O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, neste domingo (5), em uma publicação nas redes sociais repleta de insultos, atacar as centrais elétricas e as pontes no Irã se o Estreito de Ormuz não for reaberto.
No sábado (4), Trump já havia dado um ultimato de 48 horas para que o Irã concordasse em reabrir a rota marítima. O presidente advertiu que, se não abrissem “o maldito estreito”, os iranianos enfrentariam o “inferno”, detalhando os alvos: “Terça-feira será o dia das usinas de energia e das pontes”.
Pouco depois, em entrevista à Fox News, Trump mencionou a possibilidade de um acordo nesta segunda-feira (6), mas reiterou as ameaças: “Se eles não chegarem a um acordo logo, estou considerando explodir tudo e assumir o controle do petróleo“.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, Teerã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz como tática de pressão. Em resposta ao ultimato americano, o general iraniano Ali Abdollahi Aliabadi classificou a atitude de Trump como “uma ação impotente, nervosa, desequilibrada e estúpida“.
No campo diplomático, a agência de notícias oficial de Omã informou neste domingo que o sultanato conversou com o Irã sobre a reabertura da passagem. Paralelamente, a agência Tasnim reportou que o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, dialogou por telefone no sábado com seus homólogos do Paquistão e do Egito, países que buscam mediar uma solução para a crise.
Missão de resgate
O presidente republicano confirmou neste domingo o resgate do segundo piloto do caça-bombardeiro F-15E, que caiu no sudoeste do Irã na última sexta-feira (3) após os dois ocupantes ejetarem em pleno voo.
Enquanto as forças iranianas reivindicavam o abate da aeronave e ofereciam recompensa pela captura do segundo tripulante com vida, o primeiro piloto já havia sido salvo por forças especiais americanas logo após a queda.
Sobre o segundo militar, Trump inicialmente declarou que ele estava “são e salvo”, mas depois corrigiu a informação, afirmando que se encontra “gravemente ferido”. Após horas de incerteza, o presidente descreveu a incursão em território inimigo como uma das “operações de busca e resgate mais ousadas da história do país“. Por sua vez, os militares iranianos alegaram que a ação dos EUA “fracassou completamente”, embora não tenham negado o resgate do soldado (que não teve a identidade revelada).
Novos ataques à infraestrutura no Golfo
Em resposta à ofensiva israelense-americana, o Irã deu continuidade, neste domingo, aos ataques contra infraestruturas críticas de países do Golfo, acusando-os de ceder território para operações militares dos EUA.
Como resultado, os Emirados Árabes Unidos relataram um incêndio em uma instalação petroquímica após interceptarem projéteis iranianos. No Bahrein, um ataque de drone causou chamas em um depósito da companhia petrolífera estatal. Já o Kuwait anunciou danos a usinas de energia, de dessalinização de água e a um complexo governamental na capital.
O exército iraniano assumiu a autoria dos ataques no Kuwait e também contra a indústria de alumínio nos Emirados, alegando que os locais produzem peças para aeronaves, mísseis e blindados americanos.
A tensão também atingiu Israel, onde alertas soaram neste domingo em meio a uma nova saraivada de mísseis disparados pelo Irã. Na frente libanesa, o grupo pró-Irã Hezbollah afirmou ter lançado um míssil contra um navio de guerra israelense — o primeiro ataque do tipo desde o início da guerra com Israel, há mais de um mês. O exército israelense, no entanto, declarou não ter registro do incidente.
A escalada de ataques aéreos e combates no Líbano já deixou mais de 1.400 mortos desde o início de março. Diante da crise, o presidente libanês, Michel Aoun, reiterou o apelo por negociações diretas com Israel para evitar que o sul do país se torne outra Gaza devastada pela guerra.
Enquanto a diplomacia esbarra em ameaças, Teerã continuava sendo bombardeada. Neste domingo, um jornalista da AFP relatou uma densa camada de fumaça cinza cobrindo o céu da capital iraniana.
*Com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan