A máxima popular diz que “cachorro velho não aprende truque novo”, mas a ciência e a prática veterinária moderna provam o contrário. O adestramento de animais adultos e idosos não apenas é possível, como é uma das ferramentas mais eficazes para garantir longevidade e qualidade de vida. A capacidade de aprendizado não desaparece com a idade, ela apenas exige uma abordagem adaptada às novas necessidades do pet.
Segundo o professor Marco Matheus, docente do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, o cérebro dos animais possui uma característica chamada neuroplasticidade, que permite a criação de novas conexões neurais ao longo de toda a vida.
“A idade não é um bloqueio para o aprendizado. O que muda é o ritmo e a motivação. Com o suporte adequado, conseguimos identificar os gatilhos de comportamentos como ansiedade ou reatividade e trabalhar na reeducação de forma gentil e eficiente”, explica.
Aprendizagem traz benefícios físicos e emocionais
Além da obediência, o adestramento na fase sênior funciona como um estímulo cognitivo essencial. Manter o pet ativo mentalmente ajuda a prevenir ou retardar o surgimento da disfunção cognitiva canina (semelhante ao Alzheimer em humanos).
“Quando ensinamos algo novo a um cão adulto ou idoso, estamos oferecendo a ele uma ‘reserva cognitiva’. Isso o mantém mais alerta, sociável e, acima de tudo, mais seguro em seu ambiente”, destaca o professor Marco Matheus. O treinamento também é um grande aliado para quem decide adotar animais adultos, permitindo que eles superem traumas passados e se adaptem harmoniosamente ao novo lar.
Treinar pets idosos pede reforço positivo, treino curto, brincadeiras e muita paciência Imagem: Reshetnikov_art | Shutterstock
Dicas para treinar pets adultos ou idosos
Para quem deseja iniciar esse processo, o especialista orienta que o foco deve ser sempre o bem-estar, respeitando o tempo de cada animal. Veja dicas:
Priorize o reforço positivo: esqueça punições. O uso de petiscos saudáveis, elogios e afeto cria uma associação prazerosa com o aprendizado;
Avaliação de saúde prévia: antes de começar, é fundamental garantir que o pet não sinta dores articulares ou tenha limitações sensoriais (visão ou audição) que possam ser confundidas com “teimosia”;
Sessões curtas e frequentes: o tempo de concentração de um animal idoso é menor. Treinos de 5 a 10 minutos são mais produtivos do que sessões longas e cansativas;
Enriquecimento ambiental: use brinquedos recheáveis e desafios olfativos. O “trabalho” de buscar o alimento estimula instintos e reduz o estresse;
Paciência e consistência: a rotina traz segurança. Comandos claros e uma agenda previsível ajudam o pet a entender o que se espera dele sem gerar frustração.
“O objetivo final não é apenas a obediência cega, mas, sim, a construção de uma convivência baseada na confiança mútua. Seja um filhote, um cão adulto ou um idoso, o desejo de interagir e agradar o tutor permanece. Com afeto e as técnicas corretas, os resultados são transformadores para a saúde física e emocional do pet“, finaliza.
Por Priscila Dezidério
Fonte: Jovem Pan