No Big Brother Brasil 2026, a participante Milena causou polêmica nas redes sociais após preparar um líquido com limão, sal, louro, restos de ovo e água de descongelamento de frango. A participante afirmou que pretendia descobrir quem bebeu o suco de limão preparado por ela na Xepa.
A atitude motivou diversos internautas a pedirem a expulsão da jogadora, o motivo: muitos afirmam que a ingestão do líquido pode causar riscos à saúde. A nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), explica que, sim, isso pode causar prejuízos.
“A água liberada do frango cru pode conter bactérias como salmonella e campylobacter, que são causas frequentes de infecção alimentar. E pequenas quantidades já podem ser suficientes para causar a infecção, pois a dose infectante da salmonella pode ser relativamente baixa, especialmente em crianças, idosos, gestantes e imunossuprimidos. Dependendo da cepa e da susceptibilidade individual, a ingestão de poucas centenas a milhares de bactérias já pode desencadear doença, o que torna relevante evitar qualquer contato com a água do frango cru”, explica.
Sintomas da infecção causada pelas bactérias do frango
De acordo com a médica, os sintomas mais comuns da infecção causada pelas bactérias do frango são diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos, geralmente iniciando entre 6 e 48 horas após a ingestão. “Além disso, o paciente também pode apresentar mal-estar, cefaleia e, em alguns casos, diarreia com muco ou sangue”, acrescenta a Dra. Marcella Garcez.
Tratamento para a infecção
Na maioria dos adultos saudáveis, o quadro é autolimitado e leve a moderado, durando em média de 3 a 7 dias. “Porém, pode ser grave em idosos, crianças pequenas, gestantes e imunossuprimidos, com risco de desidratação e disseminação sistêmica”, diz a médica.
Ela explica que o tratamento é, principalmente, de suporte, com hidratação oral ou intravenosa. “Antibióticos são reservados para casos graves ou para grupos de risco, pois o uso indiscriminado não reduz a duração da doença e pode prolongar a eliminação bacteriana”, detalha.
Lavar o frango não remove o risco de salmonella, podendo aumentar o risco de infecção alimentar Imagem: Olya Detry | Shutterstock
Contaminação cruzada: o principal risco na cozinha
Em casa, o risco de infecção está principalmente na contaminação cruzada, já que a água do frango pode contaminar mãos, utensílios, pia e outros alimentos, facilitando a ingestão das bactérias. Por isso, é importante adotar alguns cuidados, como não lavar o frango.
“Lavar o frango não remove o risco de salmonella. Pelo contrário, pode piorar a situação. A prática favorece a proliferação de microrganismos nocivos que são espalhados com a água nas superfícies ao redor, aumentando o risco de contaminação cruzada e, consequentemente, de infecção alimentar. E não há necessidade de se preocupar com bactérias, pois elas serão eliminadas pelo calor durante o preparo adequado do alimento”, pontua a Dra. Marcella Garcez.
Também é importante tomar cuidado ao descongelar o frango, o que nunca deve ser feito em temperatura ambiente, e sim sob refrigeração. “Vale ressaltar que o congelamento não elimina a salmonella, apenas reduz a multiplicação bacteriana. As bactérias podem sobreviver ao congelamento e voltar a se multiplicar após o descongelamento”, diz a médica.
Medidas essenciais para evitar infecção alimentar
Outras medidas fundamentais para evitar o risco de infecção alimentar incluem usar tábuas e facas diferentes para alimentos crus e prontos, higienizar as mãos e utensílios após manipular frango cru, manter alimentos crus separados dos prontos e, claro, prestar atenção na hora de preparar os alimentos, garantindo que eles sejam adequadamente cozidos. “É recomendado cozinhar completamente até temperatura interna de pelo menos 74 °C, o que elimina salmonella”, finaliza a nutróloga.
Por Maria Claudia Amoroso
Fonte: Jovem Pan