A filiação falsa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao partido Missão registrou como endereço “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano“, segundo relatório técnico do próprio partido. A falsa filiação foi concluída nesta quinta-feira (13).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou que o registro tenha sido fruto de hackeamento. Segundo o Missão, a filiação foi feita por um terceiro não identificado, sem autorização de Flávio. Além disso, o relatório indica que o CPF utilizado difere do documento real de Flávio Bolsonaro.
O documento também detalha uma linha do tempo sobre a filiação. O cadastro começou no dia 2 de agosto, com o pagamento de R$ 4.789,58 de contribuição financeira. Duas tentativas foram realizadas por Pix e recusadas. A cobrança foi cancelada no dia 9 pela falta de pagamento.
No dia 12, a filiação é cancelada e outra tentativa é encaminhada ao TSE. A divergência em relação ao CPF cadastrado no título eleitoral foi informada ao tribunal, que recusou a reversão do registro.
O cadastro foi registrado e a divergência é apontada como uma parte pendente para resolução. Segundo o documento, a desfiliação deve partir do titular, ou seja, Flávio, de forma presencial em cartório eleitoral.
O Missão diz que todos os e-mails constam como entregues nos registros do partido.
TSE
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para investigar a filiação, após afirmarem que o caso “não foi fruto de hackeamento”.
Segundo o TSE, a associação de Flávio ao partido teria sido por alguém que possuía os dados do senador e o filiou a legenda. “Foi de uso indevido de ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para evitar filiações”, disse em nota.
A campanha do candidato à Presidência já havia acionado o TSE após o sistema da Justiça Eleitoral identificar o senador como filiado ao Missão, e não ao PL.
Nota do Missão
Segundo a certidão de filiação partidária, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi desfiliado do PL na quarta-feira (12) e filiado ao Missão no mesmo dia.
A Jovem Pan entrou em contato com a campanha de Flávio sobre a filiação. Se houver resposta, o texto será atualizado.
Questionado sobre o episódio, Renan Santos afirmou à reportagem que “a última coisa” que ele deseja é a filiação do senador ao partido que ele fundou. “Obviamente não partiu da gente isso, deve ter sido alguém que hackeou. A última coisa que eu vou querer é o Flávio Bolsonaro filiado no partido que eu fundei”, disse.
Após a repercussão do caso, o partido Missão divulgou uma nota em que afirma que o gabinete de Flávio foi informado sobre a tentativa de filiação no último dia 2. No comunicado, a sigla também diz que está em contato com a Polícia Federal e o TSE sobre a situação.
Fonte: Jovem Pan