O Ministério Público de São Paulo rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo“, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco“, no âmbito da Operação Carbono Oculto. A decisão foi tomada com base na avaliação de que o material entregue não atendia aos requisitos mínimos exigidos para a formalização do acordo.
Fontes relataram que o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, não seguiu com a delação porque os investigados omitiram informações consideradas essenciais, como as conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e detalhes sobre o funcionamento do suposto esquema de lavagem de dinheiro.
Além disso, a colaboração não apresentou elementos concretos que comprovassem a participação de políticos ou magistrados, limitando-se a citar apenas um juiz já processado pelo próprio Ministério Público num inquérito.
A investigação apura um esquema bilionário envolvendo sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no setor de combustíveis, que seria comandado pelos dois empresários. Ambos estão foragidos desde agosto de 2025. A polícia tem indícios de que eles estão fora do Brasil.
Segundo apuração, os empresários apresentaram documentos, mensagens de celular, gravações e registros de pagamentos que indicariam o repasse de mais de R$ 400 milhões em propina a autoridades entre 2022 e 2024. Mas o Ministério Público entendeu que as provas eram insuficientes para comprovar a ligação entre os nomes citados e o PCC, nem para sustentar a dimensão das acusações.
As negociações para um acordo de delação vinham sendo tentadas desde o ano passado em diferentes esferas. As primeiras recusas partiram da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. Em São Paulo, devido à menção a um magistrado, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça, que assumiu a condução das tratativas. Apesar de avanços iniciais, as conversas ficaram estagnadas nos últimos meses.
Fontes indicam que o conteúdo apresentado não trouxe novidades relevantes às investigações já em curso, o que contribuiu para a decisão de rejeição. Ainda assim, o Ministério Público não descarta a possibilidade de um novo acordo, caso os investigados apresentem provas mais robustas que comprovem a participação de agentes públicos e detalhem a estrutura do esquema criminoso.
A proposta já havia sido rejeitada anteriormente pelo Ministério Público do Estado do Piauí, que também apontou ausência de elementos suficientes para dar continuidade às negociações. O objetivo das autoridades era obter informações mais detalhadas sobre a atuação de uma organização criminosa estruturada, voltada à prática de fraudes no setor de combustíveis e à ocultação de patrimônio.
Considerada a maior operação do tipo já realizada no país, a Operação Carbono Oculto investiga movimentações financeiras que podem chegar a R$ 8 bilhões. Agora, os órgãos envolvidos, incluindo Polícia Federal, Ministério Público e polícias estaduais, seguem tentando esclarecer as conexões entre os investigados e o suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.
Fonte: Jovem Pan