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História da guerra interna da Mercedes em 2016 e o título de Nico Rosberg

A temporada de 2016 da Fórmula 1 ficou marcada na história do automobilismo não apenas pelo domínio técnico da Mercedes, mas pela deterioração completa da relação entre seus dois pilotos, Lewis Hamilton e Nico Rosberg. O que começou como uma amizade de infância no kartismo evoluiu para uma rivalidade tóxica que dividiu a garagem das “Flechas de Prata”. O campeonato foi decidido na última volta da última corrida, em um duelo psicológico e tático que exigiu resiliência máxima do piloto alemão para superar um dos maiores talentos da história do esporte.
História e linha do tempo da rivalidade
A tensão entre Hamilton e Rosberg vinha crescendo desde 2014, mas atingiu seu ponto de ebulição em 2016. Diferente dos anos anteriores, onde Hamilton prevaleceu com relativa facilidade, Rosberg iniciou a temporada focado e com uma abordagem psicológica renovada.
A cronologia da “guerra civil” da Mercedes em 2016 inclui momentos decisivos:

O início avassalador: Rosberg venceu as quatro primeiras corridas da temporada (Austrália, Bahrein, China e Rússia), construindo uma vantagem significativa de pontos enquanto Hamilton sofria com problemas de confiabilidade e largadas ruins.
O desastre de Barcelona: No GP da Espanha, a rivalidade explodiu. Na primeira volta, Rosberg defendeu a posição de forma agressiva e Hamilton tentou passar pela grama. Os dois colidiram e abandonaram a prova, permitindo a primeira vitória de Max Verstappen. A gestão da Mercedes, liderada por Toto Wolff e Niki Lauda, teve que intervir drasticamente nos bastidores.
O toque na Áustria: Na última volta do GP da Áustria, Rosberg (com freios desgastados) e Hamilton colidiram novamente. Hamilton venceu, e Rosberg caiu para quarto, gerando vaias e ameaças de ordens de equipe por parte da direção.
A virada na Malásia: Hamilton liderava confortavelmente e estava prestes a retomar a liderança do campeonato quando seu motor explodiu de forma dramática. Rosberg terminou em terceiro, abrindo uma vantagem que, no final, se provaria insuperável.
A resistência em Abu Dhabi: Chegando à final com 12 pontos de vantagem, Rosberg precisava apenas de um pódio. Hamilton venceu a corrida, mas a verdadeira batalha aconteceu atrás dele, onde Rosberg teve que suportar a pressão estratégica do britânico.

Regras e funcionamento da tática em Abu Dhabi
Para entender como Nico Rosberg suportou a pressão de Lewis Hamilton em Abu Dhabi para vencer seu único título mundial, é necessário analisar a tática empregada por Hamilton, conhecida como “backing up” (segurar o pelotão). As regras de engajamento naquela tarde em Yas Marina fugiram do padrão de uma corrida normal.
A dinâmica técnica da final funcionou da seguinte maneira:

A matemática do título: Rosberg precisava terminar no pódio (top 3) caso Hamilton vencesse. Se Rosberg caísse para quarto, Hamilton seria campeão.
A estratégia de Hamilton: Sabendo que não bastava vencer e abrir vantagem, Hamilton deliberadamente reduziu seu ritmo na liderança. Seu objetivo era “empurrar” Rosberg para as garras dos pilotos que vinham atrás, especificamente Sebastian Vettel (Ferrari) e Max Verstappen (Red Bull).
O desafio do ar sujo: Rosberg estava preso em uma armadilha aerodinâmica. Se tentasse ultrapassar Hamilton, corria o risco de colidir (o que daria o título a ele, mas mancharia sua reputação) ou destruir seus pneus no ar sujo do carro à frente.
A intervenção da equipe: A Mercedes, temendo perder a vitória para a Ferrari devido à tática lenta de Hamilton, ordenou via rádio que o britânico acelerasse. Hamilton respondeu com a famosa frase: “Eu estou perdendo o campeonato mundial agora, então não me importo se vou perder a corrida”.
A ultrapassagem crítica: O momento chave não foi contra Hamilton, mas contra Max Verstappen. No meio da prova, a equipe informou a Rosberg que era “crítico” passar o holandês. Rosberg executou uma manobra arriscada e precisa, chegando a milímetros de uma colisão, para assegurar a segunda posição virtual que lhe garantiria o título.

Títulos e recordes da temporada
A temporada de 2016 foi estatisticamente histórica para a equipe Mercedes e consolidou o legado de Nico Rosberg, que se aposentou dias após a conquista.
Os números daquele ano demonstram o nível da disputa:

Nico Rosberg:
1 Título Mundial de Pilotos.
9 vitórias na temporada.
8 pole positions.
16 pódios.
Lewis Hamilton:
Vice-campeão (perdeu por apenas 5 pontos).
10 vitórias na temporada (mais vitórias que o campeão).
12 pole positions.
17 pódios.
Mercedes AMG Petronas:
19 vitórias em 21 corridas (recorde absoluto na época).
20 pole positions em 21 corridas.
765 pontos no Campeonato de Construtores.

Curiosidades sobre a decisão
Os bastidores da conquista de Rosberg revelam detalhes que tornam o feito ainda mais impressionante sob o ponto de vista humano e esportivo.

O retiro silencioso: Para vencer Hamilton, Rosberg contratou um treinador mental e começou a praticar meditação. Ele também parou de andar de bicicleta para perder 1kg de massa muscular nas pernas, o que ele calculou que lhe deu os centésimos de segundo necessários para a pole position no Japão.
Família de campeões: Ao vencer em 2016, Nico Rosberg igualou o feito de seu pai, Keke Rosberg (campeão em 1982). Eles se tornaram apenas a segunda dupla de pai e filho a vencerem na F1, juntando-se a Graham e Damon Hill.
Aposentadoria imediata: A pressão psicológica foi tão intensa que, cinco dias após levantar o troféu em Viena, Rosberg chocou o mundo ao anunciar sua aposentadoria imediata da Fórmula 1 aos 31 anos, afirmando que não estava disposto a fazer o mesmo sacrifício novamente.
O “Código de Conduta”: Após a batida na Espanha, a Mercedes criou um documento legal interno com regras estritas de engajamento, ameaçando demitir qualquer piloto que causasse outra colisão entre os dois carros.

A batalha de 2016 permanece como um dos maiores exemplos de fortitude mental na história do esporte. Enquanto Hamilton contava com um talento natural inigualável, a vitória de Rosberg provou que a preparação obsessiva e a inteligência emocional podem superar a velocidade pura. A forma como Nico Rosberg suportou a pressão de Lewis Hamilton em Abu Dhabi encerrou um ciclo narrativo perfeito, transformando a “guerra das flechas de prata” em uma lenda do automobilismo moderno.


Fonte: Jovem Pan

História de como Hamilton superou Massa na última curva de Interlagos em 2008 e levou o título

O Grande Prêmio do Brasil de 2008 não foi apenas uma corrida, mas o clímax de uma temporada intensa disputada ponto a ponto entre a Ferrari, liderada pelo brasileiro Felipe Massa, e a McLaren, com o jovem britânico Lewis Hamilton. Chegando a Interlagos, a matemática era simples, mas tensa: Hamilton tinha sete pontos de vantagem. Para ser campeão em casa, Massa precisava vencer a corrida e torcer para que Hamilton chegasse, no máximo, em sexto lugar. Se Massa chegasse em segundo, Hamilton teria que ser oitavo ou pior.
O cenário estava armado para um duelo histórico. Felipe Massa fez a sua parte com perfeição durante todo o fim de semana, garantindo a pole position e dominando a prova. No entanto, a imprevisibilidade climática de São Paulo desempenhou o papel de protagonista, transformando as voltas finais em um caos estratégico que culminou na ultrapassagem decisiva na Junção, a poucos metros da bandeira quadriculada.
História e cronologia da decisão
A temporada de 2008 foi marcada por erros e acertos de ambas as equipes, chegando à última etapa com Hamilton somando 94 pontos e Massa 87. A corrida começou com chuva forte, atrasando a largada e obrigando todos a trocarem pneus de pista seca por intermediários.
Massa largou bem e manteve a liderança, controlando o ritmo. Hamilton, correndo com o regulamento debaixo do braço, mantinha-se na zona de pontuação necessária para o título (top 5). A pista secou, os pilotos voltaram para pneus de pista seca, e a ordem parecia estabilizada até as últimas voltas.
Faltando menos de 10 voltas para o fim, a chuva voltou a cair em Interlagos. A maioria dos líderes, incluindo Massa e Hamilton, parou para colocar pneus intermediários. A Toyota, no entanto, decidiu manter Timo Glock na pista com pneus de pista seca (slicks), uma aposta arriscada para ganhar posições de pista.
Na 69ª de 71 voltas, Sebastian Vettel, então na Toro Rosso, ultrapassou Lewis Hamilton. Com essa manobra, Hamilton caiu para a 6ª posição. Naquele momento, com Massa liderando, o brasileiro era virtualmente o campeão mundial.
Felipe Massa cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. A Ferrari começou a comemorar nos boxes, e a torcida brasileira explodiu nas arquibancadas. Porém, na pista, a chuva havia apertado. Timo Glock, com pneus de pista seca, não conseguia mais manter o carro no traçado e perdeu drasticamente a velocidade na subida da Junção. Lewis Hamilton, vindo logo atrás, contornou a última curva real do circuito, ultrapassou a Toyota de Glock nos metros finais e assumiu o 5º lugar.
Essa posição garantiu a Hamilton 4 pontos, somando 98 no total, contra os 97 de Massa (que somou 10 pela vitória). Por uma diferença de um ponto, definida na última curva da última volta, Lewis Hamilton conquistou seu primeiro título mundial.
Regras e funcionamento da pontuação em 2008
Para entender a complexidade daquele final, é necessário compreender o sistema de pontuação e as regras vigentes na época, que eram diferentes das atuais.
A pontuação distribuída aos oito primeiros colocados seguia a escala:

1º lugar: 10 pontos
2º lugar: 8 pontos
3º lugar: 6 pontos
4º lugar: 5 pontos
5º lugar: 4 pontos
6º lugar: 3 pontos
7º lugar: 2 pontos
8º lugar: 1 ponto

Além disso, o regulamento técnico da época ainda permitia o reabastecimento durante a corrida, o que tornava as estratégias de pit stop fundamentais. Outro fator crucial eram os pneus. Em 2008, a Fórmula 1 ainda utilizava pneus com sulcos (grooved tyres) para pista seca, o que reduzia a aderência mecânica em comparação aos pneus slicks (lisos) que retornariam no ano seguinte. Isso explica a dificuldade extrema de Timo Glock em manter o carro na pista molhada sem os pneus adequados.
Não havia DRS (asa móvel) para facilitar ultrapassagens, o que valorizava ainda mais a manobra de Vettel sobre Hamilton e a necessidade de Hamilton buscar a posição na pista puramente no braço e na tração do carro.
Títulos e recordes envolvidos
Aquele domingo em Interlagos definiu marcas históricas tanto para os pilotos quanto para as equipes envolvidas na disputa.

Lewis Hamilton: Tornou-se, naquele momento, o campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1 (23 anos, 9 meses e 26 dias), recorde que seria quebrado posteriormente por Sebastian Vettel em 2010. Foi o primeiro de seus sete títulos mundiais.
Felipe Massa: Conquistou sua 11ª e última vitória na Fórmula 1. Ele se tornou o vice-campeão mundial de 2008. Apesar da derrota no campeonato de pilotos, sua performance ajudou a Ferrari a garantir o título.
Ferrari: Graças à vitória de Massa e ao 3º lugar de Kimi Raikkonen, a Ferrari conquistou o Campeonato Mundial de Construtores de 2008, o último título da equipe italiana até o momento.

Curiosidades sobre o evento
A decisão de 2008 é cercada de fatos que ampliam a lenda em torno da corrida.

O soco na parede: Imagens da transmissão mundial mostraram um mecânico da Ferrari dando um soco em um painel de vidro dentro dos boxes ao perceber que Hamilton havia cruzado em 5º lugar, interrompendo a celebração prematura da família de Massa.
“Is that Glock?”: A narração britânica de Martin Brundle e James Allen imortalizou a frase “Is that Glock going slowly?” (É o Glock indo devagar?), quando perceberam que a Toyota estava se arrastando na pista, abrindo a porta para o título de Hamilton.
Singapura e o Crashgate: O título foi decidido por apenas um ponto. Meses antes, no GP de Singapura, houve o escândalo do “Crashgate”, onde Nelsinho Piquet bateu propositalmente para ajudar Fernando Alonso. Naquela corrida, Massa teve um problema no pit stop (arrancou com a mangueira de combustível) e não pontuou. Muitos analistas argumentam que, se a corrida de Singapura tivesse sido anulada, Massa seria o campeão.
Postura de campeão: Felipe Massa foi amplamente elogiado por sua postura no pódio. Mesmo visivelmente emocionado e chorando, ele bateu no peito e agradeceu à torcida, demonstrando grande esportividade na derrota mais dolorosa de sua carreira.

A vitória de Hamilton sobre Massa na última curva de Interlagos transcendeu as estatísticas e se tornou um marco cultural no automobilismo. Ela simboliza a natureza imprevisível da Fórmula 1, onde o desempenho técnico, a estratégia e a sorte se colidem. Para Felipe Massa, ficou o gosto amargo de ter sido campeão mundial por cerca de 30 segundos; para Hamilton, foi o início de uma era de domínio que reescreveria os livros de recordes do esporte.


Fonte: Jovem Pan

Gol no fim, rádio no ouvido: as rodadas que pararam o Brasil

O suor escorre frio. O coração parece bater na garganta, no ritmo da narração que sai de um celular ou de um radinho de pilha. Em um canto do país, um grito de gol explode em euforia; em outro, o mesmo lance causa um silêncio de velório. Não há nada no esporte nacional que se compare à tensão de uma última rodada do Brasileirão com tudo em jogo. É o momento em que 37 rodadas de suor, tática e paixão são resolvidas em 90 minutos de pura agonia e êxtase. É aqui que a história é escrita, onde lendas nascem e gigantes caem. Prepare-se para relembrar as decisões de título e rebaixamento mais emocionantes na última rodada do Brasileirão, momentos que provam por que o futebol é muito mais que um jogo.

Gritos de campeão no apagar das luzes
Quando o título está em disputa até o último segundo, a atmosfera é elétrica. Estádios lotados, torcedores com os olhos vidrados no campo e os ouvidos atentos às notícias de jogos simultâneos. Alguns desses capítulos se tornaram inesquecíveis.

2009: A nação rubro-negra em festa: O Flamengo de Adriano e Petković precisava vencer o Grêmio no Maracanã para ser campeão após 17 anos. O estádio pulsava, mas um gol do Grêmio no início gelou os mais de 80 mil presentes. A virada veio com a alma, com gols de zagueiros, e a explosão final com o apito do árbitro confirmou o hexa, levando o Rio de Janeiro ao delírio.
2020: O título que veio com uma derrota: Em um cenário pandêmico, com estádios vazios, o drama foi transmitido pela TV. O Flamengo perdeu para o São Paulo no Morumbi, mas o Internacional, que só precisava de uma vitória simples contra o Corinthians, não conseguiu marcar. Um gol anulado pelo VAR nos minutos finais selou o destino do Inter e entregou o troféu ao rival, na mais amarga das circunstâncias.

A matemática cruel da luta para não cair
Se a briga pelo título é gloriosa, a luta contra o rebaixamento é visceral. É a batalha pela honra, pela sobrevivência. Cada gol sofrido, cada chance perdida, tem o peso de uma tragédia anunciada. E em algumas últimas rodadas, o drama foi além do imaginável.

2019: A queda de um gigante: O Cruzeiro, um dos clubes mais vitoriosos do país, chegou à última rodada precisando de um milagre. A tensão no Mineirão era palpável. A derrota para o Palmeiras, somada a uma combinação de resultados, selou o primeiro rebaixamento da história do clube em meio a um cenário de caos, com o jogo sendo encerrado antes do tempo por conta da revolta da torcida. Uma ferida que permanece aberta.
A dança das cadeiras: Muitas vezes, não é apenas um time, mas quatro ou cinco que chegam à rodada final com a corda no pescoço. Em anos como 2008 e 2017, a última vaga do rebaixamento trocou de mãos diversas vezes ao longo dos 90 minutos. Um gol em Salvador podia rebaixar um time em Florianópolis, transformando o campeonato em um complexo jogo de xadrez emocional.

Por que a última rodada mexe tanto com a gente?
A magia da rodada final está na simultaneidade. É a única vez no ano em que o destino de todos está interligado em tempo real. A tecnologia mudou a forma como vivemos essa experiência – do rádio de pilha colado ao ouvido para os múltiplos aplicativos de resultados no celular –, mas a essência do drama é a mesma. É a prova de que, no futebol, nada está garantido até o fim. É a conexão de milhões de pessoas sentindo a mesma angústia e a mesma esperança, unidas por um escudo e por 90 minutos que podem mudar tudo. É a celebração da imprevisibilidade, o ingrediente que nos faz amar tanto este esporte.
Esses momentos de pura adrenalina são a alma do Brasileirão. São as histórias que contamos por anos, o “eu estava lá” que enche o peito de orgulho ou o “e se” que ecoa na memória. O choro de alegria do título improvável e a lágrima amarga da queda inesperada são as duas faces da mesma paixão. E a cada ano, quando a tabela se aperta, uma certeza nos move: a próxima última rodada histórica pode estar logo ali, pronta para criar novos heróis e parar o Brasil mais uma vez.


Fonte: Jovem Pan

Como as asas de um F1 geram velocidade nas curvas

A velocidade de um carro de Fórmula 1 não se mede apenas em retas. A sua capacidade de contornar curvas em velocidades extremas é o que realmente define seu desempenho, e o segredo para essa proeza reside em um conceito fundamental: a aerodinâmica. Entender como as asas dianteira e traseira de um F1 funcionam para gerar tanta velocidade nas curvas é desvendar a engenharia que permite a esses carros produzir mais aderência do que seu próprio peso. Este artigo detalha os princípios por trás desses componentes e seu papel no complexo sistema aerodinâmico de um monoposto.

O princípio fundamental: downforce vs. arrasto
Para entender as asas, é preciso primeiro compreender o conceito de downforce (força descendente). Pense em um carro de F1 como uma asa de avião invertida. Enquanto a asa de um avião é projetada para criar sustentação (lift) e decolar, os componentes aerodinâmicos de um F1 são desenhados para fazer o oposto: empurrar o carro contra o asfalto.
Isso é alcançado ao criar uma diferença de pressão de ar. O ar que passa por baixo da asa percorre um caminho mais longo do que o ar que passa por cima. Pelo Princípio de Bernoulli, o ar que viaja mais rápido tem menor pressão. Essa diferença cria uma zona de baixa pressão sob a asa, efetivamente “sugando” o carro para o chão.
Downforce: Aumenta a força vertical sobre os pneus, gerando mais aderência mecânica. Com mais aderência, o carro pode frear mais tarde, acelerar mais cedo e, crucialmente, manter velocidades mais altas nas curvas sem derrapar;
Arrasto (Drag): É a resistência do ar que se opõe ao movimento do carro. Componentes que geram muito downforce, como asas com grande ângulo de ataque, também geram muito arrasto, o que limita a velocidade máxima em retas. O desafio dos engenheiros é encontrar o equilíbrio perfeito entre downforce para as curvas e baixo arrasto para as retas;
Análise das asas: a função da dianteira e da traseira
As asas dianteira e traseira são os geradores de downforce mais visíveis, mas suas funções são distintas e complementares, essenciais para o equilíbrio e o desempenho geral do carro.
A asa dianteira: o primeiro ponto de contato
A asa dianteira é a primeira parte do carro a interagir com o ar “limpo” (não turbulento). Suas funções principais são:
Gerar downforce no eixo dianteiro: Ela pressiona as rodas da frente contra o asfalto, garantindo que o piloto tenha aderência para esterçar o carro e iniciar a curva com precisão;
Gerenciar o fluxo de ar: Esta é talvez sua função mais crítica. A asa dianteira condiciona e direciona o fluxo de ar para o resto do carro. Ela foi projetada para desviar o ar turbulento gerado pelos pneus dianteiros e canalizar um fluxo limpo e energizado para componentes vitais como o assoalho, os sidepods e o difusor, maximizando a eficiência aerodinâmica de todo o conjunto;
A asa traseira: estabilidade e potência aerodinâmica
A asa traseira é responsável por gerar uma porção significativa do downforce total do carro, atuando diretamente sobre o eixo traseiro.
Gerar downforce no eixo traseiro: Essa força é crucial para a tração e a estabilidade, especialmente na saída das curvas, quando o piloto acelera. Sem ela, as rodas traseiras perderiam aderência facilmente;
DRS (Drag Reduction System): A asa traseira possui uma aba móvel que pode ser aberta em zonas específicas da pista. Ao abrir, ela “achata” o perfil da asa, reduzindo drasticamente o arrasto e permitindo que o carro atinja velocidades mais altas nas retas para facilitar ultrapassagens;
O equilíbrio entre o downforce gerado na dianteira e na traseira é vital. Um excesso na frente pode causar sobreviragem (oversteer), enquanto um excesso na traseira pode levar à subviragem (understeer).
Além das asas: outros componentes aerodinâmicos cruciais
Embora as asas sejam proeminentes, elas trabalham como parte de um sistema integrado. Outros componentes são igualmente importantes para a performance aerodinâmica.
Assoalho e Efeito Solo: Com os regulamentos recentes, o assoalho tornou-se o principal gerador de downforce. Ele possui dois grandes túneis (chamados de túneis de Venturi) que aceleram o ar que passa por baixo do carro, criando uma enorme zona de baixa pressão e gerando o “efeito solo”, que suga o carro para a pista de forma muito eficiente e com menos arrasto;
Difusor: Localizado na parte traseira do assoalho, o difusor ajuda a expandir e desacelerar o fluxo de ar que sai de baixo do carro. Esse processo aumenta a velocidade do ar no assoalho, potencializando ainda mais o efeito solo e a geração de downforce;
Sidepods: As entradas de ar laterais não servem apenas para refrigerar o motor. Seu formato é esculpido para gerenciar o fluxo de ar ao longo das laterais do carro, minimizando a turbulência e otimizando a passagem de ar em direção à traseira;
A performance de um carro de Fórmula 1 nas curvas é o resultado direto de um sofisticado pacote aerodinâmico. As asas dianteira e traseira desempenham papéis centrais e interdependentes: a dianteira inicia o processo, gerando aderência frontal e preparando o fluxo de ar para o resto do carro, enquanto a traseira fornece a estabilidade e a força descendente necessárias para tracionar e manter o controle em alta velocidade. Juntas, e em harmonia com o assoalho e o difusor, elas criam os níveis de downforce que permitem aos carros desafiar os limites da física.


Fonte: Jovem Pan

Mão-boba e ‘corte’ na rainha: veja gafes de Trump durante visita do rei Charles III

O rei Charles III chegou, na segunda-feira (27), aos Estados Unidos para uma visita de quatro dias cujo objetivo era estreitar os laços com o presidente norte-americano, Donald Trump, após tensão diplomática entre Washington e Londres em razão do conflito no Irã. Durante a passagem do monarca e da rainha Camila pela Casa Branca, o republicano cometeu algumas gafes.
Na terça-feira (28), ao receber Charles III e Camila, Trump escorregou a mão nas costas da primeira-dama norte-americana, Melania Trump. O ato foi visto como uma “mão boba” na esposa.

Trump cops a feel of Melania pic.twitter.com/r156t60wLq
— Aaron Rupar (@atrupar) April 28, 2026

Já ao lado de Charles III e Camila, mais uma “mão boba” do republicano foi flagrada.

Trump gives Melania a ‘love tap’ before official event with the King of England at the White House pic.twitter.com/TCynHncy0X
— Python (@slobodan_ukic) April 28, 2026

Pouco depois, em uma saudação a Charles III, Trump ultrapassou Camila enquanto ela cumprimentava funcionários da Casa Branca.

Trump cuts in front of Queen Camilla while she was shaking hands. King Charles gets agitated. pic.twitter.com/onZqVZwEpI
— Frank (@forget_exit) April 30, 2026

No dia seguinte ao encontro, na quarta-feira (29), o jornal Los Angeles Times noticiou que Trump contou, durante jantar de Estado, detalhes de sua reunião privada com Charles III. O presidente norte-americano compartilhou que o monarca britânico concordou com ele que o Irã não deveria ter permissão para possuir armas nucleares.
A ação do republicano é vista como uma quebra de protocolo por existir a convenção de manter em sigilo as conversas privadas com o monarca britânico. Isso porque o soberano do Reino Unido deve estar acima de disputas políticas e não pode intervir em debate público.
Esta não é a primeira vez que Trump comete gafes diante de um monarca britânico. Em visita à rainha Elizabeth II, em Windsor, em 2018, ele atrasou mais de 10 minutos para o encontro com a monarca. Ao cumprimentá-la, o líder norte-americano não se curvou. E, logo depois, ao saírem em vistoria da tropa de honra, o republicano se adiantou e deu as costas a ela.


Fonte: Jovem Pan

Deputado e vereador de Cuiabá são suspeitos em operação que investiga desvio de emendas

A Operação Emenda Oculta, que apura o direcionamento irregular de emendas parlamentares para institutos privados ligados a agentes políticos, foi deflagrada nesta quinta-feira (30) pelo Ministério Público (MP) do Mato Grosso. A investigação envolve o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) além de seu irmão, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União).
A ação é conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), com apoio da Polícia Judiciária Civil e da Controladoria-Geral do Estado.
Segundo o MP-MT, durante a operação foram cumpridas medidas de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular relacionadas aos irmãos, ao Instituto Social MatoGrossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (IBRACE), que são alvos da operação.
Segundo o Naco, os valores eram repassados à empresa Sem Limite Esporte e Evento LTDA, que depois devolvia em dinheiro aos parlamentares responsáveis pelas emendas.
Durante a operação, os investigadores apreenderam cerca de R$ 200 mil em dinheiro, além de aparelhos celulares, notebooks e documentos que podem contribuir para o avanço das investigações. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal, o não acesso aos bens e o bloqueio de valores dos envolvidos.

Outro lado 
A assessoria do vereador Cezinha Nascimento informou à Jovem Pan que os fatos estão sendo devidamente acompanhados e analisados pelas instâncias competentes. “Esclarece-se que, até o presente momento, os advogados ainda não tiveram acesso aos autos, tendo em vista o trâmite sob sigilo. Registra-se, ainda, que o vereador recepcionou os agentes de segurança em sua residência, colaborando de forma integral para o cumprimento das diligências realizadas”, disse em nota.
O vereador deixou claro que aguarda o andamento e os desdobramentos das apurações para uma “eventual manifestação mais aprofundada” e que está à disposição para maiores esclarecimentos.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal, bem como a indisponibilidade de bens e o bloqueio de valores dos envolvidos.
A operação contou ainda com a participação de servidores da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A Jovem Pan entrou em contato com o deputado Elizeu Nascimento, o Instituto Social MatoGrossense (ISMAT) e o Instituto Brasil Central (IBRACE), mas, até o momento da publicação desta reportagem, não obteve resposta. O espaço segue aberto.


Fonte: Jovem Pan

Alcolumbre faz manobra para reduzir pena de Bolsonaro sem beneficiar condenados por crimes hediondos

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), excluiu da análise sobre o veto de Lula ao PL da Dosimetria o trecho barrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que contrariaria a Lei Antifacção e facilitaria a progressão para o semiaberto de condenados por feminicídio e outros crimes hediondos.
O motivo desse desmembramento é que, caso fosse derrubado o veto aos dispositivos do PL da Dosimetria que tratam da mudança do regime fechado para o semiaberto para determinados crimes, integrantes de facções criminosas também seriam beneficiados.
Na prática, isso afrontaria a Lei Antifacção, o chamado Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil (entenda mais abaixo).
➡️Ou seja: a decisão de Alcolumbre abriu caminho para que a derrubada do veto ao PL da Dosimetria pelo Congresso não beneficiasse faccionados e condenados pro crimes hediondos, o que aconteceria caso o texto do PL da Dosimetria fosse retomado na íntegra.
A decisão foi tomada durante sessão do Congresso desta quinta-feira (30) em que parlamentares derrubaram a decisão de Lula de barrar o projeto de lei que prevê a redução de penas para condenados por atos golpistas, chamado de PL da Dosimetria.
🔎A medida beneficia tanto os condenados por invadir a Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados, que cumprem penas por tramar um golpe de Estado no país.
Vídeos em alta no g1
Manobra incomum
O presidente do Congresso fez uma espécie de “desmembramento” do veto de Lula, para garantir a manutenção da decisão do presidente de barrar um trecho que contradiz a Lei Antifacção.
➡️A questão é a seguinte: o PL da Dosimetria inclui um trecho que, ao beneficiar condenados pro atos golpistas, também facilitaria a progressão para o regime semiaberto de condenados por crimes como feminicídio, constituição de milícia privada e crimes hediondos, inclusive os cometidos por membros de facções criminosas.
O trecho foi vetado pelo presidente Lula, assim como o projeto como um todo. Caso o Congresso decidisse derrubar os vetos na íntegra, este trecho seria retomado e poderia voltar a valer. Então, Alcolumbre decidiu excluir este artigo da análise de derrubada dos vetos.
A manobra não é usual. Como o veto do presidente Lula foi integral, o comum seria votar integralmente o veto e não excluir dispositivos do texto.
No entanto, diante da possibilidade de abrir chance para a revisão de pena de condenados por crimes graves, Alcolumbre anunciou a “prejudicialidade” do veto na parte em que trata da progressão de regime.
“Em virtude do prejulgamento da matéria pela aprovação do PL Antifacção e sua conversão na Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, esta Presidência declara a prejudicialidade dos vetos aos incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução Penal, alterados pelo art. 1º do PL da Dosimetria. Ficam, assim, excluídos da votação do Veto 3, de 2026, os referidos dispositivos”, disse Alcolumbre.
Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Carlos Moura/Agência Senado
Alcolumbre justificou a exclusão dos dispositivos da votação do veto por dois motivos:
➡️O primeiro diz respeito à temporalidade. Como a deliberação do PL Antifacção foi realizada depois da Dosimetria, as regras posteriores superam “as disposições coincidentes que foram votadas no PL da Dosimetria”.
➡️Outro argumento foi a finalidade buscada pelo legislador, argumentou o presidente do Congresso.
Segundo Alcolumbre, O projeto da Dosimetria não tinha a intenção de alterar os requisitos de progressão de regime, mas mudar a sua redação para ficar condizente os demais dispositivos do projeto.
“Assim, o eventual reestabelecimento desses dispositivos seria contrário às vontades expressadas pelo Congresso tanto no PL da Dosimetria, que era no sentido de não dispor sobre o mérito de tais normas, quanto no PL Antifacção, que era no sentido de tornar mais rígidos os critérios de progressão do regime de cumprimento de penas para os casos neles contidos”, diz o texto lido por ele na sessão.


Fonte:

g1 > Política

Equipe econômica estima alta de gastos públicos três vezes acima do limite da regra fiscal em 2026

Fecomércio
A equipe econômica está prevendo que as despesas totais do governo somem R$ 2,63 trilhões em 2026, com um crescimento real (acima da inflação) de 7,95%, ou R$ 194 bilhões.
Os números constam no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado neste mês ao Congresso Nacional.
Em 2025, os gastos do governo somaram R$ 2,44 trilhões.
Vídeos em alta no g1
➡️Com uma alta real (acima da inflação) projetada de quase 8% em 2026, um ano eleitoral, as despesas totais subirão 3,2 vezes acima do limite de 2,5% existente no arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas.
➡️De acordo com o Ministério da Fazenda, o aumento real das despesas pode apresentar “valores distintos” do limite de 2,5% do arcabouço fiscal por conta de alguns fatores. São eles:
despesas fora do limite da regra fiscal;
período diferente de cálculo, pois a regra fiscal considera a alta real com base na inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior;
etapa de execução da despesa, ao comparar dotação com valores pagos ou liquidados.
Governo apresenta o projeto que define metas e prioridades para o orçamento de 2027
O g1 entrou em contato com o Tesouro Nacional e questionou se o arcabouço fiscal está falhando em conter as despesas, apesar do limite de 2,5% fixado.
“Sim, a regra está em pleno funcionamento, com observância por todos os Poderes. Conforme mencionado, há seção específica do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do 1º bimestre de 2026 que demonstra a compatibilidade das projeções com o limite de despesas estipulado pela LC nº 200/2023”, disse o Ministério da Fazenda.
Crescem as exceções ao limite de gastos
➡️Conforme a explicação do governo, um motivo para alta real projetada dos gastos quase três vezes acima do teto do arcabouço, em 2026, são gastos fora do teto de 2,5%.
Veja despesas não sujeitas ao limite da regra fiscal:
Repasses aos estados e municípios de benefícios constitucionais por meio dos fundos de participação;
Créditos extraordinários;
Contribuição do Salário Educação;
Exploração de Recursos Naturais;
Complementação da União ao Fundeb;
Fundo Constitucional do Distrito Federal;
Precatórios (que voltam progressivamente para a meta em dez anos);
Fundos de compensação e de desenvolvimento regional aos estados (decorrentes da reforma tributária sobre o consumo);
E receitas próprias do Poder Judiciário, entre outros.
Tesouro Nacional
Ministério da Fazenda/Reprodução
A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estima que cerca de R$ 250 bilhões em gastos (sem contar as transferências constitucionais aos estados e municípios) estarão fora do limite do arcabouço fiscal neste ano.
➡️O órgão observou, em estudo divulgado no fim de 2025, que as exceções ao arcabouço fiscal cresceram nos últimos anos.
Avaliou, ainda, que o “uso contínuo” dessas exceções pode trazer um “indesejável enfraquecimento dessas regras como âncoras fiscais”.
“No limite, as regras deixariam de orientar os rumos da política fiscal, diminuindo a previsibilidade da atuação do poder público em relação à execução das despesas primárias”, avaliou a instituição.
Estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, divulgado em 2025, chega à mesma conclusão.
“As novas exclusões e constituição de arranjos extraorçamentários cumulativamente reduzem a universalidade da regra e podem afetar a credibilidade do arcabouço fiscal (…) A consolidação do regime fiscal dependerá da capacidade do Congresso Nacional, do Poder Executivo e dos órgãos de controle em resistir à proliferação de exceções e fundos privados”, diz o texto.
Previdência e gastos com servidores
➡️Grande parte da pressão de aumento dos gastos, porém, está relacionada às despesas previdenciárias — estas dentro do limite do arcabouço fiscal —, com estimativa de uma alta real (acima da inflação) de 7,6% neste ano, o equivalente a quase R$ 80 bilhões.
O crescimento de gastos da Previdência, por sua vez, tem a ver com a política de aumento do salário mínimo acima da inflação adotada pelo presidente Lula.
Como o salário mínimo é o piso de aposentadorias, pensões e outros benefícios, seu aumento implica em mais gastos públicos.
A estimativa do governo é de que a cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, os gastos previdenciários subam cerca de R$ 400 milhões.
Além do reajuste do salário mínimo, o governo também informou que buscará reduzir a fila do INSS, o que também pressionará as despesas em 2026.
Grande parte da pressão de aumento dos gastos está relacionada às despesas previdenciárias.
Wilton Junior/Estadão Conteúdo
➡️O governo estima ainda que os gastos com os servidores públicos terão forte alta neste ano, somando R$ 457 bilhões, um aumento real de quase 12% (bem acima do limite de 2,5% do arcabouço fiscal). Nesse caso, o aumento estimado é de R$ 47 bilhões.
O governo Lula retomou a política de reajustes salariais aos servidores públicos, interrompida na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e também vem concedendo aumento de outros benefícios, como o vale alimentação.
Pressão sobre os gastos livres
➡️Como os gastos com benefícios previdenciários e com servidores estão dentro do limite do arcabouço fiscal e são obrigatórios, eles não podem ser cortados pelo governo federal.
➡️Para atingir a meta fiscal e limitar as despesas sujeitas ao teto dentro do limite de alta real de 2,5%, a área econômica terá de comprimir os gastos livres, chamados de “discricionários”.
Entre os gastos livres (discricionários) do governo, estão:
investimentos em infraestrutura;
verbas para a defesa agropecuária;
bolsas do CNPq e da Capes;
emissão de passaportes;
fiscalização ambiental e do trabalho escravo;
Farmácia Popular;
despesas administrativas;
recursos para universidades federais; e
recursos para agências reguladoras, entre outros.
Com essa dinâmica de expansão dos gastos obrigatórios, economistas avaliam que será necessária uma nova reforma fiscal no futuro, pois o arcabouço, com as regras atuais, ficará insustentável.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliaram que Lula enfrentará, já neste ano, restrições para investimentos e gastos livres dos ministério.
A paralisia da máquina pública só não acontecerá em 2027 por conta da mudança na regra da contabilização dos precatórios dentro da meta fiscal.
Crescimento da dívida pública
A dinâmica de crescimento dos gastos também está pressionando a inflação, o que demanda juros mais altos por parte do Banco Central. Atualmente, a taxa básica da economia está em 14,5% ao ano, patamar historicamente elevado.
Esse chamado ciclo vicioso de aumento de gastos e de juros elevados, por sua vez, pressiona a dívida pública brasileira — que já está acima dos países emergentes e da Zona do Euro.
💵 Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.
🔎 A dívida do setor público consolidado é considerada um termômetro da chamada “solvência” de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.
Para conter o endividamento público, analistas apontam que o governo deveria retomar superávits nas contas públicas por meio de reformas mais profundas nos gastos obrigatórios (previdenciários, pessoal e sociais, por exemplo).
Apesar da ausência de medidas mais duras no primeiro mandato do presidente Lula, a equipe econômica já deu sinais de preocupação sobre o aumento dos gastos obrigatórios.
No ano passado, o então secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que esse tema precisará ser discutido, inevitavelmente, em até dez anos.
Antes de deixar o cargo em março, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu uma reformulação dos gastos sociais do governo, especialmente os voltados à assistência social.
Um controle maior dos gastos públicos é algo que vem sendo pedido por economistas do mercado financeiro desde o início do governo Lula.
Além da reforma de gastos sociais e de uma nova reforma previdenciária, eles também recomendam uma reforma administrativa, a desvinculação do salário mínimo das despesas previdenciárias e a desindexação de despesas com saúde e educação, entre outras medidas.


Fonte:

g1 > Política

TRE abre Central de Atendimento no feriadão para regularização do título de eleitor; prazo termina em menos de uma semana

Eleitores com deficiência têm transporte gratuito para regularizar pendências no TRE
Falta menos de uma semana para o fim do prazo de regularização eleitoral. Em todo o país, os eleitores só têm até quarta-feira (6) para resolver pendências com a Justiça Eleitoral a tempo das eleições 2026, em outubro (veja vídeo acima).
Para suprir essa demanda em Pernambuco, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE) vai funcionar durante o feriadão do Dia do Trabalhador, tanto pela internet quanto de forma presencial (saiba mais abaixo).
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Segundo o TRE, a regularização deve ser feita até 150 dias antes do primeiro turno da eleição, como prevê a Lei das Eleições (nº 9.504/1997). Entre os serviços disponíveis, estão:
tirar o primeiro título de eleitor;
solicitar transferência de domicílio eleitoral;
atualizar informações cadastrais;
regularizar a situação eleitoral, em caso de pendências.
Pela Constituição Federal, o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para pessoas analfabetas, idosos com mais de 70 e jovens de 16 e 17 anos.
Serviços pela internet
Segundo o TRE, a orientação é que o eleitor confira se já tem a biometria cadastrada pela internet. Se tiver, a maior parte dos serviços pode ser feita pelo site da instituição. Já quem ainda não fez o cadastro biométrico precisa agendar o atendimento presencial.
Para fazer o agendamento, o eleitor deve apresentar:
documento oficial com foto, que pode ser certidão de nascimento ou de casamento;
comprovante de residência recente;
comprovante de quitação com o serviço militar (para homens que completam 19 anos em 2026).
No Recife, a Central de Atendimento, que fica no bairro de São José, no Centro da cidade, abre todos os dias, das 9h às 15h.
Pessoas com deficiência
O TRE também vai oferecer um serviço de transporte para eleitores com deficiência regularizarem pendências eleitorais até o fim do prazo, no dia 6 de maio. Segundo o assessor de Planejamento do órgão, Acácio Leite, a solicitação deve ser feita por meio do WhatsApp (81) 97908-1883.
“O serviço é muito simples, você envia uma mensagem no WhatsApp e solicita atendimento. Nós vamos atender nos dias 1, 2 e 3 de maio, tanto no feriado, como no sábado e domingo. Então, a gente recebe o pedido de agendamento, avalia se ainda existe disponibilidade de vagas e programa para buscar esse eleitor em casa, levar para tirar o título ou resolver a pendência e levar ele de volta em casa”, explicou.
Segundo o TRE, o serviço de transporte ficará disponível no Recife e em Olinda e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana; Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul; e Caruaru, no Agreste do estado.
Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE), no bairro das Graças, na Zona Norte do Recife
Reprodução/Google Street View
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias


Fonte:

g1 > Política

O que é dosimetria? Congresso derruba veto do presidente ao projeto que reduz pena de condenados por atos golpistas

PL da Dosimetria: Câmara e Senado derrubam veto de Lula; texto segue para promulgação
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal rejeitaram, nesta quinta-feira (30), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto conhecido como “PL da Dosimetria”, que reduz penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.
➡️ A chamada dosimetria define como o juiz calcula o tamanho da pena com base na gravidade do crime, nos antecedentes e nas circunstâncias do caso.
Na prática, o projeto de lei permite a redução de penas de condenados por atos golpistas, incluindo os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A proposta também pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado pela tentativa de golpe de Estado em 2022.
Veja aqui os principais pontos do projeto.
🔎Deputados e senadores votaram separadamente, em sessão conjunta do Congresso Nacional.
O que acontece com Bolsonaro agora?
Bolsonaro está há pouco mais de um mês em prisão domiciliar por questões de saúde, mas, em tese, segue em regime fechado, pois foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe.
Segundo a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, ele só poderia passar do regime fechado para o semiaberto dentro de sete anos, em 2033.
Com a nova regra, especialistas estimam que o ex-presidente terá chance de migrar de regime num prazo que varia entre dois e quatro anos.
Isso porque o texto impede a soma de dois crimes:
abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena de 4 a 8 anos de prisão;
golpe de Estado, com pena de 4 a 12 anos.
Pela medida, vale a pena do crime mais grave — golpe de Estado — acrescida de um sexto até a metade.
O projeto também prevê redução da pena de um a dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha financiado os atos nem exercido papel de liderança.
Caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) recalcular as punições de cada um dos réus.
Para isso, a corte precisará ser provocada, por exemplo, pela defesa de algum dos condenados, pelo Ministério Público ou por um ministro relator de um dos casos da tentativa de golpe. Portanto, a redução de pena não será automática.


Fonte:

g1 > Política