Era quarta-feira, 9 de julho de 1980, feriado da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. O clássico entre Corinthians e Portuguesa, pelo Campeonato Paulista, no Pacaembu, que atraiu cerca de 30 mil pessoas naquela noite, não chegou ao fim. Aos 43 minutos do segundo tempo, com placar ainda em 0 a 0, o árbitro Márcio Campos Sales deu um pênalti discutível em favor da Lusa.
Um torcedor, revoltado com a marcação, pulou o alambrado, invadiu o gramado e chutou o juiz da partida. A partir daquele instante, outros corintianos derrubaram a estrutura de ferro, quando começou a confusão, registrada pelos microfones da Jovem Pan. O árbitro e o policiamento destacado para trabalhar no Pacaembu não se entenderam e ficou no ar uma guerra de versões: o jogo poderia prosseguir ou não? O jornal Folha de S, Paulo destacou: “(…) O árbitro disse que se dirigiu ao comandante de policiamento, mas este não garantiu a normalidade da situação. Sendo assim, deu por encerrada a partida, sob protesto dos jogadores da Portuguesa, que pleiteavam a garantia da cobrança de pênalti. (…)” .
O repórter da Pan Wanderley Nogueira informou, no entanto, que a força policial não tinha vetado a continuidade do jogo. De qualquer forma, as duas equipes levaram o caso para a justiça esportiva e nada ficou resolvido.
O Corinthians, comandado por Orlando Fantoni, jogou assim: Jairo; Zé Maria, Mauro, Amaral e Wladimir; Caçapava, Biro-Biro e Sócrates; Píter (Wágner), Geraldão (Basílio) e Carlinhos. A Portuguesa, do técnico Mário Travaglini, entrou em campo com: Éverton; Joãozinho, Duílio, Daniel González, Toninho Braga e Wilson Carrasco; Enéias e Danival; Moisés, Caio (Paranhos) e Pita.
No áudio a seguir, ouça os principais momentos da confusão no Pacaembu. A narração é de José Silvério, os comentários de Orlando Duarte e as reportagens são de Wanderley Nogueira e Cândido Garcia.
Fonte: Jovem Pan