O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, o ministro Antonio Carlos Ferreira, acatou nesta sexta-feira (18) uma representação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para apurar possíveis irregularidades e crimes eleitorais devido a participação dos dois no Carnaval do Rio de Janeiro de 2026.
Lula e Alckmin são acusados de abuso de poder político e econômico e de uso indevido dos meios de comunicação social durante o desfile. O presidente e vice-presidente devem manifestar suas defesas em um prazo de cinco dias após o recebimento das notificações. A ação foi protocolada pelo Partido Novo e questiona a presença de Lula e Alckmin no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói.
Neste ano, o enredo da escola foi inspirado na história de vida e na carreira política do atual presidente, que concorre à reeleição. O nome oficial do enredo é “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O despacho da Justiça Eleitoral responde a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) protocolada pelo Partido Novo. O argumento central da sigla é de que o desfile da escola de samba teria recebido R$ 10 milhões em recursos públicos e transmitido em rede nacional. Na visão do partido, o enredo beneficiaria a campanha eleitoral de Lula. Eles pedem a cassação dos registros e diplomas e a inelegibilidade de Lula e Alckmin por oito anos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário direto de Lula na corrida presidencial, também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início deste mês. Ele pedia a cassação da chapa do petista por conta da participação no Carnaval.
Entenda decisão da Justiça Eleitoral
O processo está em estágio inicial, mas os réus já apresentaram suas defesas.
Lula defendeu que a homenagem faz parte da tradição do carnaval brasileiro de retratar figuras políticas. O presidente negou interferência na escolha do enredo ou nos repasses de verbas, e apontou que os patrocínios seguiram critérios isonômicos para todas as escolas de samba. Alckmin apresentou preliminares em que pede para sair do processo. Ele alega ilegitimidade passiva, já que o desfile foi sobre Lula e ele não teve envolvimento direto. Alckmin argumentou que a acusação é vaga e frágil.
Como Alckmin apresentou preliminares que podem anular ou encerrar o processo, a decisão do ministro Antonio Carlos Ferreira exige que o Novo, enquanto autor da ação, possa se defender das alegações antes de o juiz tomar uma decisão definitiva. Ferreira ainda estabeleceu uma revisão de provas requeridas após Lula e Alckmin definirem os pedidos por documentos e ofícios como tentativa de “pesca probatória”. O juiz intimou o partido a justificar a utilidade e a necessidade de cada um dos pedidos de documentos feitos na inicial.
(BAND)
Fonte: Tribuna Popular

