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Mendonça vota pela manutenção de prisão de primo de Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (22) pela manutenção da prisão do empresário Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro.
No último fim de semana, Mendonça decidiu converter de temporária para preventiva a prisão de Felipe.
A medida desta sexta ocorre no âmbito da “Operação Compliance Zero”, que apura um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial envolvendo o uso de empresas de fachada e “contas de passagem”.
Segundo o voto do relator, a manutenção da prisão é necessária para garantir a ordem pública e evitar a continuidade dos crimes, uma vez que o investigado teria mantido as práticas ilícitas mesmo após a deflagração de fases ostensivas da operação policial.
– Esta reportagem está em atualização
Agora no g1
Continuidade delitiva e “descarimbo” de recursos
Mendonça destacou que Felipe Vorcaro assumiu o protagonismo da organização criminosa após a prisão de Daniel Vorcaro.
Relatórios de inteligência financeira (RIF) do Coaf apontaram movimentações que totalizam aproximadamente R$ 18,4 bilhões entre 2019 e 2026, com Felipe figurando como beneficiário central de fluxos vinculados a Daniel.
A decisão cita que, em abril de 2026, Felipe teria participado da criação da empresa Infrasolar Holding Ltda., que, apesar de possuir capital social de apenas R1.000,00, realizou uma operacãoo financeira de maisde R$ 132 milhões poucos dias após sua constituição.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam tratativas para criar estruturas societárias com o objetivo de “descer capital” e “descarimbar” recursos, termos interpretados como tentativas de ocultar a origem ilícita dos valores.
Ligação com núcleo político
O ministro também relembrou indícios de irregularidades envolvendo o Senador Ciro Nogueira. Segundo as investigações, Felipe Vorcaro teria atuado na transferência de 30% de uma empresa para a família do parlamentar com um deságio superior a R$ 12 milhões de operacionalizarr epasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao político.
Risco de fuga e obstrução
Outro ponto determinante para a manutenção da custódia foi o comportamento de Felipe durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Relatórios policiais indicam que o investigado tentou frustrar a colheita de provas e empreender fuga ao se ausentar de sua residência antes da chegada das equipes.
Para Mendonça, a estrutura investigada demonstra uma “altíssima capacidade de reorganização”, o que torna medidas cautelares alternativas insuficientes para paralisar as atividades do grupo.
“A liberdade do investigado compromete a efetividade da investigação e a futura aplicação da lei penal”, afirmou o ministro em seu voto.


Fonte:

g1 > Política

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