Conforme o esperado, Trump recusou a proposta iraniana para o fim da guerra. O ponto central do impasse é simples: o Irã não abre mão do seu programa nuclear, enquanto os EUA querem o fim da produção de energia atômica por parte do país persa.
Como não há luz no fim do túnel, Trump vai se reunir com Xi Jinping para que, quem sabe, ele convença Teerã a mudar de ideia. A tentativa é válida, mas há dois problemas. O primeiro é que China e Irã mantêm boas relações econômicas e diplomáticas. O segundo é que, mesmo que a China convença o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz, a livre passagem de navios no Golfo Pérsico só se dará com algum tipo de concessão americana. Em outras palavras, Trump também terá que ceder para o sucesso do cessar-fogo. Caso contrário, o Estreito seguirá fechado e o petróleo, cotado acima de US$ 100 o barril, causará danos à economia mundial.
O ponto é que, agora, o preço para terminar esta guerra se tornou muito mais caro. Se os EUA conseguirem voltar exatamente ao ponto da negociação de dois dias antes do conflito, já será um baita negócio.
Naquela ocasião, o Irã havia aceitado a intensificação da inspeção do seu programa nuclear. Agora, até podem aceitar isso novamente para reabrir o Estreito, mas provavelmente com algum tipo de alívio em sanções econômicas ou algum pedágio permanente na passagem marítima de navios estrangeiros.
Todas essas consequências eram absolutamente previsíveis, menos para Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro de Israel disse que não previa toda essa crise. Na verdade, o erro foi de outra natureza: foi justamente acreditar que, ao matar as lideranças do Irã, o regime iria colapsar.
Por enquanto, EUA e Israel ganham no front militar, mas perdem a guerra.
Fonte: Jovem Pan