O presidente dos EUA, Donald Trump, viaja nesta terça-feira (12) para a China, onde encontrará o líder chinês Xi Jinping. Segundo o New York Times, o encontro deve discutir diversos temas, como a guerra no Irã, negócios bilaterais e outros assuntos, como a venda de armas para Taiwan.
Na segunda-feira (11), Trump disse que conversará com seu homólogo chinês sobre o assunto, uma questão à qual Pequim se opõe. A China considera que a ilha de regime democrático faz parte de seu território e já ameaçou usar a força para colocá-la sob seu controle. Embora reconheça apenas Pequim, Washington virou um aliado próximo e fornecedor de armamento para Taiwan.
“Vou ter essa conversa com o presidente Xi. O presidente Xi gostaria que não fizéssemos isso (a venda de armas para Taiwan). Esta é uma das muitas questões sobre as quais vamos conversar”, disse Trump a repórteres antes de viajar a Pequim esta semana. O governo da China expressou oposição à venda nesta terça-feira.
“A oposição da China à venda de armas pelos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é coerente e clara”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva.
‘Seis Garantias’
Em virtude das chamadas “Seis Garantias” de 1982, um pilar central da política americana sobre Taiwan, os Estados Unidos declararam que não “consultariam” Pequim sobre as vendas de armas à ilha.
Trump pareceu minimizar a ideia de que a China tentaria tomar Taiwan, aproveitando a redução das munições americanas depois que os Estados Unidos se uniram a Israel no ataque contra o Irã. Após mencionar a invasão russa da Ucrânia, Trump disse sobre Taiwan: “Não acho que algo semelhante vá acontecer”.
“Acho que ficaremos bem. Tenho uma relação muito boa com o presidente Xi. Ele sabe que não quero que isso aconteça”, acrescentou.
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan prometeu nesta terça-feira “continuar reforçando a estreita cooperação” com os Estados Unidos e “desenvolver capacidades eficazes de dissuasão para manter em conjunto a paz e a estabilidade do Estreito de Taiwan”.
Estreito do Ormuz
Segundo o New York Times, é esperado que o presidente americano apele à China para que ela pressione o Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Na semana passada, o diplomata chinês Wang Yi se encontrou com o ministro das Relações Internacionais iraniano Abbas Araghchi em Beijing, e pediu para que houvesse um esforço de reabertura da passagem.
Os chineses foram cuidadosos para não culpar o Irã pela crise envolvendo o estreito, mas reforçaram a preocupação do país em relação ao bloqueio naval.
“Os Estados Unidos já estão aumentando a pressão sobre a China antes da cúpula ao mirar seus laços econômicos com Teerã”, explicou Lizzi Lee, do Asia Society Policy Institute.
Trump advertiu no mês passado que imporia uma tarifa de 50% sobre produtos chineses caso o país fornecesse assistência militar a Teerã.
Pequim é um parceiro próximo da república islâmica e classificou como ilegais os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel que desencadearam a guerra em 28 de fevereiro, mas também criticou os ataques iranianos contra os países do Golfo e pediu a reabertura do Estreito de Ormuz.
No entanto, a China não aceitará a pressão dos Estados Unidos para que tome medidas contra o Irã ou a Rússia, sobre os quais “pode ter alguma influência, mas não um controle decisivo”, apontou Su, da EIU.
A guerra com o Irã acrescentaria “outra camada de pressão mútua”, sustentou Lee, embora o verdadeiro terreno de negociação continue sendo o comércio e o investimento.
*Com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan