim, para a gente construir. Agora, precisa haver outras forças políticas envolvidas”, acrescentou Serra.
A intenção da possível aliança entre PSDB e Missão faz parte de um projeto que tem como objetivo “furar a bolha da polarização”. A composição em estudo reúne o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e o presidente estadual do PSDB e ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra. O deputado confirmou que deve concluir nos próximos dias as negociações com Paulo Serra para discutir a formação de uma chapa conjunta entre Missão e PSDB.
“A gente está falando do maior estado do Brasil do ponto de vista econômico e financeiro. São 645 municípios, então não dá para achar que um partido sozinho vai conseguir levar essa mensagem”, disse Paulo Serra à Jovem Pan.
Pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Kim Kataguiri afirmou que a possibilidade de disputar o governo estadual aumentou nas últimas semanas. Segundo ele, a definição sobre transformar a pré-candidatura em candidatura deve ocorrer até o fim de junho. “Hoje, diferente de algum tempo atrás, a probabilidade maior é de eu disputar”, afirmou o deputado à Jovem Pan.
Mesmo sem anúncio oficial da aliança, a aproximação entre PSDB e Missão já conta com o apoio das lideranças nacionais das duas siglas. Segundo interlocutores, o presidente nacional do Missão, Renan Santos, e o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que articula uma possível candidatura presidencial tucana, veem na composição uma oportunidade de fortalecer os partidos no maior colégio eleitoral do país.
Legado tucano em São Paulo
O PSDB governou o estado de São Paulo entre 1995 e 2022, até a eleição do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante o período, os tucanos elegeram quatro governadores: Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra e João Doria. Para Paulo Serra, a disputa em São Paulo tem peso simbólico para o partido.
“São Paulo escolheu por quase 30 anos manter um modelo de gestão tucano. Isso para nós é muito simbólico”, declarou. O dirigente também reconheceu o impacto da polarização nacional sobre as eleições estaduais e municipais nos últimos anos.


Fonte: Jovem Pan