A genialidade de Lionel Messi ajudou a levar a Argentina à semifinal da Copa do Mundo de 2026, fase em que a equipe terá um duelo decisivo contra a Inglaterra na quarta-feira (15), em Atlanta.
No entanto, a trajetória da ‘Albiceleste’ tem sido marcada por teorias da conspiração, alegando que os atuais campeões mundiais foram beneficiados dentro e fora de campo.
As redes sociais estão inundadas de vídeos e memes gerados por inteligência artificial, reforçando essa narrativa, seja o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e Messi trocando um abraço carinhoso no convés do Titanic, ao estilo de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, ou simplesmente o rosto de Infantino sobreposto ao Sol de Maio na bandeira da Argentina.
De decisões polêmicas da arbitragem a alegações de chaveamento favorável até a final, a AFP detalha os principais episódios que alimentaram essas teorias:
Messi escapa do cartão vermelho
Na vitória da Argentina sobre a Argélia na fase de grupos, Messi entrou de sola na panturrilha do capitão argelino, Aissa Mandi, aos 30 minutos de jogo, quando a ‘Albiceleste’ vencia por 1 a 0.
O árbitro polonês Szymon Marciniak marcou uma falta a favor da Argélia, mas Messi não sofreu nenhuma punição adicional e acabou marcando um ‘hat-trick’ na partida.
Vários comentaristas afirmaram que o camisa 10 argentino havia cometido uma infração grave e deveria ter recebido um cartão vermelho, o que teria resultado em uma suspensão.
“Na minha opinião, era para cartão vermelho”, afirmou Nedum Onuoha, comentarista da ESPN e ex-zagueiro do Manchester City. “Messi sabia que havia feito algo que poderia trazer problemas. Pessoalmente, acho que é cartão vermelho”.
O ex-árbitro alemão Patrick Ittrich concordou: “Para mim, aquilo é cartão vermelho. Temos vários exemplos na Bundesliga em que isso foi punido com vermelho. Ao pé da letra da regra, é vermelho. Se eu tivesse visto dessa forma em campo, teria mostrado o cartão vermelho”.
A Federação Argelina de Futebol apresentou, posteriormente, uma reclamação oficial à Fifa referente a uma “injustiça” naquela partida.
Reclamação do Egito
Nas oitavas de final, a Argentina venceu o Egito de virada por 3 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0 pouco mais de dez minutos antes do apito final.
Os jogadores e a comissão técnica da seleção egípcia ficaram indignados com várias decisões do árbitro francês François Letexier, que, segundo eles, favoreceram a Argentina em momentos decisivos.
O lance mais comentado após a partida foi um gol dos ‘Faraós’, marcado no segundo tempo, que foi anulado após intervenção do VAR por uma falta sobre o argentino Lisandro Martínez na origem da jogada que terminou com Mostafa Ziko mandando a bola para as redes de Dibu Martínez.
Vários analistas questionaram se o VAR havia excedido seu escopo de atuação.
“O VAR estava procurando algo com muita minuciosidade, procurando algo que tivesse acontecido no jogo para tentar anular o gol”, disse o ex-árbitro inglês Mark Clattenburg.
O técnico do Egito, Hossam Hassan, também reclamou de um pênalti que deveria ter sido marcado a favor de sua equipe no lance que antecedeu o gol da vitória da Argentina, marcado por Enzo Fernández nos acréscimos.
“Parece que houve pressão do lado argentino sobre o árbitro, o que levou a esse desfecho”, afirmou Hassan.
“Talvez quisessem manter os campeões mundiais no torneio?”, disse o treinador egípcio à BeIN Sports. “Talvez quisessem que o Messi continuasse na disputa? No futebol, às vezes existem fatores externos que vão além dos aspectos técnicos”.
Chefe do Comitê de Arbitragem da Fifa, o italiano Pierluigi Collina, negou as acusações “infundadas” do Egito.
Decisão crucial do VAR
Outra decisão do VAR foi crucial para a vitória da Argentina por 3 a 1 sobre a Suíça na prorrogação, no sábado, pelas quartas de final, em Kansas City.
Aos 25 minutos do segundo tempo, o árbitro português João Pinheiro mostrou o cartão amarelo ao argentino Leandro Paredes por uma falta sobre Breel Embolo, pouco depois de a Suíça ter empatado a partida em 1 a 1, num momento em que a seleção europeia dominava o confronto.
No entanto, uma intervenção do VAR, utilizando a nova regra da Fifa sobre erro de identidade, determinou que Embolo havia cometido um ato de simulação, e a decisão foi revertida.
E como Embolo já estava pendurado, ele recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, deixando a Suíça com dez jogadores e interrompendo a reação da equipe.
A Argentina acabou garantindo a vitória na prorrogação.
“Fomos punidos por uma regra que, na minha opinião, é completamente inaceitável”, declarou o técnico da Suíça, Murat Yakin, após a partida.
Muitos comentaristas, no entanto, apontam que Embolo foi corretamente punido por uma simulação evidente.
“Se querem argumentar que a Fifa está manipulando a Copa do Mundo a favor de Lionel Messi e da Argentina, e alguns de vocês estão determinados a fazer isso, vão ter que apresentar algo melhor do que isso”, escreveu a colunista Nancy Armour no USA Today.
Sorteio favorável?
Os críticos da campanha da Argentina até a semifinal apontam o ranking de seus adversários como evidência de favorecimento por parte da Fifa.
Antes de enfrentar a Inglaterra por uma vaga na decisão do Mundial, a Argentina não jogou contra nenhuma seleção posicionada acima da 19ª colocação no ranking da Fifa.
Depois de liderar um grupo com Argélia, Jordânia e Áustria, seus adversários na fase eliminatória foram Cabo Verde, Egito e Suíça.
A Inglaterra ainda não enfrentou nenhuma equipe do top 10, enquanto a França teve de jogar contra o Marrocos, sétimo colocado no ranking, nas quartas de final.
A Espanha teve o caminho mais difícil até a semifinal, tendo que eliminar Portugal (quinto colocado no ranking) e Bélgica (nona colocada) para se colocar entre os quatro melhores.
Fonte: Jovem Pan