Se Liga Cacoal – Header
.

Se Liga Cacoal – Header

Irã suspende ataques contra Israel após nova escalada e defende diplomacia

O comando das Forças Armadas do Irã anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária dos ataques contra Israel. A decisão ocorre poucas horas após os dois países retomarem as hostilidades de forma direta pela primeira vez desde o cessar-fogo de 8 de abril, rompendo um período de dois meses de relativa estabilidade e evidenciando a fragilidade das recentes tentativas diplomáticas no Oriente Médio.

Em comunicado, o comando militar iraniano afirmou que “respondeu com veemência” aos bombardeios israelenses realizados nos subúrbios do sul de Beirute e que, por enquanto, a operação está interrompida. No entanto, Teerã fez um alerta de que as forças iranianas voltarão a retaliar caso Israel realize novos ataques em território libanês.

Acompanhando o anúncio militar, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reforçou que o país não se retirou do cenário diplomático. “Defesa e diplomacia são os dois pilares do poder nacional. Não abandonamos nem o campo de batalha nem a mesa de negociações”, escreveu o mandatário na rede social X.

Colapso da trégua

A nova escalada teve início no domingo (7), após um bombardeio israelense no distrito de Dahiyeh, em Beirute, que Tel Aviv alegou ter como alvo um centro de comando militar. Em resposta, Teerã disparou uma salva de mísseis contra Israel.

Os militares israelenses reivindicaram a autoria de novos ataques nesta segunda contra sistemas de defesa iranianos e um complexo petroquímico.

A gravidade do confronto gerou reação imediata da Casa Branca. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua rede social, Truth Social, para exigir o fim das hostilidades: “Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente”.

Em entrevista ao portal Axios, Trump reforçou o descontentamento: “Israel lançou seu ataque, e o Irã lançou o seu. Não precisamos de outro”.

Explosões nas capitais

O impacto dos confrontos foi sentido diretamente pelas populações civis. Em Teerã, uma forte explosão sacudiu o prédio do Ministério das Relações Exteriores durante uma coletiva de imprensa. Simultaneamente, Jerusalém registrou sirenes de alerta aéreo e detonações. Em resposta, Israel fechou escolas em todo o país e declarou estado de “alerta máximo”.

A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter atingido duas bases aéreas estratégicas e um complexo petroquímico em Haifa. Fontes militares israelenses confirmaram que o Irã lançou cerca de 30 mísseis desde domingo, incluindo projéteis disparados a partir do Iêmen.

Choque econômico

A instabilidade política abalou os mercados globais. O preço do petróleo Brent subiu 5%, aproximando-se de US$ 100 o barril, devido ao temor de bloqueios no Estreito de Ormuz. Paralelamente, os rebeldes houthis, no Iêmen, proibiram a navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho.

No plano interno, a população iraniana sofre com os reflexos econômicos. “A vida cotidiana virou uma piada; estamos apenas tentando sobreviver”, relatou Elaheh, uma moradora de Ahvaz, referindo-se à inflação galopante que corrói o poder de compra no país.

Diplomacia sob pressão

Apesar da suspensão dos ataques, o clima diplomático permanece hostil. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, acusou os Estados Unidos de responsabilidade direta pelas violações do cessar-fogo, afirmando que Washington falhou em garantir a trégua no Líbano.

Baghaei sinalizou que Teerã continuará com consultas mediadas pelo Paquistão, mas exige que qualquer acordo inclua o fim dos combates no Líbano e a liberação de ativos financeiros iranianos bloqueados.

Trump, por sua vez, declarou à NBC que não discutirá a liberação de fundos. No Parlamento iraniano, o deputado Esmail Kowsari alertou que, caso o “Eixo da Resistência” seja totalmente mobilizado, Israel não terá capacidade de resistir.

Uma fonte militar ouvida pela agência Tasnim reforçou que o Irã está preparado para uma “guerra prolongada” e pronto para atingir interesses americanos na região caso a pressão sobre o país continue a subir.

*Com informações da AFP


Fonte: Jovem Pan

Destaques