A influenciadora e advogada Deolane Bezerra teve prisão em flagrante convertida em preventiva após audiência de custódia nesta quinta-feira (21), na Vara das Garantias, em Osasco, em São Paulo. A informação foi noticiada pela CNN Brasil e confirmada pela Jovem Pan.
Conforme comunicado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a audiência de custódia verificou se houve alguma irregularidade no cumprimento do mandado de prisão expedido contra Deolane. A Corte informou que não foi identificada nenhuma. Portanto, a influenciadora foi encaminhada para a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital.
Deolane foi um dos alvos da Operação Vérnix, deflagrada também nesta quinta-feira pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil. A ação apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Deolane teria atuado como “caixa” da facção e recebido valores provenientes do PCC por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da organização criminosa.
Além de Deolane, os outros alvos da operação foram:
Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC;
Alejandro Camacho, irmão de Marcola;
Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder da facção;
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola;
Everton de Souza, suposto operador financeiro da organização criminosa.
Marcola e Alejandro já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Também foram bloqueados mais de R$ 327 milhões em bens e valores e sequestrados 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis ligados aos investigados.
De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, a investigação identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada, circulação de valores milionários sem origem comprovada e utilização de empresas para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento do dinheiro. A Operação Vérnix também possui desdobramentos internacionais. Três investigados que estariam na Itália, Espanha e Bolívia foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol para localização e eventual prisão.
Transportadora era usada em esquema de lavagem
As investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências à estrutura interna do PCC, ordens da cúpula da facção e possíveis ataques contra agentes públicos.
A partir das apurações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos que identificaram uma empresa de transportes usada, segundo os investigadores, para ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção. De acordo com o inquérito, a transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, teria movimentado mais de R$ 20 milhões, com incompatibilidade milionária entre os valores declarados ao Fisco e as movimentações financeiras identificadas pelos investigadores.
A Justiça reconheceu, em sentença anterior, que a empresa foi utilizada como instrumento de lavagem de capitais em benefício do PCC.
Como o PCC operava o esquema
As investigações apontam que o esquema era comandado de dentro do sistema penitenciário federal por Marcola e por seu irmão. Conversas encontradas em celulares apreendidos revelaram que familiares e pessoas próximas atuavam na administração financeira da transportadora, no repasse de ordens e na divisão dos lucros obtidos pela facção.
Segundo a polícia, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho aparecem como beneficiários e intermediários das movimentações financeiras. Já Everton de Souza, chamado como “Player”, seria responsável por orientar o direcionamento dos repasses financeiros da organização criminosa.
Conforme o relatório policial, Deolane teria recebido valores provenientes da transportadora e utilizado sua estrutura financeira para inserir os recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
O inquérito concluiu que a organização mantinha um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com participação de integrantes da cúpula do PCC, familiares e operadores financeiros ligados à facção.
Fonte: Jovem Pan