O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o governo para falhas na análise sobre a capacidade dos Correios de honrar o empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim do ano passado com garantia da União.
Em relatório técnico, auditores da Corte afirmam que o aval concedido pelo Tesouro Nacional não foi precedido de avaliações “suficientes, independentes e tempestivas” sobre a situação econômico-financeira da estatal.
🔎 Em grave crise financeira, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e acumularam 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. O rombo do ano passado superou em mais de três vezes as perdas contabilizadas em 2024, quando a estatal teve déficit de R$ 2,6 bilhões.
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“Conclui-se que o Plano de Reestruturação e a concessão de garantia da União não foram precedidos de análises técnicas suficientes, independentes e tempestivas para suportar adequadamente a decisão pública e mensurar, de forma robusta, o risco assumido pelo Tesouro Nacional”, afirmam os técnicos do TCU.
Segundo os auditores, as análises realizadas pelo governo foram insuficientes para verificar as premissas econômico-financeiras do plano, validar as projeções de fluxo de caixa e avaliar a real capacidade de pagamento da empresa.
“As análises realizadas mostraram-se insuficientes quanto à verificação das premissas econômico-financeiras, à validação dos fluxos de caixa projetados e à avaliação prospectiva da capacidade de pagamento da ECT, o que fragilizou o processo decisório e ampliou a assimetria de informações no momento da concessão da garantia”, diz o relatório.
Na auditoria, os técnicos dizem que a União, como acionista controladora da empresa e detentora da maioria nos Conselhos de Administração e Fiscal, tinha condições de acompanhar a deterioração financeira dos Correios.
Ainda assim, o tribunal avalia que faltou atuação tempestiva desde o fim de 2023, quando o patrimônio líquido da companhia se tornou negativo.
“A não adoção de medidas tempestivas […] pode ter contribuído para a não reversão do quadro de insolvência e, por fim, ocasionado aumento do risco fiscal para o próprio Tesouro Nacional”, aponta o documento.
Para os auditores, os sinais de deterioração financeira já eram públicos e persistiram por tempo suficiente para exigir uma resposta mais rápida da governança federal.
A demora, segundo o relatório, restringiu alternativas de recuperação e aumentou a necessidade de medidas emergenciais.
Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões
Jornal Nacional/ Reprodução
O relatório também destaca que a condução do caso contraria princípios previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige ações planejadas e transparentes para prevenir riscos fiscais.
Os auditores apontam ainda descumprimento de diretrizes de governança pública federal, previstas em decreto de 2017, relacionadas à gestão de riscos e capacidade de resposta da administração pública.
Segundo o tribunal, mesmo após a inclusão dos Correios no Anexo de Riscos Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025, as medidas adotadas para conter a crise financeira se mostraram insuficientes.
A auditoria destaca ainda que a deterioração patrimonial da estatal encareceu o acesso ao crédito no mercado financeiro.
Um dos exemplos citados é um empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado em junho de 2025 junto a bancos privados, inicialmente com juros de 21,99% ao ano. A taxa subiu para 25,67% em dezembro após o descumprimento de cláusulas econômico-financeiras previstas no contrato.
Para o TCU, a ausência de providências mais rápidas por parte da administração dos Correios e da União agravou a crise da estatal e dificultou a reversão do quadro financeiro.
O relatório também identificou fragilidades no Plano de Reestruturação apresentado pela empresa. Segundo os técnicos, o Ministério das Comunicações realizou análise considerada insuficiente sobre a viabilidade econômico-financeira das medidas propostas.
De acordo com a auditoria, não houve validação independente das premissas utilizadas nas projeções de receitas, despesas e fluxo de caixa.
Para os auditores, a ausência de avaliação externa comprometeu a confiabilidade das projeções financeiras e ampliou a exposição do Tesouro Nacional ao risco fiscal.
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