Neste ano, duas imagens de contextos completamente diferentes entraram para os livros de história da moda: o papa Leão XIV apareceu usando um tênis branco da Nike no trailer do documentário “Leão em Roma”, divulgado pelo Vaticano. Meses antes, a imagem de Nicolás Maduro usando um conjunto esportivo da mesma marca após sua captura viralizou.
Algumas marcas já ultrapassaram há muito tempo a barreira do consumo e passaram a ocupar um espaço simbólico dentro da cultura, da política e da memória coletiva. Deixaram de ser produtos hegemônicos para representarem um lugar de pertencimento.
Durante séculos, a Igreja Católica construiu uma relação rigorosa com vestimentas. Os sapatos papais, por exemplo, sempre carregaram significado histórico e espiritual, dos tradicionais modelos vermelhos usados por Bento XVI aos sapatos ortopédicos pretos de Francisco. Por isso, ver um pontífice usando Nike é um choque visual, ainda mais quando não é IA.
Quando capturado, Nicolás Maduro usava um conjunto da Nike que esgotou em poucas horas │Foto: reprodução/Instagram
Já a imagem de Maduro produz outro efeito. O conjunto esportivo imediatamente se transformou em assunto e virou quase um documento histórico instantâneo, além de esgotar em poucas horas.
Já vimos esse movimento outras vezes. A jaqueta de couro da Schott eternizada por James Dean marcou uma era de rebeldia juvenil. O tailleur rosa da Jackie Kennedy ficou para sempre associado a um dos episódios mais traumáticos da política americana. A Adidas virou parte da identidade do hip hop com o Run-D.M.C. O Air Jordan ultrapassou o basquete e redefiniu a cultura sneaker no mundo inteiro.
O terno rosa usado por Jackie Kennedy em Dallas entrou para a historia │Foto: reprodução/Instagram
No fim, pouco importa se estamos falando de um papa, um presidente ou uma celebridade. Em um mundo guiado por imagens rápidas e símbolos fáceis de reconhecer, algumas marcas já não pertencem apenas às prateleiras. Elas pertencem à história.
Fonte: Jovem Pan