Por Francisco Xavier Gomes
CACOAL: AS ELEIÇÕES, OS NÚMEROS E A PACIFICAÇÃO…
A eleição acabou, no Brasil, e ficou uma constatação que certamente será objeto de estudo: o estado de Rondônia superou Santa Catarina e agora é o principal berço do bolsonarismo no país. O candidato a presidente, Flávio Bolsonaro, venceu em todos os municípios de Rondônia com larga vantagem. Não há nenhuma razão para contestar o resultado, e também nenhuma novidade, porque uma vitória do bolsonarismo já era prevista em nosso estado. O resultado para governo foi muito semelhante, e o candidato Marcos Rogério venceu a eleição, no primeiro turno, com quase 60% dos votos, numa eleição que havia pelo menos outras duas candidaturas com forte potencial de palanque. Todavia, todos os demais candidatos foram simplesmente atropelados nas urnas, por Marcos Rogério. Lógico que não haverá nenhum pedido de anulação da eleição em Rondônia e muito menos eleitores com aquele papo furado de fraude. Os partidos, candidatos e eleitores que perderam a eleição em nosso estado sabem respeitar a democracia e os resultados das urnas, porque não existe, no mundo, nenhum sistema eleitoral mais seguro e eficiente do que o brasileiro.
Os eleitores e apoiadores do ex-prefeito Adailton Fúria chegaram a imaginar que o candidato de Cacoal poderia chegar ao segundo turno, e os mais empolgados falavam até em vitória de Fúria no primeiro turno. Porém, a movimentação da campanha, após a realização das convenções, mudou completamente. E não dá para dizer que houve uma virada de Marcos Rogério. O fato é que, no início do ano, apenas Adailton Fúria estava na campanha, razão pela qual parecia ser o candidato que poderia vencer. No fim das contas, Marcos Rogério venceu em 49, dos 52 municípios do estado, e quase repetiu o resultado de Marcos Rocha, em 2022. Naquele ano, Marcos Rogério perdeu para o atual governador em 50 municípios de Rondônia e também foi atropelado. Logo após a vitória do governador eleito, Adailton Fúria concedeu uma entrevista e declarou que não tinha como contestar a vitória do adversário. Neste caso, Fúria está corretíssimo, porque essa deve ser a conduta de todos os candidatos que disputam eleição e perdem nas urnas. O sistema eleitoral brasileiro merece respeito, assim como todas as pessoas que trabalham na eleição. É muito deselegante perder a eleição e ficar procurando culpados onde não existe. Os partidos políticos, os políticos e os eleitores precisam respeitar a democracia!
Como já era esperado, Adailton Fúria venceu em Cacoal, onde obteve 29.417 votos, o que representa 54,88% dos votos válidos. O governador eleito, Marcos Rogério, obteve 17.953 votos (33,50%). As únicas surpresas na eleição de governador em Cacoal ficaram por conta de Hildon Chaves e Expedito Netto. No caso de Hildon Chaves, pelo fato de ter o vice de Cacoal, muita gente acreditava que ele poderia ter um resultado melhor, já que o deputado Cirone Deiró tem uma liderança indiscutível na Capital do Café, além de muitas entregas. Mas não foi o que aconteceu. Chaves teve apenas 4.010 votos (7,48%), uma votação pífia para um município do tamanho de Cacoal. A outra surpresa foi o fato de Expedito Netto ter conseguido 2.077 votos (3,88%), sem ter feito campanha no município. Aliás, a desorganização na campanha de Expedito, em todo o estado, é uma coisa que o PT vai precisar avaliar como muita atenção, porque uma campanha de governador exige o mínimo de organização. Os dados oficiais da Justiça Eleitoral mostram que Expedito Netto venceu Hildon Chaves em 30 municípios. Isso mostra que faltou acreditar, faltou organização e certamente o PT ficaria com a terceira colocação. Na capital, por exemplo, Expedito ficou à frente de Fúria. Prova claríssima de que as coisas poderiam ser diferentes com mais organização…
Assim como Adailton Fúria venceu em seu município, Marcos Rogério também venceu em Ji-Paraná, e a diferença foi muito grande. Rogério obteve 45.769 votos (63,16%), enquanto Fúria chegou a 19.257 votos (26,58%). Em Jipa, Hildon e Expedito, outra vez, tiveram votações muito baixas. Hildon teve 2.426 votos (3,35%) e Expedito Netto 4.597 votos (6,34%). Os números oficiais não deixam dúvida de que a campanha de Marcos Rogério realmente convenceu o eleitor. Claro que há o fenômeno do bolsonarismo, mas isso não é motivo para questionar o mérito dos resultados a favor do senador. Em 2022, também havia o mesmo fenômeno, e Rogério foi derrotado. Adailton Fúria venceu em Ministro Andreazza e São Felipe, municípios totalmente dominados politicamente pelo ex-prefeito de Cacoal. Entretanto, não aconteceram percentuais compatíveis com a propaganda que esses dois municípios fazem em relação a Fúria. Em Andreazza, ele teve 2.216 votos (46,18%), e Marcos Rogério teve 1.869 votos (38,95%). No caso de São Felipe, a situação foi ainda mais apertada. Adailton Fúria teve 1.526 votos (43,89%) e Marcos Rogério teve 1.472 votos (42,34%). Com essa diferença de apenas 54 votos, o grupo de Fúria não pode dizer que São Felipe é um reduto do antunismo…
Finalmente, os números oficiais aqui comentados significam que a vitória de Marcos Rogério foi absolutamente tranquila, legítima e indiscutível. E com relação à vitória de Lula para a presidência, não resta nenhuma dúvida que foi o melhor para Rondônia, porque os números oficiais também mostram isso. Entre 2019 e 2022, não houve absolutamente nenhuma grande obra federal no estado, muito diferente do que aconteceu entre 2023 e 2026. Além disso, Lula é conhecido como um presidente que não faz distinção de governadores. Basta observar que Santa Catarina virou um grande canteiro de obras federais no atual mandato de Lula, embora tenha um governador completamente hostil ao PT. No caso de Rondônia, Marcos Rogério certamente não terá nenhuma dificuldade em se relacionar com o Planalto. Como já foi muito ligado à Dilma, a tendência natural é que Rogério se aproxime do governo Lula, para que Rondônia continue a receber fortes investimentos federais. O melhor caminho é deixar as disputas ideológicas para 2030… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado
Fonte: Tribuna Popular