A rivalidade entre Uefa e Fifa é antiga, estrutural e movida por interesses comerciais, políticos e de poder. O que se vê hoje — com ameaças de boicote, acusações de opacidade, protecionismo e tentativas de minar o outro — é apenas o capítulo mais inflamado de uma disputa que se arrasta há anos.
O lado da Uefa :a entidade europeia acusa a Fifa de governança opaca, decisões unilaterais e mercantilização excessiva do futebol. O ponto mais recente foi o plano de criar uma empresa comercial e vender participação em competições (incluindo o Mundial) a investidores privados.
A Uefa classificou a proposta como um “acordo medíocre, nos bastidores e opaco” e acusou a FIFA de usar o esporte “para enriquecer a si mesma e seus amigos”. Também critica a sobrecarga do calendário, as expansões de competições e o descumprimento de promessas de transparência. Para a UEFA, a FIFA está vendendo a “alma” do jogo em nome de receita rápida.
O lado da Fifa: ela responde de forma mais defensiva. Classifica a oposição europeia de protecionista e egoísta, argumentando que a UEFA só quer preservar o domínio econômico da Champions League e das grandes ligas, resistindo à redistribuição de riqueza e influência para o resto do mundo.
Acusa as ligas europeias de hipocrisia no debate do calendário — criticam a sobrecarga, mas expandem a própria Champions — e rebate a ideia de que a UEFA possa representar as 211 associações da FIFA. Recentemente, falou em um “esforço concentrado” para minar a organização por meios que não são os democráticos.
O que os dois lados têm em comum: ambos expandem competições e enchem o calendário quando lhes convém. Ambos falam em desenvolvimento do futebol e proteção dos jogadores, mas seus modelos de negócio colidem.
A UEFA vive da força econômica do futebol de clubes europeu; a FIFA precisa de mais receitas globais e do apoio das confederações fora da Europa.
O resultado é uma disputa permanente por espaço, dinheiro e narrativa.
Mesmo com tréguas pontuais e declarações de respeito mútuo, um entendimento profundo parece improvável. Não há vilão absoluto nem herói puro — apenas instituições poderosas, dirigentes ambiciosos e uma indústria bilionária em que o futebol, muitas vezes, é o meio e não o fim.
Enquanto isso não mudar, a guerra fria (e às vezes quente) entre Nyon e Zurique tende a continuar.
Até a próxima.
Fonte: Jovem Pan