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Análise: 1º discurso de Caiado abre fosso do pré-candidato do PSD com Flávio Bolsonaro e o bolsonarismo


Análise: 1º discurso de Caiado abre fosso do pré-candidato do PSD com Flávio Bolsonaro e o bolsonarismo O primeiro discurso do governador Ronaldo Caiado como pré-candidato a presidente pelo PSD sinaliza um movimento político relevante: um afastamento claro não apenas do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), mas de elementos centrais do bolsonarismo. O surpreendente é que essa ruptura aconteceu mais rápido do que se previa. Ao longo de sua fala, Caiado construiu uma série de contrastes — diretos e indiretos — que ajudam a delimitar esse novo posicionamento. Um dos primeiros pontos é a crítica à polarização. Ao afirmar que ela pode ser “desativada por alguém que não é parte dela”, Caiado indica uma tentativa de se colocar fora do eixo tradicional entre lulismo e bolsonarismo. Na prática, o recado é: nem Lula, nem Bolsonaro. Outro trecho relevante diz respeito ao radicalismo. Ao afirmar que “ninguém é radical quando atinge 80% de aprovação”, o governador sugere uma defesa de moderação — em contraste com a postura frequentemente associada ao bolsonarismo. Caiado também destacou sua defesa da ciência, da pesquisa e do avanço tecnológico, reforçando divergências que já haviam aparecido durante a pandemia, período marcado por atritos entre ele e o então presidente Jair Bolsonaro. Ao lado de Kassab, Caiado é oficializado como pré-candidato à Presidência pelo PSD Jorge Silva/Reuters Há ainda uma crítica mais direta ao desempenho da direita no governo federal. Ao mencionar que, após várias eleições desde o regime militar, a direita venceu apenas em 2018 — e “devolveu” o poder ao PT —, Caiado sugere que o governo Bolsonaro fracassou na tarefa de se consolidar politicamente. Para ele, o desafio central é governar bem o suficiente para que o PT deixe de ser uma alternativa viável. Nesse contexto, o governador cita exemplos de estados administrados por lideranças de direita: Goiás, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Estados onde, segundo ele, o PT não teria força eleitoral. A mensagem implícita é de que a direita precisa replicar esses modelos de gestão. Outro ponto sensível é a crítica indireta ao capital político de Flávio Bolsonaro. Ao mencionar a importância de “não pular degraus”, Caiado sugere que trajetórias políticas devem ser construídas por mérito — em contraste com heranças familiares. Por fim, ele reforça sua identificação com a democracia, dizendo ser “apaixonado” por ela — mais um elemento de diferenciação em relação a críticas recorrentes ao bolsonarismo nesse campo. Apesar dessas diferenças com o bolsonarismo, Caiado faz uma concessão importante: defende uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para Bolsonaro e seus apoiadores, proposta que afirma estar entre suas primeiras medidas caso chegue à Presidência. O conjunto do discurso indica uma estratégia: manter diálogo com o eleitorado bolsonarista, mas ao mesmo tempo construir uma identidade própria, diferenciada — e, ao menos no discurso, mais moderada. Em síntese, o blog resumiria dessa forma: Caiado deixou o cavalo branco no estábulo e está vendendo a imagem do não radical. O cavalo branco foi o símbolo de sua campanha em 1989, quando liderava a UDR, União Democrática Ruralista, em que prometia enfrentar qualquer tentativa de reforma agrária. Essa imagem entrou para a história como uma face de seu radicalismo. Nesse discurso, ele entendeu que para vencer a eleição, ao contrário do passado, ele precisa deixar o cavalo branco em 1989.

PGR recorre de decisão de Dino que derrubou aposentadoria compulsória como maior punição a juízes


A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu nesta segunda-feira (30) da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o fim da aposentadoria compulsória remunerada como penalidade máxima imposta a juízes. O pedido da PGR está em segredo de justiça. Com o recurso, o caso deve ser levado para discussão no plenário do STF. A PGR entende que a aposentaria compulsória como punição não foi extinta. Em 16 de março, Dino determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar a perda do cargo de magistrado, e a consequente perda de salário, como a maior punição por violações disciplinares. A maior pena de punição passou a ser a perda do cargo. Ou seja, a aposentadoria compulsória deixa de ser a principal sanção para casos mais graves. A medida era duramente criticada porque afastava o juiz da função, mas mantinha a remuneração mensal proporcional ao tempo de serviço. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A medida vale para juízes e ministros de todos os tribunais, menos o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Dino, a pena de aposentadoria compulsória não cabe "no ordenamento jurídico vigente". Por isso, magistrados que cometem crimes não poderão ser sancionados com a medida. ⚖️ Nos últimos 20 anos, 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente nessas condições. Eles foram punidos por infrações graves como venda de sentenças, assédio moral e sexual, e benefícios indevidos a integrantes de facção criminosa. No entendimento do ministro, a reforma da Previdência de 2019 extinguiu a aposentadoria compulsória como punição. “A Emenda Constitucional nº 103/2019, ao promover modificações no sistema previdenciário brasileiro, também alcançou expressamente o regime jurídico aplicável aos magistrados e as competências do Conselho Nacional de Justiça, revogando a sanção de ‘aposentadoria compulsória’, ao eliminar o seu fundamento constitucional (...). Aos magistrados são aplicáveis as regras de aposentadoria constantes do artigo 40 da Constituição Federal, o qual não prevê a transferência compulsória para a inatividade com recebimento de aposentadoria como sanção quando do cometimento de infração disciplinar grave", afirmou. Dino decidiu sobre o caso após a análise de uma ação de um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para anular decisões do CNJ, que resultaram em sua aposentadoria compulsória. Sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília João Américo/PGR O magistrado alvo do processo atuava na Comarca de Mangaratiba (RJ) e foi aposentado depois que o CNJ comprovou condutas como: favorecimento de grupos políticos da cidade; liberação de bens bloqueados a pedido dos interessados sem a devida manifestação do Ministério Público; direcionamento proposital de ações à vara para concessão deliminares em benefício de policiais militares milicianos; irregularidade no julgamento de processos ajuizados por policiais militares que visavam a reintegração às fileiras da Corporação; e anotação irregular da sigla ‘PM’ na capa dos autos para identificar processos em que fossem partes os policiais militares. A defesa do magistrado acionou o Supremo após ele ter sido punido pelo TJ-RJ e pelo CNJ com aposentadoria compulsória.

Análise: Caiado se lança de olho no eleitor de direita não bolsonarista e critica Flávio Bolsonaro


Análise Julia Duailibi sobre discurso da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência Ao oficializar sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD nesta segunda-feira (30), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), traçou uma linha clara de ataque: o foco é o eleitor de direita, mas o alvo preferencial é a falta de experiência. Em um movimento estratégico, Caiado foi para cima de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu provável adversário direto pelo espólio conservador, ao bater na tecla da capacidade de gestão. Caiado, que é médico, usou uma analogia cirúrgica para marcar território contra o filho do ex-presidente: "você tem um filho acometido de um problema de saúde. Você vai optar por um médico que tem um número, o outro que tem maus resultados ou o que tem competência para operar seu filho?". LEIA MAIS Anistia a Bolsonaro, terras raras, combate ao crime: o que Caiado propôs Kassab aposta em Caiado por perfil mais combativo e governo já prepara estratégia contra candidatura Veja o desempenho de Caiado nas pesquisas eleitorais A mensagem foi direta: não basta ter o sobrenome ou o número de urna, é preciso saber administrar. A escolha de Caiado em detrimento de Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, passou por um diagnóstico pragmático da cúpula do PSD, liderada por Kassab e Jorge Bornhausen. Os caciques entenderam que o governador gaúcho teria que disputar o eleitor de centro e de esquerda não lulista. No entanto, a avaliação é que o voto de esquerda já está consolidado em torno de Lula, o que reduziria o potencial de crescimento de Leite. Pela direita, o partido vê um vácuo deixado pelo "bolsonarismo raiz". Caiado se coloca como uma opção para o eleitor conservador que busca eficiência e segurança, mas que pode estar cansado da polarização radicalizada. Apesar de focar na disputa interna da direita, Caiado não poupou o governo atual. Ele se posicionou como o anti-PT, mas elevou o tom sobre a governabilidade. Segundo ele, o desafio do Brasil não é apenas vencer Lula nas urnas — algo que ele classificou como um passo "fácil" no atual cenário. "O desafio não é ganhar a eleição do PT, isso é fácil. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país", declarou. Para o governador, a estratégia é mostrar que a direita pode ser eficiente na gestão a ponto de esvaziar o discurso petista no longo prazo. Para consolidar essa entrada no eleitorado de direita, Caiado fez o gesto mais esperado pelos conservadores: a defesa da anistia ampla, geral e restrita, citando o precedente histórico de Juscelino Kubitschek. Ao abraçar a pauta que interessa diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso por tentativa de golpe, ele tenta desarmar resistências do eleitorado bolsonarista, enquanto fustiga Flávio Bolsonaro no campo da competência administrativa. Ronaldo Caiado Jorge Silva/Reuters

Com a escolha de Caiado na corrida à Presidência, qual será o papel de Eduardo Leite nas eleições?


Eduardo Leite João Pedro Rodrigues/Palácio Piratini Não será em 2026 que Eduardo Leite (PSD) será candidato à Presidência da República. O governador do Rio Grande do Sul tentou concorrer ao Palácio do Planalto em 2022, mas, em uma disputa interna no PSDB, foi preterido pelo ex-governador de São Paulo, João Dória, que viria a desistir da corrida eleitoral. Para as eleições de 2026, o escolhido pelo partido foi o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que deverá ser o pré-candidato de Gilberto Kassab ao Palácio do Planalto. Leite buscava representar no país uma terceira via, mas acabou por ser a terceira opção de seu partido, que, antes de Caiado, tinha no governador do Paraná Ratinho Junior a preferência para representar o 55 nas urnas. O paranaense se retirou da disputa na semana passada. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Questionado pela reportagem da RBS TV em entrevista coletiva nesta segunda-feira (30) sobre qual seria seu papel nas eleições, evitou responder diretamente, não citou Caiado e disse que o tema ainda será definido. "Vou continuar trabalhando pela política feita no centro. A definição de onde eu vou estar jogando, se no campo, na torcida, do lado, como treinador orientando, isso é definido junto com o grupo. Não deixo de ser uma liderança política e de estar inserido dentro desse movimento que acredita na política feita no centro", declarou ainda. Leite não cita Caiado, diz estar desencantado e que a escolha do PSD mantém radicalização Leite também afirmou que ainda não conversou com Caiado após a decisão do PSD. O governador do RS tentou com afinco ser candidato. Divulgou um manifesto ao país reforçando sua pré-candidatura após a desistência de Ratinho. Buscou se diferenciar de seus adversários afirmando ser verdadeiramente oposição a Lula e a Bolsonaro. Angariou apoio de quadros importantes como políticos e economistas, chegando a equilibrar a disputa interna com Caiado. Leite já descartou uma candidatura ao Senado. Em vídeo divulgado na tentativa de conquistar a preferência de Kassab, disse que só renunciaria ao mandato de governador “para atender o chamado para a única eleição mais importante, a de presidente da República”. Assim, Leite deve seguir à frente do Palácio Piratini para concluir seu mandato como governador, em 5 de janeiro de 2027, quando passará a faixa para um próximo chefe do Executivo. O político do PSD não pode concorrer novamente ao cargo, visto que foi reeleito em 2022. Sua participação na campanha de 2026 deve ser decidida posteriormente. "Não se definiu absolutamente nenhum papel. Me propus a liderar um projeto nacional e o partido tomou uma decisão. Respeito, mas não me afasto da convicção de que deveríamos oferecer um projeto no centro. Tomada a decisão no partido, vamos conversar sobre qual é a forma que eu posso contribuir com o país", declarou. Ele deve voltar seu foco agora para as eleições gaúchas. Leite trabalha para eleger como sucessor o vice-governador Gabriel Souza (MDB). Nas eleições de 2022, um acordo articulado por ambos fez com que os emedebistas não tivessem candidato próprio ao governo do RS pela primeira vez na história. "Uma coisa é certa: meus olhos estão também voltados para a eleição do nosso sucessor, nosso vice-governador Gabriel Souza. Eu vou estar empenhado por isso na formação da nossa chapa e também na eleição dos nossos candidatos ao Senado", afirmou. Seu futuro político para além de 2027 ainda é um mistério, mas o próprio Leite dá sinais que não deve desistir tão cedo de sua aspiração à Presidência. “Isso não termina por aqui. A política é dinâmica e jornadas como essas não se encerram com uma decisão partidária. Essa jornada continua na saciedade, nas ideias, naquilo que a gente planta. Se não for agora, vai ser logo ali adiante”, declarou, em vídeo publicado após a escolha do PSD nacional. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Chico Rodrigues destaca ações em Roraima e critica polarização política

O senador Chico Rodrigues (PSB-RR), em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (30), destacou a execução de emendas parlamentares no estado de Roraima, com foco no apoio a produtores rurais. O parlamentar mencionou ações no município de Bonfim, onde acompanhou a entrega de equipamentos, e afirmou que os investimentos têm contribuído para fortalecer o setor. O senador ressaltou a entrega de tratores, caminhões e outros implementos ao longo do mandato, voltados principalmente ao atendimento de pequenos produtores em diferentes municípios de Roraima. Segundo ele, os recursos têm ampliado a capacidade produtiva da agricultura familiar e contribuído para suprir necessidades locais. — A agricultura familiar deu um grande salto a partir das nossas ações. Já entreguei mais de cem tratores agrícolas nesses sete anos de mandato de senador da República, atendendo os pequenos produtores rurais da agricultura familiar, com caminhões também, com equipamentos na área da agricultura, arados, grades, carretas, colheitadeiras, plantadeiras, casas de farinha; tudo que vem, realmente, beneficiar o pequeno produtor rural do nosso estado — afirmou. No discurso, Rodrigues também fez uma reflexão sobre a polarização política no país e afirmou que o ambiente de confronto tem dificultado o diálogo e a construção de soluções para problemas concretos da população. Segundo ele, a radicalização compromete o funcionamento das instituições e afeta diretamente a vida dos cidadãos. — A polarização também alimenta um ambiente de tensão permanente, no qual o debate público se transforma em uma espécie de guerra de torcida, em que o diálogo racional dá lugar à disputa emocional de narrativas. Neste cenário, não há espaço para escuta, apenas para confronto. Esse clima não fica restrito à política. Ele invade as relações pessoais, divide famílias, rompe amizades e cria conflito dentro dos lares, entre pessoas que antes conviviam com respeito. A política que deveria unir em torno de soluções, criar pontes, passa a afastar e dividir as pessoas — disse. 

Izalci Lucas lamenta encerramento da CPMI do INSS

O senador Izalci Lucas (PL-DF), em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (30), lamentou o encerramento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Ele afirmou que a interrupção dos trabalhos impediu o aprofundamento das investigações sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo Izalci, a comissão havia reunido provas suficientes, mas não conseguiu avançar na responsabilização dos envolvidos. — Tivemos, de fato, a comprovação da roubalheira que fizeram com o aposentado e pensionista. É evidente que o governo ficou assustado. Por incrível que pareça, nenhum deles assinou a CPMI, mas depois tentaram, de assalto, como fizeram com outras CPMIs, dominá-la realmente — disse. O parlamentar criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, impactaram diretamente o andamento da CPMI. Izalci afirmou que essas decisões permitiram ausências em oitivas e comprometeram a coleta de informações. Para Izalci, a distribuição das vagas por partidos, e não por blocos parlamentares, alterou o equilíbrio interno da comissão e garantiu maioria à base governista. Ele avaliou que, devido a essa mudança, requerimentos deixaram de ser aprovados e convocações foram barradas. — A partir desse momento, nós não conseguimos aprovar mais nada que pudesse incriminar as autoridades do Supremo e também do Executivo, ou parentes — afirmou, citando como exemplo de blindagem o caso de Edson Claro Medeiros Júnior, ex-funcionário de um dos principais acusados pelo esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Áudio: Projeto amplia participação feminina nas indicações ao Tribunal de Contas da União

O Senado começou a analisar um projeto de decreto legislativo (PDL 155/2026) que estabelece critérios para ampliar a participação feminina nas indicações feitas pelo Congresso Nacional ao Tribunal de Contas da União (TCU). Pelo texto, do senador Wellington Fagundes (PL-MT), a cada duas vagas preenchidas por indicação do Parlamento, ao menos uma deverá ser destinada a mulheres, promovendo maior equilíbrio de gênero em um dos órgãos mais relevantes de controle do país.

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