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Congresso decide se mantém veto de Lula a PL da Dosimetria nesta quinta-feira

A decisão pode alterar o tempo de prisão e as regras de progressão de regime aos condenados por tentativa de golpe de Estado e por envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro

Empresário condenado por corrupção e envolvido na ‘farra dos guardanapos’ estava em voo que veio do Caribe com Motta e Ciro Nogueira


Um empresário condenado pela antiga Lava Jato do Rio de Janeiro era um dos passageiros do voo particular que trouxe o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) da ilha de São Martinho, no Caribe, um paraíso fiscal. Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, consta da lista de 16 passageiros junto com os parlamentares. Lista de passageiros do voo PP-OIG de 20 de abril de 2025 confirma a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira. O documento consta do inquérito obtido pelo g1. Reprodução Cavendish foi condenado em 2018 por ter participado de um esquema de corrupção que desviou cerca de R$ 370 milhões dos cofres públicos. Ele se tornou delator e à época afirmou ter pagado propina para o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e se comprometeu a devolver milhões de reais para a Justiça. Cavendish participou do episódio que ficou conhecido como "farra dos guardanapos". Ele aparece em uma foto tirada em 2009, em Paris, que mostrou acusados de envolvimento no esquema confraternizando enquanto usavam guardanapos amarrados na cabeça. Fernando Cavendish e Wilson Carlos em uma das fotos da reunião que ficou conhecida como "farra dos guardanapos" Reprodução/TV Globo Voo alvo de investigação O voo em que Cavendish estava, realizado em 20 de abril de 2025, virou alvo de uma investigação da Polícia Federal porque o piloto passou com bagagens por fora do raio-X ao desembarcar no Aeroporto Catarina, em São Roque, no interior de São Paulo. O aeroporto é usado para voos executivos. A polícia não sabe o que tinha nas bagagens nem a quem exatamente elas pertenciam. O inquérito A investigação começou na Polícia Federal em São Paulo para apurar a conduta do auditor da Receita Federal que não fez a fiscalização adequada. Os crimes apurados inicialmente eram, em tese, prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho. Assim que os policiais receberam a lista de passageiros — que incluía quatro parlamentares com foro especial —, o inquérito foi remetido para o Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Motta e Ciro Nogueira, estavam no avião os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). A reportagem questionou os quatro parlamentares sobre a presença de Cavendish no voo e a eventual relação que possam ter com o empresário envolvido em escândalo de corrupção. Até a publicação desta reportagem, eles não haviam respondido. O dono do avião particular, que também aparece na lista de passageiros obtida pela PF, é Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG. Ele se notabilizou ao depor à CPI das Bets no Senado, ocasião em que foi questionado e negou ser dono do Jogo do Tigrinho, plataforma de apostas online que era investigada pela comissão parlamentar. No STF, o inquérito foi distribuído por sorteio para o ministro Alexandre de Moraes, que será o relator. Moraes enviou o inquérito para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão pode opinar pela manutenção do caso no Supremo, se houver indício de envolvimento dos parlamentares em crimes; pelo retorno da investigação para a primeira instância em São Paulo; ou pode pedir mais informações antes de se manifestar. Nesta terça (28), quando a investigação foi revelada, o piloto do avião, José Jorge de Oliveira Júnior, afirmou em nota que não se recorda do dia do voo, mas que segue procedimentos padrão em desembarques. "Cada passageiro realiza o desembarque com seus pertences de forma individual" e "cada piloto transporta apenas seus próprios itens, de modo que, em eventual fiscalização, responda exclusivamente pelo que carrega", afirmou. O auditor fiscal Marco Antônio Canella também foi procurado pelo g1 nesta terça, mas não se manifestou.

Oposição garante que não há clima para envio de novo nome para STF antes das eleições

Logo depois da derrota, a oposição já vaticinava. Não adianta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandar um novo nome para o STF antes das eleições. Será derrotado. Reservadamente, ainda no plenário depois de o placar mostrar que o governo perdeu de 42 a 34, senadores da oposição afirmavam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, garantiu a eles que não coloca nenhum novo nome para ser sabatinado antes das eleições. Segundo um senador do PL, Alcolumbre assumiu esse compromisso com a oposição e vai cumpri-lo. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmava considerar que realmente não há clima para uma nova indicação antes das eleições. "A derrota não foi do Jorge Messias, foi do governo Lula, que decidiu colocar seus interesses particulares acima de tudo na indicação para o Supremo", afirmou. Pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flavio Bolsonaro afirmava na saída do plenário que a indicação tem de ser por aquele que for eleito o próximo presidente. O filho do ex-presidente Bolsonaro está empatado tecnicamente com o presidente Lula nas pesquisas de intenção de voto. Assessores do presidente Lula dizem que ele ainda não fez uma avaliação sobre o que fazer, afinal não estava nas previsões do governo uma derrota no Senado. Lula pode encaminhar um outro nome, mas terá de medir se será derrotado novamente ou não. Indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) poderia ser um caminho. Assessores, porém, não recomendam porque seria se curvar às pressões de Alcolumbre, que sempre defendeu o nome do amigo para a vaga no STF. A possibilidade de encaminhar o nome de uma mulher, negra, era defendida por senadores governistas ontem após a derrota. Mas um aliado lembrava que, agora, ficaria muito ruim, porque seria a admissão de que Lula só decidiu pensar na indicação de uma mulher para a vaga depois da derrota histórica.

Quaest no CE: veja os números para a disputa no Senado


Câmara e Senado: fachada do prédio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios no dia 4 de julho de 2017 Edilson Rodrigues/Agência Senado Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (30) mostra como está a disputa pelo Senado no Ceará. São três cenários. Neste ano, cada estado e o Distrito Federal irão eleger dois senadores. A disputa está acirrada, com pelo menos quatro pré-candidatos entre aqueles com mais intenção de voto. Entre os nomes mais apontados pelos entrevistados estão os do ex-governador Cid Gomes (PSB), o ex-deputado federal Capitão Wagner (União), a deputada federal Luizianne Lins (Rede) e o também deputado Eunício Oliveira (MDB). Veja os números: Cenário 1, com 12 pré-candidatos Cid Gomes (PSB): 17% Capitão Wagner (União): 16% Roberto Cláudio (União): 8% Luizianne Lins (Rede): 8% Eunício Oliveira (MDB): 6% Pastor Alcides Fernandes (PL): 3% Priscila Costa (PL): 3% Chiquinho Feitosa (Republicanos): 1% Domingos Filho (PSD): 1% General Theóphilo (Novo): 1% Anna Karina (PSOL): 0% Professor Germano Lima (PSOL): 0% Indecisos: 16% Branco/Nulo/Não vai votar: 20% Veja os vídeos que estão em alta no g1 Cenário 2, com 8 pré-candidatos Cid Gomes (PSB): 16% Capitão Wagner (União): 16% Roberto Cláudio (União): 10% Luizianne Lins (Rede): 8% Eunício Oliveira (MDB): 6% Pastor Alcides Fernandes (PL): 4% General Theóphilo (Novo): 1% Anna Karina (PSOL): 1% Professor Germano Lima (PSOL): 1% Indecisos: 16% Branco/Nulo/Não vai votar: 21% Cenário 3, com 10 pré-candidatos Cid Gomes (PSB): 17% Capitão Wagner (União): 17% Luizianne Lins (Rede): 9% Eunício Oliveira (MDB): 6% Priscila Costa (PL): 4% Chiquinho Feitosa (Republicanos): 1% Domingos Filho (PSD): 1% General Theóphilo (Novo): 1% Anna Karina (PSOL): 1% Professor Germano Lima (PSOL): 1% Indecisos: 18% Branco/Nulo/Não vai votar: 24% O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 1.002 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 24 e 28 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

Aliados do governo querem mulher no STF para emparedar Alcolumbre e oposição


Aliados do governo Lula discutem nos bastidores dois caminhos após a derrota recente no Senado: buscar composição para garantir a aprovação de projetos ou partir para o enfrentamento direto com o Congresso. Entre parte deste grupo, cresce a defesa de um movimento mais duro. A avaliação desse grupo é de que os momentos em que o governo conseguiu reagir melhor a derrotas foram aqueles em que apostou no discurso de confronto, apontando o Congresso como responsável por barrar medidas e prejudicar a população. Nesse contexto, ganha força a ideia de indicar uma mulher para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal. A estratégia tem um cálculo político claro. Interlocutores ouvidos pelo blog avaliam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dificilmente colocaria um novo nome indicado pelo governo para avançar antes das eleições. Com isso, o governo poderia construir o discurso de que fez a indicação, mas o Alcolumbre travou o processo. O movimento também dialoga com o cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, tem desempenho mais fraco entre mulheres e a indicação feminina entraria diretamente nesse discurso. A ideia é simples: o governo indicaria uma mulher e passaria a dizer que Alcolumbre não quis botar o nome para andar. A partir daí, o embate seria direto, com a narrativa de que esse grupo não é amigo das mulheres e atua contra o próprio governo, numa estratégia que já foi usada antes, como no caso do IOF. Vídeos em alta no g1 Essa conta também passa por uma leitura sobre o próprio Senado. A avaliação é de que Davi Alcolumbre só iria para um confronto direto com o governo, até o limite, se estivesse convencido de que o governo pode perder a eleição neste ano. E é exatamente essa a leitura que circula em Brasília hoje. Alcolumbre já percebeu que o vento está soprando para a oposição e fez uma sinalização nesse sentido também pensando no próprio futuro: a eleição para a presidência do Senado em 2027. Mas há um fator adicional nesse cálculo. Se a oposição vencer a eleição presidencial, já há um nome colocado para comandar a Casa, o do senador Rogério Marinho. E foi o próprio Marinho quem afirmou que a oposição pediu a Alcolumbre para não colocar mais nenhum nome indicado pelo governo para ser sabatinado até depois da eleição. Jorge Messias e David Alcolumbre Wilton Junior/Estadão Conteúdo; Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo

Reação a derrota de Messias no Congresso divide governo Lula

Depois da derrota histórica na indicação de Jorge Messias para o STF, uma ala do governo Lula defende retaliação, com a retirada de cargos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Outra, recomenda esperar a poeira baixar e tocar o governo sem depender do Congresso. No calor do momento, a sensação era de governo nocauteado e sem entender a derrota, que a equipe de Lula não acreditava que pudesse acontecer. Assessores de Lula dizem que o presidente ainda reflete sobre como reagir. Segundo eles, Lula vinha dizendo que cabia a ele fazer a indicação. E ao Senado aprovar ou rejeitar. E que, por isso, o governo tem de respeitar a decisão dos senadores. Se do ponto de vista institucional essa é a realidade, do ponto de vista político a avaliação é outra, de um governo enfraquecido no Senado. Logo depois da sessão do Senado que derrotou o governo, no qual um animado Davi Alcolumbre conduziu os trabalhos e até cravou o resultado para o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, antes de o painel ser liberado, os governistas circulavam cabisbaixos pelo plenário. Enquanto a oposição comemorava de forma ruidosa a vitória, que só foi possível com a ajuda de Alcolumbre. Os senadores da oposição admitiam que o presidente do Senado foi fundamental na derrota da indicação de Jorge Messias. Os oposicionistas normalmente contam com 32 votos no plenário. O placar registrou dez a mais. Deste grupo, que completou os 42 votos contra Messias, boa parte votou contra Lula por influência do presidente do Senado. Ainda no plenário, a oposição fazia questão de deixar claro que a derrota histórica era um recado não apenas para Lula, mas também para o STF. "Essa vitória nossa é um recado para o governo, mas também para o Supremo. Alguns ministros estão extrapolando e receberam o recado claro. Em breve, se não mudarem de posição, processos de impeachment serão abertos aqui nesta casa", afirma o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ). O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, ia no mesmo tom. "Nossa vitória representa o fim do governo Lula 3 aqui no Congresso, mas também é um recado para o STF", afirmou.

Repercussão mundial da rejeição de Messias expõe revés histórico para Lula

A Associated Press classificou o episódio como um “political blow” (golpe político)

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