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Senado dos EUA reverte voto contra Trump após confronto com senador Bill Cassidy

Em uma reviravolta dramática, os republicanos do Senado americano rejeitaram na noite de quarta-feira (25) uma resolução de poderes de guerra que limitaria a ação militar do presidente Donald Trump no conflito contra o Irã.

A mudança ocorreu horas após um almoço tenso no Capitólio, marcado por uma forte discussão entre Trump e o senador Bill Cassidy (R-Louisiana), um dos republicanos que havia votado contra o presidente no dia anterior.

Confronto no almoço

Na terça-feira (24), o Senado havia aprovado por 50 a 48 uma resolução de poderes de guerra, com o apoio de quatro republicanos: Bill Cassidy, Susan Collins (Maine), Lisa Murkowski (Alaska) e Rand Paul (Kentucky). A medida, de caráter majoritariamente simbólico, buscava forçar Trump a encerrar ou obter aprovação do Congresso para continuar as hostilidades contra o Irã.

Irritado, Trump compareceu a um almoço fechado com senadores republicanos no Capitólio na quarta-feira. Durante a reunião, ele questionou duramente por que alguns republicanos haviam “traído” sua agenda ao votar com os democratas. Foi então que o senador Bill Cassidy se levantou e confrontou o presidente diretamente.

Cassidy relatou aos jornalistas depois do encontro: “Eu me levantei e disse: ‘Você não contou ao povo americano o que está acontecendo. Era para durar quatro semanas, já dura quatro meses. Nossos objetivos originais não foram alcançados, e eu quero saber o que está acontecendo’.”

A troca de palavras escalou rapidamente. Trump interrompeu Cassidy, que respondeu não se deixar intimidar. Segundo relatos, o presidente chamou o senador de “lunático” durante o bate-boca.

Cassidy, por sua vez, disse que não seria “intimidado” ao buscar respostas para o povo americano. O senador ainda tentou descontrair chamando Trump de “meu irmão” em alguns momentos.

Mudança de voto

Após o almoço conturbado, Cassidy foi à Casa Branca para um briefing sobre a situação no Irã, acompanhado de informações da administração (incluindo, segundo alguns relatos, participação do vice-presidente JD Vance). O encontro parece ter sido decisivo.

À noite, os republicanos do Senado levaram ao plenário uma resolução praticamente idêntica à aprovada no dia anterior.

O resultado foi uma rejeição por 47 a 50, com 1 presente (Rand Paul votou “presente” para dar mais margem de manobra a Trump).

Bill Cassidy mudou seu voto e votou contra a resolução;

Susan Collins e Lisa Murkowski mantiveram posição a favor da medida;

O líder republicano John Thune declarou que Trump ficou “satisfeito” com o desfecho.

Trump comemorou nas redes sociais, afirmando que o voto “avisa o Irã” e reforça sua posição nas negociações.

Contexto maior

Essa foi a décima tentativa do Congresso de usar a resolução para limitar ações militares de Trump no Irã. Embora as resoluções desse tipo sejam simbólicas e de difícil aplicação prática (Trump provavelmente as ignoraria), o episódio expôs rachas internos no Partido Republicano — especialmente com senadores que enfrentam pressão eleitoral ou já perderam o apoio de Trump (como Cassidy, que perdeu uma primária para um candidato apoiado pelo presidente).

O caso também desviou a atenção de pautas prioritárias para os republicanos, como custo de vida e projetos eleitorais, em ano de midterm elections.

O senador Cassidy, ao final do dia, defendeu sua postura inicial, mas ajudou a entregar a Trump uma vitória simbólica que amenizou o constrangimento público do dia anterior.

A história ilustra a dinâmica de poder entre Trump e o Congresso republicano: forte pressão pessoal do presidente costuma surtir efeito, mesmo que temporariamente. O conflito com o Irã continua no centro das atenções em Washington.


Fonte: Jovem Pan

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