Os Estados Unidos não são tão apaixonados por futebol quanto a maioria dos países, mas, com o presidente Donald Trump no poder, o esporte também se tornou um campo de batalha diplomático. Trump, que se orgulha do papel dos EUA como coanfitriões da Copa do Mundo de 2026, admitiu ter entrado em contato com a Fifa a respeito do cartão vermelho mostrado ao astro americano Folarin Balogun, uma decisão que foi posteriormente anulada.
Trump também questionou a reputação do árbitro brasileiro Raphael Claus, que expulsou o jogador, embora tenha ressaltado que não gosta de “criar polêmica”. O Brasil, país que mantém diversas disputas diplomáticas e comerciais com Trump, reagiu por meio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que atestou a idoneidade do árbitro.
“A CBF rejeita qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade de Raphael Claus. Ele é um profissional exemplar”, afirmou a entidade.
Assim como ocorreu quando Trump impôs tarifas comerciais, criticou líderes ou questionou a OTAN, sua intervenção em relação ao cartão vermelho fez com que os europeus se alinhassem. O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, que agora enfrentará uma equipe dos EUA com força máxima na partida eliminatória desta segunda-feira (6), classificou a mudança de posição da Fifa como “incompreensível”.
O comissário de Esportes da União Europeia, Glenn Micallef, afirmou que decisões desse tipo “cabem às entidades esportivas, não aos políticos”.
Entenda o caso
Balogun recebeu o cartão vermelho durante uma vitória dos EUA sobre a Bósnia, um país fortemente pró-americano, onde uma conta no X que apoiava os jogadores descreveu a Fifa e os Estados Unidos como uma “máfia”. O secretário de Estado Marco Rubio, que disse que os EUA foram “prejudicados” pelo cartão vermelho, brincou dizendo que o tema poderá ser tratado em uma cúpula da OTAN nesta semana.
“Talvez estejam tentando provocar um incidente internacional”, disse Rubio.
Rubio, que é mais fã do futebol americano, disse que a Bélgica deveria ficar feliz por enfrentar a seleção dos EUA completa.
“Só espero que a partida aconteça, que todos estejam com força máxima e que o vencedor seja realmente o vencedor”, disse Rubio.
Tensão geopolítica
Trump, com seu slogan ‘America first’ (‘América em primeiro lugar’), tem exercido sem reservas o poder bruto de seu país para impor sua vontade, mesmo correndo o risco de desagradar aliados. Ele ameaçou tomar a Groenlândia e o Canal do Panamá e tentou neutralizar o Tribunal Penal Internacional com sanções contra juízes cujas decisões os Estados Unidos rejeitam.
Trump disse ter abordado a questão do cartão vermelho com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que se alinhou estreitamente ao republicano, alugando espaço na Trump Tower, em Nova York, e até mesmo concedendo ao presidente um novo ‘Prêmio da Paz da Fifa’.
Infantino disse ter informado a Trump que a revisão foi independente. Mas a imagem que isso passou, ao que parece, foi demais até mesmo para o antecessor de Infantino, Sepp Blatter, que renunciou em 2015 após uma investigação de corrupção apoiada pelos EUA.
“O futebol jamais deve se tornar um campo de disputa pelo poder político”, publicou Blatter.
A Copa do Mundo não é estranha a conflitos, incluindo disputas que ocorreram em campos de batalha. Em 1982, um xeique do Kuwait entrou no gramado e convenceu o árbitro a anular um gol. E, em 1969, Honduras e El Salvador travaram uma guerra breve após o aumento das tensões em torno de uma partida das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970.
*Com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan