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Conceito e questões de saúde contrapõem debatedores sobre ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados — como refrigerantes, biscoitos e salgadinhos de pacote — representaram 26,7% das calorias ingeridas por adolescentes, 19,5% por adultos e 15,1% por idosos, segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2020, do IBGE. Os números foram lembrados por participantes de audiência pública realizada no Senado nesta terça-feira (26), que debateu os efeitos do consumo desses alimentos, especialmente entre crianças e adolescentes.
Em geral, alimentos ultraprocessados são produtos industriais prontos para consumo, ricos em aditivos químicos (que aumentam a durabilidade e dão mais sabor à comida) e que contêm pouco ou nenhum alimento de verdade, entre outras características. 
Especialistas alertaram que o consumo excessivo desse tipo de produto está associado ao aumento da obesidade e de doenças crônicas, devido ao alto teor de açúcar, gorduras e calorias e à baixa qualidade nutricional desses produtos. Segundo debatedores, os efeitos podem começar ainda na infância e atingir também a saúde mental, o desempenho escolar e os custos para o sistema de saúde. Por outro lado, representantes da indústria apontaram fragilidades na definição e na generalização dos produtos, além de rigor na produção e a busca permanente pela melhoria da qualidade, inclusive por meio de normas e acordos com órgãos públicos. 
Promovido pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o debate reuniu representantes do governo, pesquisadores, entidades da sociedade civil e da indústria alimentícia para discutir regulação do setor, acesso à alimentação saudável e consequências do consumo excessivo de ultraprocessados. A audiência foi presidida pela senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL).
Alimentação é saúde
Representante do Ministério da Saúde, a nutricionista Carla Renata dos Santos Marques destacou que a promoção da alimentação saudável ocorre tanto nas unidades básicas de saúde quanto nas escolas, por meio de ações de educação alimentar e nutricional, hortas pedagógicas e programas intersetoriais. Entre as iniciativas citadas pela nutricionista estão o Programa Saúde na Escola e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que seguem as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira.
O assessor regional em Nutrição e Atividade Física da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/WDC), Fábio Gomes, ressaltou que já existe ampla evidência científica relacionando o consumo de ultraprocessados ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis. Segundo ele, estudos mostram que dietas ricas nesses produtos elevam a ingestão de açúcar, gorduras e calorias e reduzem o consumo de nutrientes essenciais. Fábio também afirmou que os efeitos começam ainda nos primeiros meses de vida, afetando inclusive a amamentação e a alimentação infantil.
Vitória Moraes, nutricionista e analista de Inteligência do Programa Alimentação Saudável da ACT Promoção da Saúde, afirmou que o consumo de ultraprocessados está associado não apenas à obesidade e doenças crônicas, mas também a problemas como depressão, transtornos alimentares, bullying e baixo desempenho escolar. Segundo ela, o custo do tratamento da obesidade entre crianças e adolescentes chegou a R$ 1,6 bilhão na última década.
Ela destacou ainda que as escolas são ambientes estratégicos para a formação de hábitos alimentares. Segundo ela, estudos mostram que iniciativas locais de restrição de ultraprocessados em cantinas escolares reduziram o consumo desses produtos e podem diminuir os índices de obesidade entre adolescentes.
Desigualdade de acesso
A representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Bruna Pitasi, relacionou ultraprocessados, desigualdade social e insegurança alimentar. Ela apresentou dados sobre os chamados “desertos alimentares”, regiões com baixa oferta de alimentos saudáveis, e “pântanos alimentares”, locais com excesso de oferta de ultraprocessados.
Segundo Bruna, cerca de 25 milhões de brasileiros vivem em desertos alimentares e outros 15 milhões em áreas dominadas por ultraprocessados, situação que atinge principalmente jovens das periferias urbanas, especialmente a população negra e de baixa renda.
— A gente está falando também de uma grande desigualdade de raça, cor, desigualdade socioeconômica, desigualdade de trabalho, emprego e renda que vão afetar também esse consumo de alimentos ultraprocessados pelas pela população mais jovem.
Representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Roseli Oneide Zerbinato afirmou que o debate não pode ser tratado apenas como questão de escolha individual, mas também de acesso, abastecimento e organização do sistema alimentar. Ela ressaltou que, apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, milhões de famílias ainda enfrentam insegurança alimentar e dificuldade de acesso à comida saudável.
Saúde Ambiental
Além dos impactos na saúde humana, Fábio Gomes ressaltou os efeitos ambientais da produção e do consumo de ultraprocessados. Ressaltou que grandes fabricantes desses produtos estão entre os maiores poluidores plásticos do mundo e alertou para o aumento da produção de resíduos, do consumo de água e da emissão de gases de efeito estufa associados a esse modelo de alimentação.
— Os seis maiores poluidores de plástico no mundo são produtores e fabricantes de produtos ultraprocessados. Isso já está bem documentado e segue sendo reportado anualmente por esse grupo que audita a poluição plástica em todo o mundo. E sabemos que o uso de plástico ele vai triplicar para 2060.
Além dos resíduos plásticos, Fábio afirmou que as tintas usadas em caixas e outras embalagens de produtos ultraprocessados também contêm metais tóxicos, que podem se acumular no solo e comprometer a saúde ambiental. Diante desse cenário, o especialista defendeu a adoção de medidas regulatórias para conter o avanço dos ultraprocessados, como rotulagem adequada, restrição da publicidade, tributação e regulamentação do ambiente escolar. Segundo ele, essas políticas são essenciais para proteger a saúde da população e o meio ambiente.
Posição da indústria
O representante da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Alexandre Novachi, defendeu o papel do setor na garantia do acesso da população a alimentos seguros e afirmou que a indústria mantém compromisso com a saúde pública. Segundo ele, acordos voluntários firmados com o Ministério da Saúde permitiram a redução de gorduras trans, sódio e açúcares em produtos industrializados.De acordo com Gustavo Beduschi, da Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos), o processamento de alimentos contribui para a maior durabilidade dos produtos e afirmou que o setor segue regras do Ministério da Agricultura, da Anvisa e de normas internacionais. Ele criticou o que chamou de “demonização” dos alimentos ultraprocessados e argumentou que estudos sobre o tema apontam correlações, mas não necessariamente relação de causalidade com doenças. Segundo Gustavo, problemas como obesidade e doenças crônicas envolvem múltiplos fatores, como renda, sedentarismo e hábitos de vida. Ele também destacou a importância nutricional dos produtos lácteos e defendeu uma abordagem equilibrada sobre alimentação e saúde.
Raul Amaral, que participou pela Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), afirmou que há uma demanda crescente dos consumidores por produtos mais nutritivos, naturais e sustentáveis. Raul destacou que a indústria busca desenvolver ingredientes capazes de tornar os alimentos mais saudáveis, além de alternativas sustentáveis para componentes como óleo de palma e cacau.
Ele também citou novas tecnologias, como fermentação de precisão e cultivo celular, que, segundo afirmou, poderão contribuir futuramente para a alimentação da população e defendeu a reformulação de produtos como uma ferramenta importante para melhorar a alimentação da população e garantir segurança alimentar. Segundo ele, os ingredientes utilizados pela indústria passam por avaliações rigorosas de segurança realizadas por agências reguladoras.
Visões Divergentes
Luís Madi, engenheiro de alimentos e pesquisador do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), do governo de São Paulo, afirmou que a classificação de “alimentos ultraprocessados” não possui base consolidada na ciência e na tecnologia de alimentos e, por isso, não deveria orientar políticas públicas.
Segundo ele, desde a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira, em 2014, pesquisadores do Ital questionam o conceito. Madi argumentou que, do ponto de vista científico, não existe a categoria “ultraprocessado”, mas alimentos industrializados submetidos a processos voltados principalmente à segurança sanitária e à conservação.
A secretária-geral da Sociedade Brasileira de Nutrição e Alimentação (Sban), Marcia Terra, também defendeu maior clareza conceitual no debate sobre ultraprocessados. Ela afirmou que a segurança dos alimentos deve ser prioridade independentemente do tipo de produção. Ao citar um caso de botulismo envolvendo uma servidora pública que teria consumido alimento orgânico mal pasteurizado em Brasília, Marcia disse que não é contra alimentos orgânicos ou a produção familiar, mas contra alimentos estragados. Segundo ela, problemas de saúde não podem ser atribuídos exclusivamente a um alimento específico, já que doenças envolvem diferentes fatores comportamentais e de estilo de vida.
— Eu não sou contra alimento orgânico nem contra produção familiar. Sou a favor da segurança dos alimentos.


Fonte: Senado Federal

PF diz que Castro tinha ‘alinhamento’ e ‘vínculo pessoal estreito’ com Vorcaro e, por isso, RioPrevidência investiu no Master

PF diz que Castro tinha ‘alinhamento’ e ‘vínculo pessoal estreito’ com Vorcaro
Uma investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) mantinha um “vínculo pessoal estreito” e um “alinhamento político” com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo o relatório da PF, essa proximidade foi fundamental para viabilizar aportes bilionários do RioPrevidência, o fundo de previdência dos servidores estaduais, no Master.
Os detalhes constam de uma representação policial enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com base nesta investigação, o ministro André Mendonça autorizou nesta terça-feira (26) a 8ª fase da Operação Compliance Zero.
Cláudio Castro foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Até o momento, a defesa de Castro não se manifestou sobre a operação, afirmando apenas que Castro acompanhou as ações dos policiais com “serenidade”.
A equipe da PF ficou cerca de 3 horas na residência do ex-governador e deixou o edifício, na Barra da Tijuca, com 2 celulares apreendidos.
A investigação cita conversas encontradas no celular de Vorcaro que indicam que a liberação de determinados investimentos do fundo previdenciário dependia diretamente desse alinhamento com Castro.
A Polícia Federal identificou um “sincronismo” entre os encontros mantidos entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro e os repasses financeiros que aconteciam logo em seguida.
De acordo com a PF, a relação ia além dos contatos institucionais:
viagens e eventos: o banqueiro teria custeado e organizado eventos e encontros com Castro, inclusive em ambientes privados e no exterior.
‘coincidência temporal’: esses encontros privados coincidiam com as datas dos aportes bilionários realizados pelo RioPrevidência no Banco Master.
Para os investigadores, o conjunto de provas afasta a hipótese de mera coincidência e reforça a “plausibilidade concreta de interferência política indevida”.
“A relação de Daniel Vorcaro e Cláudio Castro trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional, alcançando indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3.691.000.000,00 em investimentos no Banco Master, somando-se os montantes aplicados em fundos e Letras Financeiras”, destaca Mendonça na decisão.
Mudanças na diretoria e alertas ignorados
A PF também ressalta que, em um período imediatamente anterior ao início dos investimentos, houve uma alteração estratégica na composição da gestão do RioPrevidência. Pessoas foram nomeadas para cargos-chave, como a presidência, a diretoria de investimentos e a gerência de investimentos.
O relatório aponta que essa dança das cadeiras serviu para garantir que as decisões de aplicação dos recursos fossem conduzidas em desconformidade com as normas regulatórias, atendendo aos interesses do banco.
“Os indícios apontam, ainda, para a continuidade das aplicações mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis”, diz trecho do documento da PF enviado ao STF.
A investigação aponta que o processo decisório teve etapas técnicas suprimidas e careceu de justificativas formais idôneas, o que permitiu o fluxo contínuo de dinheiro público para operações classificadas pela PF como “temerárias e desprovidas de justificativa técnica”.
Ministério Público Federal concordou com operação
O Ministério Público Federal deu parecer favorável à representação da Polícia Federal que investiga o caso.
De acordo com o órgão, há indícios robustos de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de corrupção praticados por uma organização criminosa estruturada para captar, de forma irregular, recursos de Regimes Próprios de Previdência Social — com destaque para o RioPrevidência — em benefício do Banco Master.
Em sua manifestação, o MPF apontou que a relação pessoal e política entre Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro viabilizou investimentos bilionários em Letras Financeiras e em fundos de investimento operados pelo banco.
A Promotoria reforça que essas aplicações ignoraram as exigências regulatórias e a própria política de investimentos do fundo dos servidores.
Para o Ministério Público, as investigações deixam claras as seguintes irregularidades no esquema:
alterações deliberadas nos procedimentos internos do RioPrevidência;
credenciamentos de fachada e ausência completa de análises técnicas antes das aplicações;
concentração excessiva de risco do dinheiro público e o uso de intermediários para inflar comissões e ocultar o pagamento de vantagens indevidas.
Cláudio Castro
Marcelo Camargo/Agência Brasil


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g1 > Política

Alcolumbre diz que vai instalar CPI da Adultização ‘o mais rápido possível’ e desconversa sobre CPI sobre o Master

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), disse nesta terça-feira (26) que vai instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Adultização, que busca investigar crimes cometidos contra crianças e adolescentes.
“Eu vou solicitar a Secretaria-Geral da Mesa que mande uma correspondência para as lideranças partidárias para que as lideranças partidárias possam, o mais rápido possível, fazer as suas indicações, para que o mais rápido possível a gente possa fazer a instalação desta Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar a pedofilia no Brasil”, afirmou Alcolumbre.
Para que a comissão comece a funcionar, as lideranças partidárias do Senado precisam indicar quais parlamentares vão integrar a CPI, o que não exige prazo. Só depois disso será marcada uma data para a realização da primeira sessão, em que serão definidos o presidente, vice-presidente e relator da comissão.
Agora no g1
A proposta de CPI foi sugerida pelo senador Magno Malta (PL-ES), em agosto de 2025, após o influencer Felca publicar um vídeo no YouTube denunciando a exploração de crianças e adolescentes por criadores de conteúdo adultos.
O caso repercutiu tanto que, em menos de um mês, o Congresso Nacional aprovou uma Lei que ficou conhecida como ECA Digital, que buscava proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.
“A violência tem crescido assustadoramente e compreende desde tentativas de abusos e violências físicas, emocionais e psicológicas, passando por pedofilia e exploração sexual, até homicídios”, justificou Malta.
Pela proposta, a CPI vai contar com 18 senadores, sendo 11 titulares e sete suplentes. E terá um prazo de funcionamento de 180 dias, ou seja, só terminará depois das eleições em outubro. O pedido do senador Malta contou com o apoiamento de 31 senadores, a maioria da oposição ao governo federal.
CPI do Master
O anúncio pegou de surpresa a casa, já que existem quatro pedidos de CPI do Master tramitando no Congresso, dois no Senado, um na Câmara e outro mista, das duas casas.
“É uma CPI importante, que conta com meu apoio integral e que tem óbvios méritos, mas parece evidente o esforço para empurrar o escândalo do Master para baixo do tapete. Como já disse diversas vezes, não vai adiantar, por conta do tamanho dos crimes e dos envolvidos”, afirmou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Carlos Moura/Agência Senado
Questionado, Alcolumbre justificou que decidiu por instalar a CPI da Adultização ao invés do Master em função do tempo de espera.
“A CPI da Pedofilia é uma solicitação há muito tempo do senador Magno Malta”, justificou.
Não é a primeira
Está não é a primeira CPI instalada para investigar crimes contra crianças e adolescentes no Congresso Nacional. Ao todo, seis comissões se aprofundaram de alguma forma no tema. Foram três na Câmara dos Deputados, duas no Senado e uma mista, das duas casas.
Entre as seis instaladas, duas foram propostas pelo próprio senador Magno Malta. A primeira foi em 2008, que levava o nome de CPI da Pedofilia. E a segunda veio em 2017, com a CPI dos Maus-Tratos infantis. Apenas a primeira, de 1995, terminou sem ter um relatório aprovado.
Veja abaixo a lista de CPIs no Congresso para investigar abusos contra crianças e adolescentes:
1995 – CPI da Adoção e Tráfico de Crianças Brasileiras [Câmara dos Deputados];
2003 – CPMI da Exploração Sexual [Congresso Nacional];
2008 – CPI da Pedofilia [Senado Federal];
2008 – CPI do Desaparecimento de Crianças e Adolescentes [Câmara dos Deputados];
2012 – CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes [Câmara dos Deputados];
2017 – CPI dos Maus-tratos [Senado Federal].


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g1 > Política

CNJ aprova e juízes terão contracheque único; objetivo é evitar salários acima do teto

CNJ aprova e juízes terão contracheque único
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (26), uma proposta apresentada pelo ministro Edson Fachin, presidente da Corte, que torna obrigatória a adoção do “contracheque único” para todos os juízes do país.
A medida tem como objetivo ampliar a fiscalização dos pagamentos a magistrados, em meio à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou o pagamento de verbas extras de caráter indenizatório, os chamados penduricalhos no salário de agentes públicos.
🔎O objetivo é evitar que os salários ultrapassem o teto constitucional — limite máximo, previsto na Constituição, de remuneração para os agentes públicos no Brasil. Ele corresponde ao valor da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal — que hoje é de R$ 46.366,19.
Tribunais terão 60 dias para se adequar às novas regras. A ideia é adotar transparência e controle sobre os penduricalhos.
⚖️Com a resolução aprovada nesta terça, cada magistrado só poderá receber um único documento com o detalhamento de salário e de todas as verbas indenizatórias, evitando o uso de folhas suplementares.
⚖️A padronização vai permitir que o CNJ amplie a verificação dos valores efetivamente pagos a cada juiz.
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) também aprovou nesta terça (26) uma resolução semelhante, para unificar o contracheque de procuradores e promotores.
Transparência e credibilidade
Em seu discurso, Fachin afirmou que “a transparência não é uma ameaça ao Poder Judiciário”.
“Mostrar à sociedade o que recebemos com clareza é a melhor forma de defender a nossa legitimidade e aumentar a credibilidade”, destacou o presidente do CNJ. Segundo ele, a proposta foi construída de forma colegiada com os demais integrantes da Corte.
“A prática de fragmentar pagamentos em múltiplos contracheques e folhas suplementares, de fato, subverte esse modelo e dificulta a verificação do cumprimento do teto remuneratório. O contracheque único, portanto, é uma exigência imperiosa para o cumprimento do comando constitucional”, afirmou.
“Essa resolução que estamos propondo assegura o pagamento do que é devido por direito. Sob a luz do sol, com absoluta clareza e transparência”, afirmou Fachin. “Damos hoje um passo firme rumo a um Judiciário mais moderno, íntegro e conectado com as expectativas da sociedade brasileira”.
Ministro Edson Fachin, presidente do CNJ
Gustavo Moreno/CNJ
O que diz a resolução?
Cada magistrado receberá, todo mês, um único contracheque.
➡️Com isso, fica proibida a publicação de documento remuneratório parcial, suplementar ou complementar que registre pagamentos realizados em separado;
➡️O documento vai discriminar os repasses de forma padronizada — ou seja, todas as verbas serão descritas de maneira igual nos contracheques — e individualizada;
➡️É proibido criar novos tipos de remuneração, ou usar nomenclaturas diferentes no contracheque único para verbas que não foram expressamente autorizadas por lei federal ou regulamentadas previamente pelos órgãos de controle;
➡️O documento do contracheque único deve deixar explícito o valor efetivamente pago na conta bancária ao magistrado em questão;
➡️Será criado um padrão único para os nomes das verbas de pagamento e para a emissão de contracheques nos órgãos do Poder Judiciário. As regras serão definidas por instruções normativas do julgamento.


Fonte:

g1 > Política

Áudio: Vítimas de violência doméstica poderão ter prazo maior para prestar queixa

O Senado aprovou nesta terça (26) o projeto que aumenta de seis meses para um ano o prazo para que mulheres vítimas de violência doméstica e familiar prestem queixa ou façam uma representação contra o agressor. O projeto (PL 421/2023) será encaminhado à sanção da Presidência da República. Ouça o áudio para saber mais.


Fonte: Senado Federal

Análise: Foto de Flávio Bolsonaro com Trump parece mais de encontro de fã com ídolo

Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump
Divulgação
A primeira foto divulgada nesta terça-feira (25) do encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece mais a foto de um fã com seu ídolo do que propriamente a de um presidenciável de um país soberano conversando com o presidente de outro país soberano.
Pode ser até que outras imagens sejam divulgadas, mas o que importa é que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não viajou para se encontrar com Trump, e sim para sair do Brasil, fugindo de perguntas sobre o escândalo do Banco Master.
Flávio não quer explicar onde está o suposto contrato do acordo firmado com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Desde que o áudio da conversa entre ele e Vorcaro foi divulgado, em 13 de maio, o pré-candidato à Presidência da República foi questionado duas vezes pela imprensa sobre o assunto e, em ambas, teve reações constrangedoras.
Na primeira, riu nervosamente ao ser questionado por um jornalista do site The Intercept sobre os R$ 61 milhões pagos por Daniel Vorcaro e pelo Banco Master, afirmando que a informação era “mentira”. Mais tarde, já no aeroporto, a caminho dos Estados Unidos, voltou a adotar um tom de leveza constrangedora ao brincar que só falaria em inglês.
A fotografia é o que menos importa para a pré-campanha. O silêncio do senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro importa muito mais.
Viagem de Flávio foi de última hora
O senador e pré-candidato chegou aos EUA na segunda-feira (25) e se hospedou no Hotel Willard, que fica próximo à Casa Branca. A viagem foi articulada pelo seu irmão, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), junto à ala ideológica do governo Trump.
Eduardo está nos EUA desde fevereiro de 2025 e perdeu o mandato por excesso de faltas. No Brasil, ele é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e atua politicamente no exterior, principalmente com aliados de Donald Trump.
Também é citado em apurações sobre suspeitas de financiamento irregular e articulações internacionais contra autoridades brasileiras.
A divulgação da proximidade do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afetou as intenções de voto de Flávio, de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha.
Nas simulações de primeiro turno, o senador recuou de 35% para 31%, uma queda de quatro pontos percentuais. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, oscilou de 38% para 40%. Com isso, a diferença entre os dois passou de três para nove pontos percentuais.
Nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio apareciam empatados com 45%. Na pesquisa mais recente, o petista foi a 47%, enquanto o senador recuou para 43%, abrindo uma vantagem de quatro pontos percentuais.


Fonte:

g1 > Política

Dra. Eudócia pede CPMI para investigar Master, BMG e operações do INSS

A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (26), defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar relações entre o Banco Master, o Banco BMG e operações de crédito consignado vinculadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A parlamentar afirmou que as investigações precisam alcançar possíveis conexões políticas e financeiras envolvendo os casos.
— Essa história do BMG e a história da máfia do INSS e Master se juntam. É a mesma história — disse.
A senadora questionou a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL). A parlamentar criticou a proposta defendida por Renan para que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) cubra prejuízos de fundos de pensão que investiram em papéis do Banco Master.
— A conduta do senador Renan Calheiros na CAE extrapola todos os limites. É abuso de autoridade, num claro desvio de finalidade. Ele usa a presidência da CAE, desrespeitando cada um de nós, para fazer palanque eleitoral — afirmou.
A parlamentar anunciou que protocolou notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR), na Polícia Federal (PF), no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Ministério Público Federal (MPF) para pedir o desarquivamento de investigações relacionadas ao Banco BMG e ao INSS.


Fonte: Senado Federal

CPI da Pedofilia: Davi cobra indicações de líderes

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, solicitou nesta terça-feira (26) que os líderes partidários indiquem senadores para compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia. O colegiado tem o objetivo de investigar crimes cometidos contra crianças e adolescentes — incluindo pedofilia e abuso on-line.
A CPI foi criada em agosto, mas ainda não começou a funcionar por falta de integrantes.
— O senador Magno Malta [PL-ES] tem cobrado a Presidência do Senado para que se entre em contato com os líderes a fim de que façam as indicações pelas suas bancadas. A Secretaria-Geral da Mesa do Senado vai encaminhar correspondência para as lideranças para que possamos instalar a CPI o mais rápido possível — disse Davi.
A comissão deverá ser composta por 11 membros titulares e 7 suplentes. Ela terá prazo de funcionamento de 180 dias e limite de despesas de R$ 400 mil.
O pedido de criação da CPI foi apresentado em conjunto pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pelos senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Magno Malta (PL-ES).


Fonte: Senado Federal

Em reunião no Senado, empregadores propõem discutir 6×1 depois das eleições

Representantes do setor produtivo apresentaram nesta terça-feira (26) sugestões para o debate sobre a escala de trabalho 6×1, em reunião com Davi Alcolumbre e líderes partidários na sala da Presidência do Senado. A principal reivindicação foi que a discussão seja feita de maneira técnica, de preferência após o período eleitoral.
O tema está em discussão na Câmara dos Deputados. Além de substituir a escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso) pela 5×2 (cinco dias trabalhados e dois consecutivos de repouso), as proposições reduzem a jornada máxima semanal, atualmente de 44 horas.
Entre os projetos que tratam do tema estão o PL 1.838/2026, enviado pelo governo, e duas propostas de emenda à Constituição, a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A expectativa é de que o relatório da Câmara às duas PECs seja votado pelos deputados ainda nesta semana. Em caso de aprovação, o texto segue para o Senado.
Um dos empresários que participaram da reunião, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticou “políticos que usam das pessoas e dos interesses do país para bandeiras políticas e para efeito eleitoral”.
— O que se pede? Vamos sair desse período eleitoral, vamos discutir isso com a profundidade que seja verdadeira e necessária — propôs.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, disse que a intenção da visita não foi contestar as propostas, mas buscar uma solução que atenda todos os envolvidos. Para ele, os textos em discussão são um equívoco e podem representar um aumento médio nos preços entre 6% e 8%.
— Não se pode discutir um assunto desses, com tamanha seriedade e importância, de uma forma açodada. Esperamos e temos fé que o Senado vai entender isso — disse Alban.
Negociação
Para Skaf, a discussão do fim da escala 6×1 precisa ser feita de maneira técnica, analisando as cerca de 2 mil atividades impactadas. Ele afirmou ser contra o “engessamento” da escala de trabalho na Constituição e disse que a jornada é uma questão de negociação entre empregadores e trabalhadores.
— O Senado deveria ter uma equipe técnica aprofundando, ouvindo todos os segmentos, aprofundando os detalhes, vendo custo-benefício, vendo os interesses do país. Mais diálogo, mais negociação e menos legislação — defendeu.


Fonte: Senado Federal

Flávio Bolsonaro diz que pediu a Trump para classificar PCC e CV como grupos terroristas

Flávio Bolsonaro se encontra com Trump na Casa Branca
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (26) que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca, que as facções criminosas PCC e Comando Vermelho sejam classificadas como organizações terroristas.
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A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa logo após o encontro dos dois na Casa Branca.
Membros da comitiva disseram ao g1 que a reunião foi rápida. Segundo relatos, documentos foram entregues a assessores da Casa Branca. Flávio, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo entraram apenas para tirar uma foto com o presidente norte-americano antes de deixarem o local.
Uma outra fonte relatou que Trump não chegou a se levantar para receber os brasileiros.
Segundo o blog do Valdo Cruz, Flávio pretendia abordar dois assuntos com Trump: a classificação de facções como organizações terroristas e a garantia plena da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, uma bandeira comum entre os dois.
Ainda não está claro se o senador conseguiu levantar algum desses temas no breve encontro com o presidente norte-americano.
O senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente Donald Trump na Casa Branca, em 26 de maio de 2026
Reprodução
Flávio chegou aos EUA na segunda-feira (25). A viagem foi articulada por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump.
Eduardo está nos EUA há mais de um ano. No Brasil, ele é alvo de investigação e atua politicamente no exterior, principalmente com aliados de Trump. Também é citado em apurações sobre suspeitas de financiamento irregular e articulações internacionais contra autoridades brasileiras.
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Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo com Donald Trump
Divulgação
Com o encontro, Flávio Bolsonaro tentou desviar o foco da agenda negativa que atingiu a campanha nas últimas semanas, segundo o blog do Valdo Cruz.
A divulgação da proximidade do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afetou as intenções de voto de Flávio, de acordo com a mais recente pesquisa Datafolha.
Nas simulações de primeiro turno, o senador recuou de 35% para 31%, uma queda de quatro pontos percentuais. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, oscilou de 38% para 40%. Com isso, a diferença entre os dois passou de três para nove pontos percentuais.
Nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio apareciam empatados com 45%. Na pesquisa mais recente, o petista foi a 47%, enquanto o senador recuou para 43%, abrindo uma vantagem de quatro pontos percentuais.
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Fonte:

g1 > Política