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Sem Lula, PT aprova manifesto para 2026 com foco em reeleição do presidente

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo (26), durante Congresso Nacional do partido, um manifesto com foco nas eleições de outubro, além de futuras diretrizes partidárias.
Em sua oitava edição, o evento, que ocorre em Brasília desde a última sexta-feira (24) e termina neste domingo (26), reuniu representantes escolhidos pela legenda, que analisaram e debateram o documento.
O texto aprovado, intitulado “Construindo o futuro”, estabelece a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 como o eixo central da tática política do PT para o próximo período.
Lula, contudo, não estava presente. Ele ainda se recuperava de dois procedimentos médicos realizados em São Paulo e tem previsão de voltar para Brasília ainda neste domingo.
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Balanço
O texto apresenta um balanço do atual mandato, classificando-o como o governo com “mais entregas da história”, em um esforço de reconstrução após o que o partido chamou de “projeto de destruição nacional” da gestão anterior.
O PT argumenta que a vitória em 2026 é “decisiva não apenas para o Brasil, mas para o campo democrático internacional frente ao avanço da extrema-direita e do fascismo”.
Para sustentar a tese da reeleição, o manifesto enumera indicadores positivos do governo Lula 3 como o crescimento da renda, combate à pobreza, expansão da educação em tempo integral e aumento no orçamento da saúde.
O documento cita ainda a capacidade do presidente em gerir crises, mencionando a atuação nas enchentes do Rio Grande do Sul e na contenção de preços diante de conflitos internacionais no Oriente Médio.
O manifesto defende que o Brasil deve “ir além” dos indicadores atuais para atualizar seu projeto de futuro.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em mensagem ao Congresso do PT
Reprodução
O partido propõe oito reformas decisivas para consolidar o caminho do desenvolvimento. Veja seis delas:
Reforma Política e Eleitoral: democratização do poder e alteração do modelo de emendas parlamentares;
Reforma Tributária: foco na taxação de super-ricos, fundos exclusivos e isenção para quem ganha até R$ 5 mil;
Reforma Tecnológica: regulamentação de oligopólios de plataformas digitais e busca por soberania digital;
Reforma do Judiciário: fortalecimento do Estado de Direito e mecanismos de autocorreção;
Reforma Administrativa: reconstrução da capacidade pública do Estado;
Reforma Agrária: citada como parte do compromisso com a justiça social.
No campo social, o PT incorpora pautas como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, além da busca pela tarifa zero na mobilidade urbana e a universalização de creches
O manifesto dedica espaço à soberania nacional, destacando a necessidade de o Brasil controlar suas reservas de terras raras para a transição energética e tecnológica, recusando o papel de mero exportador de minério bruto.
No cenário internacional, o texto critica a postura “agressiva” e o uso de tarifas comerciais por Donald Trump, contrapondo-a à tradição pacífica e mediadora do governo Lula.
Internamente, o PT propõe uma “permanente transição geracional”, com a limitação de mandatos em instâncias partidárias (no máximo dois no mesmo cargo) e a garantia de, no mínimo, 50% de mulheres nos espaços de deliberação.
O documento encerra reafirmando o compromisso do partido com o socialismo e com um mundo democrático de paz.
Vídeo de Lula
Lula gravou um vídeo que foi transmitido no primeiro dia de evento, na sexta. O presidente estava ausente porque foi submetido à retirada de um câncer de pele no couro cabeludo e fez uma infiltração no punho para tratar uma tendinite.
Os procedimentos foram realizados no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ambos os procedimentos ocorreram sem intercorrências.
No vídeo transmitido durante o evento, Lula elogiou o texto apresentado pelo PT e afirmou que partido que está no comando do governo “não corre atrás de adversários” e que acredita que, se fizerem tudo corretamente, não perderá eleição.


Fonte:

g1 > Política

Dino defende penas mais altas e perda automática de cargo para integrantes do Judiciário em casos de corrupção

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, defendeu neste domingo (26), em um novo artigo, a necessidade de reformar o Código Penal para endurecer a punição contra crimes cometidos por integrantes do Judiciário.
Entre esses integrantes, Dino cita juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores, servidores do sistema de Justiça em geral.
A proposta surge logo após o ministro sugerir, em outro texto recente, a revisão de competências do STF e de tribunais superiores.
As três principais propostas de Dino são:
punições mais altas;
afastamento imediato;
tipificação ampla da obstrução de Justiça (entenda mais abaixo).
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Punições mais altas
Dino sugere a ampliação das penas para crimes como peculato, concussão, corrupção passiva, prevaricação e tráfico de influência quando cometidos por profissionais do direito ( no exercício de suas funções.
Dino defende ainda um “espelhamento” de delitos já existentes, mas com sanções maiores devido à gravidade de trair a confiança do sistema).
Afastamento imediato
O ministro sai em defesa de regras que imponham o afastamento imediato das funções assim que a denúncia for recebida pela Justiça.
A condenação definitiva (transitado em julgado) deve gerar a perda automática do cargo, sem necessidade de outras etapas.
No caso de advogados, o recebimento da denúncia geraria suspensão na OAB e a condenação, o cancelamento definitivo do registro.
Tipificação ampla da obstrução de justiça
O magistrado propõe também a criminalização de ações que visem impedir, embaraçar ou retaliar o andamento de processos ou investigações.
A novidade é que essa punição deve ocorrer independentemente de o crime estar ou não relacionado a organizações criminosas, justificando-se pela gravidade de qualquer obstrução ao bom funcionamento da Justiça.
Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 16/04/2026
Luiz Silveira/STF
‘Justicídio’
O ministro utiliza o termo “justicídio” para classificar violações recorrentes à lisura do sistema por aqueles que deveriam aplicar a lei.
“É evidentemente reprovável que um conhecedor e guardião da legalidade traia a sua toga ou beca”, afirma Dino no documento.
Insuficiência dos órgãos de controle
Dino reconhece a importância de órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dos códigos de ética das carreiras jurídicas, mas pontua que esses instrumentos se tornaram insuficientes diante de redes sofisticadas de lavagem de dinheiro e do “ultra-individualismo” que atingiu o setor público
Para o ministro, a “confiabilidade” é o atributo fundamental para a legitimação democrática do Direito, o que justifica um tratamento legal específico e mais rigoroso para quem atenta contra a administração da Justiça.


Fonte:

g1 > Política

Buckingham reavalia visita do rei Charles a Washington após ataque a tiros

O Palácio de Buckingham reavalia a visita do rei Charles III a Washington após o ataque a tiros em um evento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava presente. “Diversas discussões ocorrerão ao longo do dia para debater com os colegas americanos e nossas respectivas equipes em que medida os eventos da noite de sábado podem ou não impactar o planejamento operacional da visita.”, diz o comunicado do Palácio.
Charles III viajaria para os Estados Unidos nesta segunda-feira (27). Segundo o Palácio, o monarca está  “sendo mantido totalmente informado sobre os desdobramentos” do acontecimento e enfatiza que Charles ficou muito aliviado” ao saber que o presidente Donald Trump, a primeira-dama Melania “e todos os convidados saíram ilesos”, acrescentou a nota.

Invasão e ataque 
Um jantar com jornalistas e correspondentes da Casa Branca no sábado (25), em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participava pela primeira vez, interrompido após um ataque a tiro.
O supeito, um homem de 31 anos, foi detido. Ele foi identificado como Cole Tomas Allen, um morador da Califórnia que estava hospedado no Washington Hilton, local onde era realizado o evento da Associação de Correspondentes. Trump, em entrevista após o caos, o classificou como “uma pessoa doente” e “um lobo solitário”.
Allen, que foi detido ainda ontem no hotel, está recebendo tratamento hospitalar e deve ser formalmente acusado na segunda-feira (27). Ele será acusado de usar uma arma de fogo durante um crime violento e de agredir um agente federal utilizando uma arma perigosa.
Além de Trump, o vice-presidente, J.D. Vance e a primeira-dama, Melania Trump, também foram retirados do local por agentes do Serviço Secreto. Altos estrondos foram ouvidos e os convidados do jantar de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca correram para se esconder debaixo das mesas.
Ataque contra presidente dos Estados Unidos já foi registrado no Washigton Hilton. Foi ao sair deste mesmo hotel, em 30 de março de 1981, que o então presidente Ronald Reagan sofreu um atentado a tiros.


Fonte: Jovem Pan

Lula presta apoio a Trump: ‘Violência política é uma afronta aos valores democráticos’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou, neste domingo (26), solidariedade ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após um ataque a tiros em um evento em Washington no sábado (25). “Minha solidariedade ao presidente Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e a todos os presentes no jantar com correspondentes em Washington.”, escreveu o mandatário. “O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger.“, acrescentou.

Minha solidariedade ao presidente Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e a todos os presentes no jantar com correspondentes em Washington. O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos…
— Lula (@LulaOficial) April 26, 2026

No sábado, um jantar com jornalistas e correspondentes da Casa Branca, em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participava pela primeira vez, foi interrompido após um ataque a tiro. O supeito, um homem de 31 anos, identificado como Cole Tomas Allen foi detido. Ele é um morador da Califórnia e estava hospedado no Washington Hilton, local onde era realizado o evento da Associação de Correspondentes. Trump, em entrevista após o caos, o classificou como “uma pessoa doente” e “um lobo solitário”.
Ele será formalmente acusado nesta segunda-feira (27), informou a promotoria federal. O suspeito, que trocou tiros com agentes do Serviço Secreto, mas não ficou ferido, comparecerá na segunda-feira perante um juiz do tribunal distrital dos Estados Unidos. Segundo a promotora federal Jeanine Pirro, o suspeito será acusado de usar uma arma de fogo durante um crime violento e de agredir um agente federal utilizando uma arma perigosa.


Fonte: Jovem Pan

Com Haddad e Pigossi como referências, tênis feminino do Brasil se destaca nas categorias juvenis

Bia Haddad quebrou barreiras, abriu espaço para novas gerações do tênis feminino no Brasil e segue sendo o maior nome da modalidade desde Maria Esther Bueno. Porém, hoje, ela já não é mais o único nome forte. 
Ela divide a atenção com duas jovens promessas: Nauhany Silva e Victoria Barros – ambas de 16 anos -, e duas velhas conhecidas da elite profissional: Luisa Stefani, que ocupa a 10ª colocação do ranking de duplas do WTA (Women’s Tennis Association), e Laura Pigossi, atual 217ª colocada no simples. 
Bia ainda é a número 1 do Brasil – atualmente ocupa a 69ª posição -, mas vêm acumulando derrotas nas últimas temporadas. Em 2026, por exemplo, soma duas vitórias em 13 partidas disputadas. Só venceu a catari Mubarak Al-Naimi, nas qualificatórias de Doha, e a portuguesa Francisca Jorge, na estreia do Challenger de Oeiras, em Portugal. 
Enquanto Bia acumula números negativos, suas compatriotas seguem o caminho inverso. Nauhany Silva e Victoria Barros têm feito história em 2026. Com elas, pela primeira vez na história, o Brasil tem duas jogadoras no top 10 do ranking juvenil da ITF (International Tennis Federation). Victoria é a 8ª colocada e Nauhany, a 10ª. 
Victoria Barros e Nauhany Silva são as promessas do Brasil no tênis│Gaspar Nóbrega/CBT
As duas protagonizarem, pela primeira vez em 40 anos, uma final brasileira no Banana Bowl – um dos mais tradicionais e importantes torneios internacionais de tênis juvenil do mundo -, que teve Nauhany como campeã após uma vitória por 2 a 1. 
O feito a consagrou como a primeira atleta do Brasil a conquistar o torneio desde 1991. Neste ano, ela já tinha quebrado outro tabu: foi campeã do Brasil Juniors Cup e colocou o país no topo depois de 35 anos. 
Na mesma competição, também venceu a disputa em duplas ao lado da argentina Sol Larraya. A última brasileira a vencer na categoria tinha sido Luisa Stefani, em 2015, um ano antes de Nauhany nascer. 
Luísa Stefani conquista 15º título da carreira │ZDL/Divulgação
Se no juvenil o Brasil vem forte, quando o assunto é o profissional, Luisa Stefani é uma referência. Diferente de Bia, ela prioriza as competições em duplas e é a melhor brasileira no ranking – está no Top 10. Luisa tem 15 títulos WTA na carreira. O último conquistado foi em fevereiro deste ano, quando venceu o WTA 1000 de Dubai ao lado da canadense Gabriela Dabrowski. 
Laura Pigossi, assim como Bia, também não tem vivido seu melhor momento na carreira. A segunda melhor brasileira no ranking mundial, começou 2026 na 201ª posição, mas as oscilações neste começo de temporada fizeram ela cair. Só que a vaga alcançada na semifinal do W50 no Burundi, fez com que ela subisse 8 posições e se garantisse no qualificatório de Roland Garros.
Além de Victória e Nauhany, a base do tênis feminino brasileiro tem outro destaque: A paranaense Eduarda Gomes, de 13 anos, se tornou a campeã mais nova do Roland Garros Junior Series, conquista que fez com que ela se juntasse às conterrâneas no Grand Slam de Paris, e fosse exaltada na página oficial do Roland Garros.

 

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Um post compartilhado por Roland-Garros (@rolandgarros)

Brasil também é referência no tênis paralímpico
Quem também tem feito seu nome é a mineira Vitória Miranda, de 18 anos, tenista paralímpica. Fez uma temporada de 2025 brilhante: conquistou 10 títulos de simples e 8 títulos de duplas, com destaque para as vitórias em simples e duplas no Australian Open e em Roland Garros Júnior. 
Vitória Miranda comemora no Parapan de Jovens Santiago 2025, Chile │Marcello Zambrana/CPB.
As conquistas a colocaram no primeiro lugar do ranking da ITF e fizeram com que fosse eleita a melhor tenista jovem de cadeira de rodas – prêmio referente à temporada de 2025. Essa foi a primeira vez que uma brasileira foi contemplada com o Prêmio Júnior do ano da ITF. Atualmente, Vitória está na 30ª colocação do ITF adulto. 
Os números e conquistas de Nauhany, Victória Barros e Vitória Miranda dão destaque para a possível nova era de ouro do tênis brasileiro feminino, além de fazer com que o ano de 2026 possa ser um ano de virada para a modalidade no Brasil, no juvenil e nas duplas, à espera de uma recuperação das brasileiras no torneio simples. 


Fonte: Jovem Pan

Qual a diferença entre terras raras, minerais estratégicos e críticos?

Nos últimos tempos a palavra “terras raras” passou a fazer parte do dia a dia do noticiario brasileiro e ganhando cada vez mais protagonismo global, principalmente depois que uma mineiradora dos Estados Unidos – USA Rare Earth – comprar a Serra Verde Group, mineradora brasileira responsável pela única operação em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras essenciais para ímãs permanentes. O valor da transação é de cerca de US$ 2,8 bilhões e deve ser concluído no terceiro trimestre de 2026.
Em resposta ao ocorrido, o Supremo Tribunal Federal (STF) votou, por unanimidade, pela constitucionalidade de lei de 1971 que impõe condições à venda de imóveis rurais a estrangeiros e empresas de capital internacional. Em março, a Advocacia-Geral da União havia defendido que as restrições estão previstas na Constituição de 1988 e devem ser mantidas para proteger a soberania territorial, coibir a especulação fundiária e prevenir esquemas de lavagem de dinheiro, informou a AGU em comunicado à imprensa.
Segundo o SGB, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso representa cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A maior parte das terras raras no Brasil está concentrada em:

Minas Gerais;
Goiás;
Amazonas;
Bahia;
Sergipe.

Esses estados têm os principais tipos de depósitos com potencial econômico.
Mas afinal, o que são terras raras, mineirais estratégicos e criticos? 
Terras raras
Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão do governo federal responsável por avaliar o potencial mineral do país, Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica:

15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio);
Escândio;
Ítrio.

Eles são essenciais para tecnologia de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, não são necessariamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos, o que dificulta a exploração econômica.
Terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto. Ou seja, toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara.
Minerais estratégicos
Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.
Minerais críticos
Minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento:

Concentração geográfica da produção;
Dependência externa;
Instabilidade geopolítica;
Limitações tecnológicas;
Interrupção no fornecimento;
Dificuldade de substituição.

A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país, e a lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda.
Porém, alguns exemplos mais comuns atualmente são:

Llítio;
Cobalto;
Grafita;
Níquel;
Nióbio.

Entre os minerais que costumam ser considerados críticos ou estratégicos na maior parte dos países, o Brasil se destaca por ter as maiores reservas de nióbio do mundo (94%), com 16 milhões de toneladas. Também é o segundo no ranking global de reservas de grafita (26%), com 74 milhões de toneladas, e o terceiro quando se trata de reservas de níquel (12%), com 16 milhões de toneladas.
Hoje, a China lidera amplamente o refino e a produção de terras raras, o que gera preocupação em outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar fornecedores. Nesse cenário, o Brasil aparece como um ator relevante.


Fonte: Jovem Pan

Projeções do El Niño apontam que fenômeno pode ser o mais forte em mais de um século

A Organização Meteorológica Mundial (OMM, agência da Organização das Nações Unidas) reiterou na semana passada que “os modelos climáticos apontam claramente na mesma direção e preveem, com um nível de confiança elevado, a instauração de um episódio de El Niño, que ganhará mais força nos próximos meses”
De acordo com o professor de ciências atmosféricas Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, em Albany, em entrevista ao jornal The Washington Post, existe um risco real para a formação do mais forte El Niño em mais de um século, por conta de um fenômeno excepcionalmente intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027.
O novo fenômeno pode quebrar o recorde do El Niño de 2015, quando a temperatura do Pacífico alcançou 2,8ºC acima da média. Se o cenário se confirmar, os efeitos poderão ser sentidos em escala global. Entre os impactos previstos estão secas severas em partes da América Central, da África Central, da Austrália, da Indonésia e das Filipinas.


Fonte: Jovem Pan

Suspeito de invadir evento de gala e atacar jantar com Trump será formalmente acusado nesta segunda-feira

Cole Tomas Allen, de 31 anos, e suspeito de abrir fogo em um evento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai ser formalmente acusado nesta segunda-feira (27), informou a promotoria federal. O suspeito, que trocou tiros com agentes do Serviço Secreto, mas não ficou ferido, comparecerá na segunda-feira perante um juiz do tribunal distrital dos Estados Unidos. Segundo a promotora federal Jeanine Pirro, o suspeito será acusado de usar uma arma de fogo durante um crime violento e de agredir um agente federal utilizando uma arma perigosa.
Allen, um morador da Califórnia e estava hospedado no Washington Hilton, local onde era realizado o evento da Associação de Correspondentes, disse às autoridades que tinha como alvo o próprio Trump. Morador de Torrance, na Califórnia, ele trabalhava como tutor após se formar no pretigiado de Tecnologia da Califórnia. De acordo com a polícia local, ele portava armas e facas. Allen, que foi detido ainda ontem no hotel e está recebendo tratamento hospitalar. 
No sábado, após o corrido, o presidente Trump, que disse que demorou para entender o que estava acontecendo, publicou uma foto em sua conta oficial do suspeito detido. Em entrevista, disse que ele é ‘um indivíduio doente’. “Ele está sob custódia e as forças de segurança vão investigar o apartamento dele. Ele provavelmente vive na Califórnia”, afirmou.
Nas redes sociais, Trump compartilhou a foto do suspeito e um vídeo em que ele aparece correndo e passando pelos agentes de segurança dentro do hotel Washington Hilton.

Ataque no hotel 
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado de um jantar para a imprensa em Washington após ataque a tiros. O evento é anual e acontece no Hotel Washington Hilton, onde o jantar é feito para os jornalistas correspondentes da Casa Branca. Era a primeira vez que Trump participava do encontro como presidente dos EUA.
Além de Trump, o vice-presidente, J.D. Vance e a primeira-dama, Melania Trump, também foram retirados do local por agentes do Serviço Secreto. Altos estrondos foram ouvidos e os convidados do jantar de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca correram para se esconder debaixo das mesas.

Segundo apurou a Jovem Pan, Donald Trump planejava discursar por 40 minutos no evento que contava com mais de 400 jornalistas.
Ataque contra presidente dos Estados Unidos já foi registrado no Washigton Hilton. Foi ao sair deste mesmo hotel, em 30 de março de 1981, que o então presidente Ronald Reagan sofreu um atentado a tiros.

 


Fonte: Jovem Pan

A personagem de IA que viraliza com críticas ao governo Lula e ao STF

Dona Maria, um avatar de inteligência artificial que já atingiu milhões de interações nas redes sociais com críticas a Lula e a ministros do STF
Reprodução/Dona Maria/Instagram
Quando o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ameaçou impor um tarifaço nas exportações do Brasil, um efeito quase imediato foi um aumento da popularidade do presidente Lula em pesquisas.
Lula se colocou como crítico da medida e das ações de Trump. Meses depois o país conseguiu fazer com que boa parte das tarifas fosse suspensa, com direito a elogios do americano ao presidente brasileiro.
Mas isso não impediu que o episódio polarizasse as bases de eleitores de Lula e do ex-presidente Bolsonaro.
Um lado culpava o tarifaço pelas ações do filho do ex-presidente, Eduardo, que vinha articulando nos EUA para que sancionassem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
De outro, críticos do presidente, especialmente da ala bolsonarista, diziam que Lula estava tentando fazer política partidária e rivalizar com Trump, ao invés de negociar com o líder americano.
Uma das falas que se destacaram nas críticas a Lula nas redes sociais naquele momento veio de uma voz e um rosto que não existem para além das redes sociais.
Era Dona Maria, um avatar criado com inteligência artificial para representar uma mulher negra, idosa, que fala palavrões e se diz revoltada com a situação do país.
Um vídeo sobre o tema publicado em sua conta no Instagram em 10 de julho de 2025 atingiu 8,8 milhões de visualizações e mais de 23 mil comentários.
“Eu já estou revoltada com essa p*, Brasil. E o molusco (referência ao presidente Lula) está calado. Agora que o povo está levando no r* com taxa gringa, ele está calado igual siri na lata. Cadê o povo na rua? Cadê panela batendo, cadê o grito, cadê a revolta? Ou todo mundo virou planta? Porque eu tô aqui gritando e só escuto o vento e a taxa vindo.”
(Nota da redação: esta reportagem foi originalmente publicada pela BBC no dia 14 de abril. No dia 22 de abril, três partindo, incluindo o PT, entraram com uma representação no TSE contra o perfil de IA. LEIA AQUI)
Na imagem, Dona Maria, criada com ferramentas do Gemini, a inteligência artificial do Google, fala em um microfone, como se estivesse em um discurso, com plateia ao fundo.
Os comentários se dividem: alguns diziam que queriam vê-la discutindo com Lula, outros reclamaram do excesso de palavrões. Um afirmou que ela “lavou a alma dos brasileiros.”
Ninguém questionou o fato de Dona Maria não ser uma pessoa de verdade.
O viral não foi exceção: a BBC News Brasil analisou dados da página e uma amostra de mais de 50 mil comentários e identificou um engajamento próximo ao de políticos tradicionais da direita brasileira, com uma média de mais de 2 mil comentários por publicação.
Ao menos 12 vídeos da página tiveram mais de 1 milhão de visualizações em menos de um ano.
Além do levantamento próprio, a reportagem também pediu à startup Zeeng, de análise de dados, uma comparação com outros perfis sobre política na mesma rede social.
A média de interações por publicação (comentários e curtidas) no Instagram desta personagem de IA no último ano foi semelhante à de políticos de diferentes espectros, como da senadora Damares Alves (Republicanos) e do deputado Lindbergh Farias (PT).
Foi também maior, no período, em média de interações por publicação, do que páginas como a do ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente Ronaldo Caiado (PSD), segundo este levantamento. Foram analisadas interações em publicações de julho de 2025 até a primeira semana de abril deste ano.
Isso não significa que esse engajamento seja recorrente ou permanente — as publicações mais recentes da página obtiveram engajamento inferior à média, por exemplo.
Uma página que tenha um maior número de publicações, mas com menos engajamento, apareceria em uma posição mais baixa neste ranking. Caso do perfil do presidente Lula, por exemplo, que postou mais e com conteúdos mais diversificados, como fotos, galerias e vídeos.
A análise dos comentários nos posts da Dona Maria também revela interações com políticos da direita e mensagens de apoio e críticas de usuários comuns.
Embora o perfil de Dona Maria não faça apoio explícito a um candidato, as críticas são, em sua maioria, direcionadas ao presidente Lula, ao atual governo e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O criador do perfil, que diz trabalhar como motorista de aplicativo e usar a página para complementar a renda, afirmou em entrevista à BBC News Brasil que não tem candidato.
Mas diz também que não teria dúvidas entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que aparecem como os nomes mais competitivos à presidência nas pesquisas de opinião até agora: se pudesse, conta, faria campanha para o segundo de graça.
Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, esse tipo de conteúdo gerado por IA poderá ser usado para mobilizar eleitores, abastecer candidatos com menos recursos e mobilizar campanhas não oficiais, com críticas a candidatos que poderiam violar regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Há também um risco, segundo os especialistas, de que esse tipo de conteúdo possa confundir eleitores e até o Judiciário.
PT, PV e PCdoB pedem ao TSE suspensão de perfis de ‘Dona Maria’, personagem criada por IA
Veja as interações em números
Arte/BBC
‘O algoritmo entrega assuntos que geram revolta social’
O perfil de Dona Maria apareceu pela primeira vez nas redes em junho de 2025.
Seu criador é Daniel Cristiano dos Santos, 37 anos e morador de Magé (RJ), na Baixada Fluminense. Daniel conta que trabalha como motorista de aplicativo e que vê hoje a página como um complemento em sua renda e também um espaço para expressar opiniões sem precisar mostrar o rosto.
Além de ganhar com as visualizações em outras redes, ele afirma que também cria vídeos de IA para empresas e ensina como fazê-los. O Instagram, diz, é a rede que chama mais a atenção.
Os primeiros vídeos públicos no canal mostram outros personagens de IA, sem características definidas como a de Dona Maria. Orientado por outro criador de conteúdo, que ele não quis divulgar o nome, Daniel decidiu trabalhar com um só personagem, que ele conta ser inspirado na avó.
“Tinha muitas cópias do meu vídeo. Não havia uma personagem específica para eu poder ter direitos autorais. Ela (a personagem) tem características da minha avó, por parte de mãe, que faleceu quando eu era moleque.”
A agressividade nas palavras, no entanto, não tem qualquer relação com a personalidade da avó, mas com o que Daniel avalia que é uma linguagem necessária para sobreviver nas redes sociais.
“Não sabia mexer com o algoritmo de rede social e fui aprendendo com o tempo. Assuntos que geram revolta social, o algoritmo entrega. Crítica a internet entrega. Se fizer vídeo falando muito a verdade, mas sem aquele toque apimentado, não entrega. Não adianta. O brasileiro está acostumado a ver desgraça na internet. Pensei em dosar um pouco, mas passar uma mensagem.”
Uma das primeiras pautas dos vídeos foi o preço elevado de alimentos no supermercado. No Facebook, o primeiro vídeo divulgado já atingiu dois milhões de visualizações.
“Eu não passo necessidade. Mas ao mesmo tempo eu batalho, corro atrás. Trabalho desde 2019 como motorista de aplicativo aqui no Rio. O cara que trabalha e tira um salário mínimo ou um pouco mais, ele sente o peso quando vai ao supermercado e paga R$ 1.000 por metade de um carrinho de compras. É um negócio que bate, sensibiliza qualquer um. Essa foi a minha visão ao criar o primeiro vídeo.”
Os vídeos seguintes tratam de temas diversos, seja a megaoperação policial no Rio, em outubro de 2025, que deixou mais de cem pessoas mortas, ou o tarifaço de Trump sobre o Brasil.
“Muito se falou que a culpa foi do Eduardo (Bolsonaro). Na minha visão não foi. Porque na época Trump fez essa estratégia de taxa em vários países, não só no Brasil. E na época Lula se recusou a sentar e dialogar com Trump”, disse ele sobre o vídeo mais visto da página (vale ressaltar que Lula e Trump se encontraram pessoalmente em outubro e trocaram elogios, três meses depois da publicação).
A decisão sobre quais temas abordar nos vídeos não é aleatória. Santos diz que pesquisa os assuntos que mais estão circulando nas redes sociais naquele dia, com mais engajamento, e o mais popular vira a pauta.
Há dias, inclusive, em que o tema foge da política. Um dos mais recentes, por exemplo, trata do jogador Neymar. Durante a entrevista, Daniel mostrou também a produção de um vídeo em que Dona Maria tem um dia como motorista de aplicativo, é maltratada por uma passageira e então responde à altura.
IA do Google e vídeos por R$ 20
Gemini é usado para gerar vídeos de IA de canal
Getty images
Durante a entrevista Daniel contou — e mostrou em sua tela compartilhada — que usa ferramentas do Google para gerar o material: o Gemini e a plataforma Flow, que permite criar sequências de vídeos curtos e depois combiná-los. O ChatGPT, outra ferramenta popular de IA, também é usado para gerar os textos que vão descrever como os vídeos devem ser feitos.
A BBC News Brasil também testou essas plataformas. O Flow é o que garante que o usuário pode recriar o vídeo diversas vezes até que fique bom o suficiente para publicação, sem os erros estranhos que a IA costuma gerar, como movimentos sem sentido ou falta de continuidade nas ações. Este processo consome créditos — Daniel diz que gasta cerca de R$ 20 por vídeo.
“Comecei a fazer um atrás do outro. E foi o que deu no que deu. Tem no Facebook, no TikTok, no YouTube, no Kwai.”
Ele disse que sempre teve receio de gravar o próprio rosto para falar sobre política.
“Por meio da IA você consegue passar um pouco a revolta que sente, o que acontece com o brasileiro. Hoje muitas pessoas me procuram para fazer vídeos porque elas têm receio de gravar. Se veem na câmera e não acham legal.”
Daniel admite que já divulgou informações incorretas. Não fez retratação pública, mas decidiu apagá-las.
“Quando eu faço algum vídeo que não é verídico, eu nem me retrato, eu apago o vídeo. Já aconteceu duas vezes. É aquele negócio de você fazer vídeos sozinho; você não consegue checar certas informações. Foi um erro meu. Eu bati só com o que estava rolando no Instagram. Mas aí, quando eu fui no Google, já bateu ali que era totalmente ao contrário. Eu peguei e apaguei.”
Página recebe patrocínio ou apoio de políticos?
Santos diz que trabalha sozinho na página e que já foi procurado por casas de aposta, mas recusou convites de publicidade.
“Ganho pouco. Tenho uma visão de preferir não me corromper para não tirar a característica do brasileiro que está cansado e quer melhorar o seu país.” Ele diz que faz os vídeos no tempo livre, mas que sua principal renda é como motorista.
Daniel conta que boa parte dos seguidores é de pessoas idosas, possivelmente de baixa renda (o Instagram não entrega esse tipo de informação) e que muitas vezes sequer percebem que a personagem é gerada por inteligência artificial. Não se sentiria, portanto, à vontade para divulgar algum tipo de produto que os prejudicasse, diz.
Ele afirma que a visibilidade dos vídeos trouxe propostas diversas, tanto de empresas quanto de pré-candidatos às eleições deste ano, sem citar nomes. E não descarta trabalhar na eleição, a depender da proposta.
“Eu não posso falar que vou dispensar serviço. Não vou, porque, querendo ou não, é um trabalho.”
A BBC News Brasil não encontrou indícios de que a página receba algum tipo de financiamento de políticos, embora haja figuras, tanto com cargo público quanto influenciadoras digitais da direita, que comentam e reverberam este conteúdo.
‘O ódio desperta a pessoa a se movimentar’
O cientista político Hilton Fernandes, professor da Fespsp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), se surpreendeu ao ver a qualidade dos vídeos de IA e o efeito que poderiam ter nas eleições deste ano.
“A primeira coisa que eu senti quando vi o vídeo é que era muito bem feito. O texto é bom. É possível você imaginar uma pessoa falando com você, pessoalmente, daquele jeito.”
A qualidade do material gerou desconfiança. “Parecia que tinha alguma coisa por trás, algum tipo de orientação, dinheiro, recurso, às vezes, um político”, diz.
A BBC News Brasil não encontrou evidências de que o criador do perfil trabalhe para qualquer candidato ou partido. Também identificou ao menos um processo judicial em que Daniel é mencionado e que o cita, de fato, como motorista de aplicativo.
Para Fernandes, o risco mais relevante da Dona Maria não é a desinformação convencional, ou seja, uma mentira factual que poderia ser verificada e desmentida.
O problema, diz, está em outra camada: o que o formato produz no espectador, mesmo quando se sabe que a voz é gerada por máquina.
“O fato de ela falar com raiva, usar alguns palavrões, indignação, falar alto, falar rápido, tudo isso cria um clima um pouco desconfortável… se você não acredita no vídeo, você sabe que é inteligência artificial, mas você fica ali à exposição, porque você acaba ouvindo o discurso, inconscientemente, você começa a associar aqueles temas com coisas negativas.”
Segundo Fernandes, isso tem implicações diretas para o comportamento eleitoral. O conteúdo raivoso trabalha com dois mecanismos emocionais, diz: o entusiasmo, que mobiliza quem quer que um candidato ganhe, e o desconforto, que afasta ou radicaliza quem assiste.
“A campanha negativa funciona. O ataque atrai, o ódio desperta a pessoa a se movimentar. Muita gente que fala que quer que o PT saia, não importa quem é o candidato. E isso tem a ver com esse sentimento de ser contra, de oposição.”
O cientista político vê a IA como uma ruptura especialmente importante para candidaturas menores. Antes, a barreira de entrada para produzir conteúdo político de qualidade era financeira. Com a IA, isso pode ter mudado.
“A inteligência artificial vai fazer muita diferença agora pra candidaturas menores, que têm menos recursos, geralmente candidatos a cargos proporcionais. Porque é muito mais barato. É muito mais barato produzir o texto, a arte, o vídeo.”
As grandes campanhas também devem usar a tecnologia, diz o especialista, mas de forma menos visível e até possivelmente irregular, sem deixar rastros.
“As grandes campanhas talvez façam o uso de inteligência artificial no que a gente chama de campanha de submundo. Aquela campanha que ninguém sabe de onde vem. Fica muito escondida, não tem registro, não tem declaração no TSE. Às vezes, pode até descobrir que se relaciona a um, uma campanha ou a um partido, mas a gente não tem como provar.”
Ele avalia também que será desafiadora a responsabilização por esse tipo de conteúdo.
“Com a inteligência artificial eu não tenho essa identificação da pessoa. Então fica muito mais difícil responsabilizar e, ao mesmo tempo, diminui demais o peso da denúncia falsa, do texto falso, da desinformação… É muito mais fácil de perdoar, porque parece uma brincadeira, parece algo que foi feito espontaneamente pela internet, não tem alguém por trás.”
Ele compara a situação aos memes que surgiram nas eleições anteriores e a dificuldade de enquadrá-los em algum tipo de irregularidade.
“Vai ser a mesma coisa que aconteceu com os memes. É tanto volume que não tem como tratar. O TSE vai tentar criar alguns exemplos, gerar constrangimento, mas não vai conseguir acompanhar tudo.”
Perfil opera em ‘zona cinzenta’, diz professora
Para Yasmin Curzi, professora da FGV Direito Rio, perfis que usam IA como o de Dona Maria operam em uma zona cinzenta.
Segundo Curzi, as críticas ao governo, ao Supremo ou a políticos — como as reproduzidas na página — não necessariamente fogem do escopo da liberdade de expressão. Dependendo do contexto, gravidade e falseamento de informações, podem ser passíveis de punição.
“O problema começa quando esse conteúdo gerado por IA é vinculado sem nenhuma rotulagem. Mesmo na pré-campanha é necessário que esse conteúdo esteja rotulado como produzido por inteligência artificial”, afirma.
A professora explica que a nova resolução do TSE (23.755/2026) ampliou e endureceu regras para deepfakes — montagens que simulam uma pessoa real dizendo ou fazendo algo que nunca aconteceu, proibindo-as e impondo regras para o ciclo eleitoral.
O caso da Dona Maria, porém, é diferente: a personagem não tenta se passar por alguém que existe.
O TSE também prevê o dever de diligência dos candidatos. Isso significa que, se um candidato compartilhar ou patrocinar conteúdo gerado por IA — mesmo que não o tenha produzido —, ele assume corresponsabilidade.
“Se o conteúdo tiver IA e não tiver rotulagem, se tiver veiculando fatos inverídicos, esse engajamento gerado pelo candidato pode ser usado como evidência pelo TSE de conhecimento prévio. E o candidato pode responder sim por propaganda irregular”, diz. “Pela jurisprudência do TSE, poderia inclusive gerar configuração de abuso de poder político, dependendo do grau de dano causado no equilíbrio do jogo eleitoral.”
A responsabilização, explica Curzi, pode ser múltipla: alcança o criador do perfil, o candidato beneficiado (se demonstrado conhecimento prévio ou financiamento), o partido ou coligação envolvidos e até a própria plataforma — no caso, o Instagram —, se, após notificada pelo TSE, não remover o conteúdo declarado irregular.
Geração de vídeos com IA amplia riscos de desinformação às vésperas da eleição, avaliam especialistas
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TSE não tem capacidade para enfrentar avalanche de conteúdo de IA, diz especialista
Para João Victor Archegas, coordenador de Direito & Tecnologia e GovTech do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), o caso da Dona Maria antecede uma eleição em que a inteligência artificial deixou de ser problema apenas das campanhas oficiais e passou a ser ferramenta ao alcance de qualquer eleitor.
Archegas conta que personagens criados com IA para espalhar mensagens políticas vinham aparecendo cada vez mais no seu próprio feed.
“Não tenho nenhum dado. É uma sensação generalizada que a gente tem no campo, de que está aumentando consideravelmente nos últimos meses”, diz.
O pesquisador lembra que, nas eleições municipais de 2024, a enxurrada de IA que se temia não veio. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a publicar, naquele ano, resolução sobre o tema, com a proibição de deepfakes por candidatos e regras para o uso de chatbots. Mas o número de casos que efetivamente chegaram à Justiça Eleitoral foi pequeno.
“Foi muito pouco. Se esperava uma onda, um tsunami no Brasil, como tinha acontecido, por exemplo, na Índia um ano antes”, afirma. “No Brasil, chegou como uma marola.”
Para Archegas, 2026 será diferente: a tecnologia ficou barata, acessível e replicável.
“Os sistemas de inteligência artificial hoje permitem fazer o que esse sujeito ensina na prática. Com um pouquinho de tempo, você cria uma persona que pode replicar em vários conteúdos. Não precisa nem pensar no texto, pode usar o ChatGPT para criar o roteiro. E depois joga numa inteligência artificial que cria o vídeo.”
O fluxo que hoje é feito por uma única pessoa custaria milhões de reais há poucos anos, diz o pesquisador.
“Há duas décadas se gastariam milhões de reais para contratar isso numa consultoria. Porque você teria alguém especializado em produzir o roteiro e pensar em uma linguagem que faça sentido para aquela rede social, que aperte os botões certos e leve aquele conteúdo a mais pessoas.”
O risco, na avaliação dele, não está apenas no volume, mas na construção de uma identidade afetiva entre o público e o avatar.
“Vai criando essa identidade e isso vai abrindo espaço na mente das pessoas, deixando-as talvez até mais vulneráveis. E eventualmente, durante as eleições, abre-se caminho para espalhar informações completamente inventadas e falsas. Nada impede que esse movimento aconteça em algum ponto. E aí as coisas começam a ser bem complexas: você criou uma personalidade na qual as pessoas confiam.”
Conforme a exposição aumenta, diz Archegas, a fronteira entre o avatar e uma pessoa real pode se apagar na cabeça do usuário da rede social.
“Conforme você vai sendo exposto a esse conteúdo diversas vezes, começa a naturalizá-lo e não vê mais uma diferença entre um avatar criado por IA e uma pessoa revoltada com a situação do país. As coisas começam a se confundir e o impacto no discurso público acaba sendo exatamente o mesmo. Esse é o perigo, me parece.”
Para o pesquisador, o TSE não tem hoje capacidade de reagir a esse tipo de conteúdo — e essa é a parte mais grave do problema.
“Acho que isso é o mais aterrorizante. O tribunal estava esperando algo muito mais profissional e que viesse de um ponto de vista partidário, inclusive. Partidos apoiando seus candidatos a produzir esse tipo de conteúdo, que é muito mais fácil de fiscalizar e, eventualmente, até aplicar sanções. Não é o caso com esse fenômeno, porque a gente está falando de um eleitor que pode simplesmente aprender a fazer algo extremamente profissional.”
Um dos riscos centrais, segundo Archegas, é o uso da tecnologia nos últimos dias antes do voto — o TSE aprovou neste ano uma medida que proíbe o uso de IA na propaganda eleitoral nas 72 horas que antecedem a eleição e nas 24 horas seguintes.
“Essa é a janela de informação da vontade do eleitor, e eu, TSE, não quero que ela seja falseada por esse ciclo de inteligência artificial. E 24 horas depois porque o gato escaldado tem medo de água fria. É uma questão que remete ao que aconteceu no dia 8 de janeiro e à possibilidade de você gerar um caos em relação aos resultados das eleições com inteligência artificial, que possa levar as pessoas a cometerem atos de violência.”
Diante do limite institucional da Justiça Eleitoral, Archegas defende que a saída prática passa pelas plataformas, como Instagram, TikTok e YouTube.
“Mapear essas contas, entender como elas podem participar de uma eleição no Brasil em 2026 e, percebendo algum sinal de irregularidade ou de tentativa de falsear a construção da vontade do eleitorado, que possam atuar para tentar conter um pouco desse processo que parece inevitável.”
Procurado, o TSE diz que “não se manifesta sobre temas ou casos que possam vir a ser ou são objetos de análise na Justiça Eleitoral” e que “isso é feito somente nos autos processuais.”


Fonte:

g1 > Política

Lula manifesta solidariedade a Trump após tiros em jantar em Washington: ‘Violência política afronta a democracia’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou solidariedade ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e aos participantes do jantar com correspondentes em Washington no qual foram registrados tiros na noite deste sábado (25).
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil “repudia veementemente o ataque” e classificou a violência política como uma afronta aos valores democráticos.
“Minha solidariedade ao presidente Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e a todos os presentes no jantar com correspondentes em Washington. O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger”, disse o presidente.
O episódio ocorreu durante um jantar de gala que reunia jornalistas, autoridades e convidados em um hotel na capital americana. Segundo informações, um homem foi detido após efetuar disparos nas imediações do local. Ninguém ficou ferido.
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Trump afirmou que o suspeito agiu sozinho e o classificou como um “lobo solitário”. As autoridades americanas investigam as motivações do ataque e possíveis falhas no esquema de segurança do evento, considerado de alto risco devido à presença do presidente dos EUA.
Relatos de participantes descrevem um momento de pânico e confusão logo após o barulho dos tiros. O jantar foi interrompido, e o prédio passou por varredura policial. A segurança de Trump e de outros presentes foi reforçada imediatamente.
O ataque reacendeu o debate nos Estados Unidos sobre violência política e proteção de autoridades em eventos públicos. Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que o caso expôs vulnerabilidades no planejamento de segurança e pode levar a uma revisão de protocolos em cerimônias oficiais.
A manifestação de Lula se soma a mensagens de solidariedade enviadas por outros líderes internacionais, que também condenaram o episódio e reforçaram a defesa da democracia e do diálogo político como pilares do sistema internacional.


Fonte:

g1 > Política