A conquista do tricampeonato pela seleção brasileira, em 1970, também se deve à excelente preparação física dos jogadores. A equipe comandada por Zagallo embarcou para o México em 1º de maio, um mês antes do início da Copa. No total, foram cerca de 20 dias treinando em Guanajuato, que fica a mais de 2 mil metros acima do nível do mar. Até hoje a cidade turística guarda marcas da passagem da seleção. O Hotel Parador San Javier, que hospedou os atletas, praticamente não sofreu modificações arquitetônicas. Eles treinavam no campo Nieto Pina, pertencente à Universidade de Guanajuato. Já os jornalistas ficaram no Hotel Castillo Santa Cecília, uma construção medieval. A revista O Cruzeiro mencionava o isolamento da seleção: “(…) Em Guanajuato, conforto não basta para preencher o isolamento da seleção. Ali, o tempo não passa. (…) De manhã, o treino; à tarde, o descanso nos jardins. Uma boa sinuca pela noite. (…) Pelé engana a saudade com um violão. Ele quer fazer uma música sobre a Copa.”
Pela primeira vez na história, a comissão técnica deu muita atenção à preparação física, talvez aí um sinal da presença de militares no comando da delegação nacional. Nos treinamentos, era utilizado o método Cooper (idealizado pelo preparador físico norte-americano Kenneth H. Cooper, em 1968) que ajudava a verificar o condicionamento físico dos atletas. A avaliação era feita por meio de uma corrida de obstáculos com duração de 12 minutos.
O trabalho de preparação física foi comandado por Admildo Chirol. Os auxiliares dele eram Carlos Alberto Parreira, Cláudio Coutinho e Raul Carlesso, os dois últimos vindos de carreira militar. Ao treinar em uma cidade com mais de 2 mil metros acima do nível do mar, a seleção esteve preparada para jogar em Guadalajara (1.600 metros) e na Cidade do México (2.300 metros).
Em Guadalajara (palco dos jogos da seleção, exceto a final), o Brasil ficou hospedado no Hotel Suítes Caribe e treinou no campo do Clube Providência. Até hoje, existe no local uma placa em homenagem a Pelé: “Edson Arantes do Nascimento, exemplo de juventude no mundo”. Os europeus, principalmente, sentiram muito o calor no México e normalmente caíam de produção no decorrer dos jogos. Já a seleção brasileira, pelo contrário, tinha sempre melhor desempenho físico e técnico no segundo tempo.
Os números são incontestáveis: dos 19 gols marcados pela equipe de Zagallo, 12 saíram na etapa final. Dos 7 sofridos, apenas 2 foram marcados pelos adversários no segundo tempo. Dos seis jogos da campanha vitoriosa, quatro terminaram empatados no primeiro tempo (Tchecoslováquia, Inglaterra, Uruguai e Itália). O zagueiro Brito foi o atleta com o melhor preparo entre as dezesseis seleções que participaram do mundial do México. Além do talento da seleção, o preparo físico foi decisivo.
Fonte: Jovem Pan