O Supremo Tribunal Federal (STF) tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mário Frias (PL-SP) para que preste informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados a uma organização não governamental (ONG) ligada à produtora do filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
🎥 O filme Dark Horse está em evidência após reportagens revelarem que a produção teria sido financiada por Daniel Vorcaro, dono do Master. Flávio Bolsonaro admitiu ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro — que chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso em novembro de 2025 por fraudes financeiras.
O Supremo foi acionado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pedindo apuração de repasses de emendas, incluindo de Mário Frias, para o que chamou de “ecossistema” de empresas, comandado por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção de Dark Horse.
Produtor executivo do filme, Mário Frias teria destinado R$ 2 milhões para a ONG ligada à obra.
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Em 21 de março, Dino determinou que Mário Frias se manifestasse em 5 dias sobre os fatos relatados pela deputada Tabata Amaral.
No dia 14 de abril, o STF registrou que um oficial de Justiça fez três tentativas de intimar Mário Frias no gabinete parlamentar, mas não teve sucesso.
Na sequência, Dino determinou que a Câmara informasse os endereços de Frias em Brasília e São Paulo.
Neste mês, o oficial de Justiça compareceu aos endereços, mas o deputado ainda não foi localizado.
Nesta quarta-feira (13), após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, cobrou dinheiro de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, em uma mensagem de áudio, Frias divulgou nota e disse que o senador não tem qualquer sociedade no filme ou produtora.
“Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, disse o parlamentar.
Frias disse ainda que não há dinheiro público envolvido na obra. “Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e retorista de renome internacional”.
“O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido”, acrescenta a nota.
Frias afirma ainda que geriu “bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura” na gestão Bolsonaro e saiu do governo “com as mãos limpas”.
“Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir”, completa a nota.
Câmara diz que não encontrou irregularidades
A Câmara afirmou ao Supremo que analisou duas emendas de Mário Frias citadas por Tabata Amaral e que não encontrou irregularidades.
A área técnica da Casa disse ainda que “a fase de prestação de contas pelos beneficiários ainda se encontra em curso, cabendo às entidades destinatárias demonstrar a adequada aplicação dos recurso”.
“Os procedimentos observaram integralmente a legislação de regência e os parâmetros constitucionais aplicáveis; verificou-se compatibilidade entre os objetos das emendas e os instrumentos de execução”, afirma a Câmara.
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme ‘Dark Horse’ (O Azarão), sobre a vida do ex-presidente brasileiro.
Reprodução/Redes Sociais
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