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Lula recebe Michelle Bachelet nesta segunda em meio à disputa pelo comando da ONU

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta segunda-feira (11), em Brasília, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet. O encontro ocorre em meio às movimentações internacionais em torno da sucessão no comando da Organização das Nações Unidas (ONU).

O encontro está marcado para às 15h30, no Palácio do Planalto.

Atualmente, o cargo de secretário-geral é ocupado pelo português António Guterres, e Bachelet aparece entre os nomes citados nos bastidores diplomáticos para a disputa.

Bachelet governou o Chile em dois mandatos e também comandou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (relembre no vídeo mais abaixo).

Com trânsito entre líderes da esquerda latino-americana e experiência em organismos multilaterais, ela é vista como um nome com peso internacional para a sucessão.

Michelle Bachelet, da ONU, expressa preocupação com ataques de Bolsonaro às urnas e violência na campanha eleitoral A reunião acontece em um momento em que o governo brasileiro busca ampliar o protagonismo em fóruns internacionais e fortalecer a articulação política na América Latina.

No Chile, no entanto, a possível candidatura de Bachelet não é consenso. O atual presidente chileno, José Antonio Kast, ligado à direita e ao Partido Republicano, já sinalizou resistência e retirou o apoio ao nome de Bachelet, apesar da nacionalidade chilena.

A escolha do secretário-geral da ONU passa pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os cinco membros permanentes, Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido, têm poder de veto sobre os candidatos.

Lula e Michelle Bachelet em imagem de 2024 Ricardo Stuckert/Presidência da República Antes da definição formal, porém, há uma intensa articulação diplomática de apoio e construção de consenso entre os países-membros.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam que uma candidatura latino-americana ao comando da ONU também pode fortalecer o discurso defendido por Lula de reformar a governança internacional.

O presidente brasileiro tem criticado, em diferentes fóruns, a estrutura atual do Conselho de Segurança da ONU e defendido maior representatividade para países do Sul Global.

A chegada de um nome da América Latina ao principal cargo da organização é vista por aliados do governo como um passo simbólico nessa direção.

Candidatos ao cargo mais alto na ONU Ao todo, quatro candidatos estão na disputa: Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile; Rafael Grossi, diplomata argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica; Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente de Costa Rica; Macky Sall, ex-presidente de Senegal.

Em 80 anos de existência, a Organização das Nações Unidas (ONU) teve nove secretários-gerais, todos homens.

Nos bastidores diplomáticos também cresce a avaliação de que a próxima sucessão pode abrir espaço, pela primeira vez, para uma mulher no comando da entidade, cenário que fortalece nomes como o da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet.

Atribuições do secretário- geral São responsabilidades do secretário-geral da ONU: liderar o secretariado da ONU e as operações globais; levar ao Conselho de Segurança questões que ameacem a paz internacional; atuar como mediador, defensor e porta-voz público em crises globais; implementar as decisões dos Estados-membros.

A chefe do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, em última entrevista coletiva antes de deixar o posto, em 25 de agosto de 2022.

Pierre Albouy/ Reuters Quem é Michelle Bachelet Michelle Bachelet é médica, socialista e ex-presidente do Chile, tendo governado o país duas vezes, entre 2006 e 2010 e depois entre 2014 e 2018.

No retorno ao cargo, ela assumiu com a promessa de fazer reformas na educação, no sistema tributário e reduzir desigualdades sociais.

No cenário internacional, Bachelet ganhou destaque como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, cargo no qual fez críticas a ataques às instituições democráticas e se posicionou em defesa da transparência eleitoral em diferentes países, incluindo o Brasil.

O próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começa a ser definido em 2026, quando termina o segundo mandato do português António Guterres.

A escolha passa primeiro pelo Conselho de Segurança da ONU, que indica um nome para votação na Assembleia Geral, com possibilidade de veto do Conselho de Segurança. O novo chefe da organização assume o cargo em 1º de janeiro de 2027 e fica no posto por cinco anos.


Fonte:

g1 > Política